- Então tá, eu vou te deixar sozinho, ok? - A menina disse, batendo a porta na cara do rapaz.
- ENTÃO VAI MESMO! - Ele respondeu com raiva.
Ela tinha cabelos castanhos e lisos, que caiam sobre seus ombros perfeitamente. Ela era não muito alta, mas era muito bonita em seus 17 anos. Seu corpo era perfeito e a roupa que ela usava o valorizava mais ainda. Uma calça jeans escura apertada, uma blusinha branca básica com a barriga de fora e para completar o look, um tênis surrado da Adidas.
Saiu andando pela rua, eram duas horas da manhã e seus pais tinham viajado. Como combinado, ela ia dormir na casa do namorado dela, mas quando ela chegou lá ele estava estudando. E ficou estudando até a hora de agora, coisa que deixou ela irritada. Estava cansada do jeito certinho dele. Apesar de ser popular, lindo e capitão do time, ele era um sem atitude mesmo.
Dobrou a esquina, e logo deu de cara com um menino que não usava camiseta. Ele estava de bermuda, tênis e um boné virado para trás, parecendo aqueles estilos "bad boy". Agitava a mão rapidamente sobre o muro, e ela pode perceber que ele pixava o muro da casa. Olhou melhor e reconheceu que era a casa da menina que estudava na mesma escola que ela, e que por sinal ela odiava.
- Você está fazendo algo que eu sempre quis fazer. - Ela sussurou, se aproximando do muro.
Assustado, o menino caiu pro lado no chão, fazendo ela rir. De repente, se levantou e conferindo ela passou a olhar para ela com um sorrisinho maroto.
- Então, quer se juntar a mim?
- Hum.. Por que não? - Ela respondeu, sorrindo.
Pegou uma latinha de spray cor preta e começou a desenhar alguma coisa qualquer. Ele mechia habilmente, formando um real desenho e mostrando sua técnica. Depois de um bom tempo em silêncio, ele virou para ela e disse;
- Dude, devia ser proibido meninas como você usarem barriga de fora.
- Já ouvi cantadas melhores, sabe?
- Claro, você deve ouvir uma diferente a cada dia. - Ele respondeu balançando a latinha.
- Verdade. E meu namorado adora isso.
- Namorado? - Ele falou dando um sorrisinho malicioso para ela.
- É. - Ela respondeu, com simplicidade
- Sabe que eu sempre quis fazer um piá ser corno?
- Tá esperando o quê? - Ela respondeu, dando um sorriso malicioso também.
Ele se aproximou dela, com intenção de beijá-la, mas ela se afastou. Levou os braços para o pescoço dele, e enganando ele, arrancou o boné da cabeça dele e saiu correndo.
- NÃAO, VOLTA AQUI. DEVOLVE! - Ele gritava, correndo atrás dela.
Ela ria, e corria mais ainda. Virou na primeira entrada que viu, que era um terreno abandonado. Dimiuiu o ritmo porque não aguentava mais e logo em seguida sentiu o menino chegar por trás dela. Tentou correr novamente, mas ele segurou e girou ela, colocando-a cara a cara com ele. Ela, querendo continuar com o joguinho, colocou as mãos com o boné pra trás.
Ainda cansado, o menino foi se aproximando dela e abraçando-a, na tentativa de pegar o boné. Ela resistia, mas ele começou a se irritar e grudou a cintura dela contra a dele. Ambos sentiram um calafrio percorrer o corpo, mas tentaram ignorar. Ele conseguiu fingir que nada ocorrera, mas ela ficou estática no chão. Ele pegou a cintura dela novamente, e arrancou o boné dela.
- Háaa, consegui! - Ele disse, rindo.
Se olharam por um momento, ele ainda segurando a cintura dela, até que algo os interrompeu.
- ? - Um outro garoto perguntou.
Fodeus!, ela pensou. Seu namorado estava ali, e pelo jeito observara a cena. E agora, qual é mesmo a desculpa que ela ainda não usou?
- Fala, . - Ela disse, se afastando um pouco do garoto.
O menino, percebendo que ele era namorado dela, se afastou dela. Pegou o skate, que estava jogado no chão e saiu andando.
- Hey, eu não sei seu nome! - Ela disse.
- Não precisa saber, gatinha. - Ele respondeu, piscando.
Pegou, tacou o skate novamente no chão e saiu andando. Não se conteve em pegar e fazer uma manobra para se exibir. Ela somente ficou olhando para ele, até que sentiu o namorado envolver com os braços a cintura dela. Afundou a cabeça dele no pescoço dela, coisa que ela tentou ignorar. Como num momento as coisas podem estar tão divertidas e no outro tão tediosas? Talvez, o que ela precise é de um pedaço de mau caminho.
levou ela novamente para a casa dele. não falou nada durante o caminho e ele não insistiu. Assim que chegaram em casa, o garoto cruzou os braços para ela como se exigisse explicação.
- Que foi? - Ela disse, irritada, tentando ir para a sala.
- Você tá me trocando por aquilo? - Ele respondeu, impedindo ela.
- É. - Ela respondeu secamente.
O garoto, que interpretou como irônia apesar de não haver nem um pingo disso no tom dela, envolveu novamente a cintura dela. Se aproximou, deu um beijo nela, e tentou empurrar ela para o sofá. Quando ele começou a andar, ela empurrou ele e falou:
- Para! Você não tava ocupado? Pois é, agora eu que 'tô!
Subiu as escadas e deitou na cama dele. Pouco lhe importava se ele ia interpretar que ela estava traindo ele ou não. Ela não sentia mais nada por ele mesmo, só ficava com ele porque.. Porque ela não tinha coragem de acabar com ele, vamos ser sinceros. Talvez agora chegou a hora de terminar com esse porre.
No dia seguinte, ela acordou e olhou para o lado. Estava vazio, graças a Deus ele não havia deitado ali com ela, não estava para isso. Se levantou, tomou um banho e colocou o vestido que tinha levado. Era branco, curtinho e básico, mas muito bonito. Desceu as escadas, e encontrou ele dormindo no sofá.
Foi até a cozinha, pegou algo para comer. Dois segundos depois, ele já estava do lado dela tentando arrancar um beijo.
- Eu dormi no sofá, porque achei que você tava brava comigo.. - Ele fez carinha de "tenha dó de mim".
- Tava não, eu estou. - Ela respondeu, seca.
- Ah, , para com isso. Você sabe que eu sou doido por você.
- E daí? - E deu de ombros.
- CARALHO, eu dormi no SOFÁ por você, e você me diz isso? - Ele disse erguendo o tom de voz.
- Digo, e repito: E daí? Quem você sonha que é pra usar esse tom de voz comigo? - Ela pegou a bolsa que estava jogada no outro sofá e saiu batendo a porta.
Foi andando até em casa. Entrou, trancou a porta e tacou a bolsa na cama. Abriu o computador e entrou no orkut. Aceitou/recusou alguns pedidos de adição, morreu rindo do depoimento que a amiga mandou para ela e deletou um do falando que amava ela. Fuçou algumas pessoas e o desligou.
Ouviu o celular tocar, e atendeu.
- Fala. - Ela disse.
-- Amor, vamos ir no cinema? - Era .
- Ai, não sei..
-- Isso, to aqui na frente te esperando.
- Ok.
Desistindo de dar o gelo nele (como sempre desistia), ela pegou a bolsa e desceu. Ele pegou na mão dela e eles chegaram no shopping sem falar nenhuma palavra. Ele foi comprar as entradas e ela a pipoca. Entraram na sessão e assistiram. Estava um clima muito ruim, já que nenhum falava nada e ambos prestavam atenção no filme que era um porre.
Acabou a sessão eles se levantaram e foram até as mesinhas que ficavam em frente a cafeteria que tinha no piso dos cinemas. Eles estavam começando a conversar, bem desanimadamente, até que ouviram um berro.
- DUDE, É A GATINHA DE ONTEM! - Um menino muito bonito, com o mesmo boné virado, vinha caminhando em direção a eles.
Ela somente sorriu, impossível não sorrir. Ele estava com 4 amigos, carregava uma mochila nas costas e o skate na mão, e abriu os braços quando gritou. Usava uma outra bermudona e dessa vez uma camiseta, que não combinava nada. Ele continuou rindo, e estendeu a mão para ela, que segurou. Ele puxou ela para se levantar e rodou-a.
- Falei que ela era linda, hm? - Ele disse, se dirigindo aos amigos.
- Para.. hey, você ainda não me disse seu nome! - Ela exclamou se esquecendo do sentando, olhando.
- , mas para gatas como você é . - Ele deu mais uma piscada - E ai, tá fazendo o que?
- Ah, eu vim no cinema. E você?
- Curtir com os amigos. - Ele respondeu.
- E ela veio curtir comigo. - disse, se levantando e abraçando ela por trás.
- Heey, easy tiger. Pode ficar com ela, eu só vim conversar na booa. Não pegaria ela, na sua frente, é claro. - Ele respondeu, como se falasse sobre o tempo. - E tipoo, tem certeza que ela queria vir? A cara dela quando você abraçou ela não foi de paixão não, dude. Se toca.
, sem resposta, ficou somente olhando para o menino. fazia o mesmo, só que discretamente babava nele. Na bem da verdade, queria perguntar se ela poderia ir com ele e com os amigos, deixar o .. Por que não tentar?
- Hey, posso ir com vocês? - Ela disse, pro espanto de todos.
- .. - começou.
Ela se virou, e disse:
- Olha, não dá mais. Você tá ocupado estudando, e eu to ocupada curtindo. Acho que a gente tem que dar um tempo, na boa. - E olhou para , exigindo uma resposta.
- Claro! - Ele disse, rindo da cara do .
Ela balançou o braço de leve, como se perguntasse onde eles iam, e saiu andando com eles. , chocado, somente ficou parado observando. Não conseguia acreditar que tinha sido trocado por um tipozinho skatista que usava gírias toscas. ELE, QUE ERA CAPITÃO DO TIME DE FUTEBOL! Qual era, ele ia conseguir ela de volta. Nem que para isso precisasse apelar para a mãe e o pai dela. Há, ele ia. Sonha pobre, uma vez dentro desse outro mundinho, é muito impossível sair.
observava os garotos. Todos falavam o mesmo estilo, se vestiam parecido e pareciam ser bem amigos. Conversavam mexendo bastante a mão, o que fazia ela rir. não apresentou nenhum a ela, e parecia que não ia apresentar mesmo.
- Então, onde você quer ir, gatinha? - Ele disse.
- Ah, eu vou aonde vocês forem. - Ela respondeu, com vergonha.
- Nãao, você escolhe. Ok, eu escolho. - Ele falou, interrompendo ela. - Vamos tomar um sorvete.
Ela concordou com a cabeça. andava na frente com ela ao lado, e os outros atrás. Ele foi pedir o sorvete enquanto eles se sentavam na mesa. se sentou na ponta, com uma mistura de vergonha e confusão, sem saber o que fazer.
- E ai, quer dizer que você é a garota que pixou a casa junto com o ? - Um falou, por fim.
- É.. - Ela disse.
- Dude, não precisa ter vergonha. A gente não vai te machucar nem nada, nem morder. Tá, o talvez te morda, maas.. Pode conversar com a gente, eu deixo.
- Hum, e quem disse que preciso da sua autorização para conversar com vocês? - Ela disse, rindo.
Os meninos soltaram um "UHH", como se falassem: "Haha, ela te humilhou.", o que fez ela sorrir. Não é assim tão dificil, ela pensou, sorrindo mais ainda.
- Ok, desculpa princesinha. - Ele respondeu, fechando a cara para ela.
- Tá desculpado. E ai, qual o nome de vocês? - Ela disse, ainda sorrindo.
- Eu sou o Lion. - O da outra ponta da mesa disse. (resident evil <3)
- Jensen. - Outro disse. (pegaeu)
- Paulo. - Por fim, o que conversava com ela disse. (:9)
- Jonathan. - o último disse. (boiei)
Eles continuaram conversando, até que chegou com os sorvetes. Ele se sentou do lado dela, que se conteve em sorrir, e distribuiu os sorvetes. Somente ela ficou sem sorvete.
- E o meu? - Ela disse, olhando feio para ele.
- Eu pedi um sundae grande para mim, porque eu quero dividir com você. - Ele disse, piscando mais uma vez.
- Ok, me dá a colher. - Ela falou, ainda olhando feio para ele.
- Não tem, só tem uma. E ai?
Ele riu e enfiou a colher no sorvete e dai na boca. Percebendo a brincadeira e que todos a observavam, ela puxou a colher da boca dele e pegou um pedaço enorme de sorvete e colocou na boca também.
- Opa, opa, percebi que ela não é do estilo que tem meedo. - Lion falou, rindo.
- Cala a boca, Lion. - Ela disse, cortando ele. - Se quiser, te mostro do que você precisa ter medo.
Uma nova onda de "UHHH" foi seguida e Lion somente riu. Ela, satisfeita consigo mesma, pegou mais um pedaço do sorvete.
- Mano, você sabia que o tem sapinho? - Jensen disse, fazendo cara de nojo.
Ela, assustada, largou a colher e ficou olhando desesperada para eles.
- Dude, é brincadeira. Você precisava ter visto a sua cara. - Ele continou, rindo.
- Jensen, vai se fodeeer. - Ela disse irritada.
- Vem comigo?
- Não, vai com o Lion. Vocês se merecem.
- HAHA, TOMOOOU JENSEN! - disse, dando altas gargalhadas.
Ela continuou a comer, e então se tocou que se não comesse logo ela ia devorar o sorvete inteiro sem ele.
- Hey, eu também quero! - Ele falou, arrancando a colher dela.
- Gordo. - Ela disse.
- Não sou gordo.
- É sim, cheio de pneu.
- Não sou.
- É sim.
- Não sou, porra. - Ele disse, levantando a camiseta para ela ver.
Quem passava por ali somente ficou olhando, e os amigos somente se entreolharam com cara de: "tadinho, é louco", enquanto ficava babando no tanquinho perfeito dele.
- Tem razão. - Ela disse.
- E você que é gorda.
- Não sou.
- É sim.
- Não sou, porra. E não vou levantar a blusa, querido. - Ela respondeu, sorrindo.
- Ah, acabou com a nossa diversão. - Jensen disse, como se lamentasse.
- Aff, seus tarados. - Ela respondeu.
- Morram de inveja, ontem ela estava usando uma blusinha barriga de fora, e eu vi. - disse, se gabando.
- Ficou olhando, ? - Jensen falou, levantando a sobrancelha.
- E não nega que gostou. - Ela disse, pegando mais sorvete.
- HAAÁ, se achou a gostosa agora, hum? - disse, como se estivesse desapontado com ela.
- Vai falar que não sou?
- Não é. - Ele respondeu.
- Mas você gosta.
- Não só gosto, como quero. - Ele respondeu, dando uma piscadinha.
revirou os olhos, e enfiou uma colher na boca dele, fazendo-o se calar. Os outros riram, e assim segiu a conversa deles. Depois de terminar os sorvetes, eles se levantaram e foram andando até a saída do shopping.
- Aii, olha que brinco lindo. - disse, parando na vitrine.
Os meninos ficaram olhando com cara de: ", puxa ela ¬¬", mas ele fez sinal que era para eles irem indo que ele já ia. Foi lá, e disse:
- Olha, eu até compraria, mas to economizando pra algo mais importante.
- Eu não ia deixar você comprar mesmo. - Ela respondeu, voltando a ir atrás dos meninos.
- Poxa, eu disse que comprava para você, mas você diz isso? - Ele ficou com cara de indignado.
- Se eu quisesse, eu comprava. - Ela respondeu, sorrindo.
- Caralho, tu é dificil em menina?
- Bem mais do que você imagina. Hey, onde eles foram? - Ela falou, se referindo aos meninos.
- Pra pista de skate que tem ali na próxima quadra. - Ele disse, apontando e atravessando a rua com ela.
- Ah.. Eu acho que eu vou pra casa, ok?
- Por quê? - Ele perguntou
- É que.. Assim, eu não sei..
- Você não sabe andar de skate? - Ele disse rindo da cara dela.
- É.
- Vem cá, eu te ensino. - Ele pegou ela pela mão e puxou-a até a praça.
Várias pessoas cumprimentaram ele, que respondeu com um "oi" ou com um toquinho de mão, mas ele continuou puxando ela até o outro lado da rua que era bem vazia. Colocou o skate no chão, e disse:
- Vem.
- Como eu faço? - Ela disse.
- Poem o pé! - Ele respondeu, pegando na mão dela e ajudando-a a subir.
Ela subiu, e ficou um tempo parada em cima do skate. Ele soltou a mão dela, e ela automaticamente quase caiu de cara no chão. No reflexo, ela levou a mão no ombro dele e ele na cintura dela, com medo que ela se machucasse.
- Ele se meche! - Ela disse, assustada e ainda segurando no ombro dele com medo.
- Ele tem rodinhas e você queria que ele ficasse parado? - Ele riu.
- Vamos parar por hoje? - Ela pediu, manhosa.
- Você quem decide, gatinha. Mas então, vem aqui. - Ele pegou novamente ela pela mão e levou até a pista.
Fez ela se sentar na beirada, e logo caiu lá dentro. Fazia cada vez manobras mais dificeis e complicadas, rindo para ela e visivelmente se exibindo. Um menino loiro e muito bonito (homenagem ao loirinho da rua 15) se aproximou dela, falando:
- Opa, carne novaa..
Ela somente riu, sem desgrudar os olhos de . Ele era tão bom, tão respeitado ali. Visivelmente, era um dos melhores e todo mundo reconhecia isso. Não era para menos, ele ousava manobras que nenhum estava fazendo.
- Ele nunca exagera assim, só tá se exibindo para você.. Quer ver, daqui a pouco ele vai.. cair. - Ele completou assim que caiu com tudo no chão.
Se assustando, se levantou e foi correndo até ele. Se ajoelhou e colocou a mão na testa dele, que já se levantava.
- Você tá bem? - Ela perguntou, preocupada.
- 'Tô sim, tudo suss. - Ele respondeu, levando a mão na testa também.
- Tá um corte horrível na sua testa. - Ela disse, com nojo.
- Depois eu vejo isso. Vamos, daqui a pouco se você continuar aqui algum desses lesados vai te atropelar.
Ela sorriu, e se levantou com ele. Saindo da pista, ele encontrou com uma menina bonita e que se vestia do mesmo modo que todos os outros meninos.
- Hey , leva ela na festa de hoje, se quiser. - Ela disse. - Sou a Cathy, e você?
- .
- Cathy, a gente vai indo. Tchau gente. - Ele disse, dando uma acenada diferente e puxando para o lado dele.
- Então, tem como você me levar para casa? - Ela perguntou, olhando para os lados.
- Claro. Onde você mora?
Ela respondeu, e ele se assustou.
- Dude, fica há 40 quadras daqui. Vem, vamos pegar um busão. - Ele disse, estendendo a mão para o ônibus que passava ali. - Vai me falar que você nunca andou de ônibus?
Ela corou e sorriu de leve. Nunca havia andado de ônibus, o motorista sempre a levava para qualquer lugar. Pelo jeito, se essa amizade fosse realmente perdurar, várias diferenças começavam a aparecer e precisariam ser enfrentadas.
- Ok, é bem simples. - Ele disse. - Senta aqui e pronto.
Ela se sentou no banco, sorrindo. Ficaram um tempo em silêncio, e ele murmurou algo como que demoraria meia hora para chegarem lá. Se recostou no banco e sorriu para ele, que retribuiu com um sorriso malicioso.
- EU TE DISSE QUE CUIDO DO FILHO. POR FAVOR, NÃO ABORTE! - Ele começou a pegar na mão dela e gritar.
- , o que voce tá fazend.. - Ela começou, vendo que todos olhavam para ele.
- EU TE AMO. PROMETA QUE NÃO IRA ABORTAR O NOSSO FILHO! - Ele continuou, assustando ela.
- , para.. - Ela falou, sorrindo falsamente para todos que olhavam preocupados.
- JURO QUE SEREI O MELHOR PAI. NÃO COMETA UM CRIME! - Ele parou, e apertou o botão. - Olha, nosso ponto chegou.
E puxou ela para fora do ônibus, que ainda tinha um olhar confuso para ele. Continuaram andando, faltavam duas quadras para a casa dela.
- , o que foi isso?
- Sabe, o melhor de andar de ônibus: Você nunca mais vai ver essas pessoas na vida, e pode zoar o quanto quiser. - Ele disse sorrindo.
- É, quem sabe.
- E ai, quer ir numa festa hoje? - Ele perguntou, quando chegou na casa dela.
- Ah, pode ser.. Que horas?
- Passo aqui as 8 horas, ok?
- Tá bem.
- Ok. Tchau . - Ele disse, ainda sorrindo e encarando ela.
- Tchau . - Ela respondeu, dando um beijo na bochecha dele, que virou e fez com que fosse bem na trave. - ¬¬
- Haha, tchau gatinha. - Ele piscou e tacou o skate no chão, indo embora.
Sorrindo sem perceber, entrou em casa e fechou a porta. Subiu e tomou um banho, depois se arrumou porque eram 7 horas já. Quando foi escolher uma roupa, ficou meia hora pensando que tipo de roupa devia usar.
- ? - Ela ligou.
-- ?
- , com que roupa eu vou?
-- Sei lá. Vai sem. - Ele disse, rindo.
- Menos. Mas tipo, que tipo de roupa as meninas vão normalmente?
-- Tipo.. uma saia ou uma calça jeans, uma camiseta.. Sei lá!
- Então, é simples? - Ela disse, confusa.
-- Acho que sim. Aff, vai com qualquer roupa, não importa que tipo de roupa você usa.
- Tá, desculpa. Não precisa ficar bravo.
-- Não fiquei.
- Ficou sim. Beijo.
-- Não fiquei, tá? Tchau.
Ela desligou e colocou uma saia jeans com uma blusa vermelha decotada bem bonita e uma sandália de salto. Passou uma maquiagem básica e quando deu 8h10 ela terminou de se arrumar e ouviu uma buzina na frente da casa dela. Pegou a bolsa e desceu as escadas. Trancou a porta e entrou no carro. Tinham 5 pessoas nele já, e ela entrou atrás do lado de . Quem dirigia era Jensen.
- , você vai ter que sentar no colo do . - Jensen disse, dando uma piscadinha para ela.
A garota ficou muito vermelha, e olhou para o lado querendo ver a reação de , que somente sorria.
- É brincadeira dele, não se preocupa.
- Ahh meu, que bonitinha. Ela ficou vermelha. - Jonathan ficou rindo.
- Vai se fode Jonathan. - Ela respondeu.
- Quem sabe hoje a noite.
- UUUI, SAI DAQUI SEU TARADO! - Ela disse, horrorrizada.
- To brincando, calma mulher. Vamos?
Todos riram, e Jensen começou a dirigir. Logo, eles chegaram na entrada da festa, onde uma fila enorme tomava conta da calçada. desceu do carro e foi andando em direção a porta, ignorando a fila. , rindo, a puxou para junto dele.
- Onde você está indo? - Ele perguntou, apontando a fila.
- Ahh.. Nada.. É que quando eu vou para festas, meus amigos sempre entram antes, dai.. - Ela disse, muito vermelha.
Uma menina loira e bem bonita, disse:
- Hum, aqui é assim. A gente é como os outros. - E sorriu para , estendendo a mão. - Sou a Mary.
- Oi. Sou a .
- Eu sei. falou de você. - E a menina viu que ficou vermelho.
Eles ficaram uns 15 minutos conversando, e a fila foi andando. Quando entraram na festa, percebeu que era uma boate simples e abafada, mas que a música era boa. Meio perdida, ela segiu , que conversava animadamente com um tal de .
- , vamos dançar? - Mary perguntou. - Eu e as meninas estamos indo lá, vem com a gente!
Ela olhou para como se pedisse para ir, e Mary voltou a rir.
- Você não precisa pedir para ele! Vem, vamos. - E puxou .
ficou observando a menina dançar, e estava totalmente hipnotizado. O modo que ela mexia o corpo, era como se ela tivesse nascido para dançar. Era perfeito. Chamou os amigos, e levou eles para a pista de dançar também. Quando chegou lá, estava de costas para ele e delicadamente ele colocou a mão na cintura dela. Sentiu ela se arrepiar e quando ela virou e viu ele, ela sorriu.
Depois de dançarem muito, e foram até o barzinho pegar alguma coisa para beber. Estavam conversando sobre futilidades, quando um bêbado interrompeu eles:
- E a garota, está sozinha? - Ele disse, fedendo alcóol e ficando em pé entre o banco de e o de .
- Não, ela está comigo. - disse, se levantando na hora.
Olhando feio para o bêbado, se aproximou dela. O bêbado tosco se afastou, e somente sorriu para ele, que a abraçou. OMG, foi a única coisa que pensou quando sentiu o perfume dele e os braços envolvendo ela. Retribuiu o abraço, envolvendo a nuca do menina com os braços. OMFG, foi o que ele pensou, óbviamente.
Se afastou um pouco dela, que ainda estava sentada, e se aproximou novamente selando os lábios deles. Devagar, puxou ela mais pra perto dele e pediu passagem com a língua. Sem pensar, ela cedeu e abriu os lábios, permitindo-o aprofundar o beijo logo de cara. Eles ficaram lá durante um bom tempo, até que ouviu o celular tocar e se separou dele envergonhada.
- Alô?
-- Filha, já está na hora de você vir pra casa, não? - Era a mãe dela.
- Ok, mãe, estou indo. Tchau.
E desligou o celular. Arriscou olhar para , que estava quieto, e disse;
- Tenho que ir para casa.
- Eu te levo. - Ele respondeu, pegando na mão dela.
Se despediram e pegaram um táxi. Confusa, olhou pra ele.
- , desculpa por..
- Na boa . Não se preocupa, mesmo. Tá tudo bem. - Ela respondeu.
Ele sorriu e se sentou mais acomodado no banco. Ele queria algo mais com ela, mas talvez estivesse apressando muito. Ela não era do tipo de garota que iria se render assim para um garoto, e ele não podia arriscar perdê-la. Quando o táxi parou, ela deu um beijo na bochecha dele e entrou em casa. Ele, por sua vez, foi para casa e se tacou na cama.
No dia seguinte, acordou ao meio-dia e notou que os pais tinham saído para almoçar. Eles mal voltavam de viagem e já saiam sem ela. Era normal, eles nunca ficavam muito tempo com ela mesmo, e ela já estava acostumada a não se importar com isso. Ligou a televisão e pegou um pacote de bolacha. Seu plano era se afundar no sofá, mas o seu telefone tocou.
- Alô?
-- Gatinha? - disse.
- Fala !
-- Quer sair hoje?
- Ahh, meu, eu nem almocei ainda.
-- Eu também não. Almoça comigo!
- Ah, ok então. Onde vamos?
-- Vamos no shopping, tá bem? Aproveitar as férias, que tal?
- Ok. Eu passo ai pra te pegar.
-- Eu deveria falar isso.
- Mas é que minha mãe mandou eu não gastar mais com ônibus ou táxi, e sim pedir pro Bob me levar pros lugares.
-- Quem é o Bob, seu celular?
- Claro, eu vou sair andando nele. MEU MOTORISTA, DUUR.
-- Ah, desculpa, não sou rico.
- Eu também não sou!
-- ..
- Não sou, ok? Daqui uma hora 'tô ai.
-- Ok.
E desligou o celular e logo em seguida a tv. Subiu a escada e trocou de roupa, colocando uma bem básica (imagine). Pediu para Bob a levar até a casa do , e chegando lá ele desceu todo cumprimentando as pessoas que tavam andando na rua e levando o skate dele.
- Oi !
- Meu, você nunca larga dessa skate, né?
- Ele é o amor da minha vida.
- Ah, entendi. Pode ir Bob, por favor. - E o motorista partiu para o shopping.
(...)
- Onde você quer comer? - perguntou quando eles chegaram na praça de alimentação.
- Hot doguê da esquina, dude, mó gostosura aquele bagulho invocado do tio tudo zoado. – Ela falou imitando os amigos dele.
- Tá falando sério?
- Não, aquilo é nojento!
- Não é, dude! É muito bom.. Cara, você nunca comeu? - Ele disse, indignado. - Vem, vamos comer!
- Uiiii, é nojeento!
- Não é, vamos. - Ele puxou ela para fora do shopping.
Ele pediu um dogão enorme, e ela também porque era o menor que tinha. E também descobriu que de nojento, aquilo ali não tinha nada. Era super limpo, organizadinho e o cachorro-quente era bom, até.
- Eu não vou aguentar. - Ela disse, dando o dogão pra ele.
- Você não comeu nem metade!
- Mas é gigante, dude. E tipo, eu estou grávida, esqueçeu? Fico enjoada fácil.
- Vai falar que você ficou brava? FOI SUPER ENGRAÇADO!
- Pra você! Toma isso, come. - Ela disse, enfiando o cachorro-quente na boca dele.
Eles ficaram lá se divertindo, até que puxou ela novamente para a pracinha que tinha a pista de skate. Eles passaram a tarde lá, encontrou Mary e elas estavam se tornando amigas. se exibiu um monte e dessa vez conseguiu não cair. Já estava anoitecendo, e e ela estavam comendo sorvete (havia uma sorveteria na pracinha) quando ela percebeu que por mais tarde que fosse, os problemas só iam começar. (homenagem pracinha do gaúcho <3)
olhou e viu que ali, na outra ponta da praça, caminhava na direção deles. , que estava sentado abraçando ela, se assustou quando ela se levantou e foi atrás dela.
- O que você está fazendo aqui? - Ela perguntou, se aproximando dele.
- Vim falar que está na hora de você voltar para casa.
- Sonha, pobre. Pode ir, porque você não manda em mim.
Ele sorriu e pegou no braço dela, fazendo ela se aproximar dele. , que tinha acabado de chegar ali, se irritou e puxou ela para longe dele.
- Deixa ela em paz! Não vê que ela não te quer? - Ele disse, abraçando ela e ficando na frente dela, impedindo de tentar chegar nela.
- Como se ela quisesse você! Você é um skatista, um drogado qualquer, que precisa mendigar pra sobreviver!
- , CALA A BOCA! - Ela disse. - ELE ATÉ PODERIA SER ISSO, QUE SERIA MELHOR QUE VOCÊ!
- Que foi, doeu te mostrar que seu novo namoradinho é um traficantezinho? - Ele disse, tentando se aproximar dela novamente. - Vem comigo, amor.
- Não toca nela! - disse, empurrando ele com força.
- NÃO ENCOSTE EM MIM! - retrucou, empurrando ele também.
- Vai, vem. Ou tem medinho de brigar? Somente com uma arma por trás, né filinho de papai?
- Vem, vem. Tá com medo de apanhar, marginal?
, irritado, deu um soco na boca de sem muita força, com intuito somente de assustar ele. E conseguiu; Assustou tanto que ele retrucou o soco com três vezes a força, fazendo cair no chão. , horrorrizada, se aproximou de e deu um tapa na cara dele, que ainda estava estático.
Ela se ajoelhou, com olhos vermelhos, e perguntou se ele estava bem.
- . Desculpa.. - começou a falar, mas o garoto somente riu.
- Tudo bem, eu devia ter batido com mais força direto, mesmo.
- !
- Calma.. - Ele disse, enquanto ela ajudava ele a se levantar.
já tinha saído dali, sem falar nada, chocado com o fato da menina nao dar atenção para ele. , se aproveitando da situação, passou a mão na cintura da menina, que somente fuzilou ele com o olhar, rindo.
- Que foi? Estou machucado. - Ele disse, fazendo um biquinho.
Ela sentou ele na entrada da pista de skate e logo os amigos cercavam ele. somente se limitou a ficar lá parado, as vezes levando a mão na boca, para ver se o sangramento tinha parado, e ficar abraçado com , que ainda estava preocupada com ele.
- Poxa, também quero me machucar para a ficar me paparicando.. - disse, rindo.
- Hey, mais respeito com ela! - disse, bravo.
A garota riu, e falou:
- Own, coitadinho do . É carente! - Passando a mão pelo cabelo dele, fazendo todos rirem, inclusive ele.
- Solta ele. Você é minha. - disse, puxando ela de volta para perto dele.
Ela apoiou a cabeça no peito dele e eles ficaram ali até altas horas. Quem diria! , a menina que sempre que passava de carro por ali chamando as pessoas que ficavam ali de maconheiras, estava entre eles. As pessoas mudam, hum?
- , você vai na festa da Serena hoje? - perguntou para , na saída da escola.
- Tenho que ir, né? - Ela respondeu dando de ombro. - Se eu não for, ela me mata. E eu sou do bolo vivo, e estou sem par, VIVA!
- Por quê?
- Porque eu mandei ela tirar o . Não danço com ele nem a pau. E eu esqueci de arranjar um par..
- Ela vai matar se souber que você não arranjou alguém ainda.
- Ela não vai saber. Eu vou arranjar alguém agora.. Mas vamos antes comprar alguma coisa. - disse puxando a amiga em direção ao shopping.
Elas foram indo, conversando sobre a festa, quando ouviu o barulho de skate passar por ali. Olhou, esperançosa para trás, mas conferiu que era somente o .
- ! - Ele disse, a cumprimentando com uma continência.
- . - Ela disse, imitando ele e rindo.
- OMG, VOCÊ CONHECE O ? - disse, desesperada. - TIPO, ele é o menino mais lindo! Me apresenta ele?
- Eu mal conheço ele.. e não acho o mais lindo não. - Ela respondeu, rindo.
- Claro que não, ela me acha o mais lindo. - E sorriu ao reconhecer a voz.
Sentiu um barulho de skate subindo na calçada e logo em seguida sentiu uma cabeça afundando em seu pescoço. Ela riu, ficando vermelha, e disse:
- ! Por que você não vem com a gente?
- Por que ir com meninas no shopping é um porre. Vocês ficam três horas escolhendo uma roupa, dizem que estão gordas e não compram nenhuma. Pra completar, gastam tudo na roupa que ficou realmente horrível em vocês.
- Então vem comigo, assim você me ensina sobre o que fica bom em mim. - Ela respondeu, rindo.
- Humm.. Eu fico bem com você.
- Que lindo.
- , tive uma idéia. - disse, interrompendo os dois. - Leva ele!
- Para isso que servem os gênios! Para me ajudarem nos piores momentos. , te amo! - Ela respondeu, e se virou para . - Então, eu tenho uma festa de sweet sixteen hoje, sou do bolo vivo e dei o pé na bunda do meu par. Quer vir?
Ele olhou desconcertado para ela, assustado com o convite.
- Eu.. Eu não tenho terno, é.
- , eu pego um do meu pai pra você, não vai ser por isso.
- Eu não sei dançar..
- Como se algum deles soubesse. - disse. - Calma, o sabia, mas..
Imediatamente, ela se calou com o olhar reprovador de .
- Por favor? - Ela disse.
- Ok.
- , você vai sozinha pro shopping. Eu vou arranjar um terno pro . Tchau amor.
- VADIA!
- Vai, quem sabe você encontra o no caminho.
- To indo, tchauzinho gente. - Ela disse, indo correndo.
(..)
- , eu fico horrível de terno. - Ele disse.
Os dois estavam dentro do quarto do pai e da mãe de , que não estavam em casa, exprimentando ternos. Era o terceiro já.
- Claro! Você não sabe se arrumar. Vem aqui. - Ela disse, puxando ele.
Ajeitou a camiseta para dentro da calça dele, fazendo ele dar um sorriso malicioso. Arrumou o colarinho e amarrou a gravata. Por fim, tirou o boné dele.
- Dá ! - Ele respondeu, bravo.
- Você não vai poder ir de boné. - Ela avisou. - Agora você está lindo. Olhe.
Ela disse, apontando o espelho de corpo inteiro da mãe. Ele se olhou, bagunçou o cabelo e deu um sorrisinho torto e nervoso para ela.
- Eu vou com uma condição. - Ele disse, por fim.
- Qual?
- Promete que não vai me deixar na festa?
- Prometo. - Ela sorriu. - Que bonitinho. Agora vai, se arruma ai que eu já estou atrasada para o salão.
Ela tirou a gravata para ele, que ainda estava se batendo com isso e saiu do quarto. Depois de uns 5 minutos, ele saiu carregando o terno.
- Obrigado. - Ele disse.
- Obrigada você, por ir.
- Então, posso passar aqui lá pelas 8 horas para te levar? - Ele sorriu.
- Hum.. Depende. Promete que não vai me esquecer?
- Prometo. - Ele respondeu, dando um beijo na bochecha dela e indo embora.
(..)
desceu as escadas. Estava vestindo um vestido vermelho, comprido e que tinha uma abertura apartir do joelho direito. Era lindo, e mesmo não tendo sido ela que escolheu (já que era do bolo vivo), ficara perfeito nela. Quando chegou na sala, viu sentado com as pernas abertas e com os cotovelos apoiados nelas (entendeu?). Sorriu, e ele se levantou.
O pai fechou a cara para ele, fazendo a menina rir quando se despediu deles. Quando estavam saindo, deu o braço para ela. Quando chegaram no carro, ele abriu a porta para ela.
- Nossa, você fez um curso antes de vir para cá, né? - Ela disse, rindo dele.
Ele não respondeu, somente sorriu para ela, que se encostou nele.
- Obrigada.
- Por quê?
- Por tentar fazer dessa uma noite muito linda.
- E se eu conseguirr, ganho o que? - Ele disse, olhando sério para ela.
- Vamos ver. - Ela respondeu enigmática.
Eles desceram do carro, mas foi parado pelo segurança porque não tinha convite para a festa. , se fingindo estressada, começou a armar o escândalo.
- Como assim? Você sabe QUEM eu sou? Eu sou a melhor amiga da aniversariante. Eu sou do último par a entrar no bolo vivo, carregando a MAIOR vela, porque eu sou ESPECIAL nessa festa. Me dá teu walkie-toquie. Eu vou falar com ela, JÁ, vou te denunciar por me desrespeitar!
- Calma, Senhorita..
- Ele é MEU namorado e se você não deixar ele entrar, eu não vou entrar também. Você se entende dai com ela, porque a culpa vai ser sua. VOCÊ QUER ISSO?
- Não, pode passar, desculpa..
- Olha, SÓ PORQUE EU NÃO QUERO estragar a noite da MINHA amiga, eu vou desculpar você, está bem? Que isso não se repita, ouviu?
- Sim. - O segurança disse, abaixando a cabeça.
riu e passou a mão pela cintura dela quando entraram.
- Eu sou seu namorado, tenho que ser convincente. - Ele disse, olhando maliciosamente para ela.
Rindo, os dois entraram na festa. Estava linda, com uma decoração delicada mas muito de bom gosto. seguiu , que entrou na fila para cumprimentar a aniversiarante, e quando chegaram nela ficou sem graça.
- UOOU, arranjou um partidão para ser seu par, heim? - Serena disse, rindo.
- Tira o olho! - Ela respondeu rindo e puxou . - Viu, pimentão? Você ficou um pitél nesse terno.
Ele riu, vermelho ainda, e seguiu ela. Pelo jeito, ela era bem popular. Todos paravam, cumprimentavam ela, perguntavam quem era ele, se ela havia mesmo acabado com o tal de .. E por aí ia.
- Vamos jantar? - Ela disse, ainda puxando ele.
- Claro. - Ele respondeu, meio que arrependido por ter visto. Estava claro que ela não ia dar atenção para ele.
Ela pegou dois pratos, deu um para ele e eles se serviram. Sentaram numa mesa só para dois, comeram e ficaram conversando e rindo um monte. ia pegando taças de champagne para os dois, e ela cada hora começava a rir mais.
- Pega mais uma? - Ela disse, fazendo um biquinho para ele.
- Não! Você já está todatoda, ainda quer mais uma? - Ele disse, se levantando.
- Aoow..
Mas foi interrompida pela amiga, que chamou os dois para irem para as fotos do bolo vivo. Tiravam duas fotos todos os pares juntos, uma foto somente o casal e outra com o casal e a aniversariante. Saíram e foram para escada. Tiraram as fotos reunidos e depois fizeram uma fila. e ficaram por último, conversando com outros pares. Quando chamaram eles, a foto deles foi a mais diferente. Ele pegou ela no colo, deitada, e ambos saíram rindo um monte.
Depois de tirarem a foto com a aniversariante, que estava um pouco nervosa, eles voltaram para a fila de entrada para o bolo vivo. Podiam ouvir o DJ já falando para liberarem a pista de dança, as pessoas se levantando para conseguir ver melhor.. Como a fila era grande, eles estavam do lado de fora da festa e ventava muito. abraçou , que estava com frio.
Foram entrando, enquanto no telão mostrava a foto de cada casal. Quando finalmente chegou no último, deu o braço para , que sorriu para ele. Ela parou, acendeu a vela, enquanto ele ainda sorria. Os mais atrevidos assoviaram quando viram a foto de com no colo aparecer no telão e os murmúrios começaram.
Foram cessados somente com a entrada de Serena. Estava linda em seu vestido branco, e quando começou a dançar com o namorado apagando as velas, as luzes ficaram rosas, deixando o seu vestido hora branco, hora rosa.
puxou quando a vela deles foi apagada pela menina, e colocando a mão na cintura dela, começou a dançar perfeitamente. Ela, espantada, sussurou:
- Você sabe dançar!
- Tecnicamente..
- Você aprendeu hoje?
- Digamos que minha mãe me ensinou..
- Que lindo! - Ela disse, encostando a cabeça no peito dele.
- Tomara que valha a pena. - Ele respondeu, guiando ela.
A música acabou e a hora da homenagem das meninas chegou. soltou e subiu; Era ela quem iria falar. Pegou o microfone, começou a falar coisas profundas que fizeram a menina chorar. Mas, na verdade, ela não olhava para a amiga. Olhava para .
"(..)Então.. FELIZ ANIVERSÁRIO, NÓS TE AMAMOOS!"
Todos aplaudiram e o DJ começou a tocar uma valsa, enquanto as meninas se abraçavam, ainda no palco. Depois de todas se abraçarem, chorarem (nota-se que foi uma das únicas que não chorou), elas começaram a descer. se aproximou e estendeu a mão para , que aceitou e pulou o palco, deixando a escada e os modos de lado.
Quando chegou no chão (como se o pulo tivesse sido enorme), percebeu que o garoto havia posto a mão na cintura dela novamente. Ele olhou para ela, que não conseguia falar nada, e puxou-a para mais perto. Selou os lábios deles, pedindo delicadamente passagem para a língua. Ela abriu a boca, enquanto levantou o braço e abraçou a nuca dele. Acariciou o cabelo dele, percebendo que ainda estava um pouco molhado, e sentiu ele se soltar dela. Copiou o gesto dele, envergonhada como da última vez, e olhou para ele.
- Eu.. - Ela começou, quebrando o silêncio.
- Dança comigo? - Ele pegou a mão dela e se afastou do palco.
Tocava uma música calma, então ela apoiou a cabeça no peito dele como sempre fazia, deixou ele guiar ela. Tocava uma música dos Beatles, e somente os pais dançavam, com alguns casais mais novos perdidos por ai. Beautiful, Beautiful, Beautiful, Beautiful Boy; Darling Boy.
- Vamos sair, ? – perguntou, após a música acabar.
- Vamos. – Ela respondeu imediatamente. O calor dentro da festa começava a sufocá-la.
Os dois sairam de mão dadas da festa, passando pelo pequeno gramado que havia na entrada e se dirigindo para a parte de trás do terreno. Havia uma piscina ali, vazia e silênciosa. se sentou no chão, encostado na parede, e puxou para sentar ao lado dele.
Eles ficaram sentados ali, em silêncio, sem falar nada. estava estranhando tão quieto, já que ele sempre sabia o que falar em todas as horas.
- ? – Ele disse, sorrindo.
- Oi.
- Olha quem tá vindo. - falou, ainda sorrindo, apontando com a cabeça para o lado deles.
olhou e percebeu que estava se aproximando deles. Instantaneamente, a garota se levantou e puxou , na tentativa de levantá-lo.
- Vamos. – Ela falou, vendo que se aproximava cada vez mais e não apresentava planos de levantar tão cedo.
- Relaxa . - respondeu, ainda sorrindo.
- Não, vocês vão brigar, e eu não quero isso. – Ela respondeu, seca e infeliz.
- Mas eu quero. – Ele retrucou, se levantando.
Passaram segundos (que tentou inutilmente levar para longe dali), e chegou perto o bastante para começar a enfrentar .
- Quando ele te decepcionar, , eu vou estar te esperando de braços abertos. - sussurou com um olhar de safado, se aproximando mais ainda da garota.
recuou, se afastando de e de .
- Escuta aqui. - disse, irritado. - Você pode até ter ela futuramente. Mas sempre vai ser o segundo, porque dela eu sou primeiro.
Puxando para longe de , ainda sorria. A garota percebeu isso e não achou engraçado – ele estava a usando para passar por cima do outro.
- , por que você fez isso? – Ela sussurou quando os dois estavam quase entrando de volta no salão.
- Por que eu gosto de me gabar do que eu tenho. – Ele respondeu com simplicidade.
- Mas.. – Ela começou, irritada.
- , eu tava brincando, ok? Eu fiz isso não como se eu te tivesse, não como se você fosse minha. Eu fiz para ver se ele te deixar pelo menos por um segundo. - respondeu, também irritado.
Ela não falou nada, somente se aproximou um pouco mais dele. Andaram juntos, sem trocar nenhuma palavra até dentro do salão. No momento em que entraram, um grupo de meninas abordou , que assustada puxou para perto. Ela estava ciente da promessa que tinha feito, e não ia abandoná-lo num lugar onde ele era a pessoa mais excluida do mundo.
- , - Começou . – eu preciso falar com você.
- Diga.
- Em particular. – Ela respondeu, olhando feio para .
podia não saber, mas sabia que nem , nem qualquer um ali aprovava .
- Pode ir, . - falou, sorrindo torto e falsamente. – Eu te espero no barzinho.
Ele saiu andando antes que a menina pudesse responder. Sabia que não devia ter vindo, e agora teria que pagar pelo seu erro. ia ficar rindo com as amigas, enquanto ele ia bebendo cada vez mais um copo transbordando de bebida. No final da festa, ele se declararia para ela e eles nunca mais se olhariam na cara.
Ele gostaria de poder falar que isso sempre acontecia – mas não era verdade. Normalmente, ele tinha todas as garotas da festa querendo a atenção dele, e não ele querendo atenção de uma.
estava preocupada com , do outro lado do salão, mas mesmo assim ouviu o que tinha a dizer.
- , sabe o Edu? – começou, e a garota concordou com a cabeça. – Ele quer ficar com você. AHH, sua sortuda. E ai?
tinha um sorriso enorme no rosto, super empolgada pelo fato de um menino 7 anos mais velho estar de olho na amiga. Além disso, ele era rico, bonito e super educado. Era o sonho de consumo de todas ali.
- Não, obrigada.
Ao terminar de responder, saiu andando em direção ao barzinho. Assim que chegou lá, viu que estava bebendo. Sorriu ao sentar do seu lado, e pode perceber no olhar dele um tom de surpresa.
- Vai começar a banda cover. Você vai ficar bebendo ou vai vir comigo? – Ela perguntou, rindo.
- O que a queria? – Ele disse, largando o copo no balcão.
- Me contar que tem um menino querendo ficar comigo.
- E o que você respondeu?
- Que eu não queria. Ele não era skatista, então não prestava.
Ambos riram, e ele puxou ela para a pista de dança. O resto da noite passou num flash, os dois dançando juntos e com mais os 300 convidados da festa. Quando a festa já estava acabando, chamou um taxi. Ele chegou rápido e foi levar ele até a porta, já que ia sair para dormir na casa da aniversiarante junto com as suas melhores amigas.
- Tchau, . – Ela falou, envergonhada.
- Tchau, gatinha. – Ele respondeu rindo. – Te vejo amanhã?
- Não sei. – Ela disse, rindo também. – Me liga?
- Com certeza.
Ele se aproximou e deu um beijo na bochecha dela, que se limitou a sorrir e ver ele se afastar. Somente quando ele entrou no táxi ela voltou para dentro da festa.
- Hey , o que tem entre você e o ? – perguntou, no dia seguinte, quando as meninas acordaram as três horas da tarde.
- Agente é só amigo, por quê? – Ela respondeu, se levantando para pegar o celular.
- Guria, a gente viu vocês se beijando, fala sério..
- Ai , fala sério você. – cortou ela irritada.
Logo que pegou o celular, notou que havia duas chamadas não atendidas. Uma do , outra do . Sem nem pensar, digitou rapidamente o número de , que logo atendeu.
-- ? – Ele disse, rindo.
- Oi . Ligou?
-- Sim, você disse para eu te ligar...
- Ah, desculpa, eu ‘tava dormindo.
-- Susse gatinha. E ai, quer sair hoje?
- Não sei se rola... Tenho que falar com meu pai.
-- Ah, ele não precisa saber.
- Não é assim que rola lá em casa...
-- Ok então. Me liga quando souber?
ia responder, mas no instante em que começou a falar, ouviu falando algo como ‘Me dá o celular, devolve’, e então reconheceu a voz de no telefone.
-- Fala ai, . Você vem hoje?
- Não sei ainda..
-- Vem sim, vai? Vai ser aqui em casa, a gente vai jogar baralho.
- Mas é domingo, amanhã tem aula e duvido que meus pais deixem.
-- Foge de casa. Você pode ficar aqui, se quiser. – Ele acrescentou, rindo maliciosamente. – Hey, vou passar devolta pro . Se cuida, gata.
Depois de se despidir de , ela voltou a conversar com as amigas. Quando deu cinco horas da tarde, seu motorista passou e levou-a para casa. No exato momento que entrou, se arrependeu de ter feito isso.
- ? – A mãe disse, assim que ouviu a porta se fechar.
Ela estava sentada no sofá da sala, com seu pai ao lado dela.
- É verdade que você está andando com pessoas perigosas? – A mãe prosseguiu.
De primeira vez, ela não entendeu o que a mãe queria dizer. Teve de pensar, analizar, e somente quando concluiu que o devia ter ligado e conversado com sua mãe, ela entendeu o que estava se passando.
- Não, mãe, não é verdade. – Ela disse, subindo as escadas revoltada. – A verdade é que eu estou saindo com novos amigos, algum problema nisso?
- , não me dê as costas! – A mãe disse, se levantando. O pai se limitou a ficar sentado, sem falar nada. – Você sabe muito bem que esses seus novos amigos são totalmente diferente de você! Onde já se viu, minha filha andando com um bando de fav..
- Bando do que? Bando do que? – Ela falou, se virando ao chegar na porta do quarto. – Melhor andar com um bando de nãoseioque, do que andar com um bando de gente sem cérebro.
Ao terminar de falar, fechou agressivamente a porta do quarto. Deixou a bolsa na cama e logo em seguida ouviu o telefone de sua casa tocar. Se apressou para atendê-lo na sua extensão, mas era tarde demais – seu pai havia atendido antes. Revoltada, ela pegou o telefone e escutou atentamente a conversa.
-- Alô? Posso falar com a ? – Ela reconheceu a voz de .
- Quem quer falar? – Disse o seu pai, autoritário como sempre.
-- É o , amigo dela...
- Ela está ocupada. – Ele retrucou, grossamente.
-- Mas você poderia deixar um recado? – Ele falou, irritado também.
- Sim: fique longe da minha filha.
Ao terminar de falar, o pai de desligou o telefone. Morrendo de raiva por dentro, pulou na cama e pegou o celular dela. Discou furiosamente as teclas, compondo novamente o número de . Tocou uma, duas, e na terceira vez, ele atendeu.
- ? – Ela falou.
-- , eu tentei te ligar..
- Eu sei, meu pai é um lesado mesmo. – Ela disse, ainda irritada. – Então, onde fica a casa do ?
-- Você vem? – Ele exclamou, surpreso.
- Vou.
-- Quer que eu vá te buscar? – Ele disse, rindo.
- Não precisa, é só me dar o endereço.
-- Fica na frente da pracinha que a gente sempre vai, número 567.
- Ah, melhor ainda. – Ela respondeu, um pouco mais feliz. – Pelo menos eu já sei qual ônibus pegar.
Os dois riram e desligaram o celular. juntou rapidamente suas coisas e abriu a porta que ia pra sacada do seu quarto. Se certificando que não ia levar um grande tombo ao saltar, ela pegou e passou pela cerca e se segurou na árvore. Nunca tinha imaginado que um dia chegaria a ponto de sair escondida de casa. (pra Giu se imaginar descendo onze andares do prédio dela, escalando de sacada em sacada e morrendo no segundo andar.)
Para ser sincera, ela nunca imaginou que ia chegar ao ponto de sair em pleno domingo a noite, pegar um ônibus e ainda se reunir com um bando de... skatistas.
Depois da sua fuga bem sucedida, ajeitou a roupa e saiu silênciosamente de sua casa. Foi andando apressadamente até chegar ao ponto de ônibus. Deu sorte – ele estava acabando de passar. Ela estendeu a mão, avisando que queria subir. Se ela não fosse tão bonita, te garanto que o ônibus não teria esperado. Mas, isso é uma coisa que ela sabia – e procurava ignorar.
Entrou no ônibus e sentou no banco mais perto da porta de saída. O trageto passou rápido, já que não havia trânsito nenhuma ali. Em 15 minutos, ela já estava parada em frente a praça.
Segurando firmemente sua bolsa, ela desceu do ônibus e atravessou a rua. Procurou a casa que indicara, descobrindo que era a bem da esquina. Não era uma casa perfeita. Era pequena, simples, mas muito bem cuidada. A pintura estava um pouco desgastada, de uma forma que era possível notar se você olhasse com atenção. Se não, seu olhar somente passaria pelo jardim, que era tão bem cuidado que chegava a atrair toda a atenção.
se aproximou do portão e tocou a campainha. Ouviu vozes altas dentro da casa, acompanhadas de risadas. se aproximou e abriu o portão para ela, sorrindo.
- Você se importa de ser a única menina? – Ele falou, tímido pela primeira vez.
- Não tem problema. – Ela respondeu, dando um beijo na bochecha dele.
Quando entraram, a guiou para os fundos da casa. Havia um deck, com uma mesa cheia de cadeiras em volta. Uma pia e uma geladeira em um canto, ao lado de uma churasqueira. Do outro lado, uma porta e um banheiro.
Na mesa, haviam 11 meninos sentados. Todos estavam rindo, e reconheceu alguns. não a apresentou, ele nunca fazia isso, e ela não se importou. Se aproximou e cumprimentou , Jensen e os outros que ela já conhecia. Sentou na única cadeira livre – do lado de .
- Eu conheço você. – Um falou, apontando para ela.
Ela riu sem graça, ficando vermelha. Todos pararam de conversar e olharam para ela.
- Você estuda onde? – O mesmo perguntou.
- No colégio Aliança.
- Eu também estudo lá. E eles também. – Ele continuou, apontando para metade dos meninos ali.
- Sério? Não me lembro de vocês lá..
- O também estudou lá. – Mas ele recebeu um severo olhar de , então mudou rapidamente de assunto. – Você é a , certo?
- Sou. – Ela concordou, ainda mais sem graça.
- Sabia. Todo mundo conhece você.
- Mas por que eu nunca te vi lá? – Ela continuou, sorrindo.
- Porque você tá sempre cercada de gente? – Ele falou, rindo.
- Vou prestar mais atenção da próxima, então. – Ela retrucou, dando uma piscadinha.
- Ok, podemos jogar? – disse, interrompendo os dois. – Vocês querem jogar sueco com bebida ou com água?
- Bebida, né? – Respondeu um menino de cabelo castanho e totalmente perfeito. Reparando bem, todos ali eram perfeitos.
- , você sabe jogar? – falou, depois que voltou com uma jarra cheia de bebida.
- Ahmm.. Não. – Ela falou, vermelha.
- É bem simples. Eu vou colocar o baralho, e vai tirando as cartas na ordem horária. Daí, dependendo da carta que você tira, você bebe uma dose, ou manda alguém beber, e por ai vai.
- Daí, Ás você escolhe alguém para beber uma dose. Dois você escolhe alguém para beber duas doses. Três é alguém pra beber três doses. Dá para dividir as doses entre as pessoas. Quatro é marca de alguma coisa. Tipo, eu escolho algum produto e tem que ir falando na ordem marcas. Quem não souber, perde e bebe uma dose. – falou.
- Cinco se chama ‘dedinho’. Você guarda a carta, e quando quiser você coloca o dedo na mesa. Daí, todo mundo tem que colocar o dedo na mesa. O último a colocar, perde. – O garoto de cabelos castanhos perfeitos continuou.
- Oito quem tira faz uma pergunta, e as pessoas tem que continuar perguntando. Quem demorar pra perguntar algo, perde. Ou, se estiver distraído e responder, perde também. Daí, bebe uma dose. – falou, embaralhando o baralho.
- Seis você pega e inventa uma regra. Qualquer uma, do estilo ‘não vale apontar’. Nove você pergunta alguma coisa e a pessoa tem que responder a verdade. Dez a pessoa escolhe um desafio e se não cumprir, a pessoa bebe uma dose. J todos os meninos bebem. Rainha todas as meninas bebem. Rei a pessoa que tira bebe. – O menino de cabelo loiro, sentado logo na frente de , disse.
- E por fim, a graça do jogo, você não pode beber. Uma vez que o jogo começa, a pessoa não pode ir no banheiro. Só se tirar a carta 7, que dá direito a ir no banheiro uma vez, ou escolher alguém pra ir. – terminou, sorrindo.
- Então vamos! – Ela falou, se animando.
colocou o baralho no meio da mesa e distribui 13 copos iguais. Eles combinaram uma dose e começaram. tirou a primeira carta.
- Ás. – Ela disse, animada. – Eu escolho... O meu amigo que estuda na mesma escola que eu.
O garoto sorriu, e falou cordialmente enquanto pegava a jarra e se servia com uma dose.
- Gabriel.
foi o próximo a tirar.
- Cara, ele sempre tem sorte. – disse, irritado. havia tirado um sete. – Vamos, vamos. – Ele disse pra si mesmo, enquanto tirava outra carta.
Ele bateu na mesa, irritado. Se serviu de uma dose, o que fez concluir que ele havia tirado um Rei. O jogo continuou, os meninos sempre rindo e apontando um para o outro. Passou uma rodada inteira, voltou a tirar uma carta e ainda não havia bebido nada.
- Seis é o que mesmo? – Ela perguntou.
- Você inventa uma regra, princesinha. – Respondeu um dos meninos.
- Então, eu invento a regra que não pode apontar.
Todos se olharam, rindo. Era claro que todos ali iam beber doze doses cada rodada, porque sempre que alguém se ferrava, eles apontavam. tirou uma carta, era um 5.
O jogo seguiu, ferrou com os dois meninos que tinham ferrado com ele, e então chegou a vez de Gabriel.
- Nossa, só a não bebeu nada aqui. – Ele comentou, tirando uma carta.
- Claro, se a gente mecher com ela o vai nos espancar. – Um falou, rindo.
- Então, , foi sorte que eu tirei uma Rainha. Não me culpe. – Ele disse, pegando o copo de e servindo uma dose.
Ela puxou o copo e virou. Quando pousou na mesa, começou a rir.
- Vai ter troco. – Ela falou, ainda sorrindo.
O jogo prosseguiu. Então, discretamente colocou o dedo na mesa. Todos repararam e colocaram o dedo na mesa imediatamente, só que não. A garota estava distraída pegando sua carta, quando percebeu.
- Sacanagem ! – Ela falou, olhando a carta que tinha tirado. Riu consigo mesma, pensando na vingança. – , você me ama?
O garoto congelou. Ele ficou sério, sem saber o que falar, até que todos começaram a rir. tacou a carta na mesa, era um oito. Ele havia perdido o jogo das perguntas. Vitoriosa, ela serviu uma dose para ela e outra para . Os dois beberam e o jogo continuou.
tirou mais uma Rainha, bebeu. apontou, ela bebeu. O menino de cabelo loiro pediu marcas de feijão, perdeu. E o jogo foi indo, bebendo cada vez mais. Os meninos bebiam também, mas com menos frequencia.
- Ahhh, EU NÃO CONSIIIGO. EU PRECISO IR NO BANHEIROO. – Ela falou, desesperada. Já haviam passado de 20 doses que ela havia tomado.
- Vai . – falou, sério. – Eu te dou meu sete.
- Sério? AHH, EU VOU TE MORDER! – Ela falou, olhando para ele.
- Sim, vai lá. – Ele insistiu.
- Eu até te abraçaria, mas se eu fizer algo além de ir no banheiro agora, vai dar merda. E AII, EU VOU NO BANHEIROOOOOOOOO! – Ela disse, rindo.
No instante em que ela fechou a porta, os meninso começaram a falar.
- , ela tá muito bêbada. – falou sério.
- Eu sei. A gente não devia ter jogado com bebida. – Ele disse preocupado.
- Eu não sabia que ela tinha baixa tolerância a álcool. Tá fraquinha a bebida, sério.
- É. – Ele concordou.
saiu do banheiro, veio caminhando tudo torto. Ela ria sozinha, gesticulando, e se sentou do lado de ainda rindo.
- VAMOS! – Ela falou, tirando uma carta. – UMA DOSE PARA O ZINHO LINDÃAO QUE MINHA AMIGA TEM UMA QUEDA DE SEIS ANDAAARES.
somente olhou sorrindo para ela, sem saber o que fazer. Se limitou a rir e pegar uma dose da jarra, já que a cena era engraçada demais para descrever.
- VAI LINDOO! – Ela falou, quando tirou uma carta.
- É, todos os meninos bebem. – Ele disse, sem graça.
- Uhuu, queria ter nascido menino, sabiam? Eu ia poder beber agora, e eu sempre quis poder ser galinha, e não puta. – Ela falou, séria, e logo depois começou a rir.
- Vamos parar, gente? – disse, pegando a jarra e levando para dentor da casa.
Os meninos se despediram, e quando foram se despedir de cada um saiu com a auto-estima um pouco mais alta.
- Menininho loirinho, sabia que você é um cara MUITO bonito? Tipo assim, eu pegava. – Ela disse, quando se despedia de um dos meninos que ela não conhecia.
Para o menino que estudava na escola dela, ela falou:
- Você bem que poderia me dar aulas particulares, não? Você faz o tipo cara delicia.
Cada um foi uma cantada pior que a outra. teria até ficado magoado, se não estivesse preocupado demais com a situação da amiga.
- Hey, Gabriel, - Ele falou. – Fica ai com ela um pouco que eu preciso falar com o .
Ele deixou conversando (ou melhor, cantando) Gabriel e foi falar com o amigo.
- Dude, tem como ela dormir aqui? – Ele falou, sem graça. – Ela não pode voltar assim para casa.
- Verdade, ela ia cantar o pai dela. – Ele respondeu. – Pode, se você não se importar de dormir no sofá com ela E se você cuidar dela.
- Porra, que amigo heim?
- Ah, mais duas coisas: Primeiro avisa a mãe dela, não quero o FBI batendo na minha porta. Segundo: SE TIVER VÔMITO NA MINHA SALA AMANHÃ, EU TE FAÇO LAMBER, ENTENDEU?
- Tá bom, calma. Valeu, acho.
- Ok. Eu vou dormir, amanhã eu tenho aula.
- Viado. – respondeu.
- Biscate.
- Meu, biscate é xingamento para menina.
- E o que você é?
- Bem melhor que você, princesinha.
- Hahaha, sonha pobre.
- Antes pobre do que cuidados-de-meninas-bêbadaas – falou, rindo.
- Melhor do que ser a florzinha que vai dormir porque tem aulinha amanhã.
- Cara, melhor do que passar a noite em claro cuidando de alguém bêbado. Ah não, você pode se aproveitar dela, e...
- Cala a boca meu, ela é minha amiga. Mais respeito, ok?
- Desculpa, peguei no ponto fraco. – Ele disse, se retirando. – Ah, e avisa a mãe dela, ok?
- Tá. Tchau, e valeu por quebrar esse galho.
- Cinquentão por pessoa.
- Vai toma no cú.
- To indo. – E por fim entrou no seu quatro.
foi até a sala, encontrou deitada dormindo, e Gabriel observando ela.
- Valeu, dude. – Ele disse.
- Cuida dela, heim?
- Pode deixar.
- E amanhã eu falo pra algum dos meninos responder seu nome na chamada, assim você não leva falta.
- Te devo uma.
- Susse, . – E saiu da casa.
trancou a porta e se dirigiu até o corredor. Abriu um armário e tirou de dentro um travesseiro e um cobertor. Ajeitou o sofá maior e pegou no colo, colocando ela delicadamente no sofá. No mesmo instante, ela acordou.
- Desculpa, eu não queria te acordar.. – Ele começou, mas a garota levantou num salto e saiu correndo para o banheiro. – ? – Ele disse, indo atrás.
Ouvindo ela puxar a descarga, entendeu que ela havia vomitado. Foi andando até o banheiro e pegou ela pela cintura. Ela estava muito fraca, quase desabando. Sentou no sofá e pegou um copo da água, junto de um pedaço de pão.
- Vai, come e bebe. – Ele falou.
Ela obedeceu, cansada, e quando terminou deitou a cabeça no travesseiro. Enquanto ela comia, pegou o celular dela e procurou o número de . Quando achou, discou.
-- , sua vadia, são duas da manhã e você me acordou..
- , é o .
-- ? Calma, o que aconteceu? A tá bem?
- É, ela tá bem. Mas tipo, ela tá.. bêbada, e eu não posso deixar ela ir para casa. Teria como você, por favor, ligar para mãe dela e falar que ela vai dormir ai?
-- Olha , eu faço isso. Mas amanhã, se você não estiver na hora da saída na frente da escola pra me explicar o que aconteceu, eu vou contar a verdade.
- Tá bem. Obrigada, .
-- Tchau , e vê se cuida dela.
- Ok.
Depois de desligar, se levantou. Estava indo para o outro sofá, quando ela disse:
- ..
- Descanse, .
- Deita comigo. – Ela insistiu, se encolhendo contra o sofá para dar espaço para ele.
- Não, vou te esmagar. Dorme, vai.
- . – Ela continuou.
- Diga.
- Deita comigo.
Ele se aproximou dela, e rapidamente ela pegou na manga do casaco dele. Puxou ele, como um bebê teimoso, e ele acabou deitando no sofá. Ela ficou de lado, já que o sofá era apertado, e deitou a cabeça no peito dele.
Abraçou fortemente ele, como uma pequena menina que abraça o ursinho, como se ele fosse protegê-la dos mostros horríveis. E ele era um ursinho, até. E ia protegê-la dos problemas. A única diferença era que ele era o mais novo ursinho dela, mas não era um ursinho comum. Era o ursinho mais raro. O ursinho que só ela tinha. Era o ursinho que tinha um boné verde na cabeça, virado para trás. Segurava em uma mão um skate, e seu outro braço era livre. E era nesse braço que ele segurava ela, protegendo-a dos terrores da primeira ressaca. Afinal, a primeira ressaca é aquela que a gente nunca esqueçe.
acordou no dia seguinte, abrindo os olhos de leve, tentando se lembrar onde estava. Todas as luzes estavam apagadas, as cortinas do local desconhecido fechadas. O escuro era temeroso como breu. Ela tentou se levantar, mas assim que tirou a cabeça do travesseiro, sentiu uma facada em sua cabeça.
Uma puta dor de cabeça invadiu seu cérebro, a fazendo gemer de dor. Ouviu alguma coisa se mecher em sua frente, e quando abriu novamente os olhos, reconheceu em pé, olhando preocupado para ela.
- Acordou? – Ele disse, sorrindo.
- Preferia estar dormindo. – Ela falou, fechando os olhos novamente. – Onde estou?
- Na casa do . Enchaqueca.
- EU BEBI? – Ela falou, abrindo os olhos e se assustando.
- Digamos que sim...
- E o que eu fiz?
- Você se vestiu de batgirl e saiu correndo por ai. Depois, subiu na mesa e fez uma strip, todo mundo babou e depois você pegou e.. Dormiu comigo, é.
- , sério.
- Você cantou os meus amigos..
- INCLUSIVE O ? – Ela interrompeu, horrorizada.
- Inclusive. E depois vomitou no banheiro, para a minha sorte. Por último, você dormiu comigo. No sofá, tipo, dormiu sem maliciar, entende?
- Entendo. – Ela falou, rindo.
- Então, eu peguei um remédio e uma água para você. Acha que consegue beber?
- Pode ser. – Ela respondeu, se sentando.
se aproximou e entregou para ela o copo cheio de água e o comprimido. Ela tomou, e assim que enguliu, colocou o copo na mesinha que ficava em frente ao sofá. se levantou e sentou no outro sofá da sala.
- Eu cantei você? – Ela perguntou, tímidamente.
- Não. – Ele respondeu, disfarçando a angústia na voz. Era claro que ele se sentia o único que ela não tinha atração.
- Ai, minha mãe deve ter colocado a CIA atrás de mim, meu deus, ela vai me matar...
- Calma, eu liguei pra e ela disse para sua mãe que você estava mal e ia dormir lá. – Ele falou, ainda olhando para o chão. – E ela pediu pra eu ir na saída da escola de vocês explicar o que aconteceu, junto de você, mas não creio que você esteja em condições...
- Obrigada . Eu vou ligar pra ela. – respondeu, pegando o celular e deitando novamente. Discou o número de , que logo atendeu.
-- , sua vadia. Cade você? O que ele fez com você?
- Calma . Não foi culpa dele, eu que bebi. Eu to com uma puta ressaca e com uma puta dor de cabeça, tá bem? O ainda cuidou de mim, e pah. Mas o que minha mãe disse?
-- Ela falou que tudo bem você dormir na minha casa, que eles iam viajar hoje cedo, e que era para você ligar pra ela quando estivesse melhor.
- Ela não perguntou nem o que eu tinha? – falou, sentindo um aperto na garganta.
-- Desculpa , mas..
- Não, tudo bem. Obrigada , te devo uma. Te amo.
-- Nada, melhoras. Me liga mais tarde?
- Ligo. Tchau.
desligou o celular e colocou a mão na cabeça, pensando. Queria arranjar algo para fazer que mantesse seu cérebro ocupado, e ela sabia o que ia fazer. Pegou o celular e discou o número de Bob, seu motorista.
- Bob? – Ela disse, assim que ele atendeu.
-- Olá . Quer que eu vá te buscar na escola mais cedo? – Ele respondeu, cordial como sempre.
- Não, eu não fui para a escola. Eu estou na casa de um amigo.
-- , o que você aprontou dessa vez? – Ele perguntou, meio sério, meio rindo.
- Eu conto mais tarde para você. Tem como você fazer um favor enorme pra mim? – Ela perguntou, manhosa.
-- Claro.
- Você podia pegar a Anny, levar ela até o supermercado e falar para ela comprar todas as coisas que uma casa de um adolescente da minha idade precisa? Menino, que mora sozinho. E comprar também coisas para fazer um super almoço para vocês dois, mais 2 pessoas que comem um monte e eu, que sobre pra janta?
-- Posso .
- E daí, tráz tudo, inclusive a Anny, para a casa que fica na frente da pracinha de skate que a gente sempre passa para ir pra escola, número 567. E o dinheiro, fala para a Anny pegar a chave e entrar no meu quarto. Tem trezentos reais na terceira gaveta da minha escrivaninha. Pode pegar.
-- Está certo.
- Te devo uma, Bob.
-- Na verdade, você me deve umas quinhentas, mas..
- Um dia eu compenso elas, ok?
-- Está certo. – Ele respondeu rindo, e desligou.
desligou o celular e colocou em cima da mesa. Percebeu que estava tacado no outro sofá, olhando sem piscar para ela.
- O que você vai fazer? – Ele perguntou.
- Eu vou agradecer o por abrigar uma bêbada chata por uma noite. Tadinho, ele mora sozinho e deve morrer de fome, então vou trazer minha cozinheira para fazer um super almoço para a gente.
- Hummm..
- Eu acho que eu te devo desculpa, não? – Ela falou, mordendo o lábio inferior.
- Não, quem deve sou eu.
- Não concordo. Fui eu que cantei todos os seus amigos, que fiquei bêbada na frente de todos eles, o que deve ter pegado mal pra você, e ainda te fiz cuidar de mim.
- Mas fui eu quem deixei você beber, eu não sabia que você era tão fraquinha..
- Eu nunca tinha bebido de verdade, ok? E sou eu que tinha que ter força pra falar que eu não sou igual a vocês. – Ela retrucou, puxando a coberta.
- Mas eu.. – Ele começou, mas a garota o interrompeu.
- Chega, ok? Eu errei, e ponto.
- Ok.
- E agora, eu tenho que pensar num jeito de te agradecer. – Ela falou, pensativa.
- Não precisa, sério.
- Claro que precisa. Deixa eu pensar.
Ao falar isso, ela fechou os olhos e levou a mão na teste. Começou a massageá-la, na tentativa de diminuir a forte dor que sentia. Suspirou devagar, tentando organizar os pensamentos, quando sentiu alguém se sentar ao lado dela. Sentiu uma mão em cima da sua, massageando junto sua testa.
Abriu devagar os olhos e sorriu ao ver olhando preocupado pra ela. Ele se aproximou devagar e tirou levemente a mão dela da testa. Juntou seus dedos com os dela e se inclinou, fazendo a respiração dela tremer.
Quando ela sentiu o lábio dele pressionando contra o dela, levantou sua mão livre e levou a nuca dele. Ele aprofundou o beijo, colocando a mão na cintura dela e apertando com força a mão dela.
Por um segundo, sentiu toda a dor de cabeça, toda a preocupação sair da cabeça dela. Era como se ela nunca tivesse estado preocupada com nada, não que ela depois que soltasse ele nunca mais ficasse preocupada.
Cedo demais, ouviu um carro freiando em frente a casa. Soltou delicadamente e procurou o olhar dela, que somente desviou.
- É o Bob, vamos. – Ela disse, sendo confirmada com o soar da campainha.
escapuliu habilidosamente (talvez pelos anos aprendendo a fugir de ) dos braços de e em poucos segundos já estava abrindo o portão. Bob cumprimentou ela, depois e começou a levar as compras para dentro da casa.
Anny abriu o porta-malas, ajudando a levar o que havia sobrado das compras, e após isso abraçou .
- Eu trouxe uma muda de roupa para você, está bem? – Ela falou, sorrindo e entregando uma mala pequena para , que retribuiu o sorriso.
- Eu não sei o que faria sem você, sabia?
- Só por favor, não deixe essa velha preocupada assim dá próxima, ok?
- Velha, bem capaz. Nem fez 30 anos e já fica se chamando de velha. Vem, vamos entrar.
As duas entraram na casa, e Anny foi direto para a cozinha. Começou a cozinhar o almoço, enquanto e Bob guardavam as compras e arrumavam a mesa. foi até o banheiro do quarto de e entrou no banheiro. Riu ao ver um sutia largado num canto, mas isso fez a cabeça dela doer mais ainda. Tomou um banho rápido e se vestiu, colocando por cima o primeiro moletom que achou no quarto do menino.
Quando entrou na sala, viu a mesa inteira arrumada. Sorriu novamente, e foi até a cozinha. Anny olhou com carinho para ela, e voltou a conversar baixo com Bob. se aproximou e perguntou:
- Onde achou esse moletom?
- Eu peguei um do , por quê?
- Porque é meu. – Ele falou, rindo.
- Ah, desculpa. Quer que eu tire? – Ela respondeu, rindo sem saber porque.
- Só se for pra tirar todo o resto também. – Ele sussurou piscando, sorrindo maliciosamente para ela.
- ! – Ela exclamou enquanto deu um tapa de leve no braço dele.
Anny estava servindo o almoço, junto de , quando eles ouviram a porta da entrada abrir. parou logo que olhou pra mesa, assustado.
- PORRA MEU, O QUE É ISSO? – Ele disse, gritando de tão feliz. O cheiro estava ótimo.
- Um presente por abrigar uma bêbada. – respondeu, se aproximando dele e o abraçando.
- Que fofa. – Ele disse, fazendo rir. – Cara, isso é como a Escolha de Sofia.
- Quê? – perguntou, sem entender.
- Ficar abraçado com uma guria gostosa ou comer. É.. impossível decidir. – Ele respondeu, falando sério.
- Então, eu te solto e nós vamos comer, que tal? – falou rindo, ao contrário de .
concordou com a cabeça e se sentou na mesa. Fez quatro vezes um prato de pedreiro, tomou praticamente a Coca-Cola inteira, e ainda vez questão de abraçar Anny e falar que ela era um anjo perdido no meio do mundo cruel.
- Gente, isso está perfeito, mas eu realmente tenho que ir. – falou. – Ah, , eu respondi por você daí você nem levou falta, ok?
- Valeu cara. – respondeu.
- Hey, Bob, Anny, para compensar as coisas que eu devo pra vocês, podem tirar hoje e o resto da semana de folga, ok? – falou.
- Tem certeza, ? – Bob perguntou.
- Pode, eu me viro.
- Obrigada, . – Anny respondeu.
Depois de lavar a louça e de ter ido embora falando que ia morrer de tanto que comeu, Anny e Bob foram embora, deixando somente e ali.
- Passou a dor de cabeça? – perguntou, sentando no sofá.
- Aham. – Ela respondeu, se sentando ao lado dele. – Vai pra casa?
- Eu não. Vou gastar um pouco de energia aqui. Ele quase nunca tá em casa, então eu gosto de gastar por ele, é ele quem paga mesmo.
riu, vendo o que passava na TV. Um filme de ação. Desviou a atenção do filme, começou a pensar sobre as coisas. Mais especificamente, sobre os pais. Eles viajavam praticamente semana sim, semana não. Nunca ligavam para ela, somente na hora de meter o dedo na vida dela. E nem se importavam se ela tinha dormido ou não fora de casa.
Sem perceber, as lágrimas começaram a cair dos olhos dela. Não eram tão de raiva, como deviam ser. Eram de saber que ela podia ser rica, podia cagar dinheiro, mas ela não tinha sequer uma família que prestasse.
olhou para o lado e viu ela chorando, sem entender. Levou a mão para o rosto dela e limpou as lágrimas com delicadesa. A pele dela era tão macia e perfeita, e a mão dele era cheia de cortes, calos e totalmente áspera – era uma mão de skatista.
- Hey, calma, eu to aqui. – Ele falou, abraçando ela.
Para a surpresa dele, ela retribui o abraço dele, apertando o pescoço dele com força e abafando a cabeça e o choro no pescoço dele.
- Meus.. meus, pais.. viaja-aram, e n-nem me avi..saram. – Ela disse, tentando parar de chorar.
- Shhh. – Ele respondeu, sem saber o que falar.
Ele não tinha esses problemas. Podia não ter muito dinheiro, mas ele conseguia sobreviver. A mãe dele estava sempre com ele, nunca viajava, sempre fazia o almoço e não se importava onde ele estava. Ela sempre sabia que ele estava bem, caso contrário, teria ligado para ela. Seu pai morava em outra cidade, somente falava com ele por telefone. Os pais ainda eram casados e ele tinha certeza que se amavam, mas o único lugar onde o pai conseguira arranjar um emprego para sustentar a família era em uma cidade há 700 quilômetros dali.
Aos poucos, foi ficando mais calma, e conseguiu sentir ela desabar sobre seu ombro. Pegou ela delicadamente e deitou no outro sofá. Voltou a sentar e ficou olhando para a televisão, as vezes desviando o olhar para ela.
O rosto estava cheio de lágrimas, todo melecado e vermelho. Mas mesmo assim, ela continuava muito bonita. Era meio irônico saber que ela podia chorar e continuar bonita. Mas não era porque ele sempre babou nela – não, todos concordavam e todos sabiam que ela era muito bonita, independente do que estivesse fazendo.
A garota abriu os olhos, percebendo que novamente tudo estava escuro. Se levantou devagar, já sem a dor de cabeça, e olhou pela janela. Estava tudo escuro. Olhou para o relógio, que marcava sete horas.
Ouviu vozes vindo da cozinha, então andou até ela. Quando entrou, viu que e estavam conversando e que pararam logo que ela entrou. sorriu para eles, ainda com uma cara chapada de sono, e viu abrir os braços para ela.
Sem entender direito porque estava fazendo aquilo, ela pegou e sentou no colo dele. Olhou para , que olhava preocupado para ela. Ficaram em silêncio, dando tempo para pensar, até que ela se lembrou de uma pergunta que tinha a fazer.
- , você tem quantos anos?
- Dezenove. Você tem 17, né?
- Aham. E o ? – Ela perguntou novamente.
- Dezenove também, princesa.
Ela sorriu para ele, fechando o olho como se ainda estivesse cansada.
- , quer que eu te leve pra casa? – perguntou. – Eu deixo você e depois o .
- Não precisa, eu chamo o Bo.. É, teria como?
- Claro que tem.
Os três se levantaram e enquanto pegava a mala e as coisas dela, eles foram para o carro. Quando entrou, percebeu que o banco de passageiro estava vazio. estava sentado atrás, esperando por ela. Sem conter o sorriso, ela entrou e o carro partiu.
Não demorou muito tempo eles já estavam na casa de . Ela deu um beijo na bochecha de e saiu do carro, se abaixando na janela de motorista e dando outro em . Quando estava quase entrando em casa, falou:
- Você vai ficar bem sozinha?
- Acho que sim. – Ela respondeu.
- Posso te ligar amanhã.
- Acho que sim. – Ela repetiu.
Sorrindo, abriu e fechou a porta. Ouviu o motor roncar e partir. Subiu para o quarto, tacando as coisas na cama como sempre e ligando o computador. Pegou o telefone do gancho e digitou rapidamente o número de .
-- Sua vadia, só me liga agora. – Ela falou, carinhosa como sempre.
- Também te amo. Só pra avisar que eu já estou em casa.
-- Ok, eu estava indo prai já.
- Por quê?
-- Porque você ainda não me contou o que aconteceu.
- êta biscatinha, amanhã na aula eu te conto.
-- Ah, tá bem então.
- Tchauzinho.
Depois de desligar o telefone tacá-lo na cama, ela voltou a atenção para o computador. Abriu o messenger, não se deu o trabalho de ficar online – não estava afim de conversar. Viu o orkut, nenhuma novidade.
Desligou rapidamente o computador e se tacou na cama. Não passou nem 10 minutos e ela já dormia profundamente, como se tivesse passado uma semana sem dormir, e não duas horas.
(...)
ouviu o sinal do intervalo para o almoço tocar. Reuniu seu material (não que ela tivesse usado ele) rapidamente e foi andando até o refeitório. Estava acompanhada pelas meninas de sempre, e pelos meninos também. Alguns ainda perguntavam porque ela não tinha ido para a aula no dia passado, e ela respondia com uma coisa semelhante a ‘não estava bem’, o que não era mentira.
Quando entrou no refeitório, em vez de olhar para as mesas onde ela normalmente se sentava, ela olhou além. Estava procurando um tal de skatista que disse que estudava na mesma escola, e estava decidida a encontrar.
Olhou para uma mesa bem perto da bancada onde as pessoas se serviam e viu que nela estavam sentados 5 meninos. Todos tinham o mesmo estilo, riam e conversavam alto sem se importar. Murmurou para que já voltava e se aproximou da mesa.
Todos, tanto da turma dela quanto os skatistas, pararam de conversar e olharam para ela. Rindo, ela pegou e reconheceu Gabriel, sentado na ponta da mesa. Quando estava perto o suficiente, ela parou e se apoiou na mesa, e disse:
- Eu cantei algum de vocês ontem?
- Humm.. Eu e todos os outros. – Gabriel falou, rindo.
- Então, eu peço desculpas.
- Não tem problema, é uma honra ser cantado por você. – O menino que tinha cabelos castanhos perfeitos estava sentado ao lado de Gabriel e disse rindo também.
Ela sorriu, encarando aquilo como um elogio, por mais confusa que estivesse.
- Então... Acho que é só, né? – Ela continuou. – Temos que combinar outra fez para sair.
- Opa, pode deixar. – Gabriel respondeu. – É só falar que a gente sai.
- O único inconveniente é que o não deixa a gente se quer olhar para você, mas tudo bem. – Um outro falou.
- Por que ele não deixa? – Ela falou inocentemente.
- Propriedade exclusiva dele, boneca. – O mesmo respondeu.
- Vou ter uma conversa com ele sobre isso.
- Só não diga que fui eu que falei.
- Pode deixar. Vou me lembrar de omitir essa parte.
Ainda sorrindo, ela virou as costas e voltou para sentar na mesa em que estava. O resto do intervalo passou se arrastando, já que ela não estava mais intretida na conversa que sua mesa tinha. Ela não parava de lançar olhares para a mesa onde os skatistas estavam, rindo e se divertindo como todas as vezes que ela tinha saído com eles ou com .
De repente, parecia que a vida dela tinha se tornado o maior tédio sem eles.
O sinal bateu, indicando o final da manhã escolar. saiu, como sempre acompanhada de um grupinho de meninas. Estava conversando animadamente com , quando ouviu o barulho das rodinhas passaram pela rua. Virou animadamente, conferindo que era .
- ! – Ele gritou, se aproximando dela.
- . – Ela respondeu totalmente decepcionada. Não era ele quem ela esperava.
Então, uma cena totalmente engraçada aconteceu. estava caminhando de braços abertos para abraçar quando um pé apareceu do nada e ficou na frente dele. Como foi tudo muito breve, ninguém chegou realmente entender como surgiu e como caiu.
A única coisa que deu tempo de ver foi caido com tudo no chão e morrendo de rir.
- Seu viado. – falou, levantando.
- Bichinha. – Ele respondeu, passando por e se dirigindo a . – E ai, gata?
Ela somente sorriu, permitindo ele abraça-la por trás, como sempre. Igualmente as outras vezes, ele passou o braço pela cintura dela e começou a beijar o pescoço dela, fazendo-a rir enquanto as amigas olhavam estranho para ela.
Então, percebeu que uma das meninas saiu de onde estava, foi até o ouvido de outra e sussurou: ‘Você viu como a virou vadia? Todo dia ela sai com meninos, todos abraçam ela, ela vai conversar com eles... E ainda deixa ele agarrar ela na frente de toda a escola.’
Imediatamente ela parou de rir. Olhou para elas, assustada, tentando entender o que tinha acabado de ouvir. Todas as garotas (menos , que olhou assustada também) viraram e olharam para ela, como se a desafiassem de negar a afirmação.
Ela percebeu que parou de beijar seu pescoço e a soltou. Ele também parecia chocado. Sentiu um enjôo subir por ela, mas ele logo foi tomado pelo nervosismo. Será que também ouvira isso? O que ele pensaria dela?
Para a surpresa dele, começou a rir. Bom, ele não ria. Ele gargalhava. Alto, muito alto. Todos olharam para ele, surpresos, inclusive .
- A é uma vadia? Seria a mesma coisa que falar que você é bonita, querida. – Ele disse, na maior cara-de-pau. – E se ela comeu todos os meninos que ela sai? Porra, se ela tivesse com certeza todo mundo seria mais feliz. Mas ela não é igual a você não.
começou a rir também e fez um toquinho de mão com , como se o parabenizasse pela humilhação perfeita. As garotas olharam para , como se exigissem que ela pedisse desculpas, mas antes que a garota pudesse se pronunciar, disse:
- Que foi? Chama ela de vadia e depois não quer que digam umas verdade para você? Se encherga querida, não é porque é mal comida que você precisa inventar defeitos em quem pode.
riu mais ainda, praticamente chorando de rir da cara da menina, que somente encarava-os. Percebendo que daqui a pouco ia rolar pancadaria de meninas, pegou e puxou pela mão, enquanto voltava a abraçar e puxá-la para fora da escola.
- Gente, vou indo. Até amanhã, . – Ela falou, timidamente, e começou a andar rápido em direção da sua casa.
- Obrigada, meninos, mas nem precisava. – disse, sorrindo para eles. Era tão fácil não pensar no que iria acontecer amanhã quando estava com eles.
- , eu vou indo, ok? – Ele disse, ignorando o agradecimento. – Te encontro daqui meia hora pra fazer o trabalho, entendeu?
- Ok. – Ele respondeu, passando a mão pela cintura de de lado, puxando ela para andar. – Hey, , quer aproveitar que seus pais não estão aqui e ir fazer trabalho comigo hoje de tarde?
- Trabalho? – Ela falou, rindo.
- É, é sobre grupos sociais. A gente escolheu skatista, claro, então você poderia nos falar o que acha sobre eles. – Ele disse rindo junto.
- Humm.. Pode ser. Mas eu não sei o que acho deles. – Ela concluiu.
- Como assim?
- Nada. – Ela respondeu, ficando vermelha.
Mesmo sem entender o motivo dela estar vermelha, continuou guiando ela pelas ruas, indo em direção a escola dele. Quando já haviam andado 15 quadras, ele finalmente anunciou:
- Olha, é aqui.
- Hey, posso te fazer uma pergunta? – Ela disse, enquanto eles entravam.
- Fale.
- Por que você foi expulso?
- Hum.. Porque..
- Se você não me contar, eu vou tirar a pior conclusão. – Ela falou, sorrindo para ele.
- E qual seria a pior?
- Xingar a diretora.. Ser pego no banheiro com uma menina..
- Hey . – Ele falou, sério. – Eu explodi um banheiro, ok? Eu e os meninos, daí a gente veio pra essa, que foi a única que nos aceitou depois daquilo. Eu posso ser galinha, mas eu não sou tão.
- Calma, eu tava brincando. – Ela respondeu.
- É bom. – Ele disse, como se quisesse finalizar o assunto. Quando eles estavam quase chegando na biblioteca, onde ocorreria a reunião, ele parou ela e continuou. – Depois que eu te peguei naquela festa, eu não fiquei com nenhuma, tá bem?
- Tá.. – Ela disse meio desconsertada.
- E isso é praticamente um mês, tá bem?
- Ok...
- Não precisa ficar vermelha, tá bem?
- , para. – Ela falou, ficando mais vermelha ainda.
- Mamãe, minha melhor amica é um tomati. – Ele falou, imitando voz de criança.
- Cala a boca! – Ela falou, rindo e dando um tapa no braço dele.
Ele puxou ela para dentro da biblioteca, puxando uma cadeira e se sentando na mesa onde se encontravam outros 5 meninos, incluindo . Quando eles chegaram, todos ficaram quietos e pararam de rir, como se tivessem ensaiado.
- O que foi? – falou, tirando a mochila das costas.
- Cada um apostou uma coisa pra você falar com ela antes de entrar na sala, mas falar que não pegou nenhuma e imitar um bebê.. Cara , você nos colocou numa situação.. Para quem vai o dinheiro? – respondeu.
- Para mim. – falou, rindo. – Só eu pra conseguir mudar o .
Todos riram e aplaudiram enquanto a garota pegava o dinheiro da mão de .
- Eu sou demais, não? – Ela disse, colocando o dinheiro no bolso da calça.
- De todas as nossas amigas, você é a que eu mais gosto . – falou, rindo.
- Own, você me chamou de amiga. – Ela disse, apertando a bochecha dele. – É quase como se você falasse que eu sou a Miss Universo.
- Verdade, vindo do isso ai é como se.. Ele negasse um prato de comida.
- Cara, vocês não tem noção, a cozinheira da faz uma comida.. – Ele falou, mudando totalmente o rumo da conversa, e fazendo uma cara estranha enquanto descrevia a comida.
- Dude, arruma um quarto. – disse, rindo demais junto dos outros.
- VOCÊ COMEU! – disse, batendo na mesa e se ponto de pé enquanto apontava para . – VOCÊ SABE QUE ERA DIVINA.
- Era, verdade. – Ele respondeu querendo que se acalmasse um pouco.
- Gente, e o trabalho? – Um deles falou. – Eu realmente preciso de nota.
- Vamos que o nerdão precisa de nota. – repetiu, zoando.
No mesmo instante todos ficaram quietos. Se olharam, então um deles disse:
- , o que você acha dos skatistas?
Ela sorriu de lado, sem jeito, e pensou por um instante. Sem ter uma resposta formulada, ela começou a falar:
- Ah, sei lá.. Eles tem muito estilo, adoro os bonés que eles usam. Quando eles falam, eles gesticulam com a mão de um jeito engraçado e andam do mesmo jeito.
- Ok, mas o que você acha deles?
- Humm.. Eu acho eles legais, divertidos, gente boa, felizes, alegres...
- Você considera eles interessantes?
- Sim? – Ela falou sem entender a pergunta.
- Você namoraria com um skatista? – Ele insistiu.
- Depende. Se eu gostasse dele. – Ela respondeu, rindo.
- Tem chance de você gostar de um skatista?
- Meu, que tipo de pergunta é essa? – Ela falou, revoltada.
- Só responda.
- Sei lá, talvez, que seja, sim. – Ela disse, cruzando os braços.
- Ok, obrigada por responder nossas perguntas.
- De nada. – Ela falou. – Ah, calma, tem mais uma coisa.
- Diga. – O mesmo respondeu.
- Eles comem muito, então se você é uma cozinheira ruim, não tem problema. Eles parecem comer de tudo. – Ela disse, olhando para com um sorriso.
- Comida? – Ele falou, finalmente prestando atenção na conversa.
somente sorriu para os meninos, que começaram a morrer de rir. Quando todos se acalmaram e eles finalmente começaram a fazer o trabalho, ela sentiu passar a mão pelas costas dela e a puxar para encostar a cabeça no peito dele. Ela encostou a cabeça nele e o abraçou na cintura, quase dormindo.
Não era assim tão dificil fazer trabalhos, certo?
Depois de passar a tarde fazendo trabalhos, levou até uma sorveteria, com intúito de conpensá-la por ter ajudado eles no trabalho. Ele não só havia se surpreendido como a garota era esperta, mas também em como ela escrevia muito bem. Metade da nota que eles tirassem seria devido a ela.
- Dessa vez você não vai me fazer dividir o sorvete com você? – Ela disse quando ele entregou o pote de sorvete para ela.
Ele somente riu, balançando a cabeça como se quisesse esquecer de algo que lembrara. Os dois começaram a comer o sorvete em silêncio, somente ouvindo o barulho dos carros passando rápido pela avenida.
- ? – Ele falou quando o sorvete estava acabando.
- Diga.
- Me desculpa por hoje a tarde?
- Por quê? – Ela falou sem compreender.
- Porque, antes da gente entrar na biblioteca, acho que eu fui meio grosso com você..
- Calma. – Ela disse, rindo. – O me chamando de amigaa e você pedindo desculpas? Cara, vocês sempre me surpreendem.
Ele somente olhou para ela, levantando as sobrancelhas como se pedisse que ela parasse.
- Desculpa. – Ela falou controlando a risada. – Mas eu te desculpo sim. Nem fiquei mal com isso.
- Que bom. – Ele respondeu.
- Por quê?
- Porque mostra que você não é, assim, chata como as outras meninas.
- Ah, eu não sou chata?
- Arãn. – Ele disse, lambendo a colher.
- E você descobriu isso agora? – Ela falou enquanto ele se levantava para pagar a conta.
- Não.. Eu descobri hoje de tarde. – Ele respondeu entregando o dinheiro para a caixa, que não regulou o olhar assanhado para cima dele.
- Então quer dizer que você me achava chata.
- Não. – Ele falou, se dirigindo para a porta da sorveteria, com na frente.
- Quis sim.
- Não quis.
- Quis sim, eu sei que quis. – Ela disse, revirando os olhos.
- Eu vou fazer você ver que eu não quis. – Ele respondeu, começando a correr atrás dela.
saiu correndo de pela praça, sabendo que o garoto estava no seu encalço. Mesmo sem entender certo o que tinha a ver a corrida com a discussão que eles estavam tendo, ela tentou fugir dele. Óbviamente, ela não conseguiu. Quando ela havia atingido a parte da praça que tinha grama, pegou e virou-a para encará-lo. Ela continuou andando para trás, de forma que o garoto pegou e passou a perna por trás dela, a fazendo tropeçar e cair junto dele.
- ! – Ela exclamou batendo nele. – A gente tá no meio da praça, para.
- Não paro. – Ele disse, ainda em cima dela e segurando os braços dela de forma que ela não pudesse se defender. – Diz que eu não queria te chamar de chata.
- Mas você quis!
- Resposta errada. – Ele respondeu, dando um selinho nela. – Quer tentar de novo?
- Ok, você não quis. – Ela falou derrotada.
- Isso ai, gatinha. – disse, se levantando e estendendo a mão para ela levantar. – Tua roupa tá suja.
- Onde?! – Ela disse, tentando olhar as costas.
- Aqui. – Ele riu, batendo na bunda (palavra feia) dela.
- . – Ela respondeu, girando os olhos.
Ele pegou ela pelo braço e começou a andar pela rua com ela.
- Sabe que horas são? – Ele perguntou depois de um tempo calados.
- Oito e meia.
- Humm.. E ai, o que quer fazer?
- Não sei. O que você costuma a fazer?
- Não sei. O que você costuma a fazer? – Ele repetiu.
- Depende. Eu costumava ir na casa das minhas amigas,... Estudar, as vezes. Dormir, comer..
- Quer sair comigo? – Ele falou.
- Como assim? Eu já estou saindo com você.
- Eu sei. – Ele continuou, pensativo. – Mas agora está oficializado. Agora quando alguém perguntar o que você fez hoje, você diz ‘eu sai com o ’. Legal né? E eu posso falar que sai com você.
começou a rir alto, atraindo atenção de todos que passavam por eles. somente continuava andando, olhando para ela, que chorava de tanto rir.
- Que foi? – Ele perguntou.
- Não sei. – Ela respondeu, parando de rir. – Onde estamos indo?
- Para o parquinho. – Ele apontou para a frente.
A garota olhou para a frente e reconheceu um parquinho, daqueles onde há rodas gigantes, carroséis e palhaços. Estremeceu ao pensar em palhaços – ela tinha medo.
Deixou pegar a mão dela e continuou caminhando. Logo eles chegaram na entrada do circo, tirou o dinheiro da carteira e pagou as entradas. Quando entraram, a primeira coisa que fez foi comprar um grande pacote de pipoca.
- Olha, vamos na casa do terror? – Ele disse, apontando.
- Vamos. – Ela confirmou, se dirigindo para o brinquedo.
Eles entraram. estava indo na frente (ela não sentia medo dessas coisas, somente de palhaços, vale ressaltar), sem se preocupar, até que ela entrou num cômodo que tinha várias pinturas de palhaço, palhaços esculpidos e quadros. Ela virou para atrás, procurando .
- ? – Ele havia sumido.
Sentiu o medo tomar ela. Pode parecer meio bobo, mas ela tinha horror de palhaços – eles eram seus pesadelos. Ela andou até a próxima porta, mas ela se fechou. Olhou para a outra, com medo demais para se aproximar dela, e ficou paralisada.
Uma mão tocou o seu ombro, falando um ‘bu’ em seu ouvido e ela pulou de medo.
- AAAAAAAAAAAAH! – Ela falou, se tacando no chão.
Ouvindo uma risada familiar, ela olhou para cima. Era . Para completar, ele virou a pipoca cheia de sal na cabeça dela, rindo mais ainda. Bastava para ela. Se levantando num pulo, sem se dar o trabalho nem de tirar o sal e as pipocas da roupa, ela saiu andando forte em direção a saída da casa.
foi andando atrás dela, mas não a encontrou. Somente quando saiu do brinquedo, viu ela correndo. Sem acreditar, ele foi correndo atrás dela, no maior gáas (:B). Ela continuou correndo e ele não conseguiu alcançá-la.
Somente conseguiu se aproximar dela quando reconheceu que era a rua da casa dela. Viu ela parada abrindo desesperada o portão de casa. Parou de correr e se aproximou silenciosamente dela.
- ? – Ele falou.
- Sai . – Ela respondeu.
- Eu não sabia que você tinha medo de palhaço.
- Tá legal, tchau.
Inutilmente, continuou tentando abrir o portão. pegou delicadamente a mão dela e enfiou a chave dentro, girando para ela. abriu o portão, e quando ia fechá-lo, parou.
- Que foi? – disse. – Não vai fechar na minha cara?
- Eu.. – Ela começou.
- Desculpas?
- É...
- Por favor?
- Eu..
Sem esperar ela responder, ele passou pelo portão e segurou firmemente a cintura dela. Aproximou-a dele enquanto fechava o portão com o pé com habilidade. Ela riu com o barulho e o abraçou também, permitindo que ele a ajudasse a subir a escada de costas (já que ele não a soltou) e abrisse a porta da casa dela.
Quando eles entraram na casa, lhe beijou. Enquanto a beijava, foi empurrando-a em direção ao sofá, fazendo cair junto dele. Interrompeu o beijo, sussurando:
- Me desculpa?
- Eu acho que sim. – Ela respondeu sorrindo. Puxou ele novamente, então ouviu um freio de carro na sua garagem.
Ela saltou, sem entender. Era para os pais dela chegarem somente amanhã, e Bob estaria dormindo esse horário. Se soltou de , que também tinha ouvido o freio, e desamassou a roupa. fez o mesmo, se endireitando no sofá.
- ? – Ele falou.
- Oi. – Ela sussurou, se levantando do sofá.
- Tem alguma chance do seu pai não me matar?
- Olha.. – Ela falou, tentando olhar pela janela se eram mesmo os pais. – Acho que não.
- Então o que a gente faz?
- Uma macumba das brabas para eles não te verem.
- Macumba? – Ele exclamou, sem entender.
- Brincadeira, vem aqui. – Ela disse, puxando ele escada acima.
Quando entraram no quarto dela, eles ouviram a porta de entrada se abrir, acompanhada de vozes altas. sabia que não eram os pais dela. Sem entender, ela desceu a escada. Revirou os olhos. Não podia acreditar.
- E ai, my friends, vamos sair? – falou, sorrindo.
, Gabriel e mais 3 meninos estavam parados no hall da casa de , rindo despreocupados. veio descendo a escada logo em seguida, também com cara de confuso.
- Como vocês entraram? – perguntou.
- A porta e o portão estavam abertos. A gente até ia tocar a campainha, mas vocês provavelmente iam se cagar de medo porque poderiam ser os pais da , e ia ser mais engraçado. – respondeu.
- Viado. – disse, irritado.
- Mas então, querem sair?
- Não, valeu . – respondeu. – Tem aula amanhã e pah..
- Ah, ok. – Ele falou, desanimando. – E você ?
- Não meu, eu vou pra minha casa mesmo.
- Ok. Desculpa ai .
- Suss .
- Até amanhã? – Ele perguntou, com esperança.
- Até amanhã, gato. – Ela respondeu, piscando.
riu e saiu da casa, junto dos outros meninos. Quando ouviram o motor do carro roncar, os dois se olharam.
- Então, acho que eu vou indo. – falou.
- É...
- A não ser que você queira que eu fique. – Ele interrompeu, rindo.
- Não sei.. Tem a minha mãe e o meu pai, sabe, eu não sei que horas eles vão chegar..
- Sem problemas. – Ele respondeu, rindo torto.
- Quer que eu chame o Bob? Ele pode te levar.
- Nomp – Ele disse, fazendo um barulinho com a boca quando pronunciou o ‘p’. (eu copiei da giumi, oi, tchau)
- Tem certeza que não vai na festa? – Ela insistiu.
- Absoluta. – respondeu, olhando para ela. – Não tem sentido ir sem você.
- Por quê? – Ela respondeu.
- Porque eu não vou pegar mais nenhuma mesmo.
Em vez de rir, se aproximou dele e deu um tapa no braço. Ele se assustou com a força e viu que tinha ficado vermelho.
- Melhor eu ir antes que você começe a me chutar também.
- Verdade. – respondeu, rindo.
- Bom.. Tchau.
- É, tchau.
acenou com a cabeça dela e foi até a porta. Abriu-a e parou por um segundo. Ele fez mensão de voltar, mas voltou a andar e saiu pela porta, fechando-a logo em seguida.
No dia seguinte, foi para a aula. Nada demais aconteceu, ela somente ficou com . Agora, ela não falava com as outras garotas. E elas estavam ressentindo isso – todos os meninos haviam ficado a manhã inteira perseguindo e .
Para eles pouco importava se elas eram putas ou não. Elas eram lindas, elas eram legais, não eram metidas. O que mais eles precisavam?
Na saída, estava indo para casa quando ouviu o celular tocar. Apressadamente pegou e atendeu a ligação.
- Alô? – Ela disse, surpresa.
-- Gatinha. – respondeu do outro lado.
- Fala .
-- E ai, quer vir na pracinha?
- Ah cara..
-- Não é uma pergunta, então. Olha para trás.
Ele desligou o celular e ela se virou. Viu ele e vindo apostando corrida. Os dois corriam muito rápido, coisa que dava medo nela, uma vez que ela deveria ser a bandeira de chegada.
- HÁA, CHEGUEEI! – falou, rindo, enquanto abraçava .
- Uii, sai daqui. Você tá todo suado. – Ela respondeu, se afastando.
- Não seja por isso. – Falando isso, abraçou ela também.
- Fala sério, agora EU estou nogenta. – Ela disse quando eles a soltaram.
- Verdade. Você não está mais com cheirinho bom. – respondeu, olhando maliciosamente para ela.
- Vamos? – falou, boiando como sempre.
- Vamos, né? – Os dois responderam, ainda se olhando.
Os três foram caminhando juntos até o ponto de ônibus. sentou com , enquanto ficou em pé. Todo o trajeto eles conversaram, reclamaram e foram bem felizes. Quando já estavam chegando, deu a idéia de testar em cantadas. Ele mesmo começou.
- Nossa, com você e um pacote de bolacha eu passo a semana. – Ele disse, lançando um olhar pervertido para ela.
A garota se limitou a rir – era a única coisa que ela conseguia fazer além de ficar vermelha.
- E ai, você é sempre assim ou tá fantasiada de gostosa? – falou, lançando o mesmo olhar que .
- Parem. – Ela falou, depois de consequir parar de rir. – Sério.
- É, ela ri. Eu achava que ela ia me bater, né? – respondeu, olhando feio para ela.
- Boiei. – disse.
- Vamos, a gente chegou. – Ela falou.
Os três desceram do ônibus e chegaram na pracinha. Todos olharam eles, começaram a conversar e andar de skate. deixou com e foi andar um pouco. Depois, quando já tinha encontrado as outras meninas, foi também. Parecia até que eles não queriam deixá-la sozinha.
Quando já estava anoitecendo, pegou pela mão e levou-a até a rua deserta. Ele queria ensiná-la a andar de skate novamente.
- Não, , sério. – Ela falou totalmente nervosa.
- Vamos . – Ele respondeu, tacando o skate no chão.
Ela subiu, e para a sua surpresa, não caiu.
- Ok, agora pega e dá dois impulsos com o pé.
Ela tentou, e conseguiu. Quase caiu, mas conseguiu.
- AHH, EU CONSEGUI! – Ela disse, batendo palmas.
- De novo, vai.
- Okok – Ela respondeu, voltando a dar dois impulsos.
- Agora vem pra cá, que tá vindo um carro. – disse despreocupado.
- Ai, mas como eu faço? – Ela falou, desesperada. – Eu não sei virar, e tô de costas pra você.
- Vem, , o carro tá se aproximando.
Ela desceu do skate, mas bem na hora ela percebeu que o carro estava a uma distância que se ela pegasse o skate, ia ser atropelada. Num impulso, ela deixou o skate e se afastou o máximo que conseguiu – não foi muito, só o suficiente para o espelho não bater nela. Era a única coisa que dava tempo.
Quando o carro passou, ele buzinou. Entendendo o porque, ela olhou para o chão, onde o carro havia passado segundos antes. O skate estava dividido em dois. Exatamente ao meio, quebrado de uma forma que até ela que não entendia nada de skates sabia que não havia conserto.
somente encarava o skate, sem acreditar. E ela também – como havia feito isso?
Ele se aproximou do skate e começou a chutar as duas partes para cima da calçada, despertando do choque. Ela se aproximou de , que se sentava no meio fio da rua, e disse:
- Desculpa. Eu te compro outro.
- Não. – Foi tudo que ele respondeu.
- , eu juro que foi sem querer..
- Tá. – Ele disse e se levantou deixando a garota encarando o meio fio.
Sentiu lágrimas chegarem nos olhos dela, se dando conta que todos estavam quietos e a observavam. Eles a observavam como a-garota-rica-que-o-ex-idiota-bateu-no--e-aquela-garota-que-quebrou-o-skate-do-. Então, ela compreendeu.
Ela nunca fizera parte daquilo, e nunca faria. Ela era a menina que morava num bairro de rico e ia ao shopping todo o final de semana. Ela ia em festas chiques, e só isso. Ela não passava da garota que nunca conseguiria ser algo ali.
E agora, isso estava claro. Antes todos a permitiam ficar ali porque estava ali. E agora, ele não estava mais. Ela havia estragado com tudo com a mesma agilidade que havia começado com tudo.
Para a sua surpresa sentiu um braço envolver ela, e se virando com o choque, viu que era . Não era um abraço segundo-intencionado. Era um abraço de amigo, e ela pode sentir isso. Apertou ele, chorando mais ainda.
Pode ouvir uma voz feminina falar ‘Mandou Bem!’, mas logo silenciou-a.
- Hey, cale a boca. Ela é melhor que você. – E voltou a apoiar a cabeça em . – Não fica assim, .
- Eu.. eu quebrei, . – Ela sussurou, como se lhe contasse um segredo.
- Mas ou era isso, ou você era atropelada.
- Preferia ter sido atropelada. Pelo menos eu não sentiria nojo de mim mesma. – Ela tentou sussurar, mas como sua voz estava uma nota acima do normal, todos ouviram.
- Não fala besteira.
- Eu preciso ir. – Ela falou, se soltando de .
- Não , fica.
Ela não se virou para ver a cara de , porque sabia que ia ter que ver . Ela começou a andar para longe da praça, o mais rápido que podia.
- . – Ela ouviu a voz de falar.
Imitando a reação dele na porta, no dia passado, ela parou. Mas então, voltou a andar – ela sabia que ali não era o lugar dela.
Em vez de pegar um ônibus, ela foi andando as 40 quadras. A medida que andava parecia que sua raiva de si mesmo ia diminuindo, acalmando. Ela não estava conformada – só estava pronta para não se matar por ter feito aquilo. Quando chegou em casa, pela primeira vez na vida, sorriu ao ver os pais descarregando o carro com as malas da viajem.
Se aproximou, cumprimentando os dois com um abraço e se apressou a ajudá-los a levar as malas para cima. Seus pais não perguntaram o por quê dos olhos vermelhos dela. Talvez eles nem reparado tenham. Era comum.
Após garantir que seus pais não precisavam mais dela, se trancou no quarto e se tacou na cama. Ela não chorou, mas estava totalmente exausta. Adormeceu logo.
No andar de baixo, o telefone tocou.
- Alô? – Disse o pai de .
-- Hey, posso falar com a ?
- Quem deseja? – Ele insistiu, formal como sempre.
-- .
- Não, ela não pode agora, .
-- Sabe quando vai poder?
- Eu te aviso.
E desligou o telefone, bufando. Seria preciso escrever uma faixada na casa dela falando que ela não iria mas ter amigos skatistas? Seria preciso trancafiá-la dentro de casa para não permití-la vê-los?
Ah, seria necessário muito mais que isso.
O dia seguinte passou para como se te contassem uma palavra a cada dia, compondo no fim uma única e triste história. Ele se arrastou até onde pode, mas o barulho anunciando o fim do dia letivo não ajudou a garota a se animar.
Mal se despedindo de , ela andou até sua casa. Seus pais não estavam – novidade. Ela cumprimentou Anny, que estivera de férias junto de Bob, e foi para o seu quarto. Como o dia estava frio e cinzento, ela vestiu um moletom cinza por cima da blusa que usava. Avisou que ia dar uma andada por ai e saiu de casa.
Ela pensou em sua rota várias vezes, mas acabou se decidindo por somente dar uma volta na quadra. O que ela poderia fazer além disso? Enquanto caminhava, várias pessoas passavam por ela. Primeiramente, um casal andando de mãos dadas e rindo sem se preocupar.
Depois uma menina solitária igual a ela, mas sorridente. Um homem mais velho que olhou para ela com gosto, dando uma espécie de ânsia e nojo na garota. Um bando de pedreiro assobiando para ela.
Uma mãe puxando a filha apressadamente para levá-la em algum lugar. Por fim, a volta na quadra foi completa. Ela já estava avistando a casa dela, e parecia mais deprimida ainda por isso – era preferível ficar na rua ou em casa? Está ai mais uma coisa que ela não sabia.
Mas uma imagem a vez congelar. Ela parou de caminhar, ficando idêntica a uma estátua, com medo de se mecher.
vinha correndo na sua maior velocidade em direção a ela. Ele não só corria, mas sim corria com toda a sua força e empenho. Os dois iam colidir – isso era óbvio – e ela agradeceu por estar ciente que havia um poste atrás dela. Ela não iria cair, somente bater com tudo no poste.
E ele não freiou. Mas, obviamente, quando ele alcançou-a, pegou e envolveu rapidamente a cintura dela com os braços e a prendeu contra o poste. Abraçou-a com muita força, como se temesse que ela fugisse, e permitiu que ela pousasse a cabeça em seu ombro, encostando os lábios em seu pescoço.
Cedo demais, soltou-a delicadamente, se preparando para encará-la.
- ? – Ele falou.
- Seu idiota. – Foi tudo que ela conseguiu murmurar, já que as lágrimas não permitiam.
- Desculpa. – Ele falou no mesmo tom de voz de quando chamou por ela. – Podemos conversar?
Ela concordou com a cabeça e deixou-se ser guiada até um banco. Era cinza e frio, fazendo-a inconsientemente se aproximar mais ainda dele.
- Ontem você não atendeu o telefone por quê?
- Por que ele não tocou? – Ela respondeu ironicamente.
- Claro que tocou. Eu te liguei.
- Quem atendeu?
- Seu pai...
- Querido, você sonha que meu pai vai falar que você ligou? – Ela disse, raivosa. – Seria mais fácil ele avisar que o ligou, uma vez que não conhece ele. Você está enquadrado na grande lista de pessoas que eu não devo sair.
- Humm.. – Ele se conteve a responder. – Sobre ontem, na pracinha..
Ela somente fechou os olhos, buscando pela mão dele. Assim que ele percebeu que ela pegou na mão dele, entrelaçou os dedos deles.
- Desculpe por...
- Não, eu que..
- Não, para..
- Cala a boca . – Ela falou raivosamente. – Foi culpa minha, e eu vou comprar um novo para você.
- Não precisa.
- . Eu vou comprar.
- , é caro.
- E daí? Você mesmo diz que eu cago dinheiro, então..
Ele não respondeu, somente se conteve a sorrir. Percebeu que aquela era uma batalha perdida – ela estava decidida a comprar um skate novo para ele.
- Tem mais uma coisa. – Ele continuou.
- Diga. – Ela encorajou-o, enquanto suspirava.
- Nós não podemos continuar como estamos. – Sentindo ela enrijecer, ele tentou não atropelar as palavras. Mas ele não conseguiu. – vocêquernamorarcomigo?
Ela riu, porque havia entendido exatamente o que as palavras dele significavam.
- Sério, não ria. Eu nunca pedi uma garota em namoro, normalmente eram elas que pediam..
- O quê? – Ela falou, assustada.
- Não mude de assunto. E não me deixe nesse suspense.
- Com uma condição. – Ela sussurou, ciente de que ele ouviria.
- Diga.
- Você tem que prometer que não vai me amar mais que o seu skate.
- Por quê? – Ele perguntou assustado. Esperava exatamente o pedido oposto.
- Porque se não todo mundo vai me odiar. Inclusive o . – Ela respondeu, brincando com os dedos dele.
- Feito. Se é o que eu preciso pra te ter.
Os dois ficaram em silêncio por um tempo, somente ouvindo o barulho dos carros indo e vindo pela rua.
- Vamos? – falou, se levantando.
- Aonde?
- Querido, temos que comprar o seu skate. – Ela respondeu, colocando as mãos na cintura.
Ele sorriu maliciosamente por ela e pulou do banco. Passou a mão pela cintura dela, empurrando-a para frente, mas se mantendo próximo o suficiente para distribuir beijos pela nuca dela.
- ! – Ela falou, rindo.
- Nem reclama, eu tenho esse direito.
- Hmm. – Ela respondeu, sem conseguir pensar no que falar.
- E ai, vamos de busão?
- Somente com uma condição.
- Qual? – Ele falou, suspirando.
- Dessa vez quem vai pensar em algo divertido sou eu.
Rindo, se apoiou na barra que tinha no ponto de ônibus. se apoiou de leve nele, descansando sua cabeça. Enquanto ela brincava com os dedos dele novamente, ele somente dava mordidinhas na orelha dela, fazendo-a rir e chamar a atenção de todos os outros que esperavam pelo ônibus também.
- O que você vai fazer? – Ele sussurou quando viu o ônibus se aproximar.
- Ah, você não perde por esperar.
Para a surpresa de , a ida de ônibus até o shopping não teve nenhum imprevisto. Parecia que havia desistido de dar o troco para ele – coisa que, sinceramente, ele agradecia.
Entraram no shopping, caminhando de mãos dadas, até que puxou para entrar na loja. Logo que entrou, o lojista veio cumprimentar ele como se fossem velhos amigos.
- Ben! – exclamou, batendo na mão do rapaz.
Ele puxou para a frente dele, deixando-a fica entre ele e o balcão. Olhou para o lojista, que somente sorriu.
- Em que posso ajudar, ? – Ben falou alegremente.
- Eu vim ver um skate. – Ele respondeu, sorrindo.
- Ótimo. Venham aqui.
puxou novamente e foi até onde Ben estava parado, esperando. Ele tinha vários estilos de skate pendurados ali (uhu, Drop Dead do Mueller, pena que você faliu. :/). olhou surpresa e começou a admirá-los.
- Sua namorada? – Ben perguntou, apontando para .
- Ahan. – respondeu olhando para ela como se tivesse orgulho. – Mas heim, eu tava pensando em comprar peça por peça para montar.
Para surpresa tanto de Ben quando de , se soltou dos braços de e caminhou em direção aos skates. Ela parou e pegou um, tirando-o da parede e examinando atentamente.
- Esse aqui é bom? – Ela falou, entregando-o para Ben.
- Cara.. Esse é o melhor que a gente tem. – Ele disse, rindo. – É melhor do que o comprou da última vez, até.
- Sério? – Ela perguntou com os olhos brilhando.
- Não, , é caro.. – Ele falou puxando ela.
- Quanto é? – insistiu.
- Olha, eu posso fazer por 500 pra vocês, mas fica entre a gente. – Ele respondeu, atento a reação de .
- Vou levar. – decretou.
Ela seguiu Ben até o caixa ignorando os pedidos e ameaças de , se divertindo com a situação. Passou o cartão e digitou a senha. Pegou o skate e se despedindo de Ben ela saiu da loja. foi atrás.
- Obrigado. – Ele respondeu timido quando a alcançou.
- De nada. – Ela falou, se divertindo mais ainda.
Sem falar mais nada a guiou até a pracinha. Eles estavam do outro lado da rua ainda, quando ele por fim falou algo:
- Hey, , desculpa.
- Por quê? – Ela disse inocentemente para provocá-lo.
- Por ser grosso.
- Hmm. – murmurou.
Vendo que ela estava rindo, puxou ela pela mão e pegou o skate da mão dela. Aproveitando que ela estava parada, ele se aproximou e deu um beijo nela. Ela começou a rir quando ouviu do outro lado da rua bater palmas e assobiar.
- Parece que alguém aprovou você. – disse, pegando a mão dela novamente.
- Pois é. – Ela se limitou a responder, ainda vermelha de vergonha.
Os dois atravessaram a rua e foi o primeiro a abordá-los.
- Toca aqui, garotão do . – Ele disse, rindo. – Assim que se faz, .
- Que gay, . – falou, sem mover a mão.
- Deixa eu me divertir um pouco, ok? Não é sempre que você tem uma namorada que não é uma puta.
- Eu acho que isso foi um elogio, cara. – disse, fingindo pensativa. – Obrigada, .
Ela o abraçou, percebendo o olhar feio de .
- CAARA, O QUE É ISSO NA SUA MÃO? – Ele gritou, reparando melhor em .
No mesmo instante todas as pessoas da pracinha já estavam passando de mão em mão o skate de e analizando. Ele se limitou a abraçar e ficar dando beijos na bochecha dela.
Quando todos se acalmaram e devolveram o skate, ainda babando nele, Gabriel veio falar com eles.
- E ai , vai sábado? – Ele falou, cumprimentando com a cabeça.
- Ah.. , a gente vai acampar sábado. Quer ir? – disse, olhando esperançoso para ela.
- Se eu arranjar uma boa desculpa para minha mãe, quero sim.
- Ahmm, ? – falou. – Se quiser levar uma amiga sua..
A garota sorriu a reação de , que olhava maliciosamente para ela, e falou:
- Qual eu quero levar?
- A . – Ele respondeu, talvez rápido demais.
- Está bem. Aposto que ela vai querer ir.
- POR QUÊ? – Ele disse se animando.
- Nada.. Boatos, somente isso.
- Então táa.. – respondeu, mais animado ainda.
- , é esse sábado? Tipo, depois de amanhã? – Ela perguntou, abraçando ele.
- Ahaan. – Ele respondeu, todo abobalhado. Largou o skate no chão e puxou ela mais para perto, unindo as testas dele.
- fall in lovee. – Gabriel e começaram a saltitar e simular que carregavam uma cestinha de flores e tacavam neles.
e riram, sem saber o que falar. Depois, soltou-a e foi para a pista estreiar seu novo skate. tomou sorvete com , tendo como assunto da conversa. A tarde passou e estava quase escurecendo quando disse que levava a garota para casa.
Eles foram de ônibus novamente, e como da última vez, se esqueceu de sua promessa de devolver a brincadeira do aborto. A garota somente se conteve em abaixar a cabeça e apoiar-se no colo dele, que ficou brincando inconsientemente com o cabelo dela.
Como ainda eram seis horas, os pais de não estavam em casa. foi até a porta com ela, e se despediu dando um selinho, junto da promessa que amanhã ele iria na hora da saída buscá-la para ficar a tarde novamente com ele.
De tão feliz que estava, dispensou Anny e fez o jantar por si só. Caprichou tanto que os pais chegaram a elogiá-la, o que para eles era um grande avanço.
Totalmente exausta ela nem se deu o trabalho de entrar no computador. Se tacou na cama depois do banho e adormeceu. Melhor assim – pelo menos esse dia seria perfeito. Talvez fosse melhor que ela não entrasse no computador antes do acampamento mesmo. Nunca se sabe se aquele ser indesejável não arranjou um jeito de acabar com a sua felicidade por simples vingança.
No dia seguinte, a aula passou super rápido. comentara com sobre o convite do acampamento, e a garota ficou de dar a resposta se ia poder ir ou não logo que conseguisse falar com a mãe. já tinha perguntado ontem para a mãe, que achando que ia ser uma viajem somente de garotas da escola, deixou.
Logo que o intervalo para o almoço tocou, em vez de irem para o refeitório, e foram para a informática, já que as duas não estavam com fome. Cada uma sentou em um computador e começou a ver o que queria.
abriu o seu orkut e seus olhos logo caíram no novo depoimento que ela recebera, de . Quando ela começou a ler, Gabriel parou atrás dela sem que ela percebesse e começou a ler também.
“, falando sério agora.”, dizia o depoimento, “Você sabe que eu ainda te amo e que eu vou batalhar por você. Irei jogar sujo assim como aquele outro está jogando, e no final eu vou te ter. Você sabe que sou o melhor pra você, que sou eu quem vai poder te dar uma vida. Então, peço que me obedeça e facilite as coisas – você não vai querer que eu deixe escapar para seus pais umas verdades sobre o seu novo namoradinho. Com amor, .”
- Quem é esse? – Gabriel perguntou se sentando ao lado de .
- Argh, meu ex. – Ela respondeu com a voz visivelmente irritada.
Ela abaixou a página, viu o que tinha que ver e voltou para cima. Quando ia apagar o depoimento, Gabriel a interrompeu.
- Hey, não apaga isso não. – Ele disse. – Vamos mostrar para o .
- Ahh, nem sei, sabe?
- Sério . Não precisa ficar assim. A gente não vai deixar ele fazer nada com você.
- Eu não me preocupo comigo, - respondeu, virando os olhos. – eu me preocupo com o .
- Nem liga. O máximo que vai acontecer é ele ganhar mais uma cicatriz para a coleção dele. – O garoto respondeu despreocupado. – Vamos almoçar?
Um pouco mais animada, saiu do orkut e chamou . As duas foram junto de Gabriel até o refeitório, mas lá se separaram. Meio contra a vontade, se sentou ao lado de . Como sempre, seu olhar ficou junto de seu pensamento naquela mesa mais longe, onde aqueles cinco meninos riam e conversavam despreocupados.
Na saída da escola as duas meninas ficaram conversando com alguns garotos (já que praticamente todas as meninas da escola as odiavam agora), que estavam se sentido o máximo por estarem perto delas.
- Cala a boca, Bernardo – falou, dando um tapinha no braço de uns dos meninos.
- Quem ai tá mechendo com a minha garota? – Uma voz autoritária falou por trás de , que somente riu.
- . – Ela disse enquanto ele a abraçava.
- Tudo bom? – Ele perguntou.
- Tudo sim.
- Hmm, perfeito. – murmurou dando um selinho na garota. – Vamos indo?
- Aham. , quando falar com a sua mãe me liga, tá bem? Faz uma forcinha para ir. – Ela disse e se virou para novamente. – Prontinho.
Dando uma acenada com a cabeça para , passou o braço na cintura da garota e pegou a mochila dela. Os dois foram andando até que ela finalmente se tocou que não sabia para onde eles estavam indo.
- Onde nós estamos indo?
- Hmm.. Eu quero te mostrar uma coisa.
- O que? – falou se empolgando.
- Surpresa.
Os dois andaram mais 5 quadras e pararam em frente a um prédio. Ele tinha somente 4 andares, sem contar com o térreo, e era bem cuidado. Mesmo assim, era simples.
- Minha casa. – falou quando eles subiram no elevador e pararam no quarto andar.
Ele abriu a única porta do corredor e pode ver o apartamento por dentro. Era simples, mas totalmente impecável. Ela pode perceber que as coisas ali eram básicas e totalmente bem cuidadas. Havia uma sala, dois quartos, uma cozinha e dois banheiros.
Envergonhada por estar analizando tanto, entrou e seguiu . Ele passou pelo pequeno corredor e tacou as coisas em cima de uma cama, que ela julgou ser dele.
O quarto de era engraçado. As paredes eram brancas e desgastadas e estava uma total zona, totalmente diferente do resto da casa. Num canto, rodinhas e pedaços de skate estavam empilhados, com ferramentas ao lado. Em cima da escrivaninha tinha um computador velho, a cama estava dessarumada e o armário aberto. Ele não parecia se importar com isso.
- Olha. – falou pegando o novo skate e entregando para ela.
pegou o skate e se sentou ao lado dele na cama. Ficou olhando, sem entender.
- , vira. – Ele insistiu, rindo da cara dela.
Quando ela virou o skate, viu a coisa mais linda que ela já tinha visto. A parte de baixo do skate tinha sido grafitada. Onde devia haver o desenho da caveira estava agora escrito ‘’, em letras rosas berrantes e verde, com um fundo totalmente trabalhado.
- , eu.. Sério, é lindo. – Ela falou pausadamente, ainda sem acreditar.
Para ela aquilo significava muito.
- Gostou? – Ele perguntou apreensivo.
- É perfeito.
desviou o olhar do skate para ele, que olhava para ela sorrindo torto. Ela foi se aproximar dele quando ouviu um barulho de chave girar e uma porta se abrir. Envergonhada, voltou a encarar o skate, esperando que ele não percebesse que ela estava vermelha.
- Hey, quer conhecer minha mãe? – Ele perguntou despreocupado.
- Quero.
se levantou e puxou ela pela mão, a guiando para a cozinha. Quando ela entrou, viu a mãe dele. Ela não aparentava ter mais idade que sua mãe, mas tinha uma cara bem mais de mãe. Parecia ser simpática.
- Oi mãe. – Ele falou depois de dar um beijo na bochecha dela. – Essa aqui é a .
- Ahh, então você é a famosa , certo? – Ela disse, rindo. – Ela é mesmo linda, filho.
- Obrigada. – respondeu, ciente que estava vermelha novamente.
- Hey, não precisa ter vergonha. – falou, encostando o nariz na bochecha dela. – Hmm mãe, nós vamos sair, tá bem?
- Claro filho. – Ela respondeu. – Juízo. E depois, pode arrumar seu quarto, ok?
- Tá beem mãe.
foi até o quarto dele correndo e pegou a mala de e o skate. Os dois saíram, e ele automaticamente já virou para ir em direção a pracinha.
- Hum, , acho que eu vou pra casa. – falou.
- Ahh, por quê? Eu mal tive tempo de sentir o teu cheirinho. – Ele respondeu, abraçando a garota e colocando a cabeça no pescoço dela. somente riu.
- Porque amanhã a gente vai sair cedo, daí eu tenho que arrumar as malas e já são quase cinco horas...
- Ok. Mas só se você me prometer que amanhã eu vou poder ficar o dia inteirinho com você.
- Claro que vai.
- Então vamos.
acompanhou para casa, e repetindo o dia anterior, ele a levou até a porta. Quando ela abriu e entrou em casa, ele puxou ela novamente e deu um beijo doce e rápido nela, temendo que algum vizinho visse e comentasse com os pais dela.
- Até amanhã. – Ela falou.
- Até amanhã, gatinha. – Ele respondeu, piscando.
suspirou ao ver ele passar pelo portão e logo em seguida subir no skate, saindo a toda pela rua. Bateu a porta, e podia jurar que tinha visto fazer uma manobra girando o skate e mostrando para todo mundo a nova grafitagem dele.
Logo que entrou na casa, andou e quando chegou na sala, viu que o pai estava abraçado com a sua mãe, que olhava uma conta sorrindo e quase chorando de felicidade. O primeiro pensamento da menina foi porque diabos a mãe estava feliz com uma conta de água.
- Filha, temos uma notícia para você. – Ela disse, sorrindo para . – Eu estou grávida!
A notícia atingiu a garota como um soco. Primeiro, veio o choque de ter apanhado tão fortemente e traiçoeiramente. Segundo, veio a dor. Começou queimando por dentro do estomago dela e foi irradiando por todo o seu corpo, quando chegou nos olhos.
- Você vai ter um irmãozinho! – O pai falou, tão ou mais animado que a mãe.
Continuando, por terceiro veio o pensamento. Por que Deus ela teria um irmão 18 anos (porque se ele não morresse e nascesse após 9 meses, ela já teria feito 18) mais novo que ela?
- Filha? – A mãe insistiu, interpretando a reação dela como alegria.
Quarto, veio a repulsa. Ew, isso era nojento. Era vergonhoso. Era rídiculo. Ela tinha idade para ser tia dele. Idade para ser quase uma mãe. Várias garotas de 17 anos já tinham filhos. Mas ela não – ela teria um irmão.
Olhando o pai e a mãe com profundo nojo, ela se virou e subiu as escadas. Bateu a porta do quarto e se tacou na cama, deixando as lágrimas virem e ela chorar como se ninguém a visse. De fato, ninguém a via. Os pais estavam lá embaixo, concluindo que ela fora espalhar a novidade para os amiguinhos. Deus, como eles não a conheciam.
E os amigos, bem.. Está ai uma coisa que eles nunca iriam de fato saber. Pelo menos, não pela boca dela. Os outros pensamentos, bem, poderiam ser adiados para depois, certamente.
Durante três horas ela se virou de um lado para outro na cama. Prometendo a si mesma que ia parar de pensar nisso, ela tentava dormir. Óbviamente, não conseguiu. Revoltada, ela se levantou e pegou o primeiro caderno que viu, intitulando a página como:
1- É perigoso
2- Eles não dão atenção nem para mim
3- Todo mundo vai fofocar sobre isso
4- É nojento.
5- Eu vou ter um irmão 18 anos mais novo
6- Eles só olham para mim para me proibir, agora só olharão para mandar eu calar a boca do bebê
7- O que as pessoas vão pensar de MIM?
8- O que as pessoas vão pensar da minha família?
9- O que será do meu quarto de hóspedes quando ele se encher de coisas idiotas para bebês idiotas?
10- QUANDO ELE FOR PRA ESCOLA E TRAZER OS AMIGUINHOS DELE?
Olhando ironicamente para a lista de coisas ela tacou o caderno no chão e voltou a deitar a cabeça no travesseiro. Cerca de 5 horas da manhã ela adormeceu, e acordou com uma batida na porta. Era seu pai, avisando que ela ia se atrasar.
Dispensando o pai com uma desculpa que estava enjoada (já que o pai não tinha menor disposição para ficar ouvindo as dores de sua filha), ela voltou a tentar dormir. Não conseguiu, óbvio.
Quando se aproximavam meio-dia, ela ouviu o celular tocar. Logo que atendeu, reconheceu a voz de .
-- GURIA, CADE VOCÊ?
- Aii, vem pra minha casa depois da escola. – Ela falou, totalmente grogue.
-- Meu, você tá um caco. O que aconteceu?
- Agora não . Só vem depois, ok?
-- Tá bem.. E o que eu falo pro , hm?
- Como assim? – abriu os olhos ao ouvir o nome de .
-- Como sempre ele deve vir aqui na saída te procurar..
- Fala para ele que eu não fui e que ele pode vir aqui em casa MAIS TARDE. Logo depois da escola não.
-- Você me preocupou legal agora, guria. Tem certeza que você não ‘tá morrendo?
- Sim.
-- Ok, tchau.
Sem nem responder, desligou o celular e tacou na cama. Se levantou e olhou a cara dela no espelho – estava horrível. Prevendo que mataria as últimas aulas para vê-la, mesmo ela tendo deixado específico que era depois da aula para ela vir, desceu as escadas lentamente.
Sentou na cadeira ao lado da porta e contou até 20 devagar. Assim que chegou no 20, sentiu a porta se abrir com tudo e uma totalmente arfante parar em frente a ela.
- MENINA, O QUE ACONTECEU? – Ela gritou, fechando a porta.
- Minha mãe, , ela tá grávida. – respondeu bem baixo, fechando os olhos com força.
- O quê?
- PORRA, não me faz repetir.
- Calma, calma. Vai dar tudo certo, vem. – falou, ajudando a menina a se levantar e empurrando ela para a cozinha.
Chegando lá, ela preparou uma água com áçucar, pensativa. Ela sabia o que a menina devia estar passando. Um irmão 17 anos – provavelmente 18 – mais novo não era certamente uma notícia feliz. Era estranho, por um lado. Nojento, por outro. E, acima de tudo, se tratando dos pais de (que nunca deram atenção para ela) era preocupante. Haviam somente duas possibilidades: ou eles dariam toda a atenção para o bebê, ou eles dariam o bebê para cuidar.
- Meu, você cagou nessa água? – falou, dispertando dos pensamentos.
- Ahmm.. Não. É água com açucar.
- Você sabe que eu odeio.
- Pelo menos você ainda manteve seu bom humor, hm? – falou ironicamente.
- Hahaha, que engraçado. Minha mãe vai ter um filho. EU MAL CONSIGO PARAR DE RIR.
- , para com isso. Não melhora nada ficar assim.
- Também não piora.
- , PORRA. Pensa comigo. Daqui a nove meses você já vai ter 18 anos. – disse, sentando ao lado da amiga.
- Verdade. Eu posso morar sozinha, daí.
- Não era isso que eu queria dizer. Mas, em parte, é isso mesmo. Você vai estar indo pra faculdade,..
- Hmm.. É. – Ela concordou, se animando um pouco. – Mas mesmo assim.
- , eu fiquei de almoçar com meu pai, e você sabe. Pais separados, se eu não for os dois vão me matar. Você vai ficar bem?
- Vou. – A garota mentiu. – Tchau amor.
- Tchau linda. – respondeu, piscando e saindo da casa.
pegou desanimadamente o saleiro e começou a girá-lo. Desistindo de ficar parada esperando o tempo passar, se levantou e subiu as escadas. Se tacou na cama e adormeceu.
ouviu uma porta se abrir e alguém sussurar delicadamente seu nome. Como se tivesse levado um novo bofete na cara, ela saltou da cama e sentou, vendo que era . Num reflexo, ela estendeu os braços e abraçou a nuca dele, fazendo-o cair sentado na cama. Querendo ao mesmo tempo vê-lo e esconder seu rosto, ela enfiou sua cabeça no pescoço dele, deixando que as lágrimas voltassem a cair.
- , o que foi? – Ele perguntou preocupado, enquanto retribuia o abraço e apertava ela junto a ele.
- Minha.. Minha mãe, ela..
- Shh, depois você me conta.
ficou abraçada em por um bom tempo, sem deixar que ele se mechesse. O único movimento dele era de respiração, o que aos poucos foi acalmando a menina. Quando finalmente havia conseguido parar de chorar, se afastou para encará-lo.
- Você ainda sim fica linda chorando. – Ele falou, sorrindo para ela.
Ficando vermelha e envergonhada, se levantou e viu seu rosto no espelho. Estava um monstro. Sua cara estava toda vermelha e molhada, super nogenta. Sentiu abraçá-la por trás e inconsientemente sorriu. Era fácil esquecer dos problemas com ele.
- Minha mãe está grávida, . – Ela sussurou, ainda de olhos fechados, temendo a reação dele.
- Heey, isso não é assim tão ruim. – Ele respondeu sincero.
- Claro que é. Ela não dá atenção nem para mim. Vai sobrar para mim cuidar do bebê. E todo mundo vai comentar.
- , ela não vai dar o bebê pra você cuidar. E você vai pra faculdade ano que vem, mesmo. E também, que comentem. Isso não vai mudar a forma das pessoas reais te enchergarem.
- Não? – Ela sussurou.
- Não. Você sempre vai ser minha menina.
Voltando a sorrir, tirou os braços dele com delicadesa e entrou no banheiro. Jogou água na sua cara e secou com a toalha, ciente de que não havia feito muitas diferenças. Pelo menos ela se sentia melhor.
Quando saiu do banheiro, sorriu fraco para , que retribuiu com um sorriso perfeito. Ele pegou a câmera fotográfica dela, que estava em cima da mesinha do computador, e empurrou ela pra dentro do banheiro de volta.
- Fotos? – Ele perguntou, rindo.
pegou a câmera da mão dele e ficou em frente ao espelho. Ele virou ela de lado e colocou a mão dela na cintura dele, e fez o mesmo. Puxando a cintura dela para perto da dele, ele encostou a cabeça na bochecha dela e esperou a foto. tirou, olhando para o espelho, e achou que ficou fofa.
pegou a câmera da mão dela e colocou no timer. Pois em cima da prateleira que tinha a altura perto da deles e acionou o timer. Abraçou novamente, mas dessa vez virou-a de forma que aparecesse as costas dele e a cabeça dela. Tirou rápido o boné, colocou virado para trás na cabeça dela e a beijou.
sorriu ao ver os flashes das três fotos dispararem, e mesmo quando eles acabaram ela não soltou ele. Somente quando seu pulmão gritava por ar, se separou dela e pegou a câmera.
- Hmm.. – Ele começou, empurrando ela em direção a porta do quarto.
- Eu fico linda de pijama, fala sério. – brincou enquanto eles deciam as escadas.
- Perfeita. Vamos comer?
- Vamos.
pegou um pacote de bolacha e abriu, deixando-o na frente de , que estava sentado em uma das 6 cadeiras da mesa. Ela sentou ao seu lado e passou a mão pela cintura dele, apoiando a cabeça no peito dele. pegou uma bolacha e comeu, abraçando ela também.
- Sabe , eu tenho medo da sua beleza. – Ele disse, sério.
- Não entendo. – Ela murmurou, fechando os olhos e respirando o cheiro do moletom dele. Era tão bom.
- Você é bonita até chorando. Você podia sair com a cara toda melada que ainda sim todos os meninos iam olhar para você.
- Mentira, mas o que isso tem?
- , até meus amigos olham para você sem moderação. Eles ficam olhando para você, mesmo comigo ali, e eu nem posso culpá-los. – Ele falou, mantendo a cara de sério.
- Como assim? – Ela disse, inocentemente, sem realmente entender.
- Ah, eu não sou bom pra explicar essas coisas. Mas , você é muito bonita e poderia ter qualquer um. E eu tenho medo disso, porque eu sei que eu não sou o ideal.
- Hmm, talvez eu não queira o ideal. – Ela falou, inspirando o cheiro dele novamente. – Talvez eu queira o oposto.
- Eu mantenho esse desvio de conduta, sabe, pra não te perder. Mas...
- Hey, eu não quero que você mude que você é. – Ela o interrompeu, abrindo os olhos e o abraçando com mais força ainda. – Eu gosto de você do jeito que você é.
- Você é tão perfeita, mas tão boba. – respondeu, apoiando a cabeça na dela.
- E você é o que, então?
- Eu sou o...
- Skatista lindo. – Ela completou, sorrindo.
- Pode ser. – Ele disse, dando de ombros. – Vamos sair?
- Hmm, ok. Vou trocar de roupa, então.
subiu as escadas correndo, e foi atrás. Quando chegou no quarto dela, ela já havia se trancado no banheiro. Ele se encostou no batente da porta, e nem 5 minutos depois ela saiu. Estava vestindo um curto shorts branco, uma havaiana e um moletom azul dele por cima, que ficava gigante nos braços para ela.
- Posso ir assim? – Ela perguntou, levando a manga do casaco para a boca e dando uma mordidinha.
- Claro. – Ele respondeu, admirando ela.
foi até a frente do espelho dela e fez um simples e rápido rabo com o cabelo, sorrindo para . Ele não resistiu e se aproximou dela, puxando-a até a parede. Quando ela encostou na parede, ele se aproximou e colocou a mão por dentro do moletom, passando o dedo áspero dele pela pele macia da barriga dela. Ela sorriu e puxou ele, encostando os lábios dos dois.
Imitando ele, ela desceu a mão para dentro da camiseta dele, acariciando a barriga dele como se estivesse respondendo ao agressivo beijo dele. Ela passou a unha pela parte direita da barriga dele e ele gemeu, se separando dela na hora.
- O que foi? – disse, preocupada.
- Nada. – Ele respondeu, tentando relaxar a expressão de dor.
- .
- É que... – Ele falou, enquanto levantava a camiseta.
olhou para a barriga dele e viu que bem onde ela tinha passado a unha havia uma cicatriz. Era deitada, comprida e fina. Estava vermelha. Devia ter doido quando ela pressionou o machucado.
- Desculpa, - Ela disse, agoniada. – eu..
- Não tem problema.
- Como você fez isso?
- Vai fazer um ano, acho. Eu estava numa pista de skate e cai bem na barra, que tinha alguma coisa que me cortou. Eu levei 9 pontos e inflamou duas vezes, daí..
- Ai . – Ela continuou, passando o dedo novamente em cima, bem de leve.
- Vamos? – Ele perguntou, abaixando a camiseta.
Ela concordou com a cabeça e deixou ele a guiar até a porta da casa. Quando saíram, pegou a mão dela e ficou balançando, girando-a pela rua, até que eles chegaram a pracinha de skate.
Ao ver e Gabriel, sorriu e foi correndo ao encontro deles. Abraçou os dois e virou para Gabriel, que estava olhando para ela.
- Hmm, eu ouvi dizer que você me defendeu hoje. – Ela falou.
- Quando? – Ele perguntou sem entender.
- Quando falaram que além de puta eu era vagabunda. Me contaram que foi assim: ‘Ai, a além de puta virou vagabunda, viram?’, a menina falou. Você chegou e disse: ‘Ela tá mal. Ela não falta aula por causa de uma espinha, até porque ela não tem espinhas, diferente de você.’. A menina disse: ‘Olha, um que a pegou tá defendendo ela’. E por fim, você a humilhou, falando: ‘Mesmo que ela tivesse me pegado, só provaria que pelo menos ela tem quem pegar, diferente de você, que levou 5 foras seguidos. Se encherga, sua inveja não afeta ela.’
Gabriel sorriu ao ouvir a réplica perfeita do momento da saída.
- ? – Ele perguntou, cumprimentando que havia chego agora.
- Claro. Rádio-fofoca a toda, amigo. – Ela respondeu, rindo.
Vendo , se atirou nos braços dele e permetiu que ele começasse a distribuir beijos pelo pescoço dela, somente rindo. Quando o garoto deu uma mordida na orelha dela, ela se afastou e foi andando até a pista de skate. ficou conversando com e Gabriel, somente observando-a de longe.
Logo que se apoiou na barra para observar os meninos andando de skate, 3 caras lindos e perfeitos chegaram e a circularam. Ela virou, sorrindo, e eles a cumprimentaram. Começaram a conversar sobre skates, e como não sabia de nada, ficou somente escutando a conversa.
Do nada, os meninos todos viraram o rosto para e começaram a perguntar coisas para ela. Se ela andava de skate, se ela curtia skate, se ela queria aprender.. E ela foi respondendo despreocupada.
, que estava acompanhando a cena de longe, deixou de lado e foi andando até . Ele furou a ‘rodinha’ deles e abraçou , como se quisesse esconadê-la. De começo, ficou brava. Ele estava agindo como se estivesse protegendo-a de algo.
Depois, começou a beijá-la na bochecha, caminhando até a boca dela, e quando os lábios deles se encontraram, ela resolveu deixar para ficar brava em outra opurtunidade. Respondeu o beijo com entusiamos, acariciando a nuca .
Os outros meninos se afastaram, percebendo que aquela disputa havia sido perdida. soltou com uma expressão séria.
- O que foi, ? – Ela perguntou, deixando ele a abraçar novamente e se apoiando nele.
- Você não percebeu?
- Não. – respondeu com sinceridade.
- Eles estavam disputando para ver quem ia ficar com você.
- , como você sabe disso? – Ela falou, confusa.
- O jeito como eles olhavam para você. – Ele respondeu com a voz um tanto agressiva. – Aqui é comum os meninos fazerem disputas. Mas normalmente só um tenta.
- Mas a gente estava só conversando. – Ela se defendeu.
- Agora, mas depois eles iam baixar em você. Eu não quero eles perto de você.
- Ciúmes? – perguntou, se divertindo.
- Muito. – Ele respondeu ainda fuzilando os três meninos com o olhar.
Ainda abraçado em , voltou para perto de e de Gabriel, que somente riam. Sabendo o porque da risada deles, ficou quieta. Para ela bastava – ela estava nos braços dele. Isso era o suficiente.
- Cofcof. – Gabriel falou, atraindo atenção de todos.
olhou para o lado, tentando achar o que Gabriel estava tentando apontar, e logo achou. vinha caminhando lentamente em direção a eles, e ela logo percebeu o que acontecia. Se livrou dos braços de e correu em direção a , que logo que a viu sumiu com o sorrido.
- O falou que você não ia vir aqui hoje. – Ela murmurou, visivelmente incomodada.
- HAHAHA, eu sabia! – falou, encarando a amiga.
- Exatamente por isso que eu não queria te contar. Agora você vai ficar fazendo alarde.
- Mas fala sério. Minha melhor amiga ficando com meu melhor amigo. Que perfeito! – Ela continuou, batendo palmas. – Vocês são perfeitos juntos. Logo que o te conheceu ele gostou. E você tinha uma quedona por ele, então agora..
- Tá vendo? Fica quieta . – respondeu, rindo.
Elas foram andando até os meninos, e assim que chegaram na roda voltou a puxar para perto dele. Ela sorriu e deixou ele afundar a cabeça em seu pescoço como sempre fazia. Enquanto isso, e discretamente foram andando até a sorveteria, deixando Gabriel de vela.
- Hmm, gente, eu vou lá, ok? – Gabriel falou, meio incomodado por ter que assistir o amigo agarrando .
Sem nem esperar resposta ele se afastou e foi conversar com os outros amigos. Nisso, empurrou um pouco para poder conversar com ele.
- E o acampamento, o que deu? – Ela perguntou, acompanhando-o para sentar no banco.
- Hmm, a gente acabou nem indo. – Ele respondeu.
- Ah.. Hey , o que você vai fazer nas férias?
- Ahh, nem sei ainda.
- Você não viajar com a sua mãe ou com algum amigo?
- Hmm, não. – Ele disse, de repente ficando tenso.
- A minha mãe sempre faz reserva pra mim numa pousada, para eu ir com minhas amigas, depois do natal...
sorriu de lado para ela, tentando descontrair. Para ele, viajar era um assunto delicado. Ele poderia ir visitar o pai, mas não significaria deixar a mãe sozinha. E para outros lugares ele não tinha grana.
- Você quer ir com a gente? Eu posso chamar o e mais uns meninos, se você quiser.. – Ela falou, colocando a mão no rosto dele com delicadesa.
- Hmm.. Acho que eu aceito.
- Acha? – perguntou fazendo um biquinho.
- É. Com uma condição.
- Qual é?
- Passa o Natal comigo? – imitou o biquinho que ela fez.
- Com uma condição.
- Qual é?
- Você prometer que não vai mais ter ciúmes.
- Hmmm.. – Ele disse, se aproximando dela. – Impossível. Seria o mesmo que eu pedisse pra você prometer que irá andar de skate sem cair.
- Ahw. – Ela respondeu, deixando que ele selasse os lábios deles.
Quando ia aprofundar um beijo, ouviu alguém gritar na orelha dela. Se afastou, assustada, e viu que era e Gabriel.
- Hey meu, vão se foder. – disse, irritado.
se levantou, e percebeu que foi atrás dela. Sem controlar o sorriso, ela correu até a caixa de som que alguém havia levado até a pracinha e ligou em uma rádio qualquer. Sorriu quando ouviu a música, deixando pegar na cintura dela e dançar junto. ‘If I were a boy..’
(..)
- , me ensina a grafitar? – pediu quando os dois já estavam chegando no apartamento dele.
Já havia passado uma semana e os dois estavam mais juntos do que nunca. Sempre na saída da escola pegava , ficava com ela até tarde da noite. Os pais achavam que ela passava o dia com . O que, de certa forma, era verdade. Ela também ainda estava com .
- Claro. Só me diga quando. – Ele respondeu, brincando com a cabelo dela.
- Hmm, o que nós vamos fazer mesmo? – Ela perguntou quando eles chegaram no apartamento de .
- Comemorar o início das férias. – Ele respondeu
- Oh, claro.
- Me ajuda a levar essas coisas lá para baixo? – Ele pediu, apontando para umas cervejas e vários pacotes de salgadinho. – Eu resolvi utilizar a área da churrasqueira hoje.
- Você vai fazer churrasco?
- Não, mas vamos usar a área.
concordou com a cabeça e começou a levar as coisas para baixo. Cada um fez uma ida (levando as coisas em grandes sacolas), e isso bastou para levar tudo. começou a abrir os salgadinhos e colocar em potes, espalhando cada um pelas mesas.
Enquanto isso, colocou as cervejas dentro do isopor que tinha gelo e separou alguns copos para serem utilizados.
Por fim, ligou o som e pediu para atender a campainha. Ela foi e recebeu todos os meninos e meninas, mesmo sem conhecer a maioria. A medida que o tempo passava, o espaço ia enchendo a as pessoas passavam a ficar na parte de fora, mais arejado com o ar do por-do-sol.
- ? – falou, se dirigindo a ela, que conversava com alguns meninos.
- . – Ela respondeu, sorrindo para ele.
- Hmm, vem comigo?
- Claro. – E se virou para os meninos. – Licença.
guiou ela para fora do espaço da churrasqueira e a levou até uma rodinha onde várias pessoas estavam sentadas ao redor de , que tinha um violão. Ele sentou e fez ela sentar entre as pernas dele, de forma que ela não precisasse se encostar na parede gelada.
- O sabe tocar violão? – Ela exclamou, surpresa.
- Heey, eu tenho uma banda, ok? – O garoto se defendeu, rindo.
- Oh, desculpe. – Ela fingiu estar arrependida do comentário.
- Qual vocês querem? – Ele disse.
- Toca aquela que você compos, do olhar. – pediu, entrelaçando seus dedos com os de .
- É pra já, sir.
fez uma introdução com o violão e começou a cantar. Para a surpresa de , ele cantava e tocava muito bem. Além disso, ela não pode deixar de sentir que havia um porque daquela música existir.
O teu olhar no meu olhar estremece e faz efeito
E tudo acontece se for daquele jeito
Eu sou o descarado, come-quieto, ordinário, predileto que usou e abusou
Politicamente, o cara incorreto, descolado esperto que te dominou
E ela se cansou daquela tua vida fútil
Cercada de glamour, dinheiro, luxo
E eu sempre atento pra tentar me aproximar
E quando a noite cai sou quem se torna seu refugio
Pra que ter tudo se o que te completa sou eu
Sempre o motivo certo pra arriscar se aventurar
E quando tudo girou ao meu redor
No momento em que eu te fiz entender que seu mundo vai ser melhor
No que se render pra mim
Já foi sei que não me esqueceu
Que o fluxo é intenso entre você e eu
Hoje eu não quero olhar pra trás
Quando eu te tenho aqui meu mundo fica em paz
E só de te encontrar
Já me leva pro mal caminho
Seguiu o instinto por impulso até se perder
Se pra quebrar o gelo agora é só deixar se levar
E nunca se importou já que eu não pertenço ao seu mundo
Sei que o teu jeito culto nunca me convenceu
E em um segundo eu provo que ao meu lado é o teu lugar
Só queria que você soubesse que
Tudo aquilo que aprendeu comigo não
Vai ser fácil de encontrar nos livros e em outros corpos sem direção
E não vai achar em nem um lugar encaixe tão complexo assim
Quando a noite passar e tudo acabar, eu estarei aqui
Já foi sei que não me esqueceu
Daquela química entre você e eu
Já não te perco nunca mais
Se eu não te tenho aqui quase tudo se desfaz
Só de ver você sorrir meu mundo fica em paz
- , vamos subir? – perguntou quando todos já tinham ido embora.
- A gente não precisa arrumar isso? – Ela disse, bocejando. Estava esgotada.
- Amanhã talvez. – Ele respondeu, puxando ela.
- Sua mãe não vai se importar de eu dormir aqui?
- Relaxa. Ela sabe que eu não vou fazer nada demais. – disse, puxando ela para dentro do elevador e dando uma piscadinha que arrancou de um sorriso.
Ele se encostou no canto do elevador e passou as mãos pela barriga dela, fazendo-a encostar nele. Ela suspirou quando sentiu o cheiro do pescoço dele invadir o ar, como se finalmente estivesse descansada.
- Hmmm. – murmurou de olhos fechados ao ouvir ela suspirar.
O elevador chegou no andar dele e puxou-a para dentro do apartamente. Como já era tarde, os dois entraram silenciosamente. deu para uma camisetona dele e procurou a menor bermuda que ele tinha. Ela se trocou no banheiro e quando voltou para o quarto já estava de pijama. Ele vestia uma calça solta e estava sem camiseta, com o cabelo todo bagunçado. Extremamente lindo.
sorriu ao ver que a calça estava caindo da cintura dela por baixo da camiseta, que havia virado um vestido nela. Sorrindo de volta, ela deitou na cama dele, fechando os olhos logo. Ele deitou do lado dela, empurrando-a delicadamente para mais perto da parede, mas logo a puxou de volta, trazendo-a para os braços dele. No final, ela ficou meio em cima dele, dormindo com a cabeça apoiada no peito dele.
O dia seguinte não tardou a chegar. se espreguiçou na cama e viu que não estava ali. Assustada, ela levantou e saiu do quarto timidamente. O que a mãe dele pensaria se visse ela assim?
- Oh, vejo que você já acordou. – A mãe de a surpreendeu quando ela entrou na cozinha.
Instantaneamente, ficou vermelha.
- O precisou sair, ele disse para você encontrar ele na pracinha, se não se importar. – Ela falou calmamente. – Quer tomar um café antes?
- Ahh, não precisa se preocupar. Eu já vou indo.
- Está bem então. – Ela respondeu, rindo baixo.
voltou para o quarto e colocou a roupa que havia levado, arrumando o cabelo rapidamente. Quando passou novamente pela cozinha, agradeceu a mãe de por ter deixado ela dormir ali hoje e por ter dado o recado do filho para ela. Saiu do prédio e foi diretamente para a pracinha.
Quando chegou lá, cumprimentou alguns dos meninos que ela já conhecia e procurou por . Quando viu Gabriel, ela se aproximou dando um forte abraço nele. Ela já o considerava um grande amigo.
- Hey, você viu o ? – Ela perguntou sorridente.
- Ali. – Ele apontou para uma rodinha de meninos que estava sentada perto da árvore.
estava encostado na árvore e parecia estar totalmente incomodado. Ele conversava com os meninos com uma expressão diferente. Parecia estar bravo ou nervoso, como se desse um sermão nos outros, ou como se ordenasse algo.
Então, viu que ela não conhecia nenhum dos meninos que estava com . Eles passavam um papelzinho entre si. Parou no menino ao lado de . Ele aproximou do nariz e puxou o ar com força, tendo seus olhos imediatamente vermelhos e uma expressão de triunfo.
Como se uma coisa tivesse caído na cabeça de , ela entendeu. Eles estavam se drogando.
Ela virou para Gabriel, que olhava para eles com cara de decepção. Virou as costas para a cena e saiu andando para longe dali, sentindo nojo e repulsa daquele lugar. Alguns garotos assobiaram para ela quando ela passou, mas ela não virou para olhar.
No mesmo momento que virou as costas, pegou a droga da mão do amigo (que era um dos únicos que não estava viajado) e tacou no chão. Ele se levantou, irritado, e começou a gritar.
- Meu, se toca! Isso daqui não vai resolver nada, só vai te fazer mal! Você não vai cheirar. – disse, enquanto o outro se levantava exigindo uma explicação por ele ter tacado a droga no chão.
- Dude, é minha vida! Vai pagar agora. – Ele respondeu, empurrando contra a árvore.
- Então se drogue mesmo. Já tá perdido, não vai fazer diferença. – falou, empurrando o amigo e se afastando.
Quando se afastou, Gabriel foi ao encontro de , meio correndo.
- Meu, a achou que você tava se drogando.
- Que? Onde? – Ele disse, olhando para os lados, procurando para ela.
Não muito longe dali, tinha a mão no bolso do casaco que havia pego emprestado de e andava em direção ao ponto de ônibus.
- Ô, cara, valeu. – respondeu.
Ele saiu correndo atrás dela, que não percebeu a aproximação dele. Quando ele passou a mão na cintura dela, se esquivou e se distânciou dele, ignorando-o.
- Hey, ..
- Agora não . – Ela respondeu.
- Eu não me droguei. Você sabe que eu não faço isso.
- Então o que você estava fazendo lá? – Ela disse, mantendo o olhar no chão e continuando a caminhar.
- Tava tentando impedir o Charles de fazer isso. Juro.
- Eu não sei.
- É. E eu não posso te culpar por isso. – Ele respondeu, olhando para o chão e caminhando do lado dela. – Ele implantou a dúvida na tua cabeça.
- Quê? – Ela disse, se virando para ele.
- O . Ele disse que eu era um favelado maloqueiro drogado, e você não acreditou. Mas serviu para te plantar uma dúvida na cabeça. Olha pra mim. – falou, colocando a mão no queixo dela e erguendo a cabeça dela. – Eu pareço drogado?
- Não. – Ela sussurou.
- Então. E você sabe que eu não faria isso. Não faria porque eu sei que ia te machucar.
- É.
deu um sorriso torto e puxou ela para um abraço, dando um beijo no topo da cabeça dela. Ela passou os braços pela cintura dele, abraçando-o forte em resposta, como se quisesse garantir que ele estava ali.
- Por que você saiu cedo hoje? – Ela disse, ainda abraçada nele.
- Porque o Gabriel pediu para eu vir, tentar falar com o Charles. Ele normalmente me ouve. Mas não dessa vez.
- Por que você não me trouxe?
- Porque eu não queria que você tivesse que ver esse lado de alguns dos meus amigos. – respondeu.
- O não..
- Não.
- E o Gabriel também, né?
- Ele também não.
suspirou, relaxando novamente, e deixou que a afastasse para poder olhar o rosto dela.
- Você parece cansada. – Ele murmurou.
- Não estou. Eu dormi bem ontem.
- Quer ir para casa?
- É, acho que é uma boa. – Ela respondeu.
deu a mão para ela, mas logo a puxou para mais perto e apertou a cintura dela. Os dois caminharam, até que percebeu que eles não estavam no caminho para a casa dela.
- Onde a gente está indo?
- Oh, não sei se você se lembra, mas a gente tem o salão de festas inteiro para arrumar.
Ela sorriu e fechou os olhos, deixando guiá-la.
- Com o que você sonhou ontem? – Ele perguntou.
- Não lembro. – Ela respondeu.
- Hmm, porque você estava com um sorriso enorme.
- Oh, você ficou me observando dormir?
- Claro. Você deitou e já dormiu. Eu não consigo dormir tão rápido, preguiçosa.
- Nem vem, o gordo aqui é você. – Ela disse, se defendendo.
- Verdade. Se não minha camiseta não teria ficado um vestido em você.
- Mas eu gosto dessas suas gorduras pulantes. – falou, pensativa.
- Que bom. – Ele respondeu, dando mais um beijo na cabeça dela. – Assim eu não preciso morrer de fome por você.
- . – O pai dela falou alto e claro, assim que ela chegou em casa.
Já havia passado uma semana, e tudo estava no clima de ‘mais perfeito impossível’. Ela não havia ouvido mais os pais falarem sobre o bebê com ela, mas já era possível notar que a mãe estava começando a ter barriga. Porém, não se importava. Aquilo não a afetava mais.
- Sim? – Ela disse distraida.
- Eu achei que havia sido claro sobre a sua proibição de sair com aquele rapaz. – O pai continuou, batendo na mesa devido a raiva que sentia.
- Você não pode me proibir. – Ela respondeu, encarando o pai com raiva também.
- EU POSSO, E EU VOU. – Ele gritou. – Você é minha filha, e enquanto estiver sob o meu teto, segue as minhas ordens.
- Eu amo ele, algum problema? Se você algum dia tivesse se preocupado comigo, saberia o que é melhor para mim.
- Não use esse tom comigo. Você não sai mais com ele, e esse assunto está encerrado.
Sem responder, subiu as escadas e bateu a porta do quarto. Ela pode ouvir no andar de baixo a conversa da mãe e do pai, comentando algo sobre o bebê.
Depois de um tempo sentada, a garota resolveu fazer algo. No exato momento que ela pegava a bolsa para sair, seu celular tocou. Atendeu logo, reconhecendo o número de .
-- ?
- .
-- Tudo bom?
- É, acho que sim. – Ela respondeu pensativa. – E com você?
-- Mais ou menos.
- Por quê?
-- Eu convenci minha mãe de se mudar. Ela vai me deixar aqui, e vai ir morar com meu pai.
- ,..
-- Não, só achei que você quisesse saber. Vai ser melhor pra ela ficar lá, e eu vou me virar aqui. Heim , preciso ir.
- Ok.
-- Beijos amor.
- Beijos.
Quando desligou o celular, ficou olhando para a tela dele.
Primeiramente, ela se sentiu culpada. Ela sabia que não faria isso pelos pais dela. Mas não era justo comparar. Os pais de eram realmente pais, os dela não. E depois, ela sentiu orgulho do namorado. Sabia que seria difícil para ele ficar sem ninguém da família por perto, mas ele era preocupado pelo fato da mãe morar longe do pai.
Passou-se mais uma semana, e continuou saindo escondida com . O pai tentava detê-la, mas a janela sempre era a salvação de , e ela não se importava com isso.
- Bom , já que minha mãe se mudou, o apartamento ficou só para mim. – explicou.
- Hmmm. – Ela respondeu, sem realmente entender o que ele queria.
- E ele está muito comum. Pelo menos meu quarto.
- Seu quarto não é comum. Veja o tanto de rodinhas e de coisas de skate que tem empilhado naquele canto, que você entende que ele não é normal.
- Então, eu preciso da sua ajuda. – prosseguiu, ignorando o comentário de . – Eu vou levar os móveis para fora, será que você pode ir me ajudando a levar as outras coisas pra sala?
- Por quê?
- Porque eu vou grafitar a parede do meu quarto. – Ele respondeu, pegando o computador e levando para a sala.
riu e começou a ajudar. Ela pegou as roupas, os pedaços de skate e as coisas menores. Meia hora depois, o quarto já estava vazio. pegou vários lençóis e estendeu-os no chão, formando uma proteção.
- Vai querer assistir? – Ele perguntou, pegando uma máscara e colocando.
- Sim.
- Então, veste isso.
tacou uma máscara para ela também, e se apressou a vestir. Quando ela terminou, ele pegou duas latinhas e tacou uma para ela.
- Quer grafitar junto? – Ele perguntou novamente.
- Eu não sei grafitar.
- É fácil. – Ele disse, virando para a parede e começando a desenhar algo. – Assim, viu?
- Hmmm.
se aproximou e começou a grafitar junto de , fazendo pequenos detalhes no desenho dele. Ele ia espalhando a tinta por toda a parede, as vezes parando para dar um beijo na nuca de , e voltava a grafitar.
Quando eles já estavam lá por 3 horas, finalmente parou de apertar o spray.
- Pronto. – Ele disse, se afastando para admirar a pintura.
Havia realmente ficado bonito. Estava colorido e vivo, uma típica grafitagem. Mas tinha algo mais nela – os detalhes faziam total diferença.
- Obrigado. – falou, puxando e dando um beijo nela.
- Por quê?
- Por me ajudar. Você é a primeira pessoa que eu deixo grafitar comigo.
- Nossa, que honra. – Ela disse, sorrindo.
- É.
sorriu novamente para ela, feliz por estar com ele.
- Vamos comer? – Ela interrompeu os pensamentos dele.
- Ahm? Claro.
Ele puxou ela e os dois foram para a cozinha.
- Hmm.. ? – disse, assim que eles entraram na cozinha.
- Oi. – Ela respondeu, se virando para ele enquanto se apoiava no balcão.
- Sabe, eu acho que eu tenho que te falar uma coisa.
- Oh não. Você é um vampiro? – Ela perguntou, rindo, enquanto fingia cara de susto.
- Não, eu sou uma mula-sem-cabeça. – Ele respondeu, rindo junto.
- Bom cabeça eu não sei, mas cérebro você realmente não tem.
- O QUÊ? – gritou, correndo atrás de , que saiu em disparada pela sala do apartamento do menino.
somente parou quando foi encurralada perto da porta/janela que levava para a sacada. se aproximou, de braços abertos, e segurou ela forte, impossibilintando-a de escapar.
- Agora você vai morrer. – Ele disse, ainda rindo.
- Own, não me mate.
- Por quê? – Ele continuou, distribuindo beijos pelo pescoço da menina.
- Porque se eu morresse, logo em seguida você iria se matar.
- Oh, verdade.
Quando ele terminou de concordar com ela, deu uma mordidinha no pescoço de , que somente puxou o cabelo dele. Ele riu, e puxou a menina para o sofá.
- Você tem um olhar de promessas fáceis. – falou, enquanto deixava que ele a deitasse no peito dele.
- E você me faz esquecê-las muito rápido.
- Então, o que você queria dizer, vampiro? – Ela perguntou, puxando a manga do casaco dele para mais perto dela, de forma que ele colocasse a mão em cima da barriga dela.
- Promete que não fica brava, e que isso não vai fazer a gente brigar?
- Prometo. – Ela respondeu, apertando fortemente a mão dele.
- Você prometeu rápido. – Ele disse, encomodado pela agilidade dela.
- Eu confio em você o suficiente para saber que nesse momento, você não faria nada para me deixar brava.
- Hmmm. – respondeu, tirando levemente a mão da barriga dela e pegando uma pequena caixa no bolso. – Eu sei que você acha ridículo, e eu sei que todo mundo usa isso, e eu sei que você merece algo melhor. Mas, assim como eu, isso não é o melhor.
- ..
- Posso te dar um anel de compromisso?
abriu a caixinha e dentro haviam dois anéis. pegou um deles, que eram simples e somente prateado, sem nenhum detalhe, e dentro havia gravado somente ‘’, com um coração ao lado.
- Pegou o errado. – Ele sussurou, rindo nervosamente como era típico dele.
Ele estendeu a mão e pegou o outro anel, que havia gravado ‘’ com o mesmo coração. deu a mão para ele e ele colocou, logo em seguida dando um beijo no dedo dela.
- É lindo. – Ela disse, puxando a camiseta dele e selando os lábios dos dois.
- Você disse que não gostava. – Ele sussurou novamente, se afastando um pouco dela.
- E você sempre faz tudo errado, mas mesmo assim, eu sempre aprovo.
sorriu com o que a garota disse, e a puxou novamente. Ele deu um beijo no lábio dela, e depois caminhou até o decote de , que somente o apertou mais.
- .. – Ela murmurou.
- Oi. – Ele respondeu, subindo novamente a cabeça para os lábios dela.
- Eu nunca, nunca senti me senti tão segura com alguém.
- Shh.. – murmurou e voltou a distribuir beijos no pescoço dela.
Num impulso, pegou e levantou do sofá, levando no colo e ela exclamou surpresa. Ele caminhou com ela nos braços até o quarto e a deitou gentilmente na cama, conferindo a expressão de aprovação dela.
No outro instante, ela era dele de um modo ninguém nunca fora, e ninguém nunca a possuíra.
- ? – disse no dia seguinte, abraçada nele.
- Acordada? – Ele perguntou gentilmente, apertando-a com mais força e fazendo o anel dele entrar em contato com as costas dela, provocando um arrepio.
- Sim.
- Eu te amo, .
- Eu também. – Ela respondeu, dando um beijo na nuca dele.
- Hmm..
- Diga.
- Como você sabe que eu queria falar algo? – perguntou, sorrindo.
- Você sempre diz ‘hmm’ quando quer falar algo importante.
- Ok então. Hmm, hoje meu pai e minha mãe vem me visitar.
- Que maravilhoso ! – exclamou, levantando a cabeça para encarar os olhos dele, que brilhavam.
- É. Só que... você quer jantar com a gente?
- Mas eu vou ser intrusa na família. – Ela disse, e logo viu o brilho nos olhos dele desaparecer. – Não, não é isso. É claro que eu quero. Mas eu acabaria com o momento família, e..
- Não. Eu quero que meu pai te conheça.
- Sério?
- Por favor.
mordeu o lábio e fitou os olhos dele, novamente brilhantes com a esperança. Lentamente, ela deitou a cabeça sob o peito nu dele e fechou os olhos, ciente de que esperava por uma resposta.
- Ok, eu vou. – Ela disse, por fim.
- Yes. – disse, dando um soquinho no ar com a mão que não estava abraçando a garota. – Você sabe que minha mãe é absolutamente encantada por você, então, meu pai vai te adorar no mesmo instante que te ver..
- Sério que sua mãe gosta de mim? – Ela murmurou, assustada.
- Claro que gosta.
- Sabe, ela é a imagem de mãe que eu tenho na cabeça.
- Como assim? – pediu, se acomodando melhor na cama.
- Sei lá. Ela tem mais cara de ser mãe do que a minha.
- Oh, isso me lembra uma coisa. – Ele disse, rindo da própria encenação e piada.
- O que?
- Eu ainda não te contei o que eu decidi faz um tempinho.
- Vai, diz o que é. – pediu, manhosa.
- Então, você sabe que o mora sozinho e tudo mais..
- Sem enrolações, .
- Ok, desculpa. Se lembra que você vai passar o Natal comigo? Então, a gente vai na casa do , inclusive a , e vai ficar lá..
- Oh,.. – disse, tentando entender.
- O que significa que a Anny podia cozinhar pra gente, né?
- AHH, ENTENDI! Aposto que foi o que pediu pra você me perguntar isso, certo? – falou, olhando feio para .
- Foi a condição para ele ceder a casa.
- É claro que ela pode cozinhar pra gente.
- Ótimo. Então está perfeito.
voltou a deitar a cabeça sobre o peito de , desenhando com a unha os músculos do braço dele.
- Hmm, eu já sei o que papai noel vai te dar. – sorriu, vitoriosa.
- O quê? – Ele pediu.
- Não perde por esperar.
- , sério que essa roupa está boa? – perguntou pela décima segunda vez, se olhando no espelho do banheiro.
- , eu já disse. Você não precisa ficar três anos se arrumando. É só um jantar.
- Mas , eu vou conhecer seu pai. – Ela disse irritada, colocando a cabeça para fora do banheiro e vendo que estava vestindo uma roupa normal, enquanto ela, um vestido. – Oh não. Acho melhor eu mudar de roupa, eu estou arrumada demais.
saiu andando até a mala que estava em cima da cama de , mas sentiu o garoto prendê-la com os braços, de forma que ela não conseguiu escolher outra roupa.
- Você pode se acalmar? – Ele pediu, rindo da situação.
- Hnf, se fosse meu pai, você iria entender, e..
- É, eu estaria nervoso, tentando contar minhas chances de sair de lá vivo. Se é que se pode contar algo que não existe.
A expressão de se transformou num sorriso mais leve, diante a piada de . Ela suspirou ao ouvir a campainha, e a empurrou para fora do quarto, conduzindo-a para a frente da porta. Ele passou a mão pela cintura dela, e abriu a porta, dando uma piscadinha.
- Pai, mãe. – Ele disse, soltando e abraçando os dois.
Depois de um breve abraço, puxou para a frente dele e disse:
- Essa é a , pai. Minha namorada.
Nesse instante, o pai de sorriu e deu um beijo na bochecha da menina, sorrindo diante da felicidade do filho. Ocupada com o nervosismo, nem se deu conta que, atrás dela, os olhos de não brilhavam de saudades dos pais, e sim de puro orgulho de si próprio.
- Tem certeza que seu pai gostou de mim? Mesmo depois de eu ter ficado vermelha? – perguntou para , enquanto eles entravam no cinema.
- , você estava vermelha o jantar inteiro. E sim, ele gostou mesmo de você.
- Hnf. – Ela respondeu, apertando mais a mão de quando viu que dois homens mais velhos olhavam para ela.
Era sábado a tarde, dia seguinte do jantar. estava com vontade de assistir um filme, então mesmo sabendo que o shopping ia estar cheio de pessoas mal intencionadas, aceitou de bom grado levá-la ao cinema.
- Calma, você sabe que nenhum deles vai fazer nada. – disse puxando para mais perto.
- É, eu sei. Mas mesmo assim.
Os dois entraram na sala e se sentaram bem no meio da sala, já que a sessão estava meio vazia.
- Ainda não acredito que estamos vendo Bolt, o supercão. – disse, rindo. (pra giumi essa)
- É. Mas veja o lado positivo, só tem nós na sessão, praticamente. – riu junto.
A garota apoiou a cabeça no ombro de , que somente riu ao filme começar, daquele jeito que todos os filmes pra criança começam. Dez minutos depois, já estava dormindo no ombro de , que olhava para a tela totalmente concetrado. Se perguntassem, ele estava somente entediado. Com certeza, .
- ? Vamos? – falou.
- Ahm? Já acabou o filme?
- Sim.
- Ai, desculpa. Eu dormi o filme inteiro. Sério, eu não percebi.
- Sem problemas, amor. – Ele falou, rindo da expressão de culpa dela. – Vamos?
- Sim.
Os dois levantaram e deixaram a sessão. foi segurando , que ainda estava meio sonolenta.
- Ah, só você pra ficar no filme comigo sendo que eu estava dormindo. – Ela falou, passando a mão pela cintura dele.
- Não, qualquer um ficaria. – Ele respondeu, também passando a mão pela cintura dela.
- O sempre me acordava. – Ela disse, fazendo uma careta.
- Falando no diabo.. – respondeu, apertando para mais perto dele.
Logo em frente, vinham caminhando e mais uma menina, ambos abraçados. O menino sorriu ao ver , que manteve o mesmo olhar de indiferença que estava em seu rosto antes de vê-lo.
- ! – Ele disse, soltando a menina que estava com ele para tentar abraçá-la.
Obviamente, impediu.
- Veja, você não precisa ser grosseiro comigo. Aquilo é passado. – Ele insistiu, ironicamente. – E nada vai mudar o fato de que agora eu tenho uma menina bem melhor que a .
- Menina não. Uma puta. – respondeu, fuzilando com o olhar.
- Hey, não ofende minha menina.
- Você ofendeu a minha primeiro.
- , vamos. – interrompeu, puxando o garoto.
- Oh, ficou com medinha ? – provocou.
- Vai se foder. – Ela respondeu, pegando a mão de e fazendo ele se distanciar de . – Vem, vamos.
Finalmente, e saíram do shopping. Como ela passara dois dias praticamente inteiros fora de casa, levou-a para a casa dela. Ele parou no portão, como sempre fazia, e esperou que ela virasse para lhe dar um beijo. sorriu e virou, selando os lábios deles com certa urgência.
Quando se separaram, sussurou um ‘até logo’, e foi andando em direção a casa dele. somente virou e entrou na casa, passando direto para o quarto, sem dar importância se os pais dela estavam ali ou não. Afinal, eles nunca deram para ela.
Faltavam cinco dias para o Natal. estava de pijama, afinal, já era de noite. Ela estava cantarolando uma música qualquer, enquanto assistia tevê. Seu pai e sua mãe estavam no andar de cima, analizando catálogos para coisas de bebês. Isso já não a atingia mais.
A campainha tocou, e se levantou para abrir. Caminhou até a porta e sorriu ao ver . Mas assim que realmente viu ele, sua expressão murchou.
estava vestindo uma calça jeans comportada, daquelas que ela nunca vira ele usando, e que nunca sonharia em ver. Estava vestindo uma camiseta pólo, azul clara. Outra coisa que ela nunca imaginara.
Vestia um sapato social, formal demais. Sem tênis grandes e cadarços de macarrão. Aquele ali não era , muito menos .
- , o que é isso? – Ela disse, sem se conter.
- Eu vim pedir para seu pai para namorar com você. Sabe, mostrar que eu sou um bom partido. – Ele respondeu.
- Mas esse não é você. – sussurou, incrédula, dando uma risada forçada.
- Mas eu quero mudar pra poder te ter.
- Mas eu não quero que você mude.
encarou-a por um segundo. Eles se olharam, e respirou, pensativa. Então, ele mudaria por ela? Mesmo ela tendo deixado mais claro do que tudo, que a única coisa que ela não queria era uma mudança? Que ela não queria a aprovação, ela só queria ser feliz com . E não com a cópia-do-, a criatura que estava parada em sua frente.
- Eu acho que não dá mais, . – Ela disse, sentindo sua expressão se tornar amarga. O rosto dele foi atingido pela dor.
- É. Eu sabia que não ia dar certo. Mesmo eu te amando mais que tudo, eu sempre prometi que quando você não quisesse mais, eu não ia insistir. Vai ser melhor assim.
não respondeu, somente continuou a observá-lo. Depois de um tempo, fez menção de virar, então ela falou como um reflexo.
- Acho que eu te encontro pixando um muro por ai.
- Você sabe que isso é impossível. – Ele disse, sério.
- A gente também era, e ficamos quase um ano juntos.
- É. Mas, se algum dia você me contrar pixando e eu não te ver, você me avisa que é você, né?
- Acho que sim. – Ela respondeu, pensativa.
- Vai chorar por mim? – Ele pediu, sofrendo.
- Não. – respondeu sincera.
- É, isso era tudo o que eu precisava. Adeus . – finalizou, descendo as escadas e ouvindo a porta da casa bater.
A noite estava escura, cheia de estrelas. Parecia a noite em que tudo começara. saiu andando pelas ruas, sem de certo saber onde ir. Passou pelo terreno baldio, onde ele e tiveram o primeiro contato, sendo logo interrompidos por .
Depois, pelo muro, ainda com a pixação, só que super apagada. Não parecia ser a mesma. Parecia incompleta, de um modo que ele não podia explicar.
saiu correndo até sua casa, pegou suas latinhas de spray e seu skate. Trocou de roupa, voltando ao seu estilo ‘bad boy’. Em minutos, ele já estava em frente ao muro novamente. Tirou a camiseta, por força de hábito, e virou o boné. Começou a grafitar em cima do desenho, ligando as formas e figuras de modo que ele se tornasse totalmente outra coisa.
Mar, sol, praia. Ele ia se mudar. A única razão para continuar longe dos pais que ele sempre amara tinha se ido. Estava na hora dele voltar a ser quem era.
Cantando sozinho, ele terminou de grafitar a parede e guardou tudo. Chegou em casa, avisou da decisão para os pais, e começou a preparar as malas dele. Tentava não se iludir com e esperança, mas era praticamente impossível. De um modo ou de outro, ele sabia que não terminaria sozinho. Mas sabia que seria preferível se não fosse com ela.
Sabia que a vida dele mudara, e que ele gostara da mudança. Mas agora, ela não tinha mais sentido. Quando olhou para o skate, viu a grafitagem em baixo dele. Aquilo não o atingiu, como ele esperava. Aquilo lhe deu força, saber que em algum lugar ela estava eternizada.
Porque, de algum modo ou de outro, todos nós sabemos que quando você desperta o amor de um skatista, não há nada que possa o parar.
Fim.
n/a: Pois é. Acabou.
Não sei porque, bate uma tristesa. Mas por quê? Se a gente vai se ver por ai, eu vou continuar conversando com vocês..
Mas dizer adeus para um lugar em que eu encontrei tanta gente, que eu fiz tantas amizades, não é e nunca foi fácil. Não sei porque a gente começa fics, se a gente sabe que alguma hora vai acabar e a gente sabe que vai doer quando ela chegar ao fim.
Não tem o que falar, o que agradecer. Voces sempre fazem e fizeram novamente disso tudo suportável. Mostraram o lado bom, o lado legal. Me ensinaram tantas coisas, assim como eu espero que tenha ensinado para vocês.
O porque da fic acabar nesse momento é o seguinte: Quando uma história começa a ser narrada quando duas pessoas se encontram, ela deve terminar assim que essas pessoas se separam.
E continuar se elas fossem se re-encontrar.
Tá na mão de vocês. Vai ter continuação ou não?
Nenhuma história real acaba, certo? Sempre sobra alguém para narrar seu ponto de vista. Afinal, 'cause from the start to the end no matter what I pretend, the jorney is more important than the end or the start. And what eventually will be, will eventually be. I realised: starts with.
"Não me pergunte quem sou e não me diga para permanecer o mesmo." (Michel Foucault)
Fic em andamento.
Feliz Natal, a todas as meninas que apoiaram incondicionalmente. Não tem alegria maior do que ter esse apoio de vocês. Sério. Só vocês para me fazerem chorar e não ter palavras.