| O AMOR � REALMENTE CEGO? Por: jaime nunes mendes �Pode-se amar at� � loucura uma mulher feia, por encantos que superam os encantos da beleza� - (Jan Paulhan). N�o acredito nesta hist�ria de que o amor � cego. Ele at� pode se passar por m�ope; cego, por�m, nunca foi nem h� de querer ser. Mas, ent�o, como explicar o fato de, por exemplo, um homem tido como bonito apaixonar-se pela mulher mais feia da vila? Ou o contr�rio: uma linda mulher amar loucamente o cara mais rid�culo da cidade? Bem. N�o consultarei os oftalmologistas para obter a resposta. Tamb�m n�o irei a Freud. Darei apenas a minha opini�o. Que haja algu�m que discorde, n�o duvido, mas, v� l�, opini�es s�o opini�es. Cada um tem a sua. Eu tenho a minha. A quest�o, creio eu, deve ser analisada dentro dos mais estreitos par�metros da lucidez. Quando se age apenas pela vaga emo��o, fazer sexo, por exemplo, torna-se sempre fazer amor; aproveitar-se de uma mulher � dar-lhe prazer; a trai��o � um simples deslize ou fraqueza da carne; viver entre tapas-e-beijos, �dio e desejos, � algo muito normal entre um casal que se ama. Agora, quando deixamos a emo��o de lado e, com o cora��o no c�rebro analisamos o fato, a realidade se faz t�o evidente quanto a claridade para o que enxerga. Dessa forma, fazer sexo por fazer e fora dos planos de Deus, nada mais � do que uma n�tida demonstra��o de ego�smo; aproveitar-se dos sentimentos de uma mulher, � auto-satisfa��o centrada apenas no eu do aproveitador; a trai��o, longe de ser uma fraqueza, � falta de car�ter, ou mais que isso, � uma imbecilidade; viver um casal em constantes brigas, em vez de ser um aquecimento para o quem vem depois, � falta de di�logo e, portanto, sinal de que algo est� errado entre eles. Em suma: h� um abismo de diferen�as entre o sentido e a raz�o, entre a pele e o cora��o. Escrevi tudo isso para dizer que o amor n�o � cego. Ora, o amor � cego para aqueles que, pela sensibilidade do sentido, deixa-se envolver por algo que, quase sempre, n�o � o que est� dentro da pessoa. Qui�� a apar�ncia f�sica, talvez a lisonja, ou, quem sabe, o anseio por uma vida materialmente estabilizada. Cego? N�o! O amor v� melhor do que o mais eficiente telesc�pio. Sim, ele � capaz de enxergar algo at� mesmo na profunda escurid�o do cora��o humano. Cego � a paix�o desmedida, que v� pelo tato, que enxerga pela emo��o moment�nea. Cego s�o os sentimentos que nascem de um olhar soberbo ou de uma menta lasciva. Mas, e quando o amor � m�ope? Quando deixamos passar despercebido aquilo que fora dele nos magoaria facilmente; quando relevamos as faltas do outro, com as quais pessoalmente n�o concordar�amos; quando vemos como que por nuvens espessas aquilo que na pessoa os outros consideram falha. O amor nunca foi cego. Cego, como disse algu�m, � aquele que n�o quer v�. ...VOLTAR |
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