| COMO SURGIU A L�NGUA PORTUGUESA? Por: jaime nunes mendes O portugu�s, assim como o castelhano, o franc�s, o italiano, o proven�al, o catal�o, o r�tico, o sardo, o dalm�tico, o franco-proven�al, o gasc�o e o romeno s�o o resultado de uma lenta transforma��o, ao longo dos s�culos, de um outro idioma, o latim, que era falado no L�cio, regi�o da Pen�nsula It�lica, onde ficava a antiga cidade de Roma. Todas essas l�nguas nasceram do chamado latim vulgar (sermo plebeius), uma das tr�s variedades da l�ngua romana. Falado por pastores, camponeses, comerciantes e soldados, o latim vulgar caracterizava-se por ser um dialeto simples, grosseiro, sem a eleg�ncia e a pureza vocabular do latim cl�ssico (sermo urbanus). � medida que o Imp�rio Romano estendia o seu dom�nio sobre outras regi�es, o latim vulgar sofria a influ�ncia das l�nguas dos povos conquistados. Assim, aos poucos, o sermo plebeius foi se modificando, e, com a invas�o dos povos b�rbaros e a queda do �ltimo imperador romano, R�mulo Aug�stulo, o latim fragmentou-se, dando origem �s chamadas l�nguas neolatinas ou rom�nicas, sendo a L�ngua Portuguesa uma delas. O primeiro documento liter�rio escrito no idioma portugu�s surgiu a partir do s�culo XII, quando havia o predom�nio da l�ngua falada. A seguir, observe um trecho do cap�tulo primeiro do livro de G�nesis, extra�do de um manuscrito pertencente ao Mosteiro de Alcoba�a, do s�culo XIV. Note-se que muitos termos e constru��es sofreram profundas transforma��es ou nem sequer existem no portugu�s moderno: �Eno come�o criou Deus o ceeo, e a terra, convem a saber, o ceeo empireo, e os angos, e a materia de todolos corpos, e os quatro elementos, convem a saber, o fogo, e o aar, e a augua, e a terra, e este mundo, que parece, que he feito deles. Mas a terra era v�a e vazia, quer dizer, que a feitura do mundo era sem proveito, e sem fruito, e desapostada. E as treevas eram sobre a face do avisso, que h� a terra, e a feitura do mundo, que era profunda, e escura, e confunduda. E o Spirito do Senhor andava sobre as auguas, quer dizer, que a voontade de Deus andava sobela materia do mundo, assi como a voontade do meestre, que tem ante si a materia, de que quer fazer a casa. E disse Deus, seja feita a luz, e logo foi feita a luz, e vio Deus a luz que era boa, e departiu a luz, e as treevas, e pos nome aa luz dia, e aas treevas noite, e foi feito vespera e manh�a huu dia� (Fonte: Megale, Heitor. O Pentateuco da B�blia Medieval Portuguesa. EDUC e Imago Editora. S�o Paulo, 1992). ...P�gina anterior |
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