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BEATIFICADOS OS
PASTORINHOS DE FÁTIMA
A Congregação das Causas dos Santos resume assim a biografia dos videntes de Fátima: "Os veneráveis servos de Deus Francisco e Jacinta Marto nasceram em Aljustrel, aldeia da paróquia de Fátima, na diocese de Leiria-Fátima. Francisco nasceu no dia 11 de Junho de 1908 e sua irmã Jacinta no dia 11 de Março de 1910. Na sua humilde família, aprenderam a conhecer e a louvar a Deus e à Virgem Maria. No ano de 1917, enquanto pastoreavam o rebanho, juntamente com a prima, Lúcia dos Santos, tiveram a graça singular de ver várias vezes a Santíssima Mãe de Deus, na Cova da Iria. Desde então, os servos de Deus não tiveram outro desejo a não ser fazer em tudo a vontade de Deus e contribuir para a salvação das almas e para a paz no mundo, pela oração e penitência. Em pouco tempo alcançaram uma extraordinária perfeição cristã. Francisco adormeceu no Senhor no dia 4 de Abril de 1919 e Jacinta no dia 20 de Fevereiro de 1920"3. A vidente Lúcia dos Santos, nas suas Memórias, relata e testemunha como, após as aparições, os seus primos, Francisco e Jacinta, procuram viver segundo os dons que receberam de Deus. Muito mais do que antes, a vida deles centra-se em Deus, de uma forma extraordinária. O seu primeiro objetivo passa a ser amar a Deus e agradar-lhe em tudo. Por isso dedicam longo tempo à oração e aceitam sacrifícios e sofrimentos, que oferecem pelos pecadores. A força divina e o encanto por Deus e por Nossa Senhora são tais que, mesmo perante as ameaças de morte, demonstram fortaleza extraordinária, continuando a afirmar e a defender as aparições que presenciaram. O amor pelos pecadores, os doentes e os pobres era permanente e exprimia-se em atitudes e iniciativas: a oração, a oferta de alimentos, visitas e palavras de consolação e mesmo conselhos. Impressiona o modo como as duas crianças vivem a doença que as atinge e como encaram a morte, que antecipadamente sabem vir em breve. O Francisco despede-se da Lúcia dizendo-lhe: "Adeus, até ao Céu!..." (Memórias, 148). E a Jacinta, já muito doente, consola a mãe com estas palavras: "Não se aflija, minha Mãe: vou para o Céu. Lá hei-de pedir muito por si" (Memórias, 46). A Lúcia testemunha que, junto da prima, sentia "o que, de ordinário, se sente junto duma pessoa santa que em tudo parece comunicar Deus". E acrescenta: "A Jacinta tinha um porte sempre sério, modesto e amável, que parecia traduzir a presença de Deus em todos os seus atos, próprio de pessoas já avançadas em idade e de grande virtude" (Memórias, 183). A vida destas duas crianças testemunha de forma convincente como a graça divina pode transformar as pessoas, mesmo crianças, exercendo nelas o seu poder e comunicando a bondade. O que ao ser humano parece impossível não o é a Deus.
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