Eleições e Governabilidade
José Celso de Macedo Soares
Quase todos brasileiros estão seguindo com atenção os passos dos candidatos à Presidência da Republica. Mas poucos se detém em examinar como o vitorioso vai governar. Nenhum candidato que for eleito terá maioria parlamentar para governar. Com uma Câmara de Deputados com mais de 500 deputados nenhum partido conseguirá fazer sequer 100 deputados. Não adianta os candidatos prometerem isto ou aquilo se não tiverem maioria parlamentar para verem seus projetos aprovados. Com a proliferação de partidos existentes os acordos, as barganhas, se tornam fato corriqueiro Recordam-se do “mensalão”? Este um dos defeitos do Presidencialismo. No Parlamentarismo, só  chega a Chefe do Governo ( Primeiro Ministro ) quem tiver maioria no Parlamento. Por isto sempre achamos que a governabilidade no Brasil só será atingida se adotarmos o Parlamentarismo e tornarmos mais rígida a criação de partidos. Lembram-se do Império brasileiro, com o regime parlamentar e os dois partidos, liberal e conservador, os únicos em vigor? Foi a época em que o Brasil consolidou sua democracia, a ponto de o Presidente da Venezuela, Rojas-Pablo, ter declarado, por ocasião da implantação, pela Republica do regime presidencialista: “Acabou-se a única democracia na América Latina, o regime parlamentar do Brasil”.
        Sem maioria parlamentar todas as promessas dos candidatos à Presidência e aos Governos estaduais não passam de sonhos de uma noite de verão.
       A segunda questão importante é a situação da divida interna do governo que hoje já chega a casa de cerca de 1 (um) trilhão de reais com pagamento de juros de cerca de 140 (cento e quarenta) bilhões de reais por ano. De onde sairá o dinheiro para os investimentos tão prometidos pelos candidatos, em saúde, educação, infraestrutura, segurança.etc.,etc.? Aumentar impostos é impossível, com a já enorme carga tributária que asfixia os contribuintes.
Estas são apenas algumas das dificuldades  que o futuro Presidente terá que enfrentar, já que o atual que pretende se reeleger, não conseguiu resolve-las.Mas, os homens não são iguais.Para isto existem os estadistas Mas para ser estadista o presidente deve ter cultura e formação humanística. Senão, nada mais é que um burocrata. E, a diferença entre o burocrata e o estadista , é que o burocrata administra o presente e o estadista administra o futuro. Torçamos para que um estadista se eleja nosso futuro Presidente.
Pensando nestas eleições é que nos veio à memória o famoso sermão para o dia de São Bartolomeu, pregado em Roma pelo grande Padre Antonio Vieira, por ocasião da eleição de cardeais. Dele extraímos o seguinte trecho: “Quais hão de ser os eleitos? Os maus. Claro está que não. Logo os bons?Não digo isso. Nem os maus, nem os bons, senão os melhores”Grande ensinamento do mestre. Votar nos melhores.Votar nos que tem melhores idéias. Nos que tem melhor passado.Não reeleger aqueles que descumpriram suas promessas. Ai avulta a necessidade de se votar no melhor partido. E qual o melhor partido? Na nossa opinião é aquele que defende melhor os ideais de justiça, de liberdade, do primado do Direito, enfim da democracia.Não votar em partidos envolvidos em compra de votos, em corrupção,.Nem neles, nem em seus candidatos. Em sua consciência os eleitores façam sua escolha. Porque, quaisquer que sejam os defeitos dos Partidos, haverá sempre um melhor que o outro. Não desperdicem, pois, seu voto. Não o anulem. Não votem em branco. Votem no candidato que tem melhor passado, sem ligação com partidos corruptos.
Todos brasileiros devem meditar nas palavras do incomparável pregador, que conosco conviveu tanto tempo e aqui morreu. Na hora sagrada da decisão, na escolha dos que vão representa-los cumpre ter em mente que esta é a hora da verdade. Os governos devem ser julgados, os que se querem eleger devem ser analisados e os que prometeram e não cumpriram devem ser afastados.
A democracia só se aperfeiçoa no exercício continuo de suas prerrogativas, na seleção cada vez mais apurada dos que vão representar o povo, porque a honra e crédito maior de uma comunidade é que faltem lugares e sobejem beneméritos.

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