Resposta Casos Clínicos

Autor: Marcell Hideki



Emergência

Interpretação: Os sinais clínicos predominantes relacionam-se a hemorragias e distúrbios de coagulação, entretanto são bastante vagas e não específicas para uma patologia em particular. O diagnóstico diferencial deve ser feito entre as seguintes patologias:

- Intoxicação por rodenticidas;
- Gastrenterite hemorrágica;
- Ingestão de material pérfuro-cortantte (alimento contendo cacos de vidros moído, por exemplo);
- Hapatopatias;
- Trombocitopenia imunomediada;
- Distúrbios de coagulação hereditárioos;
- Esplenorragia;
- Insuficiência renal crônica;
- Ricketsioses (Ehrliquia canis>; E. platys; Ricketsia ricketsii)

A vacinação em dia (V8 ou V10) reduzem em muito as chances de uma gastroenterite (parvivore, cinomose, coronavirose) e mesmo de leptospirose. A vermifugação em dia reduz as chances de uma anemia parasitária. O que mais chama a atenção na anamnese é o fato da presença de vizinho cinófobo (aversão a cães) e o acesso a ambiente externo da residência por parte do paciente, o que poderia sugerir ingestão de material pérfuro-cortante e/ou rodenticidas. Exame físico compatível com desidratação e perda sangüínea.

Os baixos valores do hematócrito, hemoglobina, proteínas plasmáticas e hamácias sugerem um sangramento associado a desidratação (confirmado pelo exame físico - desidratação em 7%). Os valores reduzidos de proteínas plasmáticas, sugerem também perda ou redução de sua produção. As provas de função renal e função hepática descartam qualquer possibilidade de serem as causas de redução na produção e perda de proteínas respectivamente.

O TP e o TTPA aumentados indicam um distúrbio envolvendo tanto a via intrínseca quanto a via extrínseca da coagulação, levando a uma forte suspeita de redução da produção dos fatores de coagulação. A ausência de alterações radiológicas descartam a possibilidade de um objeto perfuro cortante, exceto quando de dimensões reduzidas, como cacos de vidros moído. Hematoquezia, epistaxe e gengivorragia reforçam a suspeita de perda sangüinea persistente. A esplenorragia cusaria maiores complicações e provavlemente sinais de choque hipovolêmico pela perda maciça de sangue, além de abdômen aumentado de volume, descartando sua possibilidade (uma punção abdominal pode ser realizada para descartar a possibilidade nos casos de dúvidas).

Levando-se em consideração a baixa concentração de proteínas e linfócitos em nivel normais, não há motivos para se considerar a trombocitopenia imunomediada. Sendo as coagulopatias hereditárias enfermidades raras, o diagnóstico foi fechado.

Diagnóstico: intoxicação por rodenticida.

Tratamento:

Fluidoterapia: solução fisiológica (NaCl 0,9%) 0,75ml/minuto via IV (volume/minuto calculado para o caso em questão);

Medicamento: fitomenadiona 3,4ml (5mg/Kg) SC. Repetição do TP 4 horas após a primeira dose. Resposta favorável à terapêutica adotada.

Tratamento de manutenção: fitomenadiona 2,0ml (3mg/Kg) BID SC por 30 dias. Redução da dose em 50% por semana, monitorando-se o TP (repetido 3 dias após a suspensão do uso do medicamento). Todos os resultados foram favoráveis no caso.

O paciente encontra-se bem, recuperado e o proprietário foi orientado para evitar a exposição de seu animal a pessoas estranhas na vizinhança sem supervisão.

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