Parece
mentira que coisas tão diferentes
Vistas de
longe, pelo leviano olhar
Transformem-se
no mesmo, indistinto
Falar,
menear, exibir, representar.
A fronte
franzida, o olhar paralizado
A voz
preocupada, engasgada pelo impasse
Fácil,
confundem-se com a perplexa face
E com os
olhos brilhantes, loucos por ver.
As mesmas
opiniões, cheias de berloques
Que saem
couraçadas, ávidas por aprovação
Passam
límpidas pelos mais desavisados
Fingindo
expressar sentimentos, deslizando.
Um enorme
teatro, dois palcos parecidos
No
cenário, nos adereços, no figurino
Alguns
rostos pálidos empoados e sofridos
Máscaras
do choro e do riso.
Aparentemente
tudo igual.
Mas um
está fora de mim, é pantomima
Nele sou
charlatão, embusteiro, impostor
Mentiras
repetidas que parecem verdades
O outro
está em mim, está em você
Está em
tudo, é tudo, até mentiras.
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