18 - GLOBALIZAÇÃO
Uma das palavras mais pronunciadas e discutidas,
atualmente, chama-se “globalização”. Mas, o que vem a ser
isto e como surgiu? “ Globalização é uma invenção
dos países ricos para dominarem os países pobres” , é
o refrão do arraial dos retrógrados e de empresários
viciados na proteção e reserva de mercados. Bobagens.
A globalização não foi inventada por ninguém
nem é arma de um pais para dominar outro. Ela é o resultado
dos grandes avanços da tecnologia, principalmente no ramo das comunicações
entre povos e pessoas. Alguns exemplos. Já pensaram que, hoje, leva
o mesmo tempo para falar ao telefone com o vizinho ou com outra pessoa
situada a milhares de distancia? Aviões a jato tornaram possíveis
reuniões rápidas e soluções de negócios
em período de tempo antes inimaginável. Envia-se por correio
eletrónico (e-mail) correspondência e mesmo extensos trabalhos,
para o outro lado do mundo, que são recebidos quase que instantaneamente,
a um custo mínimo. Conclusão: a distancia está morta.
E quanto às transações financeiras? Bilhões
de dólares são movimentados de um praça financeira
para outra, em questões de segundos, graças a tecnologia
das comunicações pôr satélites. E o comercio
eletrónico , as pesquisas, via Internet? Hoje tem-se acesso aos
mais elaborados artigos e pesquisas, escritos em qualquer parte do mundo,
pêlos mais renomados articulistas e cientistas, com o simples acesso
a uma pagina da Internet. Compram-se livros dos catálogos de editoras,
situadas em diversos países, que nos são entregues em pouco
tempo. Reservam-se hotéis, compram-se passagens aéreas com
simples consultas pela Internet. Paga-se tudo isto sem sair de casa, com
débitos automáticos em conta corrente ou cartão de
credito. Viaja-se sem levar dinheiro vivo e sim cartão de credito.
E, por ai vamos. São alguns exemplos de como os países e
povos vão se aproximando, quer seus dirigentes queiram ou não.
Tudo isto é o que se chama de globalização, que, repetimos,
não foi invenção de ninguém e sim da marcha
inexorável dos tempos e da tendência inelutável
do gênero humano de procurar sempre o progresso, e usufruir dele
as conseqüências benéficas para suas vidas. Alvin Toffler
em seu livro “A terceira onda”(The Third Wave) já previa isto.
Algumas observações, entretanto,
tem que ser feitas para melhor entendermos as conseqüências
da globalização. Em primeiro lugar observa-se a crescente
importância do capital financeiro. O avanço das telecomunicações,
como dissemos, e da informática aumentou a capacidade dos investidores
em nível mundial. Cerca de 2,0 trilhões de dólares
são transacionados entre as principais praças financeiras
mundiais em cada 24 horas. Isso é mais que o volume anual do comercio
internacional. Capitais voláteis podem ir de um pais para outro,
da noite para o dia, causando desequilíbrios financeiros. A crise
financeira que assolou o Brasil depois das crises russa e mexicana é
um exemplo. É necessário, pois, redobrada atenção
das autoridades monetárias de cada pais para fazer frente às
especulações.
Outro aspecto importante é o papel
das empresas transnacionais. Estas empresas procuram, cada vez mais, países
que lhes possam oferecer mão de obra barata e boa tecnologia, investindo
nesses países e agindo também por processos de aquisição
ou fusão, tem grande importância na geração
de empregos e formação de seu produto interno bruto. Tendo,
na realidade, grande mobilidade industrial, devido a rapidez com que as
trocas internacionais hoje se fazem, é vital, principalmente para
os países em desenvolvimento como o Brasil, atrair estes capitais.
Para isto os governos locais tem que apresentar, a estes investidores,
quadros de boa gestão econômico – financeiras, pois os investimentos
dessas empresas podem , rapidamente mudar de lugar.
E, quais as conseqüências para o dia
a dia do cidadão e para os governos?. Em primeiro lugar todo funcionamento
de controles governamentais pêlos métodos atuais, tornaram-se
obsoletos. A remessa de numerário de um pais para outro, os fluxos
instantâneos de compras e remessas, a inserção do cidadão
de um pais no mercado de outros países, características da
globalização, fogem ao controle dos governos.
Mas, como o Brasil, seus dirigentes, enfrentarão
os problemas daí decorrentes? O que podem fazer é preparar
tecnologicamente seus cidadãos para os novos desafios Ai avulta
a necessidade de investimentos massiços em educação.
Alem disto, a globalização não destroe a cultura,
as características do comportamento de um povo que saiba preservar
sua herança, sua maneira de sentir, de se comportar. Basta que suas
instituições culturais, seus centros educacionais, estejam
sempre atentos para a invasão de maneirismos, principalmente no
linguajar, nas expressões mais vivas de sua arte, de sua musica.
Felizmente o samba é bem forte...Sobre este receio basta lembrar
estas palavras do grande Mahatma Gandhi : “Não quero que minha casa
fique cercada de muros e que minhas janelas fiquem fechadas. Quero que
as culturas de todas as terras soprem sobre minha casa, tão livremente
quanto possível. Mas, recuso-me a ser derrubado por qualquer delas”.
Nas relações de comercio a
palavra chave deve ser uma só: reciprocidade.Ai, então devemos
ter cuidado com a pressão e o comportamento dos países mais
ricos. Afinal de contas, eles não chegaram onde estão fazendo
benesses aos países mais pobres..
A globalização, quer queiramos
ou não, veio para ficar. As fronteiras comerciais vão aos
poucos desaparecendo, como aqui estão para atestar a União
Européia, Mercosul, Nafta, Alca, etc. Atras disto virão
a circulação livre dos cidadãos, a internacionalização
dos mercados de trabalho, a disseminação das tecnologias,
o intercâmbio livre das idéias, enfim o progresso interligado,
com a conseqüente diminuição dos desníveis sociais
Nos brasileiros, tratemos de tirar proveito das vantagens que as
culturas superiores possam nos trazer com esta aproximação.
Nada de complexos de inferioridade.
A respeito do assunto, lembramo-nos de historia
que nos contaram. Paul Reynaud, Primeiro- Ministro francês,
viajava de trem em visita a Espanha. Dorminhocava, quando o trem se aproximou
da fronteira,- “Sr. Primeiro- Ministro, acordou-o um assistente, estamos
chegando à fronteira da Espanha”.- Reynaud, ainda meio acordado,
murmurou:- “Oh ,fronteiras, estas cicatrizes da historia”.
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