Poesias
extraídas do livro Sentir
Alberto
Antonio Soria, Belém. Ed Grafisa, 1986
Compadeço-me
do Nefasto
porque
o vejo poderoso,
anda em
grupo, com perversidade
para poder
se alimentar
do Espírito
da Verdade.
Abutre,
sem compaixão
que vieste
do esgoto
do prostíbulo
universal
para criar
misérias sobre o nariz,
comer os
olhos e depois... quem sabe?
Nasceram
câimbras , mais fortes que a dor.
Não
pode trabalhar.
Demônio
não o pode espantar
–
por compaixão!
É
a verdade.
Florescer
sem medo da obscuridade.
É
a Verdade.
Está
nascendo luz nas trevas.
É
a Verdade
Morrer
errante
em defesa
das terras de todos.
É
a Verdade.
Quando
um cai é uma honra,
porém
quando quatro caem
fazem estremecer
a terra.
É
a Verdade.
O temor
do Nefasto
não
é uma bomba,
nem u’a
maldade.
É
a Verdade.
Sinto nos
ouvidos
um sempre
crescente som,
trazendo,em
seu seio,um ninho.
O som faz
seu eco.
O eco faz
a luz.
A luz ilumina
o ninho
no imenso
da obscuridade.
Luz e obscuridade
vivem,
com o som
e o ninho.
um tempo
indefinido.
Sentir se
foi à praça
a escutar
o instante de quatro parceiros.
Todos maiores
de idade
e, por
coincidência,
dois homens
e duas mulheres,
que caminharam
mais da metade do Universo
para fazerem
o Imortal.
Por igualdade
da sorte e da desgraça,
uma filha
e u’a mãe,
um filho
e um pai
para criarem
a História Universal.
A água,
a luz do dia
e a visão
de todo um andar
para eleger
o Imortal.
Sentir sentou-se
na Verdade
para escutar
a conversa da sociedade.
SÁBIO
é meu nome
e vim ao
mundo para governar,
por virtude
do desconhecido
– diz o
pai.
Ah! Como
é a vida!
–grande
nas coincidências!
Eu também
vim ao mundo para governar,
por virtude
do dia da LIBERDADE,
que é
meu nome
– diz a
mãe.
Se vamos
ver o futuro
encontraremos
o passado
vindo à
realidade para ser presente.
REALIDADE
é meu nome de vida,
por virtude
do tempo
que me
viu nascer
– diz
a filha.
É
um segredo imortal.
É
um segredo a criação.
É
um segredo a ida e a volta.
É
SEGREDO meu nome,
que vim
ao mundo
por virtude
do existir na ignorância
–diz o
filho.
SENTIR,
sentando-se ao lado da Verdade,
pede-lhe
perdão,
por ver
ele o Imortal,
que veio
ao mundo para governar,
por EXISTÊNCIA,
que também é seu nome,
por vontade
do Ser.
Sentir é
um estudo filosófico das grandezas.
Sentir
é o trabalho do trabalho.
Sentir
é o tráfico do tráfico.
Sentir
é o espelho do sentir.
Sentir
é um dom viajante do mistério.
Sentir
é motor de verdade e mentira.
Sentir
é a ponte da esperança.
Sentir
é a descoberta do tempo.
Para existir
no seu andar pelo universo.
Sentir
é um número para ordenar a vida
Sentir
é a unha que dana a pele da terra.
Sentir
é a emergência, sem saída,
a
um holocausto total
Sentir
é tudo e nada.
Sentir
sou eu,
veículo
de alegria e tristeza.
Sentir
é coragem com medo
– é
inferno tormento,
que saiu
do purgatório
para aqui
chegar
e firmar
a PAZ.
Pai, onde
estavas?
Te procurei
no campo e na cidade.
Te procurei
no amigo e no inimigo.
Te procurei
na casa e no cemitério.
Te procurei
entre a mesa e o pão de cada dia.
Te procurei
em minha filha e em meu filho.
Te procurei
adiante e atrás.
Te procurei
em cima e embaixo.
Te procurei
no passado e no presente
Te procurei
no lindo e no feio.
Te procurei
entre os brancos e os negros.
Te procurei
no tempo e no ar.
Pai Eterno,
de instante,
realidade.
Por fim
te encontrei,
depois
da fúria,
nas coisas
mansas da vida.
Obrigado
pela força do amor
unir a
caneta ao papel
para escrever
Paz.
Obrigado
por sentar-me
em teu
regaço de caridade.
Obrigado
pelos que escutam
a igualdade
no horizonte.
Obrigado,
por não mais nada poder dizer.
Adeus.
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