Ela às vezes o olhava de longe. De longe ela o seguia com os olhos enquanto ele caminhava em Hogsmeade, parecia sentir sua falta...era reconfortante saber disso, embora não pudessem ficar juntos sempre seriam um do outro. Quando a guerra fosse vencida não haveria mais lado certo, haveria apenas um. Nada mais os separaria...talvez ele viesse a ser o pai do herdeiro, talvez mas ele ainda nem acabará Hogwarts, não era tempo pra se pensar nisso. Ainda, mas por que não? Quando tudo acabasse teriam tempo pra eles mesmos. Levaria muito tempo até que Tom quisesse passar o controle de todo aquele império para as mãos dela. Império que eles estavam construindo à base de sangue. Eles teriam muito tempo, recuperariam o tempo perdido...e talvez, quem sabe o herdeiro poderia assumir direto, sem que ela perdesse mais tempo de estar com ele.
Seria tão fácil se ele se aliasse...tão fácil...Fora difícil mas Voldemort poupara Sirius a pedido dela.
“Ele ainda vai dar muito trabalho, Hakeln...mas se você quer assim?!? Eu nunca aprendi a dizer não pra você...”
Ela sempre zelará por ele. Nenhum Comensal jamais ousara ataca-lo. Lúcio servira de exemplo, ele se metera em uma briga com Black e Hakeln tivera o prazer de tortura-lo por ter feito isso.
Hakeln ria ao se lembrar, quantas vezes mandara espiões tirarem fotos de Sirius. Havia dúzias em seu quarto. Para todo lugar que olhava, lá estava ele. Às vezes emburrado, principalmente quando ela voltava de alguma missão, outras alegre e serelepe quando ela estava triste. Era o que a fazia forte. Saber que se vencesse aquela guerra eles ficariam juntos. A saudade doía nesses momentos, ela o xingava, amaldiçoando o dia em que ele viu a marca negra em seu braço. Mas ela estava tão distraída que nem sentiu o braço arder. Tudo podia ter sido tão diferente...
Não que ela dormisse sozinha...muito pelo contrário, já tinha brincado com metade dos Comensais da Morte. Tom se desesperava com ela, mas como poderia censura-la se sua cama nunca amanhecia vazia?
“-Ele não se importa com você, Hakeln!! Ele nunca te amou!! Cada dia ele aparece com uma garota diferente!! Por que você não me dá uma chance?
-Por que você não é Sirius, Lúcio?!
-Hakeln, eu sou perfeito! Será que você não vê? – Lúcio então com uma voz venenosa disse – Talvez se eu falasse com Tom, ele pudesse dar um jeito de você esquecer aquele brutamontes, garanto que ele seria a favor de um casamento nosso...
-Lúcio, esse é o seu problema!!! Você nunca faz nada pelos outros só por si. Seu nojento, você não se importa comigo, você não gosta de mim. Saia já daqui, não adianta Lúcio, nem mesmo se casando comigo Voldemort lhe dará mais poder! Você terá que merece-lo!!
Ela saiu porta fora indo para o seu quarto, ninguém entendia, ninguém. Nenhum daqueles que a rodeavam tinha a mínima idéia do que ela estava passando. Chegou a pensar em deixas as trevas por ele, mas foi só uma idéia passageira...ela o amava mesmo estando em lados contrários, ele também deveria ama-la sem se importar com isso.
Eu deixei tudo por uma causa, talvez se...não!! Chega!! Chega de me torturar!!! O que está feito, está feito!! Não posso deixar de fazer o que gosto. É o meu destino, nasci para ser a Senhora das Trevas, ele não aceita...um dia aceitará...
Somos mais do que mil, somos um. Temos poder pra fazer o que quisermos...somos os mensageiros das trevas...
Uma lágrima correu pelo rosto Hakeln, a primeira de muitas.
-...Me beija!
-Aqui? Agora??
-Sim...
Maldita fosse ela, como tivera a ousadia de rouba-lo?? O que mais doía em ver os dois juntos era saber que Sirius realmente amava aquela Auror nojenta...saber que o tinha perdido pra sempre. Ela sabia que Scarlett poderia dar a ele tudo que ela não pudera. Era por isso que a odiava, a odiava por saber que Sirius sempre a compararia com ela pensando o quanto aquele projeto de mulher era superior a ela.
Maldita, maldita ela mesma também. Estava disfarçada em uma outra mulher (poção polissuco) esperava um informante. Maldita por não se levantar daquela cadeira e dizer pra ele o quanto o amava. Maldita por estar do lado certo da guerra.
Ela olhava-o no julgamento. Após quinze anos pensando nele finalmente o revia, mas ela estava lá também. Aquele projeto de mulher que o mandara para Azkaban, e que mesmo assim ele continuava amando. Ela podia ler seus olhos, como sempre fizera desde que eram jovens. Sirius continuava tão belo, quanto naquele dia, vinte anos atrás quando os dois perderam a virgindade juntos, quando haviam feito amor pela primeira vez.
Acontecesse, o que acontecesse ele sempre se lembraria dela. A primeira mulher que amou.
Nossa primeira vez foi juntos...ninguém mudará isso. Ele sempre lembrará disso até o fim. Ela brincava com a pena e o olhava...era tudo que podia...mas quem sabe um dia poderiam ficar juntos?
Os olhos dele não traziam mais o brilho que ela já conhecia também. Eram olhos de desespero, de medo diante do destino que o aguardava. Mas não importa o que acontecesse...Ela sempre o protegeria, sempre.