APARECIDA: PADROEIRA DO BRASIL?
APARECIDA: PADROEIRA DO BRASIL?

         O Padre J�lio J. Brustoloni, mission�rio redentorista, no seu livro Hist�ria de Nossa Senhora da Concei��o Aparecida A Imagem, o Santu�rio e as Romarias - p. 115, ap�s achar que a imagem � motivo de contradi��o para muitos crentes (protestantes, evang�licos, especialmente Pentecostais), diz: O mais grave n�o � negar o culto � imagem de Nossa Senhora Aparecida, mas sim n�o aceitar o papel de Maria no plano de salva��o estabelecido por Deus. Eles aceitam que o seu Filho nasceu de uma mulher, Maria, mas n�o reconhecem o culto devido �quela Mulher que esmagou com sua descend�ncia a cabe�a do dem�nio, e que, por vontade de Deus, foi colocada em nosso caminho de salva��o para interceder por n�s.

Com um �nico vers�culo da B�blia, provavelmente muito conhecido pelo padre, sua teoria � desmontada:  Adorar�s o Senhor teu Deus e s� a Ele prestar�s culto (Mt 4.10b). Al�m do mais, n�o acreditamos que aquela imagem de barro, intitulada Nossa Senhora da Concei��o Aparecida, seja um retrato de Maria, m�e do Senhor Jesus Cristo, conforme nos revela a B�blia Sagrada.

S�o declara��es como as do padre J�lio J. Brustoloni, ou o espantoso livro de S. Afonso de Lig�rio "As Gl�rias de Maria", que transferem, sem a menor cerim�nia, todos os atributos e honras que pertencem exclusiva-mente ao Senhor Jesus para Maria  ou a tentativa malabarista da CNBB com o livreto "Com Maria, Rumo ao Novo Mil�nio" -uma for�osa tentativa de justificar o culto mariano, � que nos faz pronunciar, mostrando um outro caminho, aquele da B�blia, sem ret�rica ou esfor�o, um caminho c�ndido, sereno e verdadeiro, com todo respeito e amor aos cat�licos ro�manos, que todo crist�o deveria ter, apresentando-se firmes no tocante a s� doutrina (2 Tm 4.1-5).

Trata-se de uma pequena imagem de barro, medindo 39 cent�metros e pesando aproximadamente 4,5 kg, sem o manto e a coroa, que foram acrescentados1. As Anuas dos Padres Jesu�tas de 15 de janeiro de 1 750, dizem que, aquela imagem foi moldada em barro, de cor azul escuro; � afamada por causa dos muitos milagres realizados2. Dr. Pedro de Oliveira Neto, que estudou a imagem, apresentando o resultado em 13 de abril de 1967, afirma, em contrapartida:

A imagem encontrada pelos pesca-dores junto ao Porto de ltagua�u, e que hoje se venera na Bas�lica Nacional, � de barro cinza claro, como constatei, barro que se v� claramente em recente esfola-dura no cabelo3. A mesma conclus�o chegaram os artistas do MASP � Museu de Artes de S�o Paulo - em 1978, declarando:

Constatamos pelos fragmentos da Imagem em terracota, que ela � da primeira meta�de do s�culo XV!!, de artista seguramente paulista, tanto pela cor como pela qualidade do barro empregado e, tamb�m, pela pr�pria feitura da escultura (4). Essa pequena imagem feita de barro representa Maria para o catolicismo romano.

Segundo o Dr. Pedro de Oliveira Neto, a imagem de barro foi feita por um disc�pulo do Frei Agostinho da Piedade: A Imagem de Nossa Senhora Aparecida � paulista, de arte erudita, feita provavelmente na primei�ra metade de 1600, por disc�pulo, mas n�o pelo pr�prio mestre, do beneditino Frei Agostinho da Piedade. Os estudiosos, observando o estilo da imagem, conclu�ram que o autor da imagem foi o Frei Agostinho de Jesus, sendo provavelmente esculpida em 1650, no mosteiro beneditino de Santana de Parna�ba, SP (5).

Apresentaremos algumas hip�teses razo�veis, embora nunca tenhamos a certeza do fato. Nossa an�lise levar� em considera��o apenas as possibilidades culturais, religiosas e hist�ricas. O livro de Gilberto Aparecido Angelozzi,  Aparecida a Senhora dos Esquecidos, Ed Vozes; Cap�tulo III � p. 55-66, exp�e alguns poss�veis motivos sobre o assunto em quest�o.

Partindo do princ�pio de que realmente os pescadores acharam a imagem da Concei��o Aparecida no rio, podemos ent�o desenvolver as seguintes id�ias:

A teoria de que a imagem foi trazida pelos colonizadores brancos

  Por fam�lias que se instalaram no vale do Para�ba;

pelos bandeirantes, pois eles carregavam imagens de Maria por onde quer que passas�sem;

  pelos mission�rios carmelitas, franciscanos e jesu�tas que passaram por aquela regi�o;

por algum comerciante ou vendedor ambulante e ter sido quebrada em sua bagagem;

poderia fazer parte de um orat�rio familiar e, ao ter sido quebrado o pesco�o da imagem, ter sido lan�ada ao rio.

A teoria de que a imagem foi lan�ada no rio por escravos negros

Algum escravo negro, devido ao sincretismo religioso, poderia associar a imagem � de algum orix�, especialmente aos que est�o associados �s �guas;

poderia ter lan�ado a imagem nas �guas como um oferecimento a algum orix�, fazendo pedidos relacionados � sa�de: engravidar, gravidez de risco, prote��o � crian�a etc;

poderia ter sido lan�ado nas �guas para se obter riquezas ,ouro, dinheiro, pedras preciosas etc.

A teoria das lendas ind�genas

Uma lenda ind�gena relata que eles criam na grande cobra que habitava nos rios a Cobra Norato. Durante o dia era uma terr�vel cobra e � noite era um jovem que dan�ava com as mo�as. Algum padre teria lan�ado a imagem para proteger os �ndios;

Outra lenda diz que, na cidade de Jacare�, apareceu uma grande cobra e algu�m a enfrentou lan�ando a imagem da Imaculada Concei��o ao rio, fazendo com que a cobra fugisse.

A teoria oficial da Igreja Cat�lica Romana

O catolicismo romano possui duas fontes sobre o achado da imagem, que se encontram no Arquivo da C�ria Metropolitana de Aparecida (1 Livro do Tombo da Par�quia de Santo Ant�nio de Guaratinguet�) e no Arquivo Romano da Companhia de Jesus, em Roma (Annuae Litterae Provinciae Brasil�anae, anni 1748 et 1749)6.

A narrativa diz basicamente que, no ano de 1719, os pescadores Domingos Martins Garc�a, Jo�o Alves e Filipe Pedroso lan�avam suas redes no Porto de Jos� Corr�a Leite, prosseguindo at� o Porto de ltaguassu. Lan�ando Jo�o Alves a sua rede de rastro neste porto, tirou o corpo da Senhora, sem cabe�a. Lan�ando mais abaixo outra vez a rede, conseguiu trazer a cabe�a da mesma Senhora. N�o tinham at� aquele momento apanhado peixe algum. A partir de ent�o, fizeram uma copiosa pescaria que encheu as canoas de peixes. Ap�s esse milagre, surgiram outros relacionados � imagem.

A explica��o do Dr. An�bal Pereira dos Reis

Segundo o Dr. An�bal Pereira dos Reis ex-sacerdote, ordenado em 1949, formado em Teologia e Ci�ncias Jur�dicas pela Pontifica Universidade Cat�lica de S�o Paulo, em seu livro A Senhora Aparecida, Edi��es Caminho de Damasco Ltda, SP, 1988; trata-se de uma grande arma��o do padre Jos� Alves Vilela , p�roco da matriz local. Segundo suas investiga��es, foi o padre Jos� Alves Vilela quem colocou a imagem no rio e iniciou planejadamente a divulga��o dos supostos milagres, al�m de estar manipulando todo tempo a imagem e divulgando seus supostos milagres.

Pequena cronologia da Imagem

1717� Pescadores apanharam no rio a Imagem da Concei��o Aparecida

1745-1903 � A festa principal da Concei��o Aparecida � celebrada em 08 de dezembro;

1888 � No dia 06 de novembro, a princesa Isabel visita pela segunda vez a bas�lica e deixa como ex-voto uma coroa de ouro cravejada de diamantes e rubis;

1929 � Celebra��o dos 25 anos da Coroa��o de Maria em um Congresso Mariano;

1930� No dia 16 de julho, o Papa Pio XI assina o decreto, declarando Concei��o Aparecida a Padroeira do Brasil;

1931 � No dia 31 de maio, a imagem de barro da Concei��o Aparecida � declarada, oficialmente, na Capital Federal a Padroeira do Brasil. Get�lio Dornelles Vargas, era o presidente naquela �poca.

Segundo o padre J�lio J. Brusto�loni, Na Esplanada do Castelo, outra multid�o aguardava a chegada da Imagem Milagrosa. No grande estrado, junto do altar da Padroeira, encontravam-se o Presidente da Re�p�blica, Dr. Get�lio Dornelles Vargas, Ministros de Estado, membros do Corpo Diplom�tico credenciados junto do nosso governo,

e outras autoridades civis, militares e eclesi�sticas. O Sr. N�ncio Apost�lico, Dom Alo�sio Masella, estava ao lado do Presidente e sua fam�lia. Na Esplanada, a Imagem percorreu as diversas quadras para que o povo pudesse v�-la de perto, e, ao chegar ao altar, Dom Leme deu-a a beijar ao Presidente e sua fam�lia. Um sil�ncio profundo invadiu a Esplanada, quando a Imagem foi colocada no altar. Ap�s o discurso de sauda��o, Dom Leme iniciou o solene ato da proclama��o de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil7. Segundo relata o padre J�lio, ap�s a cerim�nia, o povo cat�lico romano gritou: Senhora Aparecida, o Brasil � vosso! Rainha do Brasil, aben�oai a nossa gente. Paz ao nosso povo! Salva��o para a nossa P�tria! Senhora Aparecida, o Brasil vos ama, o Brasil em v�s confia! Senhora Aparecida, o Brasil vos aclama, Salve Rainha!8

O QUE � IDOLATRIA

Vejamos algumas defini��es: �dolo. S.m. 1. Est�tua ou simples objeto cultuado como deus ou deusa, 2. Objeto no qual se julga habitar um esp�rito, e por isso venerado. 3. Fig. Pessoa a quem se tributa respeito ou afeto excessivo. Id�latra. Adj. 2 g. 1. Respeitante �, ou pr�prio da idolatria. 2. Que adora �dolos. 3. Idol�trico (2). * s. 2 g. 4. Pessoa que adora �dolos; Idolatrar. V t. d. 1. Prestar idolatria (1) a; amar com idolatria (1); adorar, venerar. 2. Amar com idolatria (2), com excesso, cegamente. Int. 3. adorar �dolos; praticar a idolatria (1). Idolatria. SE. 1. Culto prestado a �dolos. 2. Amor ou paix�o exa�gerada, excessiva9. Idolatria- 1. Essa palavra vem do grego, e�dolon, �dolo, e latre�ein, adorar. Esse termo refere-se � adora��o ou venera��o a �dolos ou imagens, quando usado em seu sentido prim�rio. Por�m, em um sentido mais lato, pode indicar venera��o ou adora��o a qualquer objeto, pessoa, institui��o, ambi��o etc, que tome o lugar de Deus, ou que lhe diminua a honra que lhe devemos ( 10).

O culto � imagem esculpida, deuses de fundi��o, imagem de escultura, est�tua, figura de pedra, imagens sagradas ou �dolos � idolatria e profanam a ordem divina.

N�o far�s para ti imagens esculpidas, nem qualquer imagem do que existe no alto dos c�us, ou do que existe embaixo, na terra, ou do que existe nas �guas, por debaixo da terra. N�o te prostrar�s diante delas e n�o lhes prestar�s culto (Ex 20.4)

N�o vos voltareis para os �dolos, nem fareis para v�s deuses de fundi��o. Eu sou o Senhor vosso Deus (Lv 19.4)

N�o fareis para v�s �dolos, nem para v�s levantareis imagem de escultura nem est�tua, nem poreis figura de pedra na vossa terra para inclinar-vos diante dela. Eu sou o Senhor vos�soDeus (Lv26.1)

Confundidos sejam todos os que adoram imagens de esculturas, que se gloriam de �do�los in�teis... (SI 9 7.7)

Os �dolos deles s�o prata e ouro, obra das m�os do homem. T�m boca, mas n�o fa�lam, t�m olhos, mas n�o v�em; t�m ouvidos, mas n�o ouvem, t�m nariz, mas n�o cheiram; t�m m�os, mas n�o apalpam, t�m p�s, mas n�o andam; nem som algum sai da sua gar�ganta; Tornem-se semelhantes a eles os que os fazem, e todos os que neles confiam. (SI .115.4-9         e 135.15-18)

A tua terra est� cheia de �dolos, inclina�ram-se perante a obra das suas m�os, diante daquilo que fabricaram os seus dedos. Pelo que o homem ser� abatido, e a humanidade humilhada; n�o lhes perdoes! (Is 2.8-9)

... Ao Senhor teu Deus adorar�s, e s� a ele servir�s (Mt 4.11; Lc 4.8)

O principal de todos os mandamentos �: Ouve, � Israel, o Senhor nosso Deus � o �nico Senhor! Amar�s ao Senhor teu Deus de todo o teu cora��o, de toda a sua alma, de todo o teu entendimento e de todas as tuas for�as (Mc .12.29-30; Mt 22.37).

Mas vem a hora, e j� chegou, em que os verdadeiros adoradores adorar�o o Pai em esp�rito e em verdade, pois o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus � Esp�rito, e impor�ta que os que o adoram o adorem em esp�rito e em verdade (Jo.4.23-24)

Enquanto Paulo os esperava em Atenas, o seu esp�rito se revoltava em si mesmo vendo a cidade t�o entregue � idolatria (At 1 7.16)

N�o sabeis que os injustos n�o h�o de herdar o reino de Deus? N�o erreis: nem impuros, nem id�latras, nem ad�lteros, nem efeminados, nem sodomitas, nem ladr�es, nem avarentos, nem b�bados, nem maldizentes, nem roubadores herdar�o o reino de Deus (1 Co 6.10-11; Ef5.5)

N�o vos fa�ais id�latras, como alguns deles; como est� escrito: O povo assentou-se a comer e a beber, e levantou-se para folgar (1 Co 10.7).

E que consenso tem o templo de Deus com os �dolos? Pois v�s sois santu�rios do Deus vivente... (2 Co 12.2)

As obras da carne s�o conhecidas, as quais s�o: prostitui��o, impureza, lasc�via, idolatria, feiti�arias, inimizades, porfias, ci�mes, iras pelejas, dissens�es, fac��es, invejas, bebedices, orgias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como j� antes vos preveni, que os que cometem tais coisas n�o herdar�o o reino de Deus (GI 5.5)

Filhinhos, guardai-vos dos �dolos(1 Jo5.21)

* Mas, quanto aos medrosos, e aos incr�dulos, e aos abomin�veis, e aos homicidas, e aos ad�lteros, e aos feiticeiros, e aos id�latras, e a todos os mentirosos, a sua parte ser� no lago que arde com fogo e enxofre, que � a segunda mor�te (Ap 21.8)

Ficar�o de fora os c�es, os feiticeiros, os ad�lteros, os homicidas, os id�latras, e todo aquele que ama e pratica a mentira (Ap. 22.1 5).

Deus proibiu ao seu povo a confec��o e o culto a imagens, est�tuas etc, visto que os povos pag�os atribu�am a esses artefatos de barro, madeira ou outro material corrupt�vel, um car�ter religioso. Acreditavam, al�m do mais, que a divindade se fazia presente por meio dessa pr�tica. O Deus Todo-Poderoso ensinou seu povo a n�o cultuar imagens. Sua palavra era t�o poderosa no cora��o do seu povo, que, embora muitos homens santos, profetas e sacerdotes, homens exemplares, com todas as virtudes para serem canonizados (os her�is da B�blia), n�o foram pretextos para serem adorados ou cultuados, nem fizeram suas imagens e nem lhes prestaram culto. Deus proibiu seu povo de fabricar imagens de escultura, de fundir imagens para cultu�-las (Ex 20.23 e 34.1 7).

Algumas imagens que Deus mandou fazer n�o tinham por objetivo elevar a piedade de Israel e nem ser�viam de modelo para reflex�o ou conduta. Eram apenas s�mbolos decorativos e representativos. Deus mandou fazer a Arca da Alian�a; mandou fazer figuras de querubins no Tabern�culo e no Templo, entre outros utens�lios (1 Rs 6.23-29; 1 Cr 22.8-1 3; 1 Rs 7.23-26) , al�m de outros ornamentos (1 Rs 7.23-28). Essas figuras, por�m, jamais foram adoradas ou veneradas, ou vistas como objeto de culto. Se os filhos de Israel tivessem adorado, cultuado ou venerado esses objetos, sem d�vida, Deus mandaria destru�-los. Foi isso o que aconteceu com a serpente de bronze, levantada por Mois�s no deserto, quando se tornou objeto de culto (2 Rs 18.4).

Quando analisamos esta quest�o na hist�ria da na��o de Israel, o povo que recebeu os mandamentos de Deus e a preocupa��o dos judeus religiosos em manter-se fi�is, podemos entender que, apesar do Antigo Testamento proibir a confec��o de imagens relativamente, no entanto a adora��o ou culto a imagens era absolutamente proibido: N�o te prostrar�s diante delas e n�o lhes prestar�s culto (Ex 20.4b).

Em algumas sinagogas do s�culo III e at� hoje encontramos pinturas de her�is da f� em seus vitrais etc, jamais, entretanto, veremos judeus orando, cultuando ou invocando Mois�s, Abra�o ou Ezequiel.

N�o encontramos argumento algum que justifique o culto, venera��o ou a fabrica��o de imagens no Novo Testamento.

� A B�blia mostra que Paulo sofria por ver o povo entregue a idolatria: Enquanto Paulo os esperava em Atenas, o seu esp�rito se revoltava em si mesmo, vendo a cidade t�o entregue � idolatria (At 1 7.1 6).

� Paulo foi atacado pelos art�fices, ourives e comerciantes de imagens: Certo ourives, por nome Dem�trio, que fazia de prata miniaturas do templo de Diana, dava n�o pouco lucro aos art�fices. Eles os ajuntou, bem como os oficiais de obras semelhantes, e disse: Senhores, v�s bem sabeis que desta ind�stria vem nossa prosperidade. E bem vedes e ouvis que n�o s� em �feso, mas at� quase em toda a �sia, este Paulo tem convencido e afastado uma grande multid�o, dizendo que n�o s�o deuses os que fazem com as m�os. N�o somente h� perigo de que a nossa profiss�o caia em descr�dito, mas tamb�m de que o pr�prio templo da grande deusa Diana seja estimado em nada, vindo a ser destru�da a majestade daquela que toda a �sia e o mundo veneram. Ouvindo isto, encheram-se de ira, e clamaram: Grande � a Diana dos ef�sios! (Atos 19.24-28)

 

O  culto aos santos s� come�a a partir de cem anos, aproximadamente, depois da mor�te de Jesus, com uma t�mida venera��o aos m�rtires11. A primeira ora��o dirigida expressamente � M�e de Deus � a invoca��o Sub tuum praesidium, formulada no fim do s�culo III ou mais provavelmente no in�cio do 1V12. N�o podemos dizer que a venera��o dos santos e muito menos a da M�e de Cristo fa�a parte do patrim�nio original13. Se o culto aos santos e a Maria fosse correto, Jo�o, que escreveu o �ltimo evangelho, aproximadamente no ano 100 d.C. , certamente falaria sobre o assunto e incentivaria tal pr�tica. Ele, por�m, nos adverte: Filhinhos, guardai-vos dos �dolos (1 Jo 5.21). Na luta para justificar o culto �s imagens, bem como seu uso nas Igrejas, os cat�licos apresentam a teoria da pedagogia divina.

D. Estev�o Bettencourt resume assim a teoria: . . .0s crist�os foram percebendo que a proibi��o de fazer imagens no Antigo Testamento tinha o mesmo papel de pedagogo (condutor de crian�as destinado a cumprir as suas fun��es e retirar-se) que a Lei de Mois�s em geral tinha junto ao povo de Israel. Por isto, o uso das imagens foi-se implantando. As gera��es crist�s compreenderam que, segundo o m�todo da pedagogia divina, atualizada na Encarna��o, deveriam procurar subir ao Invis�vel passando pelo vis�vel que Cristo apresentou aos homens; a medita��o das fases da vida de Jesus e a representa��o art�stica das mesmas se tornaram recursos com que o povo fiel procurou aproximarse do Filho de Deus14. Assim criaram a id�ia de que, nas igrejas as imagens torna�ram-se a B�blia dos iletrados, dos simples e das crian�as, exercendo fun��o pedag�gica de grande alcance. E o que notam alguns escritores crist�os antigos: O desenho mudo sabe falar sobre as paredes das igrejas e ajuda grandemente (S. Greg�rio de Nissa, Paneg�rico de S. Teodoro, PG 46,73 7d). O que a B�blia � para os que sabem ler, a imagem o � para os iletrados (S�o Jo�o Damasceno,De imaginibus 1 1 7 PG 94, 1 248c)5

Levando-se em considera��o que um dos objetivos da Igreja Cat�lica Romana � ensinar a B�blia ao povo atrav�s das imagens, especialmente aos menos alfabetizados, surge-nos algumas perguntas: Por que se faz culto a elas, se o objetivo � ensinar a B�blia? Por que ap�s passar dezenas de anos, com milhares de cat�licos alfabetizados, ainda insistem em cultuar imagem? Se realmente a imagem fosse o livro daqueles que n�o sabem ler, por que os cat�licos alfabetizados s�o t�o devotos e apegados �s imagens? Ser� que pode-

mos desobedecer a B�blia para superar uma defici�ncia de entendimento? Onde est� a base b�blica para esta Teoria da Pedagogia Divina? Ser� que a encarna��o do verbo poderia servir de base para se fazer imagens dos santos e cultu�-los?

A Igreja Cat�lica Romana apresenta basicamente duas fontes para justificar o culto �s imagens: a tradi��o e as opini�es de seus l�deres. Em resumo: opini�o dos homens. Citam a B�blia quando existe alguma possibilidade de apoio �s suas doutrinas. Esquecem o ensino do famoso cl�rigo cat�lico romano, Padre Vieira: As palavras de Deus prega�das no sentido em que Deus as disse, s�o palavras de Deus; mas pregadas no sentido em que nos queremos, n�o s�o palavras de Deus, antes podem ser palavras do dem�nio16. A Palavra de Deus condena o culto �s imagens.

Os argumentos do catolicismo romano a favor do culto �s imagens fazem-nos lembrar de um rei na B�blia, chamado Saul, que quis agra�dar a Deus com sua opini�o, mesmo contrariando frontalmente a Palavra de Deus (1 Sm 15.1-23). O catolicismo romano, de modo semelhante, contrariando a B�blia, entende que a imagem � o livro daqueles que n�o sabem ler. O rei Saul, achava que oferecer sacrif�cios era melhor, mais l�gico, mais correto, mais racional. Acreditava que estava prestando um grande servi�o a Deus (1 Sm 15.20-21). Deus, no entanto, o reprovou, dizendo: Tem o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrif�cios, como em que se obede�a � sua palavra? Obedecer � melhor do que sacrificar, e atender melhor � do que a gordura de carneiros (1 Sm15.22). Deus pro�be terminantemente o culto a �dolos e imagens (Ex 20.1 -6; Lv 26.1; Nm 33.52; Dt.27.15; 2 Rs .21.11; Sl115.3-9; 135.15-18; 1s2.18; 41.29; Ez 8.9-12; Mt4.1 1; At 15.20; 21.25; 2 Co 6.16).

O catolicismo romano ensina o culto � imagem inventando uma teoria, contr�ria � B�blia e insiste em dizer que est� fazendo isso para ajudar a obra de Deus. Ainda que Saul pensas�se estar prestando um servi�o a Deus, como fazem aqueles que prestam culto � imagem da Concei��o Aparecida, seu ato foi uma desobedi�ncia � Palavra de Deus, e isso � considerado rebeli�o (1 Sm 15.21-26).A B�blia diz: rebeli�o � como pecado de feiti�aria, e a obstina��o � como a iniq�idade de idolatria. Por�quanto rejeitaste a palavra do Senhor, ele tamb�m te rejeitou... (1 Sm 1 5.2 3).

Prezado leitor, o culto �s imagens ser� sempre uma abomina��o a Deus. E a marca e a continuidade do paganismo. Cristianismo � a f� exclusiva na obra do Senhor Jesus (Jo.3.1 6; Rm5.8; Ef2.8-9;1 Tm2.5;Tt2.11).E adora��o exclusiva a Deus: .. Ao Senhor teu Deus adorar�s, e s� a ele servir�s (Mt 4.11; Lc 4.8). O principal de todos os mandamentos � Ouve, � Israel, o Senhor nosso Deus � o �nico Senhor! Amar�s ao Senhor teu Deus de todo o teu cora��o, de toda a sua alma, de todo o teu entendimento e de todas as tuas for�as (Mc 1 2.29-3Q~ Mt 92 37). Mas vem a hora, e j� chegou, em que os verdadeiros adoradores adorar�o o Pai em esp�rito e em verdade, pois o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus � Esp�rito, e importa que os que o adoram o adorem em esp�rito e em verdade (Jo 4.23-24).

  ENTENDENDO A ESTRUTURA PIRAMIDAL DO CULTO DA IGREJA CAT�LICA

LATRIA - ADORA��O A DEUS
HIPERDU LIA - DEVO��O � MARIA
DULIA- DEVO��O AOS SANTOS E AOS ANJOS

A Dificuldade do Catolicismo Romano para justificar essa Teoria.

Se os cat�licos romanos se limitassem a exaltar os her�is da f�, e a prop�-los como modelo a ser seguido, n�o haveria nenhum problema. Assim agem tamb�m os crist�os genu�nos. Infelizmente, n�o � isso que acontece. Por mais que o l�deres cat�licos romanos se esforcem em suas infind�veis apologias ou explica��es, elas n�o passam de tentativas v�s e superficiais. Exemplo dessa tentativa � a teoria de tr�s tipos de devo��o: a dulia, a hiperdulia e a latria. Perguntamos: qual a diferen�a que pode haver entre a dulia e a hiperdulia? Qual a diferen�a das duas com a latria? A verdade � que os tr�s termos se confundem. Os dois termos (dulia e hiperdulia) podem estar envolvidos com a latria e tudo se torna uma distin��o que n�o distingue coisa alguma. As pessoas que se prostram diante de uma imagem da Concei��o Aparecida, ou de S�o Jo�o, ou de S�o Sebasti�o ou de Jesus sabem que est�o cultuando em n�veis diferentes? Para elas n�o seria tudo a mesma coisa?

Imagine um cat�lico romano bem instru��do que vai para o culto. Primeiramente ele pretende cultuar S�o Jo�o. Dobra ent�o seus joelhos diante da imagem de S�o Jo�o e pratica a dulia. Depois, ir� prestar culto a Maria, deixando, nesse momento, de praticar a dulia e passando a praticar a hiperdulia. Finalmente, com inten��o de cultuar a Deus, ele come�a a praticar a latria.

N�o acreditamos que o povo cat�lico ro�mano saiba diferenciar a dulia, a hiperdulia e a latria, e mesmo que soubesse diferenci�-las, dificilmente conseguiria respeitar os limites de cada uma.

Qual � a diferen�a?

Adora��o e Venera��o. H� diferen�a entre adorar e prestar culto? Se prostrar-se diante de um ser, dirigir-lhe ora��es e a��es de gra�a, fazer-lhe pedidos, cantar-lhe hinos de louvor n�o for adora��o, fica dif�cil saber o que o catolicismo romano entende por adora��o. Chamar isso de venera��o � subestimar a intelig�ncia humana.

Culto aos santos. Analisando essas pr�ticas cat�licas � luz da B�blia e da hist�ria, fica claro que s�o pr�ticas pag�s. O papa Bonif�cio IV, em 610, celebrou pela primeira vez a festa a todos os santos e substituiu o pante�o romano (templo pag�o dedicado a todos os deuses) por um templo crist�o para que as rel�quias dos santos fossem ali colocadas, inclusive Maria. Dessa forma o culto aos santos e a Maria17 substituiu o culto aos deuses e as deusas do paganismo.

Maria � deusa para os cat�licos? Os cat�licos manifestam um sentimento de profunda tristeza quando afirmamos que Maria � reconhecida como deusa no catolicismo. Dizem que n�o estamos sendo honestos com essa declara��o, mas os fatos falam por si mesmos.O livro Gl�rias de Maria, publicado em mais de 80 l�nguas, da autoria de Afonso Maria de Lig�rio, canoniza�do pelo Papa, atribui � Maria toda a honra e toda a gl�ria que a B�blia confere ao Senhor Jesus Cristo. Chama Maria de onipotente, al�m de mencionar outros atributos divinos:

Sois onipotente, � Maria, visto que vosso Filho quer vos honrar, fazendo sem demora tudo quanto v�s quereis18. .Os pecadores s� por intercess�o de Maria obt�m o per�d�o19..., O m�e de Deus vossa prote��o traz a imortalidade; vossa intercess�o, a vida20. Em v�s, Senhora, tendo colocado toda a minha esperan�a e de v�s espero minha salva��o, . . . Maria � toda a esperan�a de nossa salva��o, acolhei-nos sob a vossa prote��o se salvos nos quereis ver; pois s� por vosso interm�dio esperamos a salva��o21.

Os querubins. A passagem b�blica dos querubins do propiciat�rio da arca da alian�a (�x 25.18-20), advogada pelos te�logos cat�licos romanos, n�o se re�veste de sustenta��o alguma, pois n�o existe na B�blia uma passagem sequer em que um judeu esteja dirigindo suas ora��es aos querubins, ou depositando sua f� neles, ou lhes pagando promessas. Esse propiciat�rio era a figura da reden��o em Cristo (Hb 9.5-9). A B�blia condena terminantemente o uso de imagem de escultura como meio de cultuar a Deus (�x 20.4, 5; Dt 5.8,

9). O culto aos santos e a adora��o � Maria, � luz da B�blia, n�o apresentam o catolicismo romano como religi�o crist�, mas como idolatria (1 Jo 5.21). Jesus disse:

Ao Senhor, teu Deus, adorar�s e s� a ele servir�s (M t 4.10). O anjo disse a Jo�o: Adora somente a Deus (Ap .19.10; 22.9). Pedro recusou ser adorado por Corn�lio (At.10.25,26).

Embora a Igreja Cat�lica Apost�lica Romana tenha declarado que a imagem de barro da Concei��o Aparecida seja a Padroeira e Senhora da Rep�blica Federativa do Brasil, consagrando o dia 12 de outubro a esse culto estranho �s Escrituras Sagradas, os crist�os evang�licos, alicer�ados na autoridade da B�blia Sagra�da, declaram como Paulo: E toda l�ngua confesse que JESUS CRISTO E O SENHOR, para gl�ria de Deus Pai(Fl 2.11).

Notas:

1 Aparecida, Capital Mariana do Brasil. Autor Professor. Oswaldo Carvalho Freitas, Editora: Santu�rio. Aparecida-SP p.85.

2 Hist�ria de Nossa Senhora da Concei��o Aparecida. Autor: J�lio j.

Brustoloni, Editora: Santu�rio. Aparecida-SP p. 20

3 Mesmo livro citado, p. 20-21 � nota de rodap� 5.

4 Mesmo livro citado, p. 21 � nota de rodap� 6.

5 Mesmo livro citado, p. 21-22.

6 Mesmo livro citado, p. 43.

7 Mesmo livro citado, p. 346.

8 ldem � p. 347.

9 Dicion�rio Aur�lio de Holanda Ferreira.

10 Enciclop�dia de Norman Champlin e Paulo-SP. Vol 3, p. 206.

11 O Culto a Maria Hoje. Autores: V�rios. Sob a dire��o de Wolfgang Beinert. Editora: Paulinas. S�o Paulo-SP p.33.

12 O mesmo livro citado. p. 33.

13 O mesmo livro citado. p. 33.

14 Di�logo Ecum�nico. Autor: Estev�o Bettencourt . Editora: L�men Caristi. Rio de Janeiro-Ri. p. 231.

15 Mesmo livro citado, p. 232.

16 Serm�es. Autor: Padre Antonio Vieira. Editora: Lello & Irm�os. Porto �Portugal.

1 7 Atlas Hist�rico do Cristianismo. Autora: Andr�a Du�. Editoras: Santu�rio / Vozes. S�o Paulo-SP p.72.

18 Gl�rias de Maria. Autor: Afonso Maria de Lig�rio. Editora: Santu�rio. Aparecida-SP p. 100

19 Mesmo livro citado, p.76.

20 Mesmo livro citado, p.2�7.

21 Mesmo livro citado, p.l47.  

EXTRA�DO REVISTA DEFESA DA F� - N�MERO 26 - www.icp.com.br 

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