Amen.





Ele bateu continencia, arrumando sua postura e levando a mão a cabeça. Ao seu lado, os outros homens copiaram o gesto. Eram tantos, tão variados. Todos com o mesmo uniforme, sendo tratados do mesmo jeito. O medo estava estampado no rosto de uns, que mal sabiam o porque realmente estavam ali. Os olhos vermelhos naqueles que pensavam no que iriam deixar para trás. Um amor, uma família, um filho ou uma filha.
Eram mais de trezentos. Iam todos defender seu país, obrigados. Querer não era uma opção ali.
Ao mesmo tempo que eles ouviam tiros, assistiam misseis descerem em direção a cidade e rezavam para não ser a sua casa que fosse a atingida, os generais davam ordens. Ordens para uma guerra? Na guerra, as regras não valiam mais. Era sobreviver e levar consigo o maior número de oponentes, para quando tudo acabar, ter seu nome junto de todos os milhares de mortos em algum memorial.
Trezentos. A matemática é fria.
Eram trezentos homens. Trezentas pessoas que amam, são amadas e sentem dor. Trezentas histórias, trezentos gostos. Quem ali gostava de assistir futebol domingo a tarde? Quem preferiria brincar com a filha de boneca, trocando o futebol para ver um sorriso no rosto de sua filha? Quem ali gostava de macarrão? Quem poderia ser um futuro escritor, quem era um advogado?
Eram trezentas vidas.
Porque matar os civis, os homens? A guerra era de estado, por que matar as pessoas, que nada tinham a ver com tudo?
Ninguém sabia responder.
Espalhados pelo mundo, milhares de pessoas faziam protestos contra a guerra, mas os governos ignoravam. Por quê?
Um brilho forte ocorreu no céu, tornando tudo escuro. Parecia que o céu havia aberto os braços para engolir todos que, agora, caminhavam em direção a morte.
Com um último suspiro ele entrou na fila, ainda temendo. Ouviu um tiro. Mais e mais, mostrando que ele realmente estava no campo de batalha.
O mundo estava frio. Todos se mobilizavam, mas ninguém realmente sentia. Crianças morrendo, nas manchetes do jornal. Mais mortos a cada dia, mais desespero e desolação para todas as vítimas. A que ponto chegava tudo isso? Tamanha frieza que era possível enviar para o campo qualquer menino que conseguisse segurar uma pistola?
Trocar sua bola e seu futuro de jogador por um fusíl, para morrer e dar dor a sua mãe.
Todos ali, por um momento, olharam para cima. Alguns entenderam e se tacaram no chão, tentando sobreviver. A explosão ocorreu, e a guerra parou ali, por um tempo.
Finalmente o céu havia se aberto para aqueles que esperavam de braços abertos para serem engolidos para um lugar melhor.



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