Empresas Estatais Jose Celso de Macedo Soares
Tiradentes
Em meus artigos no “Jornal do Brasil” e “O
Estado de São Paulo”, sempre combati tenazmente a estatização
da economia. Não se tratava de uma posição ideológica.Combatia
a ineficiência e o empreguismo das empresas estatais.Admite-se hoje,
geralmente, a conveniência da intervenção do Estado
em certas questões da ordem econômica. O direito de legislar
e o poder de seu credito, dão-lhe autoridade diretiva em negócios
até agora vedados às suas incursões. A velha concepção
da escola individualista do Estado arrecadador de impostos, distribuidor
de justiça e mantenedor da ordem, teve de recuar ante a necessidade
do exercício da função coordenadora das grandes forças
econômicas, Prevendo crises, preparando soluções, harmonizando
interesses, criando, desenvolvendo ou defendendo a produção,
legislando sobre tarifas alfandegárias e sobre a assistência
em todos seus aspectos em resumo, amparando e fortalecendo as forças
vivas nacionais, o Estado moderno realiza funções econômicas
tão importantes, quanto as suas antigas funções políticas
e jurídicas.Mas isto não significa que o Estado vire empresário.
O limite ideal para as intervenções
do Estado foi traçado em três linhas pelo Papa Leão
XIII na encíclica “Rerum Novarum”: “A razão que determina
a intervenção das leis, fixa-lhes o limite; elas não
devem ultrapassar o necessário para remediar males ou evitar perigos”
No Brasil temos grandes exemplos dos males
da estatização.Por exemplo: as siderúrgicas estatais
davam sempre prejuízos, pagos pelos contribuintes. Privatizadas
passaram a dar lucro. E as empresas de telefonia? Quem não se lembra
da dificuldade de se obter um telefone, que de tão caros tinham
que constar da declaração de bens na declaração
do Imposto de Renda? E os telefones celulares? Era privilegio de uns poucos
endinheirados. Hoje, graças à privatização,
a maioria da população possui o seu celular, podendo, inclusive,
buscar o melhor preço entre as varias empresas que oferecem o serviço.
Exemplo mais gritante é o da Embraer que quando estatal dava prejuízo.
Hoje, privatizada, transformou-se em um dos mais bem sucedidos fabricantes
de aviões do mundo e no segundo maior gerador de divisas para o
Brasil, graças, a exportação de seus excelentes produtos.
A Vale do Rio Doce, quando estatal dava pequeno lucro. Hoje, privatizada,
paga de impostos ao governo mais do que lhe pagava de dividendos. E os
bancos estatais dos Estados? Todos falidos porque serviam de caixa para
os governadores que se apropriavam de sua caixa e não pagavam os
empréstimos recebidos. E as geradoras e distribuidoras de energia
elétrica estatais? Todas deficitárias e o contribuinte pagando
a conta desses déficits.
Grande mérito teve o governo Fernando Henrique
que pôs um cobro a este estado de coisas com seu programa de privatização.
Outro ponto importante quando se estuda
as empresas estatais é o da corrupção que elas geram.O
Brasil está assistindo o maior escândalo de sua história
na gestão dos negocio públicos. E o cerne de todo esse problema
é a ocupação dos cargos das estatais ainda existentes,
por indicações políticas, com indivíduos sem
competência , por “companheiros” que necessitam de emprego
e por políticos que perderam eleições. O resultado
das investigações mostra que o grosso do numerário
para o chamado “mensalão” saiu de contratos super faturados
pelas estatais, para empresas amigas do partido do poder. Com vistas ao
“Valerioduto”.
Admite-se, neste particular, a intervenção
do Estado para socorrer regiões mais atrasadas como, aqui no Brasil,
o Norte e o Nordeste. Mas, mesmo assim,no Brasil, as iniciativas fracassaram.
A Sudene e a Sudam criadas para este fim, tornaram-se focos de empreguismo
e de corrupção. No meu entender, a melhor maneira de ajudar
estas regiões, é incentivar a instalação de
empreendimentos privados nestes estados pobres, dando isenção
de impostos federais e estaduais, por determinado tempo.E há outros
tipos de incentivos. A Zona Franca de Manaus, por exemplo, trouxe notável
desenvolvimento à Amazônia.
Mas, o grande, o maior investimento que
o Estado deve fazer, no Brasil, é na educação.
Abrindo e melhorando escolas públicas no ciclo fundamental e no
ensino profissionalizante, proporcionará o salto desenvolvimentista
de que o Brasil tanto necessita. Mas, isto é matéria para
outro artigo. Por ora lutemos para privatizar o resto das empresas estatais
que aí estão.Se os pseudo “nacionalistas” deixarem....
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