2.4  A CRIANÇA DOS QUATRO AOS DOZE ANOS

Esse item foi baseado em LUCENA (1994:4), SANTANA (1996). Sendo desmembrado nas faixas etárias que dizem respeito a pesquisa.

Quatro aos doze anos

Ao interagir com crianças dentro dessa faixa etária, faz-se necessário identificar seus interesses, necessidades, possibilidades, anseios e dificuldades, para a partir daí estabelecer a proposta de ensino.

A criança tem seu mundo onde vive de forma unitária e integral, interessando-se pelo seu bem estar e das pessoas à sua volta, vendo tudo com afeição e simpatia. Respeitar seus limites, suas possibilidades e saber identificar suas características básicas de comportamento nas diferentes faixas etárias, em muito facilita a relação educador-educando no processo de ensino.

Quatro anos

Reproduz tudo que ouve e vê, tendo o corpo como instrumento de comunicação, sua musculatura de pernas é mais independente capaz de andar com ritmo alternado de passos, não exerce controle sobre a unilateralidade. Se interessa por atividades tipo correr, saltar, trepar, sendo bastante expansiva. Sua capacidade de concepção é menor. Maior facilidade em executar movimentos amplos, equilíbrio em desenvolvimento (estático e dinâmico).

Cinco Anos

Tem como referência o lar e os pais, apresentando traços de possessividade em relação às coisas que as cercam, sua capacidade de concentração é maior, estando aberta a receber instruções de forma a satisfazer-se pessoalmente, e ao mesmo tempo, buscar a aceitação em seu ambiente social. Aponta traços de melhor compreensão em relação ao espaço e tempo. Identifica-se mais com atividades naturais. Já apresenta lateral idade bem definida em relação a si própria. Melhor equilíbrio estático.

Seis Anos

Falta-lhe experiência na relação com pessoas ocorrendo-lhe insegurança em relação aos ambientes desconhecidos, tendo mais facilidade para participar de atividades com um companheiro do que com dois ou mais.

Como nas faixas etárias anteriores, tem no corpo sua principal linguagem para expressar suas idéias e sentimentos, suas participação em atividades fortalecem seu aprendizado em razão de sua auto-motivação, maior capacidade de concentração, melhor compreensão de informações verbais, capaz de executar ações motoras de baixa complexidade e maior domínio sobre as extremidades.

Sete Anos

Maior capacidade de comparar e ordenar experiências vividas maior participação em atividades que lhes proporcionem satisfação mais reflexiva maior compreensão e domínio sobre a lateralidade melhor noção de tempo e espaço; gosta de imitar e reproduzir ações. Equilíbrio em geral mais estruturado.

Oito Anos

Maior facilidade para participar de atividades em grupo, sendo bem expansiva, e com maior facilidade de expressão. Em termos motores está mais apta à executar tarefas em ritmos maus acelerados gosta de ser testada em atividades que envolvem força, agilidade, velocidade e destreza não gosta de ser muito cobrada podendo apresentar respostas de instabilidade emocional.

Nove Anos

Mais persistente no exercício de suas habilidades em razão da maior maturidade de seu sistema neuromotor, mais desenvoltura na execução de ações motoras de maior complexidade, mais crítica em relação aos acontecimentos à sua volta. Estando seus interesses subordinados aos interesses do grupo a que pertence. Maior facilidade para o convívio em grupo. Tem maior interesse pelo desporto em razão de ter comportamento motor mais hábil. Exerce bom domínio sobre o corpo, sendo capaz de executar gestos desportivos com mais refino. Maior capacidade de interação com companheiros.

Dez Anos

Apresenta traços individuais bem definidos, estando aberta às informações oriundas de seu ambiente. Mais interativa nos jogos em grupo, maior capacidade de concentração e melhor noção de tempo e espaço. Lateralidade definida e domínio das extremidades mais estruturado. Maior interesse por atividades que envolvem competição.

Onze e doze anos

Idade de transição, onde a criança apresenta maior amadurecimento bio-psico-físico e social, exercendo maior participação no conjunto de atividades que a envolvem, senso crítico aguçado, tendo maior domínio sobre suas capacidades motoras, facilitando sua relação com as atividades desportivas em geral. Seus sentidos estão bem coordenados em relação às respostas motoras, facilitando a execução de ações motoras bem mais complexas.

Respeitar as diferentes etapas de desenvolvimento da criança, conhecer seu perfil nas diferentes faixas etárias e estabelecer uma linha de ensino bem elaborada, fortalecem o aprendizado tomando-o seguro e duradouro.                                                                                                               

de uma 2.5  iniciação desportiva

Segundo LUCENA (1994:6), FONSECA (1997) “aprender um desporto, seria adequar algumas técnicas corporais básicas às características modalidade esportiva. No Futsal, as técnicas individuais empregadas durante a prática do jogo, são fundamentalmente influenciadas pelos componentes de: equilíbrio, ritmo, coordenação em geral, espaço e tempo”.

Para que, ocorra um aprendizado progressivo e bem fundamentado, é importante que a criança obtenha níveis mínimos de desenvolvimento de suas qualidades físicas; psíquicas e motoras, sendo capaz de exercer total domínio sobre técnicas corporais básicas; para então iniciá-la no aprendizado dos elementos componentes das diferentes técnicas individuais específicas do futsal.

No início do aprendizado é comum que os gestos motores sejam executados de forma insegura, descoordenados e imprecisos, passando a adquirir maior plasticidade em sua execução, a partir da prática sistemática de atividades adequadamente planejadas, orientadas no sentido de que os gestos motores tornem-se gradualmente mais consistentes, possibilitando a execução das técnicas específicas com mais dinamismo, precisão, eficácia e economia de função.

Ainda LUCENA (1994) cita alguns aspectos básicos que devem ser observados no aprendizado do futsal:

- Conhecimento do perfil da criança;

- Desenvolvimento dos componentes motores básicos;

- Procedimentos básicos de ensino;

- Linguagem didático-esportiva.

- Conhecimento do perfil da Criança

Possibilita a maior interação professor-aluno, pois conhecendo suas características de comportamento, limites e possibilidades, torna-se possível estabelecer uma linha de ensino adequada às possibilidades de realização da criança.

Desenvolvimento dos Componentes motores básicos

Fortalecer na criança a capacidade de executar de forma plena, a combinação de todos os movimentos possíveis, específicos ou não do desporto, pois através da aquisição de bons hábitos motores, e do domínio de técnicas elementares; é que se fundamenta progressivamente o desenvolvimento técnico da criança.

Procedimento Básico de Ensino

Ao estabelecer a relação entre o ensino e à aprendizagem, alguns procedimentos básicos devem ser observados pelo educador, procedimentos estes que atuam como agente facilitador da aprendizagem, proporcionando maior suporte didático, pedagógico, as aulas e a todo o processo de ensino, São eles:

- Conhecimentos compatíveis com as exigências da área de atuação;

- Proporcionar à criança a maior variedade possível de experiências motoras (formação do acervo motor);

- Iniciar o ensino com atividades simples compatíveis com suas possibilidades de realização;

- Elaborar atividades de acordo com o interesse das crianças, observando e não permitindo as manifestações de cansaço, impaciência e desinteresse;

- Observar e diagnosticar comportamento que evidenciem interferências negativas do emocional nas ações motoras (nervosismo, falta de concentração, cansaço etc.);

- Desenvolver as ações de ensino, utilizando atividades naturais, aplicadas de forma prazerosa;

- Utilizar linguagem objetiva e fácil de compreensão;

- Evitar preocupações com performance, favorecendo o aprendizado total;

- Facilitar a adaptação da criança ao material didático e ao ambiente de ensino;

- Atividades das mais simples para as mais complexas;

- Diferenciar o ensino, de acordo com a condição motora da criança;

- Despertar na criança o interesse pela didática desportiva;

- Utilizar competições como incentivo, possibilitando a participação de todas as crianças no contexto;

- Diversificar atividades caso a criança demonstre impaciência ou desinteresse;

- Avaliar respostas individuais ao aprendizado, corrigindo erros que venham a ocorrer durante o processo de ensino;

- Atividades lúdicas combinando as formais;

- Valorizar a experimentação dos gestos motores específicos do desporto;

- Desenvolver a disposição favorável ao aprendizado;

- Planejamento prévio das atividades a serem ministradas e

- Transmitir o gosto de aprender e de se aperfeiçoar. 

Linguagem Didático-esportiva

Na aprendizagem de um desporto, faz-se necessário observar as ações motoras contidas nas diferentes técnicas individuais e suas implicações na execução dos elementos de jogo (passes, chutes, drible, condução). A partir dessas observações identificar, listar, classificar e definir tais elementos e ações motoras, a fim de que se possa estabelecer uma linguagem didático esportiva, tornando-se condição básica para se desenvolver o aprendizado dentro de uma boa seqüência pedagógica de ensino.

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