O Maior expoente do barroco mineiro
A exposi��o contextualiza Minas Gerais do s�culo 18, no Brasil e no mundo, atrav�s de mapas da �poca, gravuras criadas por artistas que fizeram os primeiros registros da regi�o e tamb�m atrav�s de fotografias, feitas anos depois, por pioneiros como
Marc Ferrez e Marcel Gautherot, revelando imagens surpreendentes e emocionantes do povo mineiro e da paisagem local, al�m do document�rio O Aleijadinho (1978) de Joaquim Pedro de Andrade, com roteiro do arquiteto Lucio Costa.

A id�ia � levar os visitantes a compreenderem o ambiente religioso no qual a arte de Aleijadinho e de seus contempor�neos se desenvolveu num espa�o de tempo relativamente curto, que testemunhou o sucesso do garimpo � traduzido  na consolida��o da vida urbana e na sofistica��o da sociedade mineira � seguido da decad�ncia econ�mica e a tens�o social decorrentes do r�pido esgotamento das jazidas.

A Exposi��o
Exposi��o - �Aleijadinho e seu Tempo � F�, engenho e arte� � dividida em 11 m�dulos, que ocupar�o todos os espa�os expositivos do CCBB-SP (subsolo, t�rreo, primeiro, segundo e terceiro andar). O percurso tem in�cio no piso t�rreo, com as r�plicas em miniaturas (de 31 cm de altura), produzidas em bronze, dos 12 Profetas de Aleijadinho. As obras originais, que se encontram na Igreja de Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do Campo (MG), ser�o mostradas em fotos de grandes dimens�es.
Seguindo o percurso, o visitante transita sobre um piso de vidro, sob o qual est� a reprodu��o da decora��o das ruas das cidades hist�ricas de Minas Gerais para as festas religiosas. O tapete de serragem colorida foi preparado por artistas mineiros que vieram  a S�o Paulo especialmente para executar a obra.
O antol�gico livro Triunfo Eucar�stico, de Sim�o Ferreira Machado, de 1733, que descreve a inaugura��o da Igreja Matriz Nossa Senhora do Pilar, na antiga cidade de Vila Rica (hoje Ouro Preto), estar� exposto no t�rreo, que ainda traz a obra Cristo Morto, de Mestre Piranga.
No primeiro andar, a Igreja de S�o Francisco de Assis, de Ouro Preto, est� presente em uma maquete in�dita da constru��o original, feita a partir de fontes levantadas pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. Nas paredes da galeria, est�o desenhos da planta geral e de pe�as estruturais do templo assinadas por Aleijadinho. A porta da igreja � avaliada por Germain Bazin, cr�tico franc�s e conservador do Museu do Louvre, como �a obra-prima do artista�.
Hoje, a Igreja de S�o Francisco de Assis � considerada um dos exemplos mais not�veis do Barroco internacional. Seu diferencial est� na planta sem corredores na nave, integrando os corredores da capela-mor ao resto da constru��o, que demonstram que o projeto de Aleijadinho privilegia o monumento como um todo, interna e externamente.
As torres em formas circulares s�o in�ditas e a fachada tem grande efeito arquitet�nico e ornamental. Segue o n�cleo Devo��o, com fotos de Marc Ferrez e um ensaio fotogr�fico do franc�s Marcel Gautherot, realizado nos anos 50 nas cidades mineiras.
Ainda no primeiro piso, se encontra o n�cleo dedicado ao conjunto da Igreja de Bom Jesus de Matosinhos, de Congonhas do Campo (MG), considerado o mais importante exemplo do Barroco fora da Europa. Uma proje��o apresenta 81 imagens de grande escala das cenas da paix�o de Cristo (Os 7 passos da Paix�o de Cristo), distribu�das em seis nichos, representando as capelas que levam ao adro do Santu�rio de Congonhas. As proje��es s�o acompanhadas por trilha sonora de composi��es da �poca.

No segundo andar, est� a sala Ant�nio Francisco Lisboa, dedicada exclusivamente �s obras do maior expoente do Barroco brasileiro. S�o entalhes e fragmentos de entalhes, imagens de santos e relic�rios, todos originais produzidos por Aleijadinho e emprestados de cole��es institucionais, religiosas e particulares do Brasil. Merecem aten��o especial a imagem de Nossa Senhora das Dores e a pomba entalhada, que representa o Divino Esp�rito Santo, al�m das as obras S�o Jos� de Botas e Nossa Senhora da Concei��o, que n�o foram expostas no Rio de Janeiro e Bras�lia.
A sala, que ter� uma trilha sonora de m�sicas barrocas, assinada pelo music�logo Maur�cio Monteiro, conta ainda com a pintura Retrato de Aleijadinho, feita por Eucl�sio Pena Ventura em �leo sobre pergaminho, do s�culo 19, e a cronologia multim�dia Aleijadinho � vida e obra, que conta a trajet�ria do artista contextualizada com a hist�ria do Brasil. 
No terceiro andar, encontram-se obras de contempor�neos de Aleijadinho, como Mestre Piranga (cujo nome verdadeiro n�o consta em nenhum documento), Francisco Xavier de Brito (que muitos afirmam ter influenciado o mestre brasileiro), o grande Mestre Ata�de (considerado o maior pintor barroco das terras), Francisco Vieira Servas e de v�rios artistas an�nimos. Destaque para o par de anjos tocheiros, de Francisco Servas, presente somente na montagem paulistana.
A exposi��o se encerra no subsolo, onde est� o n�cleo Ouro, que re�ne moedas, lingotes e objetos representativos da for�a econ�mica do pa�s nesse per�odo. Seguem um conjunto de pinturas sobre madeira de Ex-votos (arte popular que expressa a f� por uma gra�a recebida de um santo) do s�culo 18 e o n�cleo Orat�rios, que re�ne exemplos de pe�as de devo��o tamb�m do s�culo 18, algumas in�ditas em S�o Paulo.
Neste andar, o visitante percorre o contexto hist�rico e geogr�fico do s�culo 18. O n�cleo O lugar, o territ�rio, a �poca tem mapas e obras de artistas viajantes, como Rugendas, Thomas Ender, Von Martius, Debret, H. Muller e Maximilian Wied-Neuwied, que vieram ao Brasil em miss�es art�sticas e expedi��es cient�ficas, al�m de desenhos em nanquim de Manoel Vieira Le�o, que retratam a Estrada Real para Vila Rica no s�culo 18.

Mestre do barroco brasileiro
A maioria dos autores adota 1738 como o ano de nascimento de Ant�nio Francisco Lisboa, j� que seu registro de sepultamento, em 1814, indica a idade de 76 anos. Sua certid�o de batismo, por�m, aponta 1730 como ano de seu nascimento, em Vila Rica, atual Ouro Preto. Ant�nio Francisco Lisboa era filho do arquiteto portugu�s Manuel Francisco da Costa Lisboa com uma de suas escravas, Isabel. Liberto por benevol�ncia do pai no ato do batismo, muito jovem o menino passa a acompanhar Manuel Franscisco Lisboa nos canteiros de obra pelos quais este transita como arquiteto reputado, construtor e mestre-carapina.
Estuda com os frades da Ordem dos Esmoleres da Terra Santa e recebe o aprendizado pr�tico nas oficinas do pai, com o tio Antonio Francisco Pombal e artistas portugueses emigrados para Minas Gerais na primeira metade do s�culo 18. Ainda menino, integra o time de ajudantes de Coelho Noronha na talha da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Bom Sucesso.
Curiosamente, a primeira obra atribu�da a Ant�nio Francisco Lisboa, quando este tinha 23 anos de idade, n�o apresentava qualquer cunho religioso. O busto feminino exibindo a imagem de Afrodite surge, em pedra sab�o, no chafariz do monast�rio do Hosp�cio da Terra Santa, em Ouro Preto, no local onde habitualmente se representava um crucifixo. A ousadia criativa revela tamb�m a confian�a do pai, respons�vel pela obra, no talento do jovem aprendiz, dando-lhe inteira liberdade para transgredir. Segundo historiadores, foi o artista que introduziu o uso da pedra-sab�o nas obras escult�ricas da regi�o.
Em seu primeiro trabalho como arquiteto, realiza interven��es no projeto das torres na Matriz de S�o Jo�o Batista, na cidade de Morro Grande, atual Bar�o de Cocais, e mais tarde projeta a Igreja de S�o Francisco de Assis, em Ouro Preto, onde, em 1770, abre sua pr�pria oficina.
Em 1777, surgem os primeiros sinais da doen�a que mais tarde iria deformar e atrofiar seu corpo. Neste ano, Ant�nio Francisco registra como seu um filho com Narciza Rodrigues da Concei��o, batizado Manuel Francisco Lisboa, o neto.
De acordo com seu bi�grafo oficial, Rodrigo Jos� Ferreira Br�tas, a partir deste per�odo o artista come�a a sentir muitas dores pelo corpo, tornando-se incapaz de se locomover sozinho. Por isso, passa a ser carregado por escravos. Seus instrumentos de trabalho s�o atados aos pulsos e o artista necessita auxiliares para dividir as tarefas. Ainda assim, prossegue no mesmo ritmo de trabalho simult�neo, em canteiros de obras em Sabar�, S�o Jo�o del Rei, Mariana e Ouro Preto.
Em 1796, inicia o trabalho das 64 figuras em cedro, em tamanho natural, dos Passos da Paix�o, para as seis capelas da Via Crucis no Santu�rio do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do Campo (MG), uma tarefa que levaria tr�s anos e meio. Com este conjunto, o Aleijadinho leva o espectador al�m do realismo e do teatral. A representa��o dos rostos e das m�os das figuras do drama sacro, presente nas capelas, � �nica, distinta dos variados estilos expressionistas da hist�ria. Em seguida, o artista concebe e executa, as imagens dos 12 Profetas em pedra-sab�o, para o adro da igreja, entre 1800 e 1805. Aleijadinho j� entrava na casa dos 70 anos e compunha ali uma coreografia com o c�u imenso das Gerais.
O cognome �Aleijadinho� aparece, segundo o escritor e curador de arte �ngelo Oswaldo de Ara�jo Santos, escrito em documento de 1810. �Ele ter� reagido tenazmente ao tratamento depreciativo, por certo contribuindo para a fixa��o da alcunha, tamb�m mencionada por viajantes estrangeiros que documentam a regi�o no in�cio do s�culo 19�, explica. E procura recriar o impacto da imagem de Aleijadinho pelas ruas de Ouro Preto. Diz o escritor: �O artista, desfrutando de renome, passa a ser visto sempre encapuzado, conduzido a cavalo ou carregado por seus escravos, nas ruas das vilas do ouro. (...) sua apari��o p�blica se cerca de pudor e espanto. As janelas recorrentemente fechadas resguardavam olhares que observam, com protegida mal�cia, o vulto estranho do aleijado�. 
Ao final da vida, Aleijadinho ainda trabalha em ritmo intenso, mesmo tendo perdido quase completamente a vis�o. Em 1812, deixa sua oficina. Morre dois anos depois, em 18 de novembro de 1814. Assim como a data do seu nascimento, o diagn�stico de sua doen�a � controverso. O Aleijadinho foi tratado por especialistas do mal de Hansen, de s�filis e de reumatismo deformante.

O g�nio e seu tempo
Antonio Francisco Lisboa viveu entre o apogeu da explora��o aur�fera nas Minas Gerais e o esgotamento dos grandes aluvi�es, participou do fausto e da decad�ncia da primeira civiliza��o urbana do Brasil. Isolados num territ�rio distante, Aleijadinho e seus contempor�neos subverteram, com genialidade, os padr�es europeus e criaram a primeira express�o brasileira de arte.
Aleijadinho viveu entre 1738 e 1814. Segundo afirma Roberto Simonsen, no livro Hist�ria Econ�mica do Brasil, �entre 1700 e 1770, o Brasil produziu cerca de 50% de todo o ouro produzido no resto do mundo, nos s�culos 16, 17 e 18�! Eram tempos de fartura. O rei D. Jo�o V, uma vers�o portuguesa para Luis XIV da Fran�a, era perdul�rio e gostava de viver no fausto. A not�cia do ouro das Minas caiu como luva. Para evitar contrabando e sonega��o, foi montado um grande esquema de fiscaliza��o das estradas e nasceram as Casas de Fundi��o. Um quinto de todo o ouro deveria ir para a Coroa. O fato geraria protestos, muitas execu��es, e at�, em �ltima an�lise, a Inconfid�ncia Mineira.
As comarcas da zona mineira estavam proibidas, pela Coroa, de acolher conventos e monast�rios. A sociedade rica e profundamente religiosa organizou-se, ent�o,  em ordens terceiras, irmandades e confrarias. Foi a rivalidade entre elas que serviu de alimento � cria��o art�stica e fez nascer ou atraiu um grupo de artistas e intelectuais requisitados para, segundo as palavras do curador, �dotar de esplendor o of�cio religioso. Vila Rica se transformou num �teatro barroco� da liturgia cat�lica�.
Poucas localidades viveram o esplendor de Vila Rica neste per�odo. A cidade assistia a representa��es teatrais, contava com poetas da estirpe de Cl�udio Manoel da Costa e Tom�s Antonio Gonzaga, pintores de talento extraordin�rio como Manoel da Costa Athaide, m�sicos eminentes como Jos� Emerico Lobo de Mesquita, padre Jos� Maria Xavier e Martiniano Ribeiro Bastos e tantos outros. A arte estava a servi�o da f�.
Com o fim do ciclo do ouro e a chegada da corte portuguesa ao Brasil, em 1808, as vilas mineiras come�am a testemunhar um per�odo de decl�nio � quando Aleijadinho tinha dois anos de idade Vila Rica contava mais de 20 mil habitantes, em 1808, eram apenas 8.500. O rei D. Jo�o VI trouxe consigo sua preciosa biblioteca, artistas, artes�os e um novo estilo art�stico, o neocl�ssico, se afirmou no pa�s. Era o fim do barroco.
Tr�s anos antes, Aleijadinho conclu�ra o conjunto de 12 Profetas de Congonhas do Campo, como destaca o curador F�bio Magalh�es: �Enquanto isso, no alto do Monte Maranh�o, os profetas Abdias e Habacuc, com seus bra�os erguidos para o c�u, testemunhavam o fato de que, embora tardios, os profetas representavam a express�o mais elevada da chamada civiliza��o do ouro�.

Ficha T�cnica:
Patroc�nio:Companhia de Seguros Alian�a do Brasil
Realiza��o: Centro Cultural Banco do Brasil
Organiza��o: Arte3
Curadoria: Fabio Magalh�es
Coordena��o Geral: Ana Helena Curti
Arquitetura : Pedro Mendes da Rocha
M�sica: Mauricio Monteiro
Constru��o do Projeto Museogr�fico: Artos Engenharia S�o Francisco Vidros e Cristais
Projeto Multim�dia / Multim�dia Project: Preto & Branco
Fotografias 6 Passos da Paix�o: Beto Fel�cio
Tapete Prociss�o: Gabriela Rangel / Interesse Comum
Maquete Igreja S�o Francisco de Assis de Ouro Preto:Bertoni Efeitos Especiais

Servi�o:
Local: Centro Cultural Banco do Brasil de S�o Paulo
Endere�o: R. �lvares Penteado, 112 - Centro
Per�odo: 28 de julho a 14 de outubro de 2007
Hor�rio de funcionamento: Ter�a a domingo, das 10h �s 20h.
Informa��es: (11) 3113-3651 / 3113-3652
Ar-condicionado e acesso e facilidades para pessoas com defici�ncia f�sica 
Entrada franca
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Centro Cultural do Banco do Brasil
Hosted by www.Geocities.ws

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