A alimentação dos roedores não varia muito em geral quanto ao tipo de alimento a ser fornecido. A variação está na proporção dos componentes necessário para o bom funcionamento do organismo animal.
Os hábitos alimentares dos animais em geral são o que determinam a boa saúde do animal. Pode-se conhecer o criador dos animais observando apenas os hábitos alimentares de seus animais.
O desequilíbrio entre a vitamina D, cálcio e fósforo causa em cobaias calcificação metastática e em roedores jovens, o raquitismo. Deficiências de vitamina A causa nos roedores, hidrocefalia e morte pré-natal. Deficiências de vitamina E causa distrofia muscular, mortalidade pré-natal e degeneração dos túbulos seminíferos (onde são produzidos os espermatozóides, levando o macho à esterilidade).
Tem se demonstrado que os animais podem ter sua qualidade de vida em cativeiro melhorado se os alimentos forem oferecidos de forma não convencional. Sabe-se que na natureza os animais encontram certa dificuldade para se alimentar. De forma a realizar o enriquecimento ambiental do animal em cativeiro, pode-se realizar certas dificuldades ao animal, tais como: oferecer o alimento escondido em um embrulho de papel sulfite (apenas dobrado), ou em rolos de papel higiênico tampados com papel sulfite, etc.
Hamster:
As necessidades nutricionais dos hamsters ainda não foram totalmente esclarecidas. Uma dieta peletizada para roedores contendo 16 % de proteína e 4 a 5 % de lipídeos pode ser utilizada até que se disponha de mais informações a respeito.
A deficiência protéica pode causar alopecia e teores de lipídeos entre 7 e 9 % aumenta a mortalidade. Dietas com baixo teor protéico não são recomendadas para o crescimento e reprodução.
Para as fêmeas com filhotes, os alimentos devem ser colocados diretamente no fundo da caixa, pois a preocupação em roer e retirar os alimentos de comedouros freqüentemente resulta em negligência com a ninhada. Os filhotes começam a ingerir alimento sólido e água quando têm entre 7 e 10 dias de idade. Por causa disso, o bico do bebedouro deve ser baixo para que os filhotes possam alcançá-lo.
Os hamsters consomem aproximadamente 5 a 12 gramas de alimento e bebem cerca de 10 mililitros de água para cada 100 gramas de massa corporal diariamente.
Pode-se fornecer-lhe: almeirão, amendoim, sementes de girassol, aveia, arroz com casca, couve, cenoura, mamão, banana, milho moído, pão torrado (não se deve dar pão sem estar torrado), vegetais desidratados (podem ser encontrados em casas de ração). Existem rações específicas para roedores mas não são facilmente encontradas. Eles são em forma cilíndrica ou cúbica, sólidas e um pouco duras. São utilizados em biotérios e constituem dieta ideal. Nunca se deve dar alface ou salsinha. As informações deste parágrafo são válidas para todos os roedores apresentados nesta home-page.
Esquilo-da-Mongólia (gerbil):
Pode-se fornecer os mesmos alimentos fornecidos aos hamsters desde que a mistura contenha 22 % de proteínas. Os gerbils preferem as sementes de girassol à ração peletizada. O problema disso é que essas sementes possuem grande porcentagem de lipídeos e baixa porcentagem de cálcio.
Animais com 2 a 5 semanas de idade apresentam dificuldade em abrir sementes ou roer pellets de ração. Gerbils adultos consomem cerca de 8 gramas de alimento e 4 mililitros de água por 100 gramas de massa corporal por dia. Os bicos dos bebedouros devem ser acessíveis aos filhotes.
Porquinho-da-Índia (cobaia):
Sua alimentação deve consistir de ração peletizada e balanceada para a espécie. Ainda há discussão se é preciso suplementar a dieta com vegetais ou não. Mas levando-se em conta que eles apreciam muito vegetais, não há motivos para não lhes fornecer, desde que se retire esses alimentos logo após eles terminarem de comer, pois podem favorecer a proliferação de microorganismos patogênicos.
Cobaias adultas consomem cerca de 6 gramas de alimento e de 10 a 40 mililitros de água para cada 100 gramas de massa corporal por dia. Isso pode variar conforme idade, temperatura ambiental, umidade relativa, e fase reprodutiva. A comida deve conter cerca de 20 % de proteínas e 16 % de fibras.
As cobaias assim como os primatas não possuem a enzima L-gulonolactona oxidase hepática, uma das enzimas que levam à síntese de ácido L-ascórbico a partir de D-glicose. Por causa disso, precisam de 5 miligramas de vitamina C por quilograma de massa corporal por dia, para manutenção e de cerca de 30 miligramas de vitamina C por quilograma de massa corporal por dia, em casos de fêmeas gestantes.
Pode-se substituir a vitamina C do alimento adicionando-a na água na concentração de 1 grama de vitamina C por litro de água. É preciso lembrar que em 24 horas, cerca de 50 % da vitamina C se deteriora, o que é acelerado caso metais ou compostos orgânicos estejam presentes, assim como alta temperatura. Pode-se fornecer couve e laranja, ótimas fontes de vitamina C. A ração contendo vitamina C deve ser guardada em local seco e fresco e não deve ser consumida após 90 dias a contar do dia de preparo.
Ração para coelho não deve ser fornecida às cobaias pois não contém vitamina C e, para as cobaias, contém níveis excessivos de vitamina D. Apesar disso, em muitos casos não há alternativa, o que obriga os criadores a fornecer-lhes ração para coelhos (sem hormônios).
Chinchila:
As chinchilas são animais adaptados a climas frios, por isso, quando elas se encontram em ambientes quentes, deve-se evitar fornecer muitos alimentos gordurosos como sementes oleaginosas (a semente de girassol é um exemplo). Pode-se fornecer cenoura, almeirão, couve, uvas passas (de vez em quando), frutas, alfafa em cubos, um pouco de ração para coelhos sem hormônio.
Sua dieta deve constituir-se de 20 % de proteínas, 47 % de carboidratos, 25 % de fibras, 5 % de sais minerais e 3 % de ácidos graxos. Essa formulação é obtida através de ração peletizada e balanceada. A quantidade média diária deve ser de 20 gramas por animal.
A alfafa é dada na mesma proporção da ração. É fundamental que seja de boa qualidade, sem a presença de cheiro forte. Toda a alimentação deve ser fornecida pela manhã aos animais. Quando mal alimentadas as chinchilas comem o próprio pêlo (tricofagia).
Camundongo (topolino):
A melhor alimentação para os camundongos são rações com alto teor de proteína (acima de 14 %). Na realidade esse nível de proteína é indicado também para hamsters, gerbils e ratos.
Água fresca e dieta com alto teor protéico constituem uma dieta completa. O teor de lipídeos deve estar entre 4 e 5 %. Um camundongo adulto consome aproximadamente 15 gramas de ração e 15 mililitros de água para cada 100 gramas de massa corporal.
O consumo varia conforme a temperatura ambiente, a umidade relativa, idade e vida sexual. A disponibilidade de água influencia no consumo de ração e a umidade da ração influencia no consumo de água. Pode-se fornecer os mesmo alimentos que se fornece para os hamsters.
Rato
Os ratos em geral são muito cautelosos quanto ao alimento, especialmente se o alimento é novo para ele. Muitas das rações existentes no mercado são inadequadas e carecem de proteínas. Rações contendo entre 14 e 27 % de proteínas são satisfatórias.
Um rato adulto consome 5 gramas de ração e 10 mililitros de água para cada 100 gramas de massa corporal por dia. O consumo varia conforme a temperatura, umidade relativa do ar, saúde, idade, vida sexual e hora do dia. Eles alimentam-se quase sempre a noite. Pode-se fornecer os mesmos alimentos fornecidos para os hamsters.