Pr Marcos César

Uma abordagem bíblica sobre o ministério cristão

Texto bíblico: 2Co 6:1-10

David Fisher disse: “O Ministério cristão é obra de Deus. Nenhum de nós merece a nossa vocação nem é adequado para a tarefa”.
A nova Bíblia inglesa traduz 2Co 4:7 assim: “Não somos mais que vasos de barro para conter este tesouro”.
London Jr já orava assim: “Pai Santo, faz-me fiel às prioridades do reino. Usa meus dons para Tua Glória, minhas habilidades em favor do teu povo, minha força para o teu serviço. Amém”.

Neil Wiseman disse: “Todo vocacionado deveria perguntar:”

-Que diferença eu faço no meu ministério?

-Por que eu estou aqui?

-Quem me enviou?

-O que Deus deseja realizar neste lugar através da minha vida?

Suas respostas moldarão o seu ministério e determinarão a sua eficácia.

Eu quero analisar o que é o ministério pela perspectiva de Paulo em 2Co 6:1-10.

Vamos examinar os fatores internos e externos no ministério cristão. Se não soubermos administrar estes fatores acabaremos desistindo no meio do caminho.

 

FATORES INTERNOS

1) Em primeiro lugar Paulo disse que o ministério tem que ser adornado de paciência

“...Na muita paciência”

O que  é paciência? Paciência significa habilidade em conservar o projeto do ministério mesmo quando as águas são agitadas.

Lembre-se que esta virtude deve acompanha-lo no seu dia a dia ministerial.

O maior pregador da Grécia, João Crisóstomo disse: “A paciência é um porto que não conhece tempestade”.

Poucos são os líderes que demonstram paciência no exercício do ministério que Deus lhes deu.

A primeira coisa que Paulo fala sobre o amor em 1Co 3:4, é que “...Ele é paciente”.

Preste-me atenção: ser paciente não tem nada a ver com o ser complacente (com o pecado), e sim agir pacientemente para recuperar aquele que pecou.

Jonathas Edwards, quando assumiu a igreja de seu avô em Massachussetts, foi rejeitado por 230 membros em uma congregação de 250. E ele revelou, com seu imenso e dócil coração, muita paciência.

Ao comentar o fato, Martin Lloyd Jones, disse: “Que isso é um alerta de Deus para todos os seus escolhidos”.

Você tem sido paciente com seus liderados?

Você tem sido paciente com aquele que sempre está lhe criticando?

Você tem sido paciente com aquele que faz tudo para não aceitar seu ministério?

Paulo revelou seu apostolado, sua chamada, sua vocação ministerial,...

...NA MUITA PACIÊNCIA

2) Paulo disse que o ministério tem momentos de aflições

Precisamos analisar dois grandes conceitos neste contexto:

  1. O primeiro vem dos ativistas. Para os ativistas, através do exercício da fé, podemos acabar com todas as enfermidades e dificuldades da vida. Dizem que todo o mal vem de satanás e que deve ser enfrentado com ousadia.

  2. O segundo conceito nasceu no século XVII na França e na Itália, chamado de Quietismo. O Quietismo aceita as aflições como uma disciplina de Deus. Isto é, tudo o que acontece nesse campo de dores vem de Deus. A síntese desse movimento, era que o mal fora planejado para o nosso bem. Portanto devemos nos aquietar.

O líder, segundo os ativistas, não deve ficar deprimido; tem de ser um herói 24 horas por dia. Nós sabemos que há momentos no ministério em que a vontade é desaparecer, é largar tudo, é fugir como o salmista para o deserto como o pelicano.

Martin Lloyd Jones, disse: “O líder que nunca passou pelo vale, não conhece a Deus”.

3) Paulo disse que o ministério tem suas privações

Um dos grandes problemas do líder é que ele nunca se acha débil. Procuram muitas vezes revelar uma força que não tem. O medo de fracassar em seus projetos é um fantasma que ronda a sua liderança.

Um certo teólogo disse que nós precisamos de pelo menos três pessoas compartilhando nosso ministério:

Precisamos de um Timóteo – alguém que você possa ensinar. Alguém que dependa de você para vencer as dificuldades da vida.

Precisamos de um Barnabé – alguém que esteja no mesmo nível espiritual que você. Alguém com que você possa se abrir, contar suas frustrações e receber todo o apoio. Este ponto é muito importante no ministério do líder.

Precisamos de um Paulo – alguém que esteja acima de você e que possa orientá-lo nos seus momentos difíceis. Alguém que possa servir de referencial para vocÊ nos momentos de provação.

 

4) Paulo disse que o ministério tem suas angústias

O sentido aqui é de – ESTREITAMENTO - . A idéia é que o líder pode a qualquer momento ser confinado, ser levado a um ambiente apertado, fechado.

São freqüentes os momentos em que os espaços diminuem. Você se esforça, luta, mas não consegue avançar, não consegue progredir.

Angústia faz parte do ministério.

FATORES EXTERNOS

1) Paulo fala dos açoites

O sentido desta palavra aponta para um dos sofrimentos maiores do ministério. O enfoque maior desta palavra se refere as feridas, aos golpes que recebemos em nossas emoções, em nossa mente.

Aqui corremos também um outro perigo: o de produzir um estado de melancolia. Em seu livro “As máscaras da melancolia”, Freud diz: “Analisando os aspectos da melancolia, cheguei a conclusão que ela produz uma anulação do interesse pelo mundo exterior, uma perda da capacidade de amar, uma inibição de toda a atividade e uma diminuição dos sentimentos de valor próprio até o ponto de auto-recriminações e auto-injúrias...”

Paulo tinha as marcas de Cristo em seu corpo. Estas marcas ainda são necessárias ao ministério.

Lembre-se: Ministério sem dor, não é ministério. Precisamos estar preparados para sofrermos esses golpes; eles fazem parte da nossa chamada.

2) Paulo fala das prisões

Eu creio que não iremos ferir o texto bíblico, ao aplicarmos estas experiências de Paulo em nosso contexto social. Hoje poucos sabem o que é uma prisão. Poucos são os ministros que exercem esse ministério. Devemos portanto pensar em prisão, no sentido de não termos outro espaço para viver a não ser o do ministério. Fomos aprisionados por Cristo. Ef 3:1

Mesmo com  todas as dificuldades já apontadas, não podemos fugir desse compromisso.

3) Paulo fala dos tumultos

O sentido é de vacilação, de instabilidade, de desesperança. Neste ponto nós podemos nos identificar com o Apóstolo Paulo.

Ainda hoje sofremos este tipo de problema na igreja. Há muita gente interessada em tumultuar o ambiente. Há correntes contrárias que tentam desestabilizar o nosso ministério. É importante saber que não estamos livres de tumultos na igreja.

4) Paulo fala nos trabalhos, nas vigílias e nos jejuns

Certo teólogo disse “ministério é trabalho, não é distração”.

Sem este trio de atividades o ministério não cresce. E este trabalho exige momentos de reflexão e isolamento, de afastamento de tudo e de todos para ouvir a voz de Deus.

No capítulo 6 de 1Co, Paulo está tratando realmente de uma crise que todo vocacionado tem que passar. A palavra crise procede do termo grego “krises”, que significa juízo, julgamento.

Daí entende-se que crise não é apenas um tempo depressivo; é um período de julgamento, discernimento, autocrítica, sondagem, exame, transição. No caso da vocação, é o julgamento das bases reais do chamado, uma reavaliação de suas autenticidades e de seus objetivos.

Lê-se nas escrituras que até mesmo grandes e piedosos servos de Deus, como Elias e Samuel, entraram em crise.

Não podemos impedir que as crises aconteçam, mas devemos ser cautelosos para que elas não nos façam duvidar da nossa vocação.

Alguns exemplos que podem nos ajudar:

  • Hudson Taylor – diz-se que ele não viu fruto de sua obra por cinco longos anos.Entretanto não duvidou de sua vocação nem abandonou o trabalho missionário.

  • William Cary – o pai das missões modernas, esperou sete anos para ver os frutos de sua obra na Índia. Quando alguém lhe perguntou se ainda acreditava na sua vocação, em face disso, ele respondeu: “Sim eu creio. Deus converte quando e como Ele quer”.

  • Noé – o pregador da justiça (2 Pe 2:5), anunciou o arrependimento e a salvação durante os longos dias da construção da arca, mas não teve um único resultado positivo. Entretanto, sem duvidar da sua vocação, foi em frente.

Quero lembrar que, mesmo firmados em uma estrutura sólida, o barco de nossa vocação não está livre da voragem do mar e do sopro assolador de ventos contrários. Nossa vocação sempre está atacada. É de interesse do inimigo faze-lo. Ele deseja desestabilizar e tornar inoperantes tantos quanto puder.

Mas maior é Aquele que nos chamou. Amém

 

 

 

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