Mitologia das Terras Altas




A Base da Religião (Divindade Principal) : A Criação do mundo.

A religião das Terras Altas acredita que tudo se originou de uma grande entidade neutra, sem sexo ou ambições, eternamente intocável. Esta entidade é a marca da cultura que originou a religião.
Como esta entidade é responsável pela geração de tudo, o nome que lhe foi atribuído é um nome feminino. No entanto ela não possui sexo definido. De fato, os poucos que tiveram a sorte de se encontrar com esta entidade dizem que seu avatar é a imagem de uma mulher, mas existem relatos de mulheres que foram visitadas por um Homem em situações semelhantes às visões da Deusa Mulher... Acredita-se que este Homem seja a forma que a Deusa adquire quando ao visitar mulheres, e os mortais o chamam de Coinneach. A forma feminina era chamada de Adella pelos antigos e nas velhas lendas conhecidas dos sacerdotes. No entanto o povo hoje em dia a chama de Mona.
É dito que aquele que encontra Mona ganha uma marca. Poucos invejam esses mortais, uma vez que as aparições sempre são para transmitir recados ou presságios. A marca que os "visitados", como são chamados, recebem é semelhante a um estigma gravado a ferro quente. Após marcados, os mortais caem em um sono profundo e febril, despertando geralmente três dias depois com a necessidade de levar as palavras ouvidas àqueles visados pelas notícias.
Mona (ou Coinneach) é infinitamente poderoso(a), e responsável pela criação do mundo. No entanto não foi ela (ele) quem o povoou. Esta é a história das entidades secundárias.

Entidades Secundárias e Demais Entidades: O Povoamento do mundo.

É dito que quando Mona criou o mundo, ficou radiante com sua criação. Porém apesar do mundo ter a perfeição em seus ciclos, tudo funciona a partir de mudanças... Ora, como algo perfeito pode mudar? Como entidade perfeita, tudo o que ela fizesse refletiria a perfeição da criadora e, portanto, nunca mudaria.
Ela então pensou, pensou, e teve uma idéia:
Soprando sobre a palma de sua mão, ela fez dali germinar um trevo de quatro folhas. Pegou então uma das folhas e jogou-a no vento que varria a planície onde estava, dizendo: "Cresce e toma vida... Pois és parte de mim, e de ti virá a alegria do nascer..."
A folha brilhou enquanto dançava no ar, e cores diferentes jorraram de seu verde. O ar se encheu com um suave perfume enquanto um turbilhão de fagulhas tomava pouco a pouco a forma de uma mulher. Quando tudo acabou, ali estava uma bela jovem de vestes azuis leves e sorriso puro no rosto. Em sua cabeça, uma coroa de flores silvestres ornava os compridos cabelos loiros. Seus olhos eram profundamente azuis, fluindo como as águas dos mais límpido rio. Assim nasceu Beathag, o Nascimento. Em sua fronte, uma marca brilhante exibia um crescente.
Mona sorriu, e cumprimentou sua primeira filha.
Ela então pegou a segunda folha do trevo, e soprou-a no vento, dizendo: "Cresce e toma vida... Pois és parte de mim, e de ti virá a fartura e o desejo..."
Novamente a folha brilhou, e cores e perfumes encheram o ar, desta vez muito mais pungentes do que antes. Um vento quente carregou a folha em um turbilhão de luz e cor que tomou a forma de uma mulher. Ela era um pouco mais alta que Beathag e seu rosto era dono de uma beleza infinita, porém muito diferente da que aparecia no rosto de sua irmã. Os lábios carnudos e vermelhos formavam um sorriso provocante. Suas vestes eram poucas, exibindo as curvas generosas dos seios e quadris. Os cabelos ruivos e compridos estavam enfeitados com uma coroa de galhos de onde pequenos morangos e amoras pendiam, emoldurando os olhos intensos que brilhavam, vermelhos, como ferros em brasa. Assim nasceu Dearbhail, o Verdadeiro Desejo. Em sua fronte, uma marca brilhante exibia um círculo cheio.
Mona sorriu, e cumprimentou sua segunda filha.
Ela então pegou a terceira folha do trevo, e soprou-a ao vento, dizendo: "Cresce e toma vida...Pois és parte de mim, e de ti virá o anúncio do fim."
A folha voou, levada por um vento forte e frio. No ar, sua cor verde aos poucos foi escurecendo e tornando-se marrom. A folha então partiu, seca, e seus pedaços giraram em um turbilhão de fagulhas, pedra e pó que tomou forma de uma velha. Seu rosto enrugado trazia consigo a marca de uma sabedoria infinita. Suas vestes eram marrons e amassadas e seus cabelos castanhos apresentavam muitas mechas brancas, desgrenhadas, que se enrolavam em uma coroa de galhos e folhas secas. Seus olhos traziam o tom marrom empoeirado presente nos cabelos e nas vestes. Ela sorriu um sorriso desdentado mas que encerrava em si a sabedoria de todas as coisas vivas. Assim nasceu Gràinne, aquela que inspira medo, mas é dona de todo o Saber. Em sua fronte, uma marca brilhante exibia um minguante.
Mona sorriu, e cumprimentou sua terceira filha.
Finalmente ela pegou a quarta e última folha do trevo e soprou-a ao vento, dizendo: "Cresce e toma vida... Pois és parte de mim, e de ti virá o sono do mundo... o fim, e o preparo do novo recomeço."
Mal a folha deixou a mão de Mona, foi atirada para o alto por forte e gélido vento. A folha foi pouco a pouco coberta por cristais de gelo, e quebrou como vidro. Um turbilhão de agulhas geladas e flocos de neve envolveu seus pedaços quebrados, tomando uma forma alta... Maior que todas e quase tão grande quanto a imagem da própria Mona. Finalmente estava ali uma jovem alta e esguia. O rosto de traços infinitamente delicados exibia dois lábios finos e azuis. Sua pele muito branca e levemente azulada brilhava, coberta de poeira de gelo. Ela usava um longo vestido branco que ressaltava ainda mais sua altura e magreza. Os cabelos eram tão brancos quanto a pele, e estavam enfeitados com fios de gelo e cristais de neve. Os olhos eram indefiníveis em palavras, e pareciam não possuir cor, mas sim zunir com uma força cortante. Assim nasceu Fionnghuala, a dos Ombros Brancos. Ao contrário de suas irmãs, nenhuma marca aparecia em sua fronte.
Mona sorriu, e cumprimentou sua quarta filha. Fionnghuala retribuiu o sorriso, mas sua presença era tão perturbadora que as irmãs recuaram, temerosas. Apenas Mona permaneceu onde estava. Em seu olhar, apenas a alegria do infinito podia ser vista.
Então, Mona falou:
" Sois minhas filhas. Em vós se encontra uma parte de minha perfeição, mas não sois perfeitas. Para vós deixo este mundo... Para que possam povoá-lo de seres imperfeitos que nele viverão para rir, chorar, amar, descobrir e esquecer, nascer e morrer. Cada uma de vós possui uma natureza dupla, e nelas se manifestarão o feminino e o masculino como em mim se manifestam, e ambos imperfeitos deverão descobrir como se unir para alcançar a felicidade. Ide agora, minhas filhas... E enchei de vida este mundo que lhes dei."
Sem mais, Mona desapareceu. E não havia mais nada a ser dito. Aliadas, as quatro irmãs povoaram o mundo, criando com sua natureza dupla o feminino e o masculino. Elas dividiram o ano em quatro partes, nas quais cada uma dominaria em sua vez. No entanto, dentro de cada uma dessas partes todas podem opinar e dar o seu toque. É por isso que existem verões mais frios e invernos mais quentes. Também é dito que elas vigiam o mundo cada uma por um período de tempo durante o mês, e quando olhamos para a lua vemos qual das deusas está cuidando de nós naquela época.

< Voltar


Hosted by www.Geocities.ws

1