| COMO ERA A L�NGUA PORTUGUESA ANTIGAMENTE? Por: jaime nunes mendes O primeiro documento liter�rio escrito no idioma portugu�s surgiu a partir do s�culo XII, quando havia o predom�nio da l�ngua falada. A cantiga, a seguir, � considerada o marco inicial da literatura portuguesa. Foi escrita por Paio Soares de Taveir�s, provavelmente em 1198, em homenagem � ribeirinha Maria Ribeiro. Note que muitos termos e constru��es sofreram profundas transforma��es ou nem existem no portugu�s moderno: No mundo non me sei parelha, mentre me for como me vai, ca j� moiro por v�s - e ai! mia senhor branca e vermelha, queredes que vos retraia quando vos eu vi en saia! Mau dia me levantei, que vos enton non vi fea! E, mia senhor, d�s aquel dia�ai! me foi a mi mui mal, e v�s, filha de don Paai Moniz, e ben vos semelha d�haver eu por v�s guarvaia, pois eu, mia senhor, d�alfaia nunca de v�s houve nen hei valia d�ua correa. 2 A partir do s�culo XVI, com as obras de Lu�s Vaz de Cam�es, especificamente Os Lus�adas, de 1572, a L�ngua Portuguesa se uniformiza e adquire as caracter�sticas atuais. O soneto seguinte, desse mesmo autor, remonta a uma passagem b�blica que narra a hist�ria de Jac� e de seu amor pela filha de Lab�o, Raquel. Observe: Sete anos de pastor Jacob servia Lab�o, pai de Raquel, serrana bela; Mas n�o servia ao pai, servia a ela, E a ela s� por pr�mio pretendia. Os dias, na esperan�a de um s� dia, Passava, contentando-se com v�-la; Por�m o pai, usando de cautela, Em lugar de Raquel lhe dava Lia. Vendo o triste pastor que com enganos Lhe fora assim negada a sua pastora, Como se a n�o tivera merecida, Come�a de servir outros sete anos, Dizendo: - Mais servira, se n�o fora Para t�o longo amor t�o curta a vida! Todas as l�nguas passam por um processo de evolu��o cont�nua. Ningu�m pode garantir que o portugu�s falado hoje ser� exatamente o mesmo daqui a cem anos! Como exemplo, observe, a seguir, um trecho do cap�tulo primeiro do livro de G�neses, escrito em tr�s diferentes per�odos. O primeiro texto, datado do s�culo XIV, foi extra�do de um manuscrito pertencente ao Mosteiro de Alcoba�a. O segundo, refere-se a uma tradu��o da B�blia para o portugu�s, do final do s�culo XIX. No terceiro, encontramos a l�ngua usada nos dias atuais. TEXTO I - S�CULO XIV �Eno come�o criou Deus o ceeo, e a terra, convem a saber, o ceeo empireo, e os angos, e a materia de todolos corpos, e os quatro elementos, convem a saber, o fogo, e o aar, e a augua, e a terra, e este mundo, que parece, que he feito deles. Mas a terra era v�a e vazia, quer dizer, que a feitura do mundo era sem proveito, e sem fruito, e desapostada. E as treevas eram sobre a face do avisso, que h� a terra, e a feitura do mundo, que era profunda, e escura, e confunduda. E o Spirito do Senhor andava sobre as auguas, quer dizer, que a voontade de Deus andava sobela materia do mundo, assi como a voontade do meestre, que tem ante si a materia, de que quer fazer a casa. E disse Deus, seja feita a luz, e logo foi feita a luz, e vio Deus a luz que era boa, e departiu a luz, e as treevas, e pos nome aa luz dia, e aas treevas noite, e foi feito vespera e manh�a huu dia� (Fonte: Megale, Heitor. O Pentateuco da B�blia Medieval Portuguesa. EDUC e Imago Editora. S�o Paulo, 1992). TEXTO II - S�CULO XIX �No principio creou Deus os c�us e a terra. E a terra era sem f�rma e vasia; e havia trevas sobre a face do abysmo: e o Espirito de Deus se movia sobre a face das aguas. E disse Deus: Haja luz: e houve luz. E viu Deus que era boa a luz: e fez Deus separa��o entre as luz e as trevas. E Deus chamou � luz Dia; e �s trevas chamou Noite. E foi a tarde e a manh�, o dia primeiro� (Fonte: A BIBLIA SAGRADA. Edi��o de 1898. Dep�sito de Literatura Sagrada. Lisboa, 1892). TEXTO III - ATUALMENTE �No princ�pio criou Deus os c�us e a terra. E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Esp�rito de Deus se movia sobre a face das �guas. E disse Deus: Haja luz. E houve luz. E viu Deus que era boa a luz; e fez Deus separa��o entre a luz e as trevas. E Deus chamou � luz Dia; e �s trevas chamou Noite. E foi a tarde o a manh� o dia primeiro� (A B�BLIA SAGRADA. Sociedade B�blica do Brasil, edi��o corrigida. S�o Paulo, 1992). Voc� deve ter notado que as modifica��es n�o foram apenas de ordem morfol�gica; tamb�m ocorreram mudan�as fon�ticas e sint�ticas. Tais fatos s�o provas incontest�veis de que a l�ngua jamais p�ra no tempo. ...VOLTAR |