Quando se possui um casal de chinchilas, não é muito dificil obter crias. No entanto, para que tanto as crias como os pais sejam animais saudáveis, é bom levar em consideração alguns pontos. Elas são muito ativa nos 10 primeiros anos de idade, tendo, em média, 2 partos por ano.
Se as chinchilas são muito novas, convém não deixar que se reproduzam muito cedo, pois isso alteraria o crescimento dos animais (tanto dos pais como das crias). As chinchilas podem entrar em período de cio apartir dos 4 meses de idade. Geralmente as chinchilas entram no cio todos os meses (a cada 28 dias), e a ovulação ocorre entre 3 e 5 dias. Para que as chinchilas não se reproduzam cedo demais, deve-se separar o macho da fêmea, o que por vezes é dificil, especialmente quando se tem um casal e percebe-se que eles gostam da companhia um do outro. A principal evidência de cio, é a maior abertura do orifício vaginal, podendo ser observado uma secreção de coloração clara.
Deve-se providenciar esconderijos na gaiola para que a fêmea possa escapar às investidas sexuais do macho, uma caixa de dormir, um tubo de plástico suficientemente grande para que as chinchilas lá possam dormir são algumas opções.
É muito dificil ver quando as fêmeas são fecundadas ou perceber quando estão grávidas. Geralmente, quando se vê o macho tentar acasalar com a fêmea, pode-se notar que a fêmea expele uma substância gelatinosa com cerca de 2,5 centímetros por 6 a 7 milímetros de diâmetro (um tampão ceroso esbranquiçado no fundo da gaiola chamado "stopper"). O stopper possui como função manter o sêmem na vagina, evitando seu refluxo. A fêmea eventualmente ingere o stopper. Sem esta evidência, somente um criador mais experiente pode identificar se a fêmea está prenha. Alguns sinais mais óbvios são o aumento da massa corporal e do tamanho do abdome (que também fica mais firme), diminuição da atividade (maior sonolência) e, nos últimos dias da gravidez, pode-se ver as papilas mamárias (aumento da glândula mamária) assoprando-se o pêlo nas regiões laterais. Conforme a gravidez evolui, a fêmea também passa a dormir de lado. A apalpação é uma manobra ariscada para a gravidez das chinchilas e só deve ser realizada por um Médico Veterinário experiente, pois trata-se de um exame obstétrico.
Os machos ficam com um anel de pêlo ao redor do pênis, mas em geral conseguem livrar-se sozinhos deste anel. O criador deve ficar atento quanto a este detalhe para auxiliar o animal a retirar este anel de pêlo caso necessário.
A fêmea prenhe perde massa corporal logo no início da gravidez (de 15 a 20 gramas durante as 3 primeiras semanas), ganhando, a seguir, 20 gramas por semana durante 2 meses. Nesse período, o peso fica estável, podendo-se determinar, com base no peso, quantos filhotes ela terá. Se aumentar um total de 80 gramas, nascerá apenas 1 filhote; se aumentar 100 gramas, 2 filhotes; mais de 150 gramas, 3 ou 4 filhotes. Durante a gestação, a fêmea precisa de mais alfafa, para garantir maior produção de leite, bem como o fornecimento abundante de água fresca.
Pode acontecer de as fêmeas agirem agressivamente com os machos quando estão grávidas. Eles perseguem as fêmeas e elas voltam-se contra eles. Quando se verifica que as relações entre o casal já não são as mesmas e se há brigas frequentes sem razão aparente, mais vale separar o macho da fêmea pois algum deles pode ficar ferido.
O período de gestação é de 111 dias podendo ser um pouco mais e os filhotes nascem já cobertas de pêlo e com os olhos abertos, podendo explorar o terreno. Antes do nascimento há alguns preparativos que deve-se providenciar:
Se a gaiola tiver o fundo de arame, este deve de ser coberto com cartão ou jornais e aparas de madeira para que os filhotes não enfiem uma pata nos buracos da rede e se machuquem.
Todos os brinquedos (rodas, tubos, etc.) e escadas que dão acesso a outros níveis das gaiolas devem ser retirados pois podem ferir os filhotes. As fêmeas devem ficar no piso térreo para que não andem e saltem, podendo ferir os filhotes.
Os machos devem de ser retirados antes do parto pois a fêmea entra no cio novamente logo após o parto (o cio pós-parto dura aproximadamente de 48 a 72 horas após o parto), pois o macho convive pacificamente com a fêmea durante e após o parto, podendo copular. É muito desgastante para a fêmea criar filhotes e engravidar novamente (isso pode ser prejudicial para a saúde geral da mãe, que pode ter problemas de desnutrição e filhotes muito fracos na cria seguinte). O macho deve de ser reintroduzido na gaiola 1 semana após o parto.
Devem ser dados à fêmea, na semana antes do parto, produtos lácteos (leite em pó desnatado, yogurte, etc) para que a fêmea comece a produzir leite para os seus filhotes.
Não há necessidade de colocar um aquecedor perto do ninho, especialmente se a fêmea estiver grávida. Isso pode ser fatal tanto para a mãe quanto para os filhotes. Pelo contrário, a temperatura exceder os 27 ºC deve-se oferer-lhe uma garrafa com água gelada para que se refresque.
Na última semana de gravidez deve-se também ter muita comida disponível para a fêmea e, caso se note prisão de ventre, pode-se dar mais algumas uvas passa do que é habitual ou meia ameixa seca para regular os movimentos peristálticos intestinais.
Geralmente, as chinchilas têm os filhotes durante a madrugada ou bem cedo. Para saber se ela está em trabalho de parto deve-se observar os seguintes itens:
- Nariz húmido. Ele fica molhado, pois ela tenta puxar o filhote e estoura a bolsa de água;
- O pêlo da parte inferior (no abdome) também fica molhado, quando a quantidade de água é grande;
- A fêmea apresenta contrações, que varriam de animal para animal;
Após o nascimento do último filhote, a placenta é expelida. A fêmea come a placenta, que é rica em nutrientes. Na natureza é uma forma de evitar o mau cheiro que pode atrair predadores bem como para evitar contaminar os filhotes com microorganismos patogênicos que podem surgir durante a decomposição.
O período crítico para a mãe e para os filhotes são os 10 primeiros dias após o parto. Normalmente, as chinchilas são bastante auto-suficientes nos cuidados com os filhotes, dispensando cuidados especiais. Entretanto, os recém-nascidos devem ficar bem aquecidos, especialmente enquanto ainda estão molhados. Quando se percebe que a fêmea, por algum motivo, não o está acolhendo (às vezes porque está preocupada em tirar outro filhote, por exemplo) e que ele está com frio, deve-se pegá-lo e colocá-lo envolvido cuidadosamente em um pano limpo (ou nas mãos) e aquecê-lo assoprando de leve, para evitar que ele morra de hipotermia (baixa temperatura corporal).
As ninhadas podem ir até o número de 4 filhotes, mas o normal é nascer 2 filhotes. Como já foi mencionado anteriormente, os filhotes começam a andar após 1 hora e são muito curiosos por isso devem ser vigiados. Sua massa corpórea inicial é de aproximadamente 30 à 60 gramas. Os filhotes nascem com pelagem e dentição completa, olhos abertos, visão perfeita. Deve-se retirar o recipiente para o banho por pelo menos 10 dias, quando sua vagina já estará com um menor diâmetro de abertura e os filhotes já estarão mais crescidos.
Deve-se observar bem a mãe e os filhotes nas horas e dias seguintes. Se houver ferimentos nas papilas mamárias da mãe, em consequência das mordidas, pode-se passar bálsamo para tetas, do mesmo usado para vacas, ou pomada de penicilina. Ambos são inofesivos para os filhotes.
É preciso observar se a mãe tem leite suficiente para os filhotes. No caso de mães que não produzem leite durante os 4 primeiros dias após o parto, é preciso alimentar os filhotes artificialmente. Mas não é aconselhável oferecer alimentação artificial a todos os filhotes, pois eles se acostumarão e o leite poderá secar, causando o encaroçamento das tetas e outros problemas. Para alimentar os filhotes artificialmente, deve-se consultar um Médico Veterinário, Biólogo, Zootecnista ou criador experiente.
Caso o leite não seja suficiente para a cria, pode-se dar à mãe, a cada 3 horas, durante 24 horas, Orastine 1/2 subcutâneo. E, se for preciso alimentar os filhotes artificialmente, deve-se utilizar 3 partes de leite em pó Nestogeno desnatado, 1 parte de Dextrosol, 12 partes de água morna fervida e 1/2 parte de Gerval proína Autrinic. Depois de misturar tudo muito bem, deve-se pingar o leite devagar, com um conta-gotas, na boca do filhote. Espera-se ele engolir, respirar e depois pinga-se nova gota até o filhote ficar satisfeito. Essa alimentação deve ser repetida a cada 4 horas e suspensa durante a noite, se o filhote não estiver muito fraco. Para a maioria dos casos, 1 parte de leite em pó misturado em 3 partes de água morna é suficiente.
Os filhotes começam a morder ração e alfafa a partir de 10 dias de nascidos.
Caso se notar que os filhotes brigam constantemente, é porque a mãe não tem leite suficiente. Deve-se, nesse caso alimentá-los à mão, nem que seja só algumas vezes por dia para que consigam comer e crescer de forma saudável. Convém vigiar o peso das crias durante o seu crescimento.
Com cerca de 8 à 10 semanas os filhotes deverão já se alimentar sozinhos, no entanto deve-se deixá-los com os pais até que se tenha certeza de que são totalmente independentes. Criadores mais experientes têm utilizado o método de desmamar o filhote mais forte e bem desenvolvido aos 45 dias de idade e manter os demais com a mãe até os 60 ou 65 dias de idade.
Aqui está uma breve explicação de Genética aplicada às chinchilas.
- Heterozigoto: Quer dizer que a chinchhila tem 1 par de genes diferentes. Somente 1 dos genes (o dominante) se apresenta visível mas o animal pode passar o gene recessivo para os seus descendentes.
A caracteristica mais visível é a cor da pelagem e a cor das orelhas e olhos que aparece interligada - não aparece um animal com as orelhas cor-de-rosa e os olhos negros, ou tem os olhos e orelhas escuros ou cor-de-rosa, mas não separadamente.
Por exemplo, um animal heterozigoto bege é composto por 1 gene bege dominante e 1 gene cinzento recessivo. Fisicamente a chinchila tem a cor do gene dominante, bege, e uns olhos rosa-rubi. O tom de bege (mais escuro ou mais claro) pode variar muito.
- Homozigoto: O animal tem 1 par de gennes que se expressam da mesma maneira. Uma chinchila homozigota pode ter 2 genes dominantes ou 2 genes recessivos, mas sempre 2 genes iguais.
Por exemplo, uma chinchila cinzento standard tem 2 genes cinzentos recessivos. Uma chinchila homozigota bege tem 2 genes bege dominantes. É 1 animal bege muito claro com olhos vermelhos brilhantes.
Algumas combinações:
- Cinzento standard com cinzento standaard:
Um animal cinzento standard tem 2 genes recessivos cinzentos, que podemos representar por 2 letras minúsculas (aa). Fazendo um quadro de Punnet (o mesmo que se aprende no colégio) pode-se observar claramente que todos os descendentes terão 2 genes recessivos cinzentos.
| a | a | |
| a | aa | aa |
| a | aa | aa |
Um bege homozigoto tem 2 genes dominantes (AA) e o cinzento standard tem 2 genes recessivos (aa). Novamente com o quadro pode-se perceber que todos os descendentes serão beges heterozigotos, com 1 gene dominante bege e 1 recessivo cinzento (Aa).
| a | a | |
| A | Aa | Aa |
| A | Aa | Aa |
- Bege heterozigoto com um cinzento standard:
A combinação de 1 bege heterozigoto (Aa) com 1 cinzento standard (aa) vai originar 50 % de crias cinzento standard (aa) e 50 % de crias bege heterozigoto (Aa).
| a | a | |
| A | Aa | Aa |
| a | aa | aa |
Reproduzindo 2 beges heterozigotos pode-ses obter 25 % de beges homozigotos (AA) mais raros; 50 % de bege heterozigotos (Aa) e ainda 25 % de cinzentos standard (aa).
| A | a | |
| A | AA | Aa |
| a | Aa | aa |
Estas são as variações mais simples, existem muitas mais que poderão ser postriormente aqui afixadas
Ao contrário das chinchilas beges, as chinchilas brancas (qualquer das mutações com gene branco) ou as chinchilas veludo (black ou brown velvet) não podem produzir animais homozigotos, em vez disso produzem um filhote que morrerá ou que poderá ser absorvido pela mãe e causar ao sua esterilidade. Por isso nunca se deverá tentar reproduzir dois animais que tenham o gene branco ou que tenham o gene para veludo. Isso ocorre devido a um gene letal.
Comparar os dois quadros: Reprodução de 2 bege heterozigotos (Aa) e a reprodução de 2 brancos Wilson (Wa).
| A | a | |
| A | AA | Aa |
| a | Aa | aa |
| W | a | |
| W | X | Wa |
| a | Wa | aa |