A origem do mal e do sofrimento

Ao longo da sua hist�ria o homem tem sempre se deparado com d�vidas e questionamentos que para alguns s�o insond�veis, ao passo que outros assumem posturas extremamente simplistas ou imediatistas. Dentre os grandes questionamentos do homem, h� alguns que fazem parte do nosso cotidiano, como: "Qual a origem dos males da vida ?" ou "Qual a raz�o do sofrimento humano ?". E n�s que somos crist�os poder�amos ainda perguntar: "Se Deus � amor, como disse o ap�stolo Jo�o (I Jo 4:16) e bom para todos, como disse Davi (Sl 145:9), por que permite o mal e o sofrimento humano ?".

� antiga a cren�a de que todo mal que nos acontece � conseq��ncia direta do nosso pecado pessoal, contudo, essa cren�a n�o tem base b�blica e os pr�prios disc�pulos de Jesus que j� naquela �poca pensavam assim, foram por Ele corrigidos e ensinados. Vejamos Jo 9:1-3: "Caminhando Jesus viu um homem cego de nascen�a. E os seus disc�pulos perguntaram: Mestre, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego? Respondendo-lhes Jesus: Nem ele pecou nem seus pais; mas foi para que se manifestem nele as obras de Deus."

Fica evidente aqui que nem todo mal que nos acontece, como aquela cegueira cong�nita citada, � decorrente do nosso pecado, e ainda mais, neste texto Jesus acaba com toda especula��o sobre maldi��o heredit�ria, assunto que tanta confus�o tem causado entre o povo de Deus. Tamb�m em Lc 13:1-9 a b�blia nos mostra que j� naquela �poca, grandes cat�strofes como a queda do jato da TAM, despertavam entre o povo todo tipo de especula��o a respeito da origem destes acontecimentos e muitos, na falta de explica��o melhor, atribu�am o ocorrido ao pecado ou a falta de comunh�o com Deus daqueles que pereciam. Mas Jesus, mais uma vez nos ensina que aqueles galileus que Pilatos matou violentamente ou os 18 sobre os quais desabou a torre de Silo� n�o eram mais pecadores ou culpados por terem sofrido estas coisas, e Jesus afirma que o que realmente importa na nossa vida � o nosso verdadeiro arrependimento e a certeza de que tudo que nos acontece � para que se manifestem em n�s as obras de Deus. Tudo que nos acontece � para que o mundo veja a verdadeira diferen�a que h� entre o que serve a Deus e o que n�o serve e esta diferen�a n�o est� nem em desastres nem em livramentos, mas est� no nosso arrependimento e na manifesta��o das obras de Deus em n�s.

Tamb�m em Ec 9:1-6,11-12, a b�blia nos mostra que todos estamos sujeitos �s mesmas adversidades, mas tudo est� nas m�os de Deus.

Quais s�o ent�o as causas do sofrimento? � verdade que todo sofrimento entrou no mundo com a queda do homem na sua desobedi�ncia e neste momento a terra foi amaldi�oada, com suor de seu rosto Ad�o teria que extrair da terra seu sustento, nasceram tamb�m as pestes e os espinhos e a mulher tamb�m com sofrimento e dor passaria a dar � luz (Gn 3:16-19). Mas muitas vezes o nosso sofrimento tem origem em escolhas erradas que fazemos, �s vezes sofremos pelos erros dos outros, �s vezes s�o cat�strofes naturais (terremotos, inunda��es) que atingem igualmente a todos, �s vezes h� o sofrimento pela causa de Cristo e outras vezes � conseq��ncia da disciplina de Deus sobre n�s, porque Deus corrige a quem ama (Hb 12:6).

Alguns dizem que sofrem porque est�o pagando aqui pelos seus erros do passado, mas se isto fosse verdade, o bom sempre prosperaria e o mau sempre sofreria, mas a verdade � que a b�blia nos diz que o ju�zo de Deus n�o � agora, pois um dia todos n�s estaremos diante do trono do Cordeiro e l� ent�o teremos retribui��o pelas nossas obras.

A vit�ria contra o sofrimento n�o acontece apenas quando ele acaba, mas ela se manifesta no memento em que ele n�o tem mais efeito destruidor sobre a nossa mente e o nosso esp�rito. Quais s�o ent�o as sa�das do sofrimento ? Arrependimento verdadeiro, ora��o para que o contato com Deus produza em n�s conforto e refrig�rio da alma, entrega total das nossas vidas a Jesus para que n�o vivamos mais n�s, mas Ele habite em n�s pela f� e ter sempre a mente ocupada com tudo que � bom e perfeito (Fp 4:8-9). Desta forma poderemos contemplar o fim de todos os sofrimentos da mesma maneira que o ap�stolo Jo�o contemplou novo c�u e nova Terra, e o tabern�culo de Deus com os homens onde n�o haver� l�grimas nem dor, porque a morte j� n�o existir�. (Ap 21:1-8)

Mauricio Lopes Fortunato

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