Cartucho é o conjunto do projétil e os componentes necessários para lançá-lo, no disparo.
Munição é o conjunto de cartuchos necessários ou disponíveis para uma arma ou uma ação qualquer em que serão usadas armas de fogo.
O cartucho para arma de defesa contém um tubo oco, geralmente de metal, com um
propelente no seu interior; em sua parte aberta fica preso o projétil e na sua
base encontra-se o elemento de iniciação. Este tubo, chamado estojo, além de
unir mecanicamente as outras partes do cartucho, tem formato externo apropriado
para que a arma possa realizar suas diversas operações, como carregamento e
disparo.
O projétil é uma massa, em geral de liga de chumbo, que é arremessada a
frente quando da detonação, é a única parte do cartucho que passa pelo cano
da arma e atinge o alvo.
Para arremessar o projétil é necessária uma grande quantidade de energia, que
é obtida pelo propelente, durante sua queima. O propelente utilizado nos
cartuchos é a pólvora, que, ao queimar, produz um grande volume de gases,
gerando um aumento de pressão no interior do estojo, suficiente para expelir o
projétil.
Como a pólvora é relativamente estável, isto é, sua queima só ocorre quando
sujeita a certa quantidade de calor; o cartucho dispõe de um elemento
iniciador, que é sensível ao atrito e gera energia suficiente para dar início
à queima do propelente. O elemento iniciador geralmente está contido dentro da
espoleta.
Um cartucho completo é composto de:
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1 - projétil
2 - estojo 3 - propelente 4 - espoleta |
1 - Projétil
Projétil é qualquer sólido que pode ser ou foi arremessado, lançado. No universo das armas de defesa, o projétil é a parte do cartucho que será lançada através do cano.
O projétil pode ser dividido em três partes:

Ponta: parte superior do projétil, fica quase sempre exposta, fora do estojo;
Base: parte inferior do projétil, fica presa no estojo e está sujeita à ação dos gases resultantes da queima da pólvora.
Corpo: cilíndrico, geralmente contém canaletas destinadas a receber graxa ou para aumentar a fixação do projétil ao estojo.
Projéteis de Chumbo
Como o nome indica, são projéteis construídos exclusivamente com ligas desse
metal.
Podem ser encontrados diversos tipos de projéteis, destinados aos mais diversos
usos, os quais podemos classificar de acordo com o tipo de ponta e tipo de base.
Tipos de pontas:
Ogival:
uso geral, muito comum;
Canto-vivo:
uso exclusivo para tiro ao alvo; tem carga reduzida e perfura o papel de forma
mais nítida;
Semi
canto-vivo: uso geral;
Ogival
ponta plana: uso geral; muito usado no tiro prático (IPSC) por provocar menor número
de "engasgos" com a pistola;
Cone
truncado: mesmo uso acima.
Semi-ogival:
também muito usado em tiro prático;
Ponta
oca: capaz de aumentar de diâmetro ao atingir um alvo humano (expansivo),
produzindo assim maior destruição de tecidos.
Projéteis
encamisados
São projéteis construídos por um núcleo recoberto por uma capa externa
chamada camisa ou jaqueta. A camisa é normalmente fabricada com ligas metálicas
como: cobre e níquel; cobre, níquel e zinco; cobre e zinco; cobre, zinco e
estanho ou aço. O núcleo é constituído geralmente de chumbo praticamente
puro, conferindo o peso necessário e um bom desempenho balístico.
Os projéteis encamisados podem ter sua capa externa aberta na base e fechada na
ponta (projéteis sólidos) ou fechada na base e aberta na ponta (projéteis
expansivos). Os projéteis sólidos têm destinação militar, para defesa
pessoal ou para competições esportivas. Destaca-se sua maior capacidade de
penetração e alcance.
Os projéteis expansivos destinam-se à defesa pessoal, pois ao atingir um alvo
humano é capaz de amassar-se e aumentar seu diâmetro, obtendo maior capacidade
lesiva. Esse tipo de projétil teve seu uso proibido para fins militares pela
Convenção de Genebra.
Os projéteis expansivos podem ser classificados em totalmente encamisados (a
camisa recobre todo o corpo do projétil) e semi-encamisados (a camisa recobre
parcialmente o corpo, deixando sua parte posterior exposta. Os tipos de pontas e
tipos de bases são os mesmos que os anteriormente citados para os projéteis de
chumbo.
2 - Estojo
O estojo é o componente de união mecânica do cartucho, apesar de não ser
essencial ao disparo, já que algumas armas de fogo mais antigas dispensavam seu
uso, trata-se de um componente indispensável às armas modernas. O estojo
possibilita que todos os componentes necessários ao disparo fiquem unidos em
uma peça, facilitando o manejo da arma e acelera o intervalo em cada disparo.
Atualmente a maioria dos estojos são construídos em metais não-ferrosos,
principalmente o latão (liga de cobre e zinco), mas também são encontrados
estojos construídos com diversos tipos de materiais como plásticos (munição
de treinamento e de espingardas), papelão (espingardas) e outros.
A forma do estojo é muito importante, pois as armas modernas são construídas
de forma a aproveitar as suas características físicas.
Para fins didáticos, o estojo será classificado nos seguintes tipos:
Quanto à forma do corpo:

Cilíndrico: o estojo mantém seu diâmetro por toda sua extensão;
Cônico: o estojo tem diâmetro menor na boca, é pouco comum; e
Garrafa: o estojo tem um estrangulamento (gargalo).
Cabe ressaltar que, na prática, não existe estojo totalmente cilíndrico, sempre haverá uma pequena conicidade para facilitar o processo de extração.
Os estojos tipo garrafa foram criados com o fim de conter grande quantidade de pólvora, sem ser excessivamente longo ou ter um diâmetro grande. Esta forma é comumente encontrada em cartuchos de fuzis, que geram grande quantidade de energia e, muitas vezes, têm projéteis de pequeno calibre.
Quanto aos tipos de base:

Com aro: com ressalto na base (aro ou gola);
Com semi-aro: com ressalto de pequenas proporções e uma ranhura(virola);
Sem aro: tem apenas a virola; e
Rebatido:A base tem diâmetro menor que o corpo do estojo.
A base do estojo é importante para o processo de carregamento e extração, sua forma determina o ponto de apoio do cartucho na câmara ou tambor (headspace), além de possibilitar a ação do extrator sobre o estojo.
Quanto ao tipo de iniciação:
Fogo
Circular:A mistura detonante é colocada no interior do estojo, dentro do aro, e
detona quando este é amassado pelo percursor;
Fogo
Central:A mistura detonante está disposta em uma espoleta, fixada no centro da
base do estojo.
Cabe lembrar que alguns tipos de estojos nos diversos itens da classificação
dos estojos não foram citados por serem pouco comuns e não facilitarem o
estudo.
3 - Propelente
Propelente ou carga de projeção é a fonte de energia química capaz de
arremessar o projétil a frente, imprimindo-lhe grande velocidade. A energia é
produzida pelos gases resultantes da queima do propelente, que possuem volume
muito maior que o sólido original. O rápido aumento de volume de matéria no
interior do estojo gera grande pressão para impulsionar o projétil.
A queima do propelente no interior do estojo, apesar de mais lenta que a
velocidade dos explosivos, gera pressão suficiente para causar danos na arma,
isso não ocorre porque o projétil se destaca e avança pelo cano, consumindo
grande parte da energia produzida.
Atualmente, o propelente usado nos cartuchos de armas de defesa é a pólvora química
ou pólvora sem fumaça. Desenvolvida no final do século passado, substituiu
com grande eficiência a pólvora negra, que hoje é usada apenas em velhas
armas de caça e réplicas para tiro esportivo. A pólvora química produz pouca
fumaça e muito menos resíduos que a pólvora negra, além de ser capaz de
gerar muito mais pressão, com pequenas quantidades.
Dois tipos de pólvoras sem fumaça são utilizadas atualmente em armas de defesa:
Pólvora de base simples: fabricada a base de nitrocelulose, gera menos calor durante a queima, aumentando a durabilidade da arma; e
Pólvora de base dupla: fabricada com nitrocelulose e nitroglicerina, tem maior conteúdo energético.
O uso de ambos tipos de pólvora é muito difundido e a munição de um mesmo calibre pode ser fabricada com um ou outro tipo.
4 - Espoleta
A espoleta é um recipiente que contém a mistura detonante e uma bigorna,
utilizado em cartuchos de fogo central.
A mistura detonante, é um composto que queima com facilidade, bastando o atrito
gerado pelo amassamento da espoleta contra a bigorna, provocada pelo percursor;
A queima dessa mistura gera calor, que passa para o propelente, através de
pequenos furos no estojo, chamados eventos.
Os tipos mais comuns de espoletas são:
Boxer:
muito usada atualmente, tem a bigorna presa à espoleta e se utiliza de apenas
um evento central, facilitando o desespoletamento do estojo, na recarga;
Berdan:
utilizada principalmente em armas de uso militar, a bigorna é um pequeno
ressalto no centro da base do estojo estando a sua volta dois ou mais eventos; e
Bateria:
utilizada em cartuchos de caça, tem a bateria incorporada na espoleta de forma
a ser impossível cair, facilitando o processo de recarga do estojo.
Outros tipos de espoletas
foram fabricados no passado, mas hoje são raros de serem encontrados.