Mônica Banderas, poeta, três livros publicados, participação em diversas antologias, artista plástica, com obras na Itália, Estados Unidos e Alemanha, ouvidora do Portal Blocos de Literatura, o maior da américa Latina, escultora, brasileira e com vontade de lutar para ver esse País na lista dos mais engajados em formação cultural e educacional.

Mais um pouco de mim
 


 

Viver é a minha vontade, independente de qualquer outra vontade.
 
 

Acredito piamente em quem ame o fogo, a liberdade e tenha muita fome de Deus.


 

Eu nasci estopim
pólvora pra tudo quanto é lado
inflamável mesmo
até o fim do mundo


Amo a primavera mas nasci no inverno.
Regida pelo sol, desmancho-me na neve
Cara pálida,
Bem humorada, fria e distante
Ninguém me entende,
Sou fulminante.



Sou muito demais
mato o cabra
e corto o pau

A minha fome é de gente grande
      algo descomunal.
                 Degusto qualquer metal,
qualquer mineral,
        qualquer animal
     bastando um pouquinho de sal

Eu tenho um espantalho
Todo feito com casca de alho
Para espantar vampiros
E corvos ordinários


Que haja você
para que eu possa bater.

Outono:
Passei de folha nova à folha seca


Suicídio:
Solidão tem corpo, braço e perna e me mostra a janela.


Renuncio a tudo que sei e vem de você
sou,  a partir de hoje, livre de seus sonhos feitos pra mim
joguei suas armas fora, seus desenhos, suas manias
e nem lembro de suas alegrias
você é joio, eu sou trigo
nos misturamos
mas só eu sirvo.

Sabe de uma coisa:
estou cagando e falando e andando e cantando
pra você, pra sua mãe, pra sua tia e pra sua irmãzinha.

A temática da convivência pacífica

Vizinhos temos poucos
Porém insofisticados
Todos confusos.
Tem um que fala só no singular,
Outro não sabe falar,
Uns gritam
outros falam tão baixo que nem dá para escutar
Há as vizinhas folgazãs, cheias de si que cantam o marido das outras
e ainda oferecem mundos e fundos pro cara largar a outra
Vizinhos cheios de culpa: homens que falam grosso de dia
e de noite, solitários,
sonham estar nos braços
de garotões sarados.
Meninas enxertadas,
mães que prostituem as filhas por uma cesta básica.
Avós loucas, pais incendiários, filhos bombeiros...
Essa é a minha comunidade.
Somos todos normais...



Esperei um rio inteiro
agora não espero mais


Sou cheia de não me toques
  não chegues perto
  por vezes, detesto gente
  por vezes, detesto mais
 Só. Eu e os animais


Os dezembros
são quentes.
Nos pegam de surpresa,
as chuvas  de verão.
Solitários ao sol,
já não somos mais normais
filtro solar,
bronzeador,
espantados,
mudamos de cor.


Verão:
O sol está lá fora




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