- Eu.. desculpe. - Eu falei.
N�s est�vamos num t�pico cen�rio escolar. O corredor com as pessoas passando por n�s, o bebedouro encostado na
parede. Pessoas destrancando seus arm�rio e outras paradas, conversando. E n�s no meio do corredor. Todo mundo
olhando e analizando, como sempre.
- Voc� sabe que eu n�o vou te desculpar. - Ela respondeu, dando de costas e saindo.
�, tudo tinha sa�do errado. Nos meus planos, eu chegaria para ela e falaria tudo que queria. Mas eu n�o consegui. As
palavras que viriam, tentando ser verdadeiras, n�o vieram. Ent�o, entre mentir mais uma vez e n�o falar nada, eu
escolhi o �ltimo. Um pedido de desculpas.
Vazio, confesso. Mas verdadeiro. Que culpa tenho eu se as coisas que eu queria falar para ela se perdem antes de
chegar?
Como sempre, eu corri atr�s dela. Isso estava ficando rid�culo. Ela tinha que me amar, um pouco pelo menos,
ainda.
- ! S�rio, me olha. - Ela se virou. - Desculpa. - Ela voltou a se virar. - N�o , n�o � s� isso. Por favor, me
desculpa. Desculpa por come�ar com isso, sabendo que n�o devia dar certo. Desculpa pelo que eu vou falar agora.
Mas voc� sabe que esses meses foram dif�ceis para mim. Eu tive que ser totalmente outra pessoa, e agora eu fiquei
dividido.
Ela me olhou, s�ria. Seu rosto estava indecifr�vel, n�o demonstrando nenhuma emo��o.
- Dividido em o que? - disse, firme como sempre.
- Dividido entre meu orgulho. Minhas promessas, e minhas mentiras.
- E o que eu tenho a ver com isso?
Retribui seu olhar sem emo��o. Novamente, eu n�o sabia como explicar. E al�m disso, se eu falasse algo, n�o podia
piorar, certo? Pior do que est�vamos, n�o existe.
- Que eu queria recuperar sua confian�a, mas voc� devia saber que isso � mais dificil do que parece.
- Uh, quem mandou perder? - Ela respondeu, se virando novamente.
- Mas me ajude. Olha, eu n�o tenho mais nada. Joguei tudo por voc�. Se eu n�o falei isso, voc� devia ter percebido que
as a��es falaram. Eu estou no meio do corredor, pedindo seu perd�o por ter te tra�do. Mas , desculpa. Voc� sabe
que n�o foi nada para mim, aquilo.
- Morra, .
saiu andando pelo corredor, entrando em uma sala. Eu entrei na minha, esperando que o tempo passasse r�pido.
E passou. Logo, o �ltimo sinal tocava e todos sa�am correndo. Mas eu n�o corri, afinal, eu sabia que ela sempre se
demorava mais na sala.
Quando observei que ela era a �nica ali, eu entrei, fechando a porta. Ela olhou para cima, assustada, e depois
modificou sua express�o para a de desprezo. Ultimamente, ela s� me olhava com essa express�o.
- , saia daqui. - Ela praticamente bufou somente.
- Eu n�o tenho medo de voc�. Nem estou assustado. Por favor, me d� uma chance.
- N�o, nem voc� consegue me justificar o porque eu faria isso.
- Porra . Eu n�o sei mesmo o que te dizer, nem o que eu fa�o, nem o que eu planejo. Mas voc� poderia se ligar
que tudo que eu fa�o, � pra tentar ter voc� novamente.
- N�o � voc� que diz que est� sempre em uma encruzilhada? Pois bem, eu te digo agora qual caminho tomar. Para
longe de mim. - respondeu, saindo da sala e batendo a porta.
Sem orgulho, sem mais promessas e sem mais mentiras. Tinha algo que eu tinha? Tinha. Um grande espa�o entre eu
e aquilo que eu teria, de alguma forma, que reconquistar.
Pior do que isso, n�o podia ficar.
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In Pieces
Don't Lie.
- , voc� realmente n�o acha que eu vou desistir, n�? - Ele disse, no dia seguinte.
Eu realmente n�o esperava que ele desistisse. Mas tamb�m, esperava que ele n�o ficasse t�o em cima de mim, ap�s o que eu falara antes de sair da sala. Tinha o int�ito de mago�-lo, mas pelo visto eu falhara. Novamente.
- Voc� sabe que eu te amo, n�o? - prosseguiu, tentando colocar a m�o na minha cintura. Eu apressei o passo, fugindo dele. - , s�rio.
- Seus l�bios dizem que voc� ama, seus olhos dizem que voc� odeia. - Respondi, sem me dar o trabalho de olhar para tr�s.
- O que voc� quer dizer com isso?
- Quero dizer que tem verdades em suas mentiras, d�vidas na sua certeza e que eu fui a que destruiu tudo que voc� construiu. Um troco para tudo que voc� tirou de mim.
- Mas foi voc� quem tirou tudo de mim ! - Ele exclamou. - Por favor,..
- N�o minta. - Eu interrompi. - Tudo que eu tenho foi o que voc� n�o me tirou. Agora, voc� vai ficar sozinho, com todos os seus ressentimentos.
Virando para longe dele, novamente, eu voltei a caminhar. Ele ficou parado, somente me observando. Mais um dia, todos me olhando como se eu cometesse um crime. Sendo que quem cometera, com certeza fora ele.
Quando cheguei em meu arm�rio, vi um bilhete dentro dele. Tendo certeza de que era de , eu amassei e taquei no lixo, ciente que ele observava de longe. N�o deu outra, ele se aproximou na mesma hora.
- Por que voc� faz isso? - Ele implorou. Depois reclama que n�o tem mais orgulho.
- Porque voc� me prometeu o c�u, e me tacou como uma pedra depois. Me segurou em seus bra�os, e me matou com tanta frieza.
Novamente, sem resposta. Ele parecia sinceramente se esfor�ar para tentar achar algo para falar, algo que me batesse, mas ele sabia que era imposs�vel. Eu tinha a raz�o, fato.
Num ato repentino, ele me empurrou contra o arm�rio e selou nossos l�bios. Sua l�ngua pediu permiss�o para aprofundar o beijo, mas eu n�o permeti. Minha m�o voou na cara dele e ele se afastou assustado. As pessoas que observavam a cena, maioria sendo meninos que andavam comigo, riram. somente me encarou, levando a m�o para a cara, como se doesse.
- Quando eu digo que sou eu que vou deixar tudo em peda�os, � melhor voc� aceitar . E agora, quem est� sozinho? - Falei, empurrando ele para longe.
Sem mais mentiras.
fim, bgs
n/a: eu falei que era um c�, voc�s que n�o quiseram acreditar. :D