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MINHAS FILHAS
MEUS AMORES,
AMÁ-LAS-EI
ENQUANTO VIVO,
MESMO QUE
QUANDO CRESCEREM
NÃO ME DÊEM
VALOR NENHUM

MINHAS FILHAS

Lindas meninas, singelas, serenas
Me aparecem na mente lembranças
De quando ainda eram bem pequenas
Muitas alegrias, lindas crianças

Lembro das primeiras dores
Onde corria desesperado para amenizá-las
Saia cedo do trabalho, meus amores !
Queria eu senti-las e acalmá-las

Estou agora um pouco distante
Tudo contra a minha vontade
Tenho feito de tudo para ir adiante
De voces tenho muita saudade

Dizem que um pai é mais duro
Pura bobagem, não é verdade
Podem até criticar, maldizer
Não sentem na pele a realidade

Me preocupo e sinto agonia
Tudo que queria neste mundo
Seria ser presente, atuante
Estar em suas companhia
Ainda fazem e fizeram de tudo
Para acabar com esta alegria

Quando uma roupa nova usavam
Percebia o quanto seus olhinhos brilhavam
Ficavam na frente do espelho
E ao menor elogio, aos sorrisos
Sinceros, infantis, se desmanchavam

Lembro das primeiras lições
Cada garrancho esquisito
Devagarinho foi melhorando
E até li versos bem bonitos

Algumas lições não sabiam
Mas, queriam que eu fizesse
Não apenas só auxiliasse
Eu explicava, isto não podiam

E as brigas por coisa banal
As vezes tinha eu que interferir
Mas, rapidamente esqueciam de tudo
Iam brincar, voltando tudo ao normal

Também disputavam nosso amor
Querendo cada uma agradar mais
Tanto a mãe quanto o pai
Isto sim tinha um grande sabor

Quando posso procuro vê-las
É penoso não participar ativamente
Acompanhar seus movimentos e momentos
Poder amenizar os problemas
Esta distância é como não tê-las

As vezes me pego andando
Sem rumo nem destino
É nelas que estou pensando
Isto vai me consumindo
Arimar vieira da Costa

ARREPENDIMENTO

Agora me procuras, arrependida
Deverias ter pensado antes
Estás debilitada, só e ferida
Não é problema meu, como outrora

Cuidaria eu de ti até a morte
Amei-te demais, como não agora
Aproveitastes da bela imagem
Era desejada por muitos
Usou, foi muito usada, que sorte!

Você não sabe sofri em demasia
Foram varias vezes que te procurei
E sempre desprezado, que ironia !
Hoje tenho certeza, te amei
Mas, infelizmente nada por ti farei

Não entendas como vingança
Ninguém viu meu sofrimento
Ninguém, nunca conseguiu
Pois, eu sorria a todo momento
Mesmo com esta dor no peito

Por Deus, não queria vê-la assim
Eu também não sou perfeito
Posso não ter feito fortuna
Riqueza era o que tu querias
Não teve a menor piedade de mim

Você não tem culpa de nada
O único culpado, fui eu
Sabia onde estava me embrenhando
Durante anos estive me enganando
Sonhei que mudarias
Como você foi safada!
Arimar Vieira da Costa

Cadê a Alegria ?

Estou tentando escrever uma música alegre
Não estou tendo muita ou nenhuma inspiração
Se está chegando minha hora que Deus logo me leve
Estou agora no telhado, para arrumar a antena
Alguém olhando na telinha, me diz se está bom ou não

O dia se vai e a vida também
Por muitos anos te desejei, te amando
Do teu lado muito tempo, te venerando
Como é chato, triste perder alguém

É ! Tentei escrever alguma coisa alegre
Poxa ! Só fiquei na vontade
E se for falar da maldita saudade
Oh ! Se for minha hora que Deus me leve
Desço do telhado, já deve estar bom
Credo, tudo errado, imagem turva
Outra hora arrumo, lá vem a chuva

O dia se foi, chegou a noite
Tristeza e solidão, cruéis companheiras
Meu Deus ! A saudade me levará a loucura
Porque me torturaste a vida inteira ?

Ha ! Ha ! Ha ! Onde está alegria ?
Se alguém souber, que me diga
Qual a receita ? Tem um caminho ?
Socorrer várias pessoas me agradaria
É triste demais seguir sozinho
Se alguém me dissesse, podes crer
Eu dividiria com os outros pelo menos um pouquinho
Arimar Vieira da Costa

A NATUREZA

Imaginem se plantas, peixes e aves
Pudessem conosco se comunicar
Coisas boas não iríamos ouvir
De que forma iríamos nos explicar ?
Do jeito que as coisas vão indo
Breve iremos todos sucumbir

A mãe natureza é bela, não tola
Paciente.......mas, um dia cobra
Por mais sábio ou rico
Que algum homem se julgue
Jamais escapará da degola

Talvez, por um tempo qualquer
Um tempo mais que os simples mortais
No entanto, não haverá lugar no mundo
Pra se esquivar quando a fúria vier

Se amamos nossos descendentes
Deixemos para eles um mundo melhor
Reflitam sobre seus filhos e netos
Passa o tempo, a ganância deixa tudo pior

Dinheiro não compra saúde nem sorte
Quem hostiliza a mãe natureza
Não percebe no momento imediato
Quando cair em si...pagará com a morte

Arimar Vieira da Costa

MÁGOAS

Quando, você me procurou
Nem pensei, dei-lhe as costas
Ah! estava eu muito magoado
ferido e com razão, cheio de revolta
Lhe disse entre muitas outras coisas
Que esse mundo dá várias voltas

Zombaste de mim, ainda me lembro
O que foi sério virou uma grande piada
Disse-lhe que um dia se arrependeria
Pairou o silêncio por um breve instante........
...........e depois para minha tristeza
Me respondeste com uma sonora gargalhada
Tantos anos da mais pura dedicação
Em poucos minutos transformaram-se em nada

No fundo, até me arrependo
Poderia eu ter-lhe dado ouvido
Mas, não queria correr o mesmo risco
De passar por tudo aquilo novamente
E depois sentir o que tenho sentido
Você mulher!... sabe muito bem o que digo


Arimar Vieira da Costa

ZÉ MANÉ
(história sem fim)

_ E aí cara, conseguiu arrumar alguma coisa? Pergunta-lhe um amigo.

_ Não, ainda não, mas não posso desanimar, pois, tenho uma bela esposa e duas filhas que contam comigo. Amanhã irei novamente e com certeza haverei de conseguir.

Zé Mané, como de costume, sai duas ou três vezes por semana na intenção de conseguir um emprego.

Apesar de ser um bom profissional, saudável e boa aparência, por estar com mais de quarenta anos, tem sido recusado em várias empresas, tendo inclusive sido humilhado em muitas, entretanto para doar sangue e ser voluntário esta extremamente habilitado.

Nalguns dias Zé Mané, descola alguns trocados em bicos para pelo menos manter o essencial, porém não é sempre que aparece.

Como a situação está cada vez mais difícil, Zé Mané vai trabalhar na economia informal. Durante muito tempo consegue o sustento da família. No entanto começa a ser perseguido junto com os demais pais de família pelos fiscais municipais, que devido a revolta de alguns , passa a agir com o auxilio de policiais.

Como a perseguição não diminui, passa a perder todo o material que conseguira levantando bem cedo e ficando até altas horas no que julgava como um trabalho.

Zé Mané, revoltado e desanimado dirige-se até a prefeitura para tentar explicar aos fiscais que não tinha como se manter e que precisava da mercadoria que os mesmos haviam apreendido.

Ao chegar no setor de apreensões ouve de longe as gargalhadas e comentários escarniados do pessoal que os havia minutos atrás tomado as mercadorias.

_Você viu aquele otário que tentou correr e acabou tropeçando, espalhando a mercadoria pelo chão... há.. há.. há... há......

Sentiu uma tremenda revolta, mas procurou ficar calmo e tentou reaver o que havia perdido.

Tentou explicar-se, mas riam todos e mandavam-no a um por um, onde rindo encaminhava-o para outro e era tratado da mesma maneira, até que por fim desanimou e foi embora.

No dia seguinte, explicou à esposa o que acontecera e com o pouco que lhe restara saiu a procura de emprego, voltando para casa sem nenhum dos dois, mas a esposa disse-lhe que arrumara emprego como diarista e o ajudaria até se equilibrar.

Zé Mané nota que sua esposa passa a tratá-lo de uma forma diferente após começar a trabalhar e desespera-se, não poderia viver sem a família. Conversando com alguns conhecidos ouve os maiores absurdos e eram pessoas que estavam numa situação parecida com a sua.

_Você tem coragem de assaltar? Tem coragem de matar?

_ Não, nunca. Sempre fui muito correto em minha vida. Responde Zé Mané assustado com a proposta de alguns.

_ Então meu camarada morra de fome, pois emprego na nossa idade é praticamente impossível.

Zé Mané morava em uma casa no terreno da sogra e durante muitos anos até ajudou a sustentar sem saber, várias pessoas, pois como esteve ganhando razoavelmente bem, fazia compras enormes, que sumiam bem antes do tempo previsto, mas como estava com dinheiro não se importava com isso.

É ....o casamento parecia estar chegando ao fim.

Zé Mané fica revoltado e diz a um amigo:

_ Que merda cara ! A gente sustenta uma mulher durante anos, basta você cair em uma dificuldade mesmo que seja momentânea para ser desprezado.

E o amigo lhe responde, também com ares de revolta:

_ Meu caro, um homem suporta uma carga dessa a vida inteira sem reclamar, mas uma mulher passa a humilhar o companheiro por um breve momento em que ela segura as cargas de uma casa e só não se importa em ajudar se for um garotão, mesmo que o sujeito jamais tenha lhe dado alguma coisa e isso eu já cansei de ver.

Zé Mané até era esclarecido, conversava de maneira bem popular, mas sabia colocar os verbos em seu devido lugar e ao ficar entre pessoas de maior cultura dialogava sem nenhum embaraço, tinha boa saúde e uma aparência dentro dos padrões exigidos pela sociedade, mas nem assim arrumava emprego, o que fazia com que perdesse o respeito próprio, já estava julgando-se inútil, imprestável.

Um certo dia ao sair para de novo procurar emprego, encontra um conhecido com um carrão, quase do ano, que ao vê-lo, pede um minuto de prosa, oferecendo-lhe carona.

Durante o caminho pergunta a Zé Mané como vai a vida. Zé Mané diz-lhe o que estava acontecendo. Este conhecido esbraveja com Zé Mané:

_ Deixe de ser otário! Com a idade que você está nunca vai conseguir trabalho, veja o desemprego e não é só aqui não, eu viajo pelo país inteiro e é só o que vejo. Se você quizer trabalhar comigo, te garanto que conseguira levantar um bom dinheiro.

Zé Mané fica eufórico e pergunta ao conhecido que trabalho seria e o conhecido responde-lhe:

_ Drogas, meu caro! Nada dá tanto dinheiro como drogas!

_Não, não e não responde Zé Mané assustado.... isso é muito perigoso, a polícia nos prende e já soube de várias pessoas que morreram envolvidas nisso. O conhecido dá uma sonora gargalhada e explica para o amigo:

_ Cara, isso é um negócio muito rentável, por trás desse comércio está um batalhão de pessoas endinheiradas e alguns dos figurões responsáveis pela administração pública, que aparecem em noticiários como salvadores da pátria, onde de vez em quando prende-se alguém, porém é para dar uma satisfação para a sociedade, logo é solto e quando você vê morrer alguém pode ter certeza que é algum sujeito que tenha dado uma grave mancada, dedo-duro, viciado ou um concorrente e que ao morrer passa por perigoso traficante, mas nem sempre o é.

_ E se a polícia me prender, como vou encarar minha família, eu não conseguirei olhar nos olhos de minhas filhas e de minha esposa. Diz Zé Mané que está acostumado a andar correto, entretanto não está encontrando saída.

_ Porra meu, você é inteligente, saberá se comportar e poderá dar o conforto que sua família merece e precisa, basta trabalhar direitinho. Lhe dou alguns dias para pensar, este é meu telefone e ficarei aguardando um retorno seu. Quanto a ser preso fique tranquilo, só peixe pequeno é que vai preso, sempre foi assim.

Aquela cena não sai da cabeça de Zé Mané, o amigo de carrão e roupas muito boas, relógio dourado no pulso, correntes de ouro no pescoço, que passa a pensar besteiras, mas pensa na família e resolve esquecer o assunto.

Durante alguns meses tenta sem nada conseguir, já estava ficando desesperado e lembra do amigo, resolve então procurá-lo.

Quando o amigo ouve sua voz, prontamente reconhece-o e dá-lhe um endereço para que pudessem conversar melhor.

Vão até uma lanchonete bem afastada da área central e pede ao dono que

Não sejam incomodados. Passa todos os procedimentos a Zé Mané que ouve atentamente. No dia seguinte já iria começar esse novo empreendimento.

Em muito pouco tempo Zé Mané muda de vida, passa a andar arrumado e compra um carro. A esposa preocupada pergunta-lhe o que estaria fazendo, pois a mudança estava sendo muito brusca, mas a resposta é que estaria trabalhando como corretor e teria tido muita sorte vendendo vários imóveis.

Nesse trabalho passa a conhecer vários policiais, com os quais fazia os acertos em espécie mensalmente e também combinariam as apreensões que os mesmos teriam que fazer de vez em quando para satisfazer os anseios da sociedade. Como era uma cidade com vários sítios, aconselharam Zé Mané a buscar bosta de vaca e que deixasse secando, pois a mesma quando seca fica idêntica ao "bagulho" e também quem seria preso, tudo como encenação e depois os soltariam.

Como era bem controlado com seus gastos, passa a negociar com dinheiro próprio alguns negócios.

Durante muito tempo ganha rios de dinheiro, causando preocupação do amigo que o colocara nisso, que o chama para conversar.

_ Zé Mané, você está indo longe demais, logo os chefões ficarão amedrontados e poderão tomar uma atitude de represália contigo, estou lhe avisando pois, gosto muito de ti.

Zé Mané ignora o aviso e começa a frequentar altas rodas, conhece prefeito e várias outras celebridades do município, muda-se para uma casa que mais parecia uma fortaleza medieval rodeada de seguranças, que também passam a acompanhá-lo e seus familiares, onde quer que fossem.

Logo domina o tráfico da região, eliminando seus antigos patrões. Na procura de outros locais para expandir seus lucrativos negócios encontra problemas, mas, resolve com a eliminação dos concorrentes.

Zé Mané tinha se tornado uma pessoa amarga e violenta, entretanto para a família era exemplar, até ajudara alguns parentes de sua esposa, mas não revelava suas atividades.

Certo dia em seu laser, em uma praia, vê uma pessoa pegando latinhas de aluminio e reconhece-o, chamando para tirar a dúvida:

_ Senhor, já não lhe conheço de algum lugar?

O senhor sem levantar a face diz-lhe que poderia ser dalí mesmo, pois já fazia tempo que morava nas imediações.

Zé Mané insiste e pede que lhe olhe nos olhos reconhecendo imediatamente.

_ João ninguém! Cara como você está acabado! O que aconteceu contigo? Sente-se aqui e me conte.

João ninguém até que reconheceu o amigo, porém ficou envergonhado pela situação que estava atravessando, como não teve como desviar sentou e esclareceu:

_Zé Mané, há muito tempo que estou procurando emprego, todavia depois que passei dos quarenta anos tem sido difícil, houve ocasiões em que quem me entrevistava perguntava-me se a vaga era para meu filho e em alguns casos, nem resposta me davam, gargalhavam e eu acabava entendendo e me retirava arrasado. Perdi família, dignidade e auto estima, ando o dia todo pegando latinhas para sobreviver.

Zé Mané, voltando no tempo lembrou-se que alguém um dia o ajudara e conversa com João Ninguém, mas quando explica o "trabalho" , João ninguém que sempre fora honesto recusa imediatamente, diz-lhe que preferia ficar o resto da vida pegando latinha. Aí....... Zé Mané, fala ao amigo que também tivera esta guerra com a própria consciência e após muito pensar, mudou de idéia e hoje estava colhendo os frutos, apesar de ser de origem sombria e desonesta, tinha conforto, respeito e um padrão excelente de vida, onde vivia como celebridade.

Após breve silêncio, Zé Mané entrega um telefone ao amigo e diz-lhe para pensar e que se mudasse de idéia, bastaria procurá-lo que seria prontamente atendido.

Depois de vários meses, ... na casa de Zé Mané toca o telefone. Era João ninguém. Pensou muito e resolveu aceitar a mão do amigo. Combinam local e horário para tratarem do assunto.

Tudo resolvido e João Ninguém começa a "trabalhar".

João ninguém passa a gastar em demasia e começa a comprometer Zé Mané, que então resolve chamá-lo para conversar:

_ João Ninguém, meu caro não dê essas vaciladas, você pode comprometer a mim e várias pessoas graúdas, sou seu amigo, mas as pessoas com as quais estou envolvido têm muito poder e pouca paciência e por muito menos já mandaram pessoas para o outro lado da vida, entende? Eu é que estou segurando as rédeas, mas não sei por quanto tempo!

João ninguém ouve cabisbaixo e atentamente o que o amigo lhe dissera e promete que fará tudo de acordo com as normas estabelecidas pelos empreendedores e retira-se.

João Ninguém passa a controlar-se e junta dinheiro, passando a ser respeitado por todos, causando em Zé Mané preocupação que lembrou-se do que acontecera consigo, chama o amigo novamente para conversar.

João ninguém, você está indo longe demais, logo os chefões...................................................

Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com fatos e/ou pessoas terá sido mera conincidência...??????????????????????
Arimar Vieira da Costa
                        
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