Histórias O papel dos animais de estimação

Autor: Hideki



Na Clínica Médica de pequenos animais temos uma frase muito sábia que diz: "O paciente é reflexo de seu proprietário". Quantas vezes não nos deparamos com casos em que o cãozinho nervoso e elétrico apresenta um quadro de gastrite crônica e ao tentar conversar com seu proprietário nos deparamos com uma pessoa visivelmente estressada e nervosa? Da próxima vez que estiver fazendo a anamnese de um paciente com suspeita de quadros semelhantes, só por curiosidade pergunte se alguém na família também apresenta o mesmo problema.

Casos de pseudociese (a famosa gravidez psicológica) pode ser desencadeada por diversos fatores, mas um especialmente intrigante é o que surge quando uma cadela sexualmente madura, encontra-se em uma casa em que uma gravidez festejada e um bebê ansiosamente esperado acabam em abortamento. Também bastante comum é encontrar animais obesos que pertençam a pessoas obesas.

Hoje em dia a criação de cães da raça Pit Bull Terier por moda diminuiu bastante, aumentando-se o número de pessoas que realmente gostem da raça e que as criem por apreciá-la. Entretanto, se tivermos como voltar no passado e buscar as origens desta ração, veremos que não são os animais que lhe deram origem os responsáveis por sua agressividade, mas sim, aqueles que fizeram a seleção: o ser humano. Por isso não devemos ser contra essa ou aquela raça, mas sim, ser contra a criação descontrolada e a guarda desses animais por pessoas irresponsáveis.

Uma pesquisa feita nos Estados Unidos e publicada em 1976, mostrou três tipos de atitudes comuns aos proprietários de felinos:

- pouco envolvimento (59%): escolhiam oos gatos como animais de estimação devido à baixa exigência de atenção por parte destes animais. Para eles a companhia dos gatos não era valorizada e havia pouca ligação afetiva;
- objeto valioso (21%): tinham como preeocupação as qualidades raciais do animal e orgulhavam-se das características de seus gatos, sendo muito preocupados com o registro de seus animais e de seus pais;
- grande ligação emocional (20%): para eles o afeto por seus animais estavam em primeiro lugar.

A mesma pesquisa foi feita com os proprietários de cães onde foram encontrados cinco tipos de atitudes:

- de companheirismo (27%) e entusiásticca (27%): ambos os grupos relatam importantes benefícios psicológicos devido a seus animais e os consideram membros da família. O segundo grupo possui maior envolvimento com seus cães do que o primeiro;
- de preocupação (24%): preocupam-se coom os males que seus animais podem causar a pessoas ou a patrimônios. Não há aqui uma relação de companheirismo;
- de objeto valioso (19%): mantêm seus animais pelo valor que possuem, embora possam ter envolvimento emocional com eles;
- de insatisfação (19%): para eles os aanimais são uma inconveniência.

Em ambo os casos (proprietários de cães e de gatos) essas classificações não são fixas, sendo que um proprietário pode passar de uma categoria para outra ao longo do tempo.

Crianças que crescem junto com seus animais de estimação criam vínculos fortes e estáveis com seus animais, além de adquirirem um senso de responsabilidade maior, pois compreender a importância de se cumprir com suas obrigações. Os animais também ajudam a melhorar a saúde daqueles que com eles convivem, especialmente no caso de cães, que precisam passear e se exercitar.

Os motivos para se adquirir um animal de estimação e a sua função variam de acordo com a idade, a raça e os interesses dos proprietários. Raças criadas como animais de alarme, animais de ataque, pastoreio, etc são muito apreciadas para guarda de patrimônios e residências, embora nada impeça que tais animais sejam criados para outros fins. A companhia não crítica, tem sido descrita como um dos motivos da presença de algum animal. Por não julgarem o proprietário por sua condição social, financeira, constituição física, etc, acabam por melhorar a auto-estima da pessoa (ao menos por algum tempo). Tais pessoas devem procurar auxílio de um Psicólogo ou Psiquiatra.

Embora muitas pessoas tenham como motivo inicial para a aquisição de um animal de estimação, a ausência ou falecimento de um ente querido, ou mesmo a solidão, as relações com animais são únicas e intrinsecamente diferentes das relações com outros seres humanos, não devendo ser tomados como relações análogas.

A interação de pessoas tímidas com as outras pessoas pode ser facilitada pelos animais. É bastante incomum um adulto se aproximar de outro (desconhecido) e iniciar uma conversa, mas não é muito difícil se aproximar de um filhote, por exemplo, fazer-he um carinho e até conversar como fazemos com crianças. Além disso, pessoas com gosto em comum por animais (ou por alguma coisa de que goste) nunca ficam sem assunto, ao menos não por alguma horas. Durante algum tempo pensou-se que aqueles que apreciavam a companhia de algum tipo de animal, não tivessem o mesmo interesse pela companhia humana, além de serem psicologicamente menos saudáveis. Tal tese foi derrubada, demonstrando-se exatamente o oposto Um estudo feito na Suécia em 1976 mostrou que 63% dos proprietários de cães acreditavam que seus animais os ajudavam a iniciar uma interação com outras pessoas. Pessoas que interagem mais freqüentemente com seus animais apresentam um desejo significativamente maior de se relacionar com as outras pessoas em relação aos que não possuem animais de estimação.

É interessante observar que muitos homens acabam por ignorar o lado machista quando estão com algum animal que apreciem, onde podem ser vistos brincando, afagando, conversando e até mesmo chorando nos momentos em que se encontrem fragilizados.

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