Somente é possível almejar resultados de alto nível, em qualquer desporto, quando ao se elaborar o planejamento se tenha em mãos dados reais e estatísticos sobre as potencialidades dos atletas que compõem a equipe com a qual se trabalhará.
Para tal, necessário se torna que se tenha um ponto de partida, o que seria conseguido por meio da elaboração de uma bateria de testes em que se incluiriam atividades físicas, orgânicas e motoras, estritamente ligadas ao futebol, por meio das quais seriam avaliadas as condições iniciais de todos os atletas, para posteriormente serem comparadas por meio de sistemáticas reavaliações, dentro dos treinamentos executados.
Julga-se, deste modo, ser esta maneira mais correta e científica para se organizar e planejar o treinamento.
Atualmente, grande número de testes em diversas áreas de atuação vem sendo desenvolvido e, se fôssemos aqui descrevê-los, estaríamos fugindo ao nosso objetivo prático de aplicação imediata no desporto para o qual foram postos.
Sendo assim, para que, para quando, para onde, obedecendo uma seqüência lógica em que se incluiria sua validade, precisão, objetividade, simplicidade, padronização e significação.
Validade
Um teste, para ter um coeficiente de validade, deverá ser executado dentro de um complexo de normas, em que se procura medir apenas a capacidade proposta na sua aplicação, controlando todas as variáveis que possam influir na obtenção dos resultados. É preciso, portanto, medir somente aquilo que foi planejado.
Precisão
Para ser considerado preciso o mesmo teste, quando repetido, sem interferência de atividades físicas intermediárias, deverá apresentar um resultado igual ou próximo ao anterior. Em certos casos, deve-se observar o mesmo ritmo de execução, como por exemplo, no teste do Banco Harvard, em que o atleta ter que manter um ritmo de 33 movimentos por minuto.
Objetividade
O produto final do teste deverá fornecer dados efetivos, mesmo que seja aplicado por testadores diferentes, servindo ainda como forma discriminatória dentro de um grupo, acusando variações ou alterações, em nação do tempo.
Simplicidade
Deverá ser fácil compreensão mediante instruções claras e precisas, permitindo que a execução seja natural, mesmo sabendo que o elenco envolvido se apresente sob forma heterogênea.
Padronização
É importante a determinação de padrões de execução proporcionando facilidade e desembaraço, para diferentes medidores, sem prejuízo dos resultados e do objetivo a atingir.
Significação
Os resultados obtidos devem ser inicialmente considerados como ponto de partida para o trabalho a ser compreendido, dentro do tempo disponível, quando se reforçariam pontos fracos e se aprimorariam os pontos fortes. Além disso, para uma fase mais avançada, servida como ponto de referencia para os estudos críticos, visando a uma possível reavaliação dos métodos de trabalho empregados.
Os testes possuem também características seletivas, pois permitem a identificação de elementos dotados de condições atléticas positivas e aproveitáveis.
Ainda facilita a difícil tarefa que é a análise da individualidade biológica, favorecendo a fixação de cargas que servirá como subsídio para determinação do ponto de partida, para a preparação coletiva e individual dos atletas.
Seguindo uma linha que se julga coerente, não foram incluídos nos testes apresentados formas que envolvam equipamentos e pessoal especializado.
Sugere-se apenas o teste de cicloergometria, por se tratar de um dos modernos e precisos veículos de avaliação, que poderia ser executado por meio de laboratórios apropriados.
Requisitos básicos para aplicação dos testes
1. Revisão do material que serão utilizados;
2. Explicações pormenorizadas sobre sua execução e, se possível, a determinação prévia;
3. Aquecimento como medida de segurança e em certos casos como exigência específica;
4. Prender a atenção do executante, afim de que o resultado seja o mais real possível;
5. Estimulá-lo na obtenção do máximo rendimento;
6. Realizá-los somente após o prévio parecer médico;
7. Impedir interferência negativa por agrupamentos desnecessários no local em que se realiza o teste
8. Seguir critérios padronizados;
9. Tempo disponível e número de atletas que serão testados.
Procedimentos Posteriores
1. Registrar os dados obtidos nas fichas ou ficha própria;
2. Converter os resultados de acordo com as tabelas de avaliação;
3. Afixá-los em local visível e de fácil acesso para o conhecimento dos desempenhos alcançados;
4. Dosar os treinamentos, em função dos resultados alcançados pelo grupo;
5. Utilizar os referidos resultados sempre com motivação, no sentido único de melhorá-los;
6. Reavaliar em períodos obedecendo à padronização inicialmente observada;
7. Interferir para que não haja acomodação por parte dos atletas, diante de resultados satisfatórios.
a) Teste de potência muscular – Braços
Execução:
Atleta em pé, pernas semiflexionadas e afastadas lateralmente, braços elevados acima da cabeça, segurando a medicine-ball, arremessá-la o mais longe possível. Os pés não deverão ser deslocados do solo, no momento do arremesso.
Local: Na pista de atletismo ou mesmo numa área de 25 metros, no campo de futebol.
Material: Uma medicine-ball, cujo peso seja 3 quilos e uma trena ou fita métrica.
Observação: Para este teste não existe quadro de índices d classificação e conceito. Preparador físico terá como referência, para uma reavaliação posterior, apenas a marca alcançada pelo atleta, e, caso verifique possibilidades, poderá naturalmente criar um quadro próprio mediante experiências e resultados práticos.
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Distância Alcançada |
Conceito |
|
De 4,10 a 4,19m |
Fraco |
|
De 4,20 a 4,29m |
Regular |
|
De 4,30 a 4,39m |
Bom |
|
De 4,40 a 4,49m |
Muito Bom |
|
De 4,50 a 4,59m |
Ótimo |
|
Acima de 4,60 |
Excelente |

|
Fraco |
Regular |
Bom |
Muito Bom |
Ótimo |
Excelente |
|
4,10 a 4,19m |
4,20 a 4,29m |
4,30 a 4,39m |
4,40 a 4,49m |
4,50 a 4,59m |
4,60 |
b) Teste de potencia muscular – pernas – impulsão horizontal
Execução:
Estando o atleta em pé, pernas flexionadas, dar impulso nas pernas, procurando saltar o mais longe possível.
Material: Para medida do salto, o preparador físico deverá estar de posse de uma trena.
Local: Numa pequena área do campo de futebol ou, se possível, numa caixa de saltos da pista de atletismo.
Classificação do teste de potencia muscular – impulsão horizontal, de acordo com o índice apurado na sua execução.
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Distância Alcançada |
Conceito |
|
De 2,10 a 2,19m |
Regular |
|
De 2,20 a 2,29m |
Bom |
|
De 2,30 a 2,39m |
Muito Bom |
|
De 2,40 a 2,49m |
Ótimo |
|
De 2,50 a 2,59m |
Excelente |

|
Regular |
Bom |
Muito Bom |
Ótimo |
Excelente |
|
2,10 a 2,19m |
2,20 a 2,29m |
2,30 a 2,39m |
2,40 a 2,49m |
2,50 a 2,59m |
c) Teste de resistência localizada - abdômen
Execução:
Atleta deitado em decúbito dorsal, mãos á nuca. Executar flexões do tronco, tocando com os cotovelos nos joelhos, durante um minuto consecutivo. Um companheiro deverá segurar os pés do atleta que estiver realizando o teste.
Local: Em qualquer área, mas de preferência, gramada.
Material: Em caso de não ser utilizada área gramada, usar colchão de ginástica, havendo necessidade também de um cronômetro.
Classificação do teste de resistência localizada do abdômen, conforme índice apurado na sua execução.
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Repetições |
Conceito |
|
De 1 a 20 |
Fraco |
|
De 21 a 30 |
Regular |
|
De 31 a 40 |
Bom |
|
De 41 a 45 |
Muito Bom |
|
De 46 a 55 |
Ótimo |
|
Acima de 55 |
Excelente |

|
Fraco |
Regular |
Bom |
Muito Bom |
Ótimo |
Excelente |
|
1 a 20 |
21 a 30 |
31 a 40 |
41 a 45 |
De 46 a 55 |
55 |
d) Teste de resistência localizada – pernas (canguru).
Execução:
Atleta em pé, mãos na nuca, saltar no mesmo lugar, flexionando as pernas no momento da descida, sempre executando a troca de pernas.
Local: Campo de futebol ou qualquer área aberta.
Material: Um cronômetro.
Tempo de Duração: 30 segundos.
Observação: Evitar que o atleta flexione os joelhos acima de 90º, como cuidado preventivo contra lesões articulares ou ligamentosas.
Classificação do teste de resistência localizada (canguru), conforme índice apurado na sua execução.
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Repetições |
Conceito |
|
De 1 a 15 |
Fraco |
|
De 16 a 25 |
Bom |
|
De 26 a 30 |
Muito Bom |
|
De 31 a 35 |
Ótimo |
|
Acima de 35 |
Excelente |

|
Fraco |
Bom |
Muito bom |
Ótimo |
Excelente |
|
1 a 15 |
16 a 25 |
26 a 30 |
31 a 35 |
55 |
e) Teste de resistência localizada – braços
Execução:
Atleta na posição de apoio de frente sobre o solo, realizar flexões de braços com os pés unidos e corpo bem estendido, durante 30 segundos.
Local: Campo de futebol ou área aberta.
Material: Um cronômetro.
Classificação do teste de resistência localizada (braços), conforme índice apurado na sua execução.
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Repetições |
Conceito |
|
De 1 a 10 |
Fraco |
|
De 11 a 15 |
Regular |
|
De 16 a 20 |
Bom |
|
De 21 a 25 |
Muito Bom |
|
De 26 a 30 |
Ótimo |
|
De 31 a 35 |
Excelente |

|
Fraco |
Regular |
Bom |
Muito Bom |
Ótimo |
Excelente |
|
1 a 10 |
11 a 15 |
16 a 20 |
21 a 25 |
26 a 30 |
31 a 35 |
f) Teste para verificação da habilidade motora – potência de pernas – impulsão vertical:
Execução:
a) Com o atleta em pé, deverá ser feita a sua medida, com os braços elevados, antes da execução do salto.
b) Atleta em pé, de lado para a quadra, com os calcanhares unidos e apoiados no solo, pernas ligeiramente flexionadas.
c) Procurar saltar o mais lato possível, e tocar a ponta dos dedos que estarão cobertas de giz ou talco, no quadro.
Material: Um quadro com medidas em centímetros e uma caixa de pó de giz ou talco.
Local: Ginásio ou qualquer outra área possível.
Avaliação: A medida será a diferença entre a altura tomada em pé, inicialmente, e a altura obtida com o salto.
Classificação do teste de potencia de pernas (impulsão vertical), conforme índice apurado na sua execução.
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Marca alcançada |
Conceito |
|
De 60 a 64cm |
Muito fraco |
|
De 65 a 68cm |
Fraco |
|
De 69 a 74cm |
Regular |
|
De 75 a 79cm |
Bom |
|
De 80 a 85cm |
Ótimo |
|
Acima de 85cm |
Excelente |

|
Fraco |
Regular |
Bom |
Muito Bom |
Ótimo |
Excelente |
|
60 a 64m |
65 a 68m |
69 a 74m |
75 a 79m |
80 a 85m |
85m |
g) Teste das três linhas – coordenação, ritmo, equilíbrio e velocidade
Execução:
a) O atleta deverá efetuar deslocamentos laterais sobre três linhas marcadas no solo, numa distância de 1,20 m uma da outra;
b) Inicialmente, o atleta deverá estar na posição de afastamento lateral sobre a linha lateral;
c) Desloca-se lateralmente para a linha da direita e a seguir para a linha da esquerda, passando pela linha central 8 vezes consecutivas.
Material: Um cronômetro.
Local: Qualquer área aberta ou fechada com 8 metros quadrados, com piso de cimento, madeira ou grama.
Avaliação: Será efetuada por meio de cronometragem do tempo gasto para percorrer as distâncias estabelecidas.
Classificação do teste das três linhas, conforme índice apurado na sua execução.
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Tempo Gasto |
Conceito |
|
De 10.1 a 11 |
Fraco |
|
De 9.1 a 10.0 |
Regular |
|
De 8.1 a 9.0 |
Bom |
|
De 7.1 a 8.0 |
Muito Bom |
|
De 6.5 a 7.0 |
Ótimo |
|
Abaixo de 6.5 |
Excelente |

|
Fraco |
Regular |
Bom |
Muito Bom |
Ótimo |
Excelente |
|
10.1 a 11 seg. |
9.1 a 10.0 seg. |
8.1 a 9.0 seg. |
7.1 a 8.0 seg. |
6.5 a 7.0 seg. |
Abaixo de 6.5 seg. |
h) Teste das quatro cordas – potência
muscular dos membros inferiores: coordenação, agilidade, ritmo, equilíbrio e
velocidade.
Execução:
a) Serão fixadas
quatro cordas paralelas a uma distância de 1 metro entre uma e outra, ma altura
de 0,70cm;
b) O atleta
deverá, com impulsões consecutivas das pernas, executar 12 saltos sobre a
corda, lateralmente;
c) Para isso,
efetuará 4 saltos para a direita, 4 para a esquerda e mais quatro apara a
direita.
Material: Quatro
cordas elásticas ou comuns, quatro pares de estacas de madeira; um cronômetro.
Local: Qualquer
área aberta ou fechado com 8 metros quadrados, com piso de cimento, madeira ou
grama.
Avaliação: Será
efetuada por meio de cronometragem do tempo gasto para execução dos 12 saltos
consecutivos previstos.
Classificação do
teste das quatro cordas (potencia muscular dos membros inferiores) de acordo
com o índice apurado na sua execução.
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Tempo Gasto |
Conceito |
|
De 11.1 a
12 |
Fraco |
|
De 10.1 a
11.0 |
Regular |
|
De 9.1 a
10.0 |
Bom |
|
De 8.1 a
9.0 |
Ótimo |
|
Abaixo de 8.0 |
Excelente |

|
Fraco |
Regular |
Bom |
Ótimo |
Excelente |
|
11.1 a 12 seg. |
10.1 a 11.0 seg. |
9.1 a 10.0 seg. |
8.1 a 9.0 seg. |
Abaixo de 8.0 seg. |
i) teste para
verificação da flexibilidade dos músculos lombares (geral).
Execução:
Atleta em pé,
pernas unidas, em cima de um banco ou de uma cadeira, flexionar o tronco com os
braços estendidos para baixo, procurando com a ponta dos dedos das mãos
alcançar o ponto mais baixo possível.
Material:Uma fita
métrica e um banco ou cadeira.
Classificação do
teste de flexibilidade dos músculos lombares (geral), conforme índice apurado
na sua execução.
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Índice |
Conceito |
|
Menos de 6cm |
Muito Fraco |
|
Menos de 5 a 1cm |
Fraco |
|
0 |
Regular |
|
Mais de 1 a 5 cm |
Bom |
|
Mais de 6 a 10 |
Ótimo |

|
Muito Fraco |
Fraco |
Regular |
Bom |
Ótimo |
|
Menos de 6cm |
Menos de 5 a 1cm |
0 |
Mais de 1 a 5cm |
Mais de 6 a 10 |
j) Teste de
Velocidade – 50 metros
Execução:
a) O atleta deverá
realizar exercícios de efeito geral como forma de aquecimento para se preparar
para o esforço que o teste requer;
b) Após o
aquecimento, coloca-se o atleta a uma distância de 20 metros do ponto de
partida, de onde sairá em ritmo progressivo;
c) Ao ultrapassar
ao 20 metros e atingir o ponto de partida para os 50 metros estabelecidos, para
avaliação da velocidade, procurar atingir a sua velocidade máxima e mantê-la
até o final do percurso;
d) O cronômetro
será acionado pelo preparador físico, quando o atleta atingir a linha que
determina o final dos 20 metros e o início dos 50 metros.
Local: Pista de
atletismo ou campo de futebol.
Material: Uma fita
métrica e um cronômetro.
Classificação o
teste de velocidade, conforme índice apurado na sua execução.
|
Tempo Alcançado |
Conceito |
|
Acima de 7” |
Fraco |
|
De 6”.6 a 7” |
Bom |
|
De 6”.1 a 6”.5 |
Muito Bom |
|
De 5”.6 a 6” |
Ótimo |
|
De 5” a 5”.5 |
Excelente |

|
Regular |
Bom |
Ótimo |
Excelente |
Fraco |
|
6”.6 a 7” |
6”.1 a 6”.5 |
5”.6 a 6” |
5” a 5”.5. |
Acima de 7” |