A Última Crônica.

'Cause nothing last forever, and we both know hearts can chenge.








Eu queria que essa fosse minha última história. Mas é impossível, a idéia de não escrever mais me corrompe e as idéias para futuras histórias continuam a surgir em minha mente. Cada uma mais diferente da outra, mais impossível e irreal, mas ao mesmo tempo que sempre alguém gosta. É por esse fato - o de alguém sempre gostar - que vou me valendo escrevendo.
Aquela música, que é antiga e diz que tudo sempre tem um fim, ecoa em minha mente. Gostaria de dar um fim legal a possível última história, mas não consigo. Não tenho inspiração para inovar novamente, e o momento parece zombar de mim falando que eu não tenho capacidade. E talvez, não tenha mesmo.
Me perguntaram se eu queria ser escritora, e eu respondi que não sabia. Quem sabe, não seja assim tão mal essa idéia. Mas a parte de ter uma dívida para com o leitor me assusta; Aqui, se eu desistir de uma história, vocês não podem me cobrar. Já lá fora, não sei e pretendo descobrir mais tarde.
Por enquanto me atenho a sonhar e a viver o presente, sem pensar o que farei daqui a 3 anos. Mas que seja, se algum dia vocês verem uma tal de Marina Grochocki na coluna de algum jornal ou em algum livro, mandem uma carta. Vocês vão virar para amiga, e falar: "Eu li a fic dela, aquela Rockstar, se lembra?", ela vai balançar a cabeça negativamente, e vai responder: "Não gostei dessa. Eu li a Just Dreams". E conversa vai, conversa vem, você me manda uma carta para me falar que se lembra de mim.
Eu, honrada, vou falar que lembro de você sem nem mesmo me lembrar, somente para te deixar feliz. E, como sempre farei, irei escrever uma crônica sobre isso. Afinal, quer acontecimento mais comum do que antigas amigas se encontrando? Talvez, de uma maneira nunca imaginada e engraçada. Talvez, nem amigas sejamos, mas é a você que lê minhas fics que é a única pessoa que entende como eu funciono. Sabe por quê? Porque as histórias inventadas e criadas por uma pessoa sempre refletem sobre ela, querendo ou não.
Calma, eu falei que ia montar uma crônica sobre isso? Acho que meio que já deu, e vou completar essa. Assim trago um pouco de cultura para sua cabeça, e vejo se ainda me valho escrevendo coisas não relacionadas a histórias inventadas. Não que essa tenha ocorrido comigo.
Ontem a noite estava na confeitaria com minhas amigas, e vejo uma família de três pessoas entrar. Eles estavam vestidos pobremente, e a menininha que devia ter uns 3 anos estava toda arrumadinha em seu pobre vestido. Ela mal ousava balançar as perninhas, e atinha o olho firme na mesa. A compostura da humildade e a conteção de palavras fazia eles se destacarem entre tantos outros, mas somente eu observava eles.
"O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho - um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular."
A menininha, tão pequena, se contem a observar somente a pequena garrafa de Coca-Cola e a fatia de bolo. Estava óbvio que eles se preparavam para algo mais além de matar a fome. Eles obedeciam há um tipo de ritual, onde cada um sabia sua parte. O pai segurava uma caixinha de fósforo, e a mãe retirou da bolsa um plástico preto de onde tirou 3 velinhas. O pai acendeu, e a menina atenta como um animalzinho, as apagou. Depois disso, ela começou a cantar um "Parabéns para você..", seguido dos pais, que acompanhavam ela silenciosamente.
A mãe guardou as velas no plástico novamente, e a menina finalmente pegou a fatia de bolo com gosto. Os pais observaram com carinho, a mãe arrumou o lacinho do vestido. O pai, correu os olhos pelo local, como se quisesse provar para si mesmo o sucesso da comemoração. Deu seu olhar com o meu - primeiramente, fez menção de abaixá-lo, mas pensou melhor. Mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.
Assim eu queria minha última história. Pura e verdadeira como esse sorriso.

Texto baseado na crônica "A Última Crônica", de Fernando Sabino.



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