José Celso de Macedo Soares
O projeto do novo sistema tributário
nacional é desalentador, principalmente no que diz respeito ao funcionamento
de autêntica federação. Depois de tantas discussões,
1 ano de debates, nada tem de inovador. Contém as mesmas mazelas
e entraves burocráticos do atual sistema. Parece que a douta
comissão não sabe que existe o comércio eletrônico,
as compras via Internet ou pelo telefone, que cada ano crescem em todos
os países, inclusive no Brasil.
Consumidor de Belém,
por exemplo, pode comprar diretamente do produtor, em São Paulo.
A velha cadeia, produtor-distribuidor-varejo, vai desaparecendo. A sistemática
de cobranças de impostos está mudando no mundo inteiro. Só
no Brasil permanece a mesma, quase igual ao tempo da Intendência
da Minas, no regime colonial. Louve-se, neste particular, a Receita Federal
que, institui a declaração de vários impostos via
Internet, ligando o contribuinte à Receita, eliminando o posto recebedor.
Isto sim, é modernidade.
O governador Germano Rigotto,
presidente da antiga Comissão da reforma tributária, declarou
em debate na Assembléia Fluminense, que a reforma tributária
levará à definição do pacto federativo. Ao
contrário, governador. Em uma República Federativa, primeiro
define-se as atribuições da União, dos Estados e dos
Municípios. Depois verifica-se quais os impostos necessários
para cobrir as despesas de cada um.
A pretexto de acabar com a
guerra fiscal entre estados querem impor alíquotas uniformes para
todos. Porque cidadãos de cada estado, se formos uma autentica federação,
não podem decidir quais impostos precisam para desenvolver seus
estados? Se os estados complicassem os impostos, afugentariam os investidores.
Nos Estados Unidos, autentica federação, até leis
penais são diferentes de estado para estado, para não falar
dos impostos. A ridicularia da disputa entre vários estados e São
Paulo, a respeito da decisão do governador de São Paulo de
propor leis para incentivar compras naquele estado, direito dos habitantes
de São Paulo de tomarem tal decisão, por seus representantes
eleitos, mostra a ignorância de certos governantes a respeito do
que é uma verdadeira federação. Há pouco tempo
estavam bradando por autentico pacto federativo...
Conhecem impostos mais atrasado
que o ICMS, imposto de circulação de mercadorias, que entrava
a circulação,quando se sabe que quanto mais rápido
e fácil for essa circulação maior riqueza é
gerada? Sistema mais arcaico do que barreiras fiscais interestaduais, geradoras
de corrupção e propinas?
O ideal seria que a Constituição
Federal estabelecesse quais os impostos privativos da União, e deixasse
que cada Assembléia Estadual e Câmaras Municipais, criassem
os impostos que julgassem convenientes, proibida a bitributação.
E, nada de impostos co-participados como querem fazer na reforma proposta.
A União arrecadaria os seus, os estados e municípios, os
seus. Desta maneira, acabaria a discussão estéril se o imposto
deve ser cobrado na origem ou no destino. Imposto criado num estado nele
será cobrado. O estado que quisesse dar incentivo fiscal à
custa de seu orçamento, que desse. Apenas para encaminhar o raciocínio:
Amazonas, precisa dos mesmos impostos que São Paulo? Estados eminentemente
agrícolas precisam dos mesmos impostos dos muito industrializados?
Quem deve decidir isto são os cidadãos de cada estado. Adotado
este princípio, a Constituição Federal deveria proibir
auxílio federal a qualquer estado ou município, sob qualquer
pretexto, a não ser calamidade pública. Acabariam também
os Fundos de Participação dos estados e municípios.
Municípios que não tem capacidade de se manterem com seus
próprios recursos não devem existir. Acabaria a industria
da criação de novos municípios para viveram de verbas
federais ou estaduais. Estados e municípios teriam que mostrar capacidade
administrativa. Assim procedem as autenticas federações.
Sabemos que aprovar isto,
é sonho de uma noite de verão, pois os burocratas, os fiscalistas,
o taxarão de impraticável. Para eles a União tem que
regular tudo. Não pode haver legislação diferente
para cada estado. Temos que acabar com a guerra fiscal... Tudo bem. Se
assim querem, não chamem o Brasil de Republica Federativa.
Nossa esperança é
que os Congressistas, no final, não emprestem seu prestigio aprovando
esta maquiagem de reforma, não desperdiçando a oportunidade
de dotar o país de código tributário a altura de legitima
federação e dos anseios dos contribuintes.
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