|
Voltar
|
 |
::
Matérias ::
Metallica,
Resposta de peso
Poucas vezes na história
do rock 'n' roll uma banda provocou tanta discussão quanto o Metallica. E
tudo por causa de um disco (Load), uma drástica mudança de visual e uma
série de declarações enfatizando o fim do heavy metal. Foi o suficiente
para que a banda - antes uma unanimidade, respaldada pela venda de quase
20 milhões de cópias do 'Black Album' - recebesse tamanha saraivada de
críticas, que certamente deixaram seus integrantes meio assustados.
Assustados a ponto de esquecer os intervalos de quase três anos entre um
disco e outro, se apressando em lançar Reload apenas um ano depois do álbum
polêmico. Numa recente e concorrida entrevista coletiva em Londres,
aparentando segurança, os quatro integrantes - Lars Ulrich, James
Hetfield, Kirk Hammett e Jason Newsted - respoderam à várias perguntas,
algumas interessantes, outras bem cretinas, a respeito dessa nova etapa na
carreira. E a respeito desse lançamento. E não era pouca coisa...
Lars : "A verdade a respeito de Reload é que este punhado de canções
seria lançado em Load, que a princípio seria um CD duplo. Mas por culpa
única e exclusivamente nossa, algumas das canções não ficaram prontas
a tempo, o que nos obrigou a lançar um CD simples. Portanto, Load reúne
as canções que terminamos primeiro e Reload contêm as
posteriores".
Kirk : "Esta é a nossa maneira de trabalhar. Estamos sempre
atrasados (risos). Talvez seja por isso que Bob (Rock, o produtor) esteja
sempre puto da vida com a gente (risos). Ele não se conforma no tempo que
constumamos perder para chegar à conclusão de alguma coisa".
Lars : A participação de Marianne Faithful em "The Memory Remains"
aconteceu por sugestão de Bob Rock. Só tivemes que embebedá-la (risos).
James : "Durante todos esses anos, acabamos desenvolvendo nossas
personalidades e respectivos pontos de vista. Basta dar uma olhada em Kirk
para se ter um bom exemplo disto (risos). A primeira vez que ele apareceu
no estúdio com as unhas pintadas, quase desmaiamos de tanto rir (risos).
Acabamos curtindo o fato das pessoas não estarem muito bem certas a
respeito do que ela podem esperar de nós.
Eu até entendo as reações dos fãs que não querem que suas bandas
favoritas de metal mudem de estilo. Mas, porra, elas tem que entender que
ninguém cresce sem mudar! É evidente que não somos a mesma banda que
gravou Kill 'Em All. Ainda gosto de tocar músicas desta época nos shows,
mas querer que continuemos no mesmo estilo é ridículo".
Jason : "Sempre pensamos em bandas como o Led Zeppelin, que sempre
gravaram disco deiferentes uns dos outros, quando alguém nos critica por
mudarmos de estilo".
James : "Quem estiver esperando por algum single de sucesso neste
disco vai cair com a cara enterrada na bosta".
Lars : "Talvez o grande fator que tenha contribuído para a sobrevivência
do que hoje está presente em Reload tenha sido o fato de que, apesar das
extensas turnês em que sempre nos metemos, nunca deixamos de pensar o que
pederíamos fazer para melhorar estas canções. Gravamos vários takes de
bateria, vários sons de guitarras, nunca deixamos de esperimentar".
Kirk : "Tive uma participação muito maior no destino musical deste
disco, em comparação com os álbuns anteriores. Pude experimentar
dezenas de combinações diferentes de guitarras-amplificadores- efeitos,
sempre procurando fugir do que James fazia. E compus muitos riffs, muitas
sequências de guitarras durante a turnê de Load. Acho que consegui
armazenar em fitas umas dez horas de música".
Lars : "Para ser sincero, não estamos muito aí para o que as
pessoas possam pensar de nós. O Metallica é, hoje, o que vocês podem
ouvir nos dois últimos álbuns. Nunca demos bola para o que as pessoas
diziam sobre nós quando começamos, por que deveríamos fazer isso agora?
O mais incrível é que muita gente espalhou por aí que iríamos voltar
as raízes spped-metal, outras diziam que íamos gravar músicas parecidas
com o Alice In Chains... Ficamos muito felizes em termos surpeendido todo
mundo".
Kirk : "Acho que a tecnologia pode ajudar qualquer músico a buscar
uma nova sonoridade, se assim ele quiser. De todos na banda, creio que eu
seja, musicalmente falando, o mais eclético. Me senti muito honrado em
tocar com o pessoal do Orbital em "Satan" (da trilha sonora do
filme Spawn, comentado nesta edição), eles são grandes caras".
De uma coisa tenho certeza: o Metallica não receberia 80% da malhação
que os cara tomaram na cabeça se este disco tivesse saído junto com - ou
no lugar de - Load. Dá até para desconfiar que Heftield & Cia.
gravaram um disco novinho só para responder aos seus detratores. Não sei
não...
Tudo porque o que se ouve aqui é o velho Metallica. Sim, aquele que
gravou o "Black álbum".
|