Em Tempo de Eleição
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José Celso de Macedo Soares
Dentro de pouco tempo o povo brasileiro vai ser chamado a exercer o ato cívico mais relevante em uma democracia: votar. E estas eleições são das mais importantes porque, alem de escolherem o Chefe do Poder Executivo, o Presidente da Republica, terão que escolher os seus representantes no Parlamento, aqueles que irão editar as leis que governarão nossos destinos.É mister, por conseguinte, que se vote bem, olhando acima de tudo os interesses da coletividade, sem peias nem preconceitos.
Pensando nestas eleições é que nos veio à memória o famoso sermão para o dia de São Bartolomeu, daquele que foi o maior orador sacro de nossa língua e um dos seus maiores vultos literários – o grandePadre Antônio Vieira- sermão este pregado em Roma por ocasião da promoção a Cardeais.
Os princípios morais pregados por Vieira naquela memorável oração, de mais de três séculos atrás, são tão atuais que merecem ser trazidos à meditação de nossos leitores. Dizia o exímio vernaculista, tratando da eleição: Todo o exemplar se reduz a três regras: Primeira, com quem se há de fazer a eleição?Segunda, quais devem ser os eleitos? Terceira, quantos se hão de eleger?Em três palavras: Com quem?Quais? E quantos?”.
E continua sua profunda analise, respondendo à primeira pergunta: “ Com quem se hão de fazer as eleições? Com os parentes? Com os amigos? Com os interessados? Não e sim. Não com os parentes, mas com o mais parente; Não com os amigos, mas com o mais amigo; Não com os interessados, mas com o mais interessado: com Deus, “ In oratione Dei”“.
Quer dizer Vieira com estas palavras que devemos votar de acordo com nossa consciência. Não por influencia deste ou daquele. Não para agradar amigos ou parentes. Mas sempre de acordo conosco, seguindo nossa própria decisão. Este, pois, o primeiro pensamento que deixamos aos nossos leitores: votem de acordo com sua consciência.
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Mulher votando nas eleições na PalestinaPassemos à segunda questão, ainda com Vieira. “ Quais hão de ser os eleitos? Os maus? Claro está que não. Logo os bons? Não digo isso. Nem os maus nem os bons, senão os melhores”. Grande ensinamento do Mestre. Votar nos melhores. Votar nos que tem melhores idéias. Nos que têm melhor passado. Não reeleger aqueles que descumpriram suas promessas.Ai avulta a necessidade de se votar no melhor partido. E qual é o melhor Partido? Na nossa opinião, no Brasil, é aquele que defende melhor os ideais de justiça, de liberdade, do primado do Direito, enfim, da Democracia. Àquele em que seus dirigentes sempre apresentaram lisura no trato da coisa pública, sem manchas de corrupção quando no Poder. Lisura que não estamos vendo agora no Partido detentor do Poder no Brasil..
Em sua consciência os eleitores façam a escolha.Porque quaisquer que sejam os defeitos dos partidos, haverá sempre um melhor que o outro. Não desperdicem, pois o seu voto. Não o anulem. Não votem em branco. Aqui, pois, fica o segundo pensamento, que enviamos aos nossos leitores: votem no melhor candidato, no melhor Partido.
Finalmente, a terceira e última questão levantada por Vieira: “ Quantos hão de ser os eleitos?” Responde o pregador com a palavra de Cristo : “ Nem poucos nem muitos: doze”. E mais adiante: “ Não basta só eleger o número, senão elege-lo e declará-lo” Com isso, quis ele ensinar que a quantidade deve ser preestabelecida, os cargos perfeitamente determinados e, mais importante do que isso: eleitos, devem ser empossados. Ai a grande responsabilidade dos governos. Quaisquer que sejam os resultados da urnas, forçoso é respeita-los, obedecendo à vontade popular. A grandeza dos que governam está em curvar-se ao veredicto das urnas, mesmo que este lhes seja adverso.
Nesta admirável síntese , os três princípios básicos para realização de uma eleição, a diretriz para bem votar.
Todos brasileiros devem meditar nas santas palavras do incomparável pregador, que conosco conviveu tanto tempo e aqui morreu. Na hora sagrada da decisão, na escolha dos que nos vão representar cumpre ter em mente que esta é a hora da verdade: os Governos devem ser julgados, os que se querem eleger devem ser analisados e os que prometeram e não cumpriram devem ser afastados.