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Fazia uma manh� extremamente fria, e caia lentamente uma neve fina e delicada, o que � bem estranho, j� que estamos em pleno ver�o.
Cientistas de todo o mundo pesquisavam para saber a raz�o dessa mudan�a de tempo t�o dr�stica, em uma �poca que deveria ser um calor extremo. Talvez fosse o aquecimento global, ou uma nova era do gelo, eu realmente n�o sabia. Mas isso n�o era uma coisa que estaria me intrigando tanto, n�o neste momento em que o sono ainda me consumia.
Levantei-me �s 9 horas, coisa que para uma manh� de domingo como essa, era bem cedo. Sai da minha cama, fui at� o guarda-roupa pegar outra blusa e segui at� o banheiro escovar os dentes. Desci para tomar caf� sem ao menos arrumar meu cabelo.
Abri a geladeira e peguei uma jarra de suco que estava ali h� algum tempo. Enchi um copo que estava em cima da pia e tomei um gole. Engoli r�pido e joguei o resto do suco que estava no meu copo dentro da pia. Um gosto horr�vel permanecia dentro da minha boca agora. Fui em dire��o ao filtro pegar �gua, mas antes mesmo que eu pudesse encher meu copo, a campainha come�ou a tocar freneticamente.
Corri atender, mesmo j� sabendo quem certamente estaria do outro lado da porta.
- Aleluia, pensei que voc� estivesse dormindo ainda.
- Claro que n�o, eu acordei faz tempo j� . � respondi, beijando sua bochecha e lhe abrindo espa�o pra passar. -
Aham, sei. E esse cabelo penteado me diz bem isso � ela disse rindo.
- Ops, acho que eu fui descoberto. � eu acordei quase agora.
- Sabia. �Tava bem na cara mesmo. � prosseguiu, sentando-se no sof�. Corri na cozinha pegar meu copo de �gua e voltei pra sala me sentando ao lado dela.
- Ent�o, o que n�s vamos fazer hoje? � perguntou, enquanto eu bebia �gua e fazia uma careta por causa do gosto nojento n�o saia da minha boca.
- Ai, credo. Ah, n�o sei.
- Que cara foi essa?
- Meu, aquele suco que estava na minha geladeira. Bebi ele e agora essa desgra�a n�o sai da minha boca.
- N�o acredito que voc� bebeu aquele suco de duas semanas atr�s. � falou, j� n�o controlando o riso.
- Ah, sabe como � a pregui�a n� ?
- Hum, sei bem como �. � ela respondeu, j� parando de rir. Ficamos em sil�ncio por algum tempo, enquanto ela trocava de canal na minha televis�o constantemente.
- Acho que voc� devia parar de trocar de canal. Escolhe um logo.
- Acho que n�o vou escolher nenhum, - sorriu, desligando a TV. � e acho que eu quero ir at� o shopping tomar frappucino e que voc� vai ter que ir comigo.
- Acho que eu estou com pregui�a. � respondi, me ajeitando melhor no sof� e deitando a cabe�a no colo dela.
- Acho que chega de falar �acho�. Anda, levanta da� seu lento e vamos ao shopping.
- A , �to com pregui�a.
- Larga m�o de ser morto. Anda, levanta.
- �T� bom , �t� bom. Voc� venceu. Mas posso tomar um banho antes? � disse, me levantando do colo dela e ficando de p� a sua frente logo depois.
- Se voc� n�o demorar, pode.
- Eu n�o demoro. Ent�o escolhe uma roupa pra eu colocar enquanto eu tomo banho. � eu dizia subindo as escadas, com a logo atr�s de mim.
- Folgado.
Segui para o meu banho, enquanto ela escolhia uma roupa pra mim. Minutos depois, sa� do banheiro com a toalha enrolada nas pernas, e vi minha roupa em cima da cama e o quarto vazio. Me troquei r�pido e desci. Encontrei sentada no bra�o do sof�, de costas para a escada, procurando alguma coisa na bolsa dela. Desci lentamente sem fazer nenhum tipo de ru�do, e quando cheguei por tr�s dela, apertei bem sua cintura, puxando-a para tr�s como se fosse cair. Ela come�ou a gritar, eu coloquei-a sentada novamente e soltei-a, rindo descontroladamente dos berros de susto que ela tinha dado.
- N�o acredito que voc� fez isso. � disse, saindo do bra�o do sof� e ficando em p�.
- , voc� sabe que � brincadeira isso.
- N�o gosto desse tipo de brincadeira. � ela disse serrando um pouco os olhos e cruzando os bra�os.
- Voc� vai ficar bravinha, vai? � disse me aproximando um pouco dela e copiando o olhar levemente fechado que ela estava lan�ando sobre mim.
- Vou. E para de me imitar.
- Ah, mas esse seu olharzinho de brava � t�o lindo. � eu disse a imitando de novo.
- Voc� � um idiota .
- Eu sei, mas voc� me ama mesmo assim. � eu disse me gabando, fazendo-a soltar uma gargalhada gostosa.
- Vai sonhando, � Ela disse pegando a bolsa e andando at� a porta parando em frente a ela logo em seguida.
A segui indo de encontro a ela na porta, e seguimos para o shopping logo depois.


- Al�? ?
- Hum, oi . Tudo bom?
- Aham e voc�?
- To bem.
- Ta aonde mocinha? Liguei na sua casa e a sua m�e disse que voc� tinha sa�do.
- To aqui na avenida da escola com o Bru. Vem pra c�!
- Quem mais �ta ai?
- Eu, o Bru, a Vanessinha.. a um mont�o de gente. Vem pra c� beb�.
Ouvi alguns coment�rios de pessoas atr�s dela, e s� pelas respostas que ela deu, certamente ela se irritou.
- �Ta bom , to indo.
- Ta, tchau.
Ela desligou logo em seguida. Eu havia chegado a pouco da escola, nem havia tirado o uniforme ainda. Tirei-o colocando uma cal�a jeans, uma camiseta de manga longa e uma blusa de moletom bem quente. Peguei meu bon�, coloquei na cabe�a virado pra tr�s, peguei meu skate no canto do quarto e segui andando at� a avenida da escola. Hoje o dia n�o estava t�o frio quanto ontem, j� n�o nevava mais. O c�u continuava encoberto de nuvens, e aparentemente choveria no fim da tarde. Poucos minutos depois, eu cheguei � avenida, e devo dizer que tinha bastante gente pra uma tarde de segunda feira.
- E ai galera. � disse acenando pra todo mundo enquanto chegava.
Havia dois grupos de pessoas. Um onde estava alguns amigos meus que andam de skate, e mais algumas garotas, e outro onde a estava com o amigo gay dela, o Bruno, mais duas garotas e um menino sentado tocando viol�o enquanto elas cantavam e riam. Passei pelo primeiro grupo rapidamente e me sentei no banco ao lado da , dando um beijo na sua bochecha.
- Oi gente. � disse acenando para os outros que estavam ali tamb�m. Coloquei meu skate de baixo dos meus p�s, e passei meu bra�o direito por tr�s da . � t�o fazendo o que?
- Fofocando, cantando e fofocando. � disse rindo e encostando-se ao meu ombro.
- Bonito hein dona . � eu disse fazendo uma cara de repreens�o e todos ali perto riram.
- Culpa do Bruno.
- MINHA CULPA? A , voc� me paga.
A se soltou de mim e saiu correndo, seguida do Bruno. Ela ria descontroladamente e gritava por socorro com a voz falha pelo cansa�o e as risadas. Pouco tempo depois ela voltou e sentou ao meu lado de novo.
- Chega, cansei Bru.
- Voc� ainda vai levar � ele disse rindo.
Peguei meu skate e fui andar um pouco na rua em frente a eles, seguido dos meus amigos skatistas que estavam num grupo ao lado. Parei de andar, olhei pra e sorri.
- , vem aqui. � a La�s disse me chamando. A olhou pra mim j� serrando os olhos, e se virou para fofocar com o Bruno novamente. Aproximei-me da La�s, e essa j� veio agarrando o meu pesco�o. Abracei sua cintura com uma das m�os, j� que a outra estava segurando meu skate.
Ela me puxou para sentar num banco ao lado dela. Sentei, coloquei o skate em baixo dos p�s como da ultima vez, e ela me abra�ou sentada. Passei apenas um dos meus bra�os por tr�s dela, enquanto ela apoiava a cabe�a no meio peito. Olhei para a , que no mesmo momento havia olhado pra mim. Ela virou a cabe�a r�pido, se levantou com o Bruno a seguindo e sa�ram andando.
Minutos depois, eles voltaram. Sorri pra e antes mesmo que ela pudesse sorrir pra mim tamb�m ou simplesmente me ignorar, o celular dela come�ou a tocar. Ela o tirou do bolso da cal�a e deu um enorme berro.
�� ele Bru, � ele�, foi tudo o que eu realmente consegui ouvir antes de ela e o Bruno come�arem a berrar. Ela se afastou pra atender, e depois de um tempo voltou sorrindo. Sentou-se no banco, como antes, suspirando. Soltei-me da La�s e fui me aproximar dela. Sentei de um lado, e o Bruno sentou do outro logo em seguida.
- E ent�o o que ele disse? � Bruno perguntou, fazendo ela se sentar no banco de frente pra ele, e dando as costas pra mim.
- Ai Bru, ele me chamou pra sair. Sexta � ouvi outro longo suspiro, e tenho certeza de que ela estava sorrindo.
- Que fofo . Sexta promete ent�o? � Vanessa, outra amiga da M� que estava ali perguntou.
- Claro. � ela fez uma pausa e logo depois continuou � Gente acho que j� vou indo. � ela disse se levantando.
- Mas j� ? � disse me manifestando pela primeira vez desde que fui pro bando ao lado dela.
- �. To cansada e com fome. � ela disse rindo.
- Posso ir com voc�? � perguntei finalmente me manifestando.
- Ta, vamos logo.
Nos despedimos de todos e seguimos andando silenciosamente durante quase todo o caminho. Est�vamos nos aproximando da portaria do nosso condom�nio, quando um caminhoneiro passou e mexeu com a . Aproximei-me mais dela, passei meu bra�o por sua cintura e a puxei com for�a pra perto de mim.
- Que foi ? � ela perguntou preocupada. Fui soltando um pouco dela, mas sem tirar meu bra�o de tr�s das suas costas.
- Que foi? Voc� acha que eu vou deixar eles mexerem com voc�?
- Ah, n�o sei.
- O pr�ximo que fizer isso eu vou gritar �para de mexer com a minha mina �ae meu� e se ele descesse do caminh�o, eu quebrava ele.
- Ah t�. Da� voc� acordou, n�? � ela disse rindo � Se ele descesse, voc� ia correr e eu ia ficar sozinha aqui lutando com ele. Quem sabe eu n�o uso as minhas aulas de jud� de faixa preta?
- Voc� fazia jud�? � perguntei em duvida, ela nunca tinha me falado nada. � voc� nunca me contou nada.
- Que tipo de melhor amigo voc� � que n�o sabe que eu fazia jud� e era faixa preta? � ela disse aumentando um pouco o tom, me fazendo n�o entender nada.
- Eu.. a desculpa , eu realmente n�o sabia. � eu disse abaixando o rosto e ela come�ou a rir descontroladamente. - Que foi que voc� ta rindo?
- Voc�. Idiota, eu nunca fiz jud�. � ela dizia com uma voz dif�cil de entender por conta das risadas.
- , voc� me paga. � eu disse em tom de amea�a, ela se soltou de mim e come�ou a correr.
J� est�vamos na rua da casa dela. Ela corria, ria e gritava pra eu parar enquanto eu corria atr�s dela. Quando ela chegou ao port�o da casa dela, enfiou a m�o na bolsa r�pido para pegar a chave, mas eu cheguei a ela antes disso.
- te peguei. � sussurei em seu ouvido enquanto segurava firme sua cintura. Virei-a de frente pra mim e ela encostou as costas no port�o. Eu ainda mantinha minhas m�os firmes em sua cintura. Aproximei-me dela, colando nossas barrigas, e ela apoiou suas m�os sobre o meu peito. Eu n�o tinha id�ia do que estava fazendo, era mais forte do que eu. Ela foi deslizando suas m�os do meu peito em dire��o a minha nuca, e no mesmo instante um enorme barulho na constru��o ao lado nos fez sair desse enorme transe.
- eu.. eu vou entrar. � ela disse fazendo uma pausa e se soltando de mim lentamente. Me deu um beijo no rosto e entrou. Segui pra minha casa pensativo, tomei um longo banho, comi alguma coisa e fui dormir pensando em tudo o que tinha acontecido.



n/a: pra isinha, hihihi :) 1
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