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ESTAÇÃO CLINICAS

Estava amanhecendo e nada daquela senhora levantar-se.

Zé ninguém vai até o quarto de sua mãe e nota que está febril e sem condições de fazer nada.

Como ela teria dito no dia anterior que buscaria seus remédios, que são de uso contínuo e não poderia passar daquele dia e hora marcados, Zé ninguém pergunta-lhe o que poderia ser feito.

Zé ninguém está desempregado e não tem uma moeda no bolso para pagar a viagem de""METRÔ."" Pega o bilhete de sua mãe, que é de uso restrito e doado à pessoas idosas. Pensa,...repensa,... e julga não ter outra saída, teria que usá-lo, mas, poderia trazer problemas para sua mãe. Mas o que fazer? Tratava-se de uma emergência, os minutos estavam passando e logo estaria fora do horário estabelecido.

Seja o que Deus quizer! Vou ter que arriscar, pensa Zé ninguém. Segue em direção da estação com a receita e o bilhete de sua mâe.

Ao chegar na estação, nervoso, coloca o bilhete no orificio indicado e recebe-o de volta, rapidamente passa e dirige-se à plataforma, aliviado, enfim tinha conseguido passar sem problemas,logo estaria na estação ""CLÍNICAS"" e poderia levar o remédio para sua mãe e tinha pressa, pois, tinha deixado-a em casa acamada.

Depois de algum tempo de espera recebe os medicamentos. Dirige-se à estação ""CLÍNICAS"" e quando estava dentro da estação, já indo em direção da plataforma foi barrado por um senhor de origem oriental, possivelmente japonesa,que pede a Zé ninguém seu bilhete.

Zé ninguém, congela e gaguejando entrega-lhe o bilhete. Aquele senhor de traços orientais solta uma gargalhada irônica e diz-lhe:

- Este bilhete é de pessoa idosa e o sr não poderia estar usando-o. Zé ninguém, assustado e trêmulo, responde-lhe:

- Eu tenho consciência disso, porém, minha mãe está adoentada temporariamente, estão aqui a receita e os remédios que ela teria que pegá-los hoje, somente hoje, sendo de uso contínuo e infelizmente estou desempregado, não tendo dinheiro para pagar a passagem.

""- ESSA PORRA DE PAÍS ESTÁ ESTA MERDA POR CAUSA DE PESSOAS COMO VOCÊ."" E afasta-se virando de costas para Zé ninguém, que indignado procura saber se teria uma pessoa com a qual pudesse resolver esse impasse.

Depois de esperar por muito tempo aparece um senhor , alto de bigodes, bem magro e arrogantemente diz a Zé ninguém:

_ Suma daqui, você está totalmente errado, mas, Zé ninguém tenta argumentar e mostrando a receita tenta lhe explicar:

_ Estes rémedios são de uso contínuo, caso não pudesse pegá-los hoje, minha mãe teria que passar pelo médico novamente e sabe-se lá quando poderia pegá-los, não se pode fugir dessas datas. Eu jamais usei esse bilhete, tenho consciência de que ele é de uso restrito, porém estou desempregado, minha mãe está adoentada e portanto impossibilitada de locomover-se até o referido hospital.

_ Foda-se você e sua mãe, isto não é problema meu. E é melhor o sr ir se mandando antes que a situação piore. Vamos, desinfeta daqui! Baralho!!!!

Zé ninguem abaixa a cabeça percebendo que de fato a situação poderia piorar, pois já estavam chegando vários outros funcionários uniformizados do Mêtro e vai-se embora.

Ficou revoltado, durante alguns dias não conseguia dormir direito e não saia de sua cabeça o que aquele japonês lhe tivera dito:

""_ ESSA PORRA DE PAÍS ESTÁ ESSA MERDA POR CAUSA DE PESSOAS COMO VOCÊ.""

Tentou entrar em contato com a ouvidoria, no entanto nunca obteve resposta.

Esta é uma obra de"ficção", qualquer semelhança com fatos e/ou pessoas é a pura "realidade".
Arimar Vieira da Costa

PRISÃO PERPÉTUA

Como se conformar?
Por que se conformar?
Minha natureza não comporta
Cansado de ver tantas covardias
Ando entupido de revolta

Para o pobre a justiça engatinha
Nem sempre com ganho de causa
Aos ricos a velocidade da luz
Ou quando lhes interessa, trava

Noutros tempos teria eu morrido
Se rico fosse, certamente seria banido
Temos hoje liberdade de expressão
De que adianta, se nada é resolvido

De que adianta tanta revolta?
Até quem é massacrado, pouco se importa!
Se conforma, omisso, ainda me condena
Mesmo sabendo que estamos injustamente
Cumprindo e continuaremos, a mesma pena.
Arimar Vieira da Costa

MEU PAI, MEU AMIGO

Quanto tempo, quanta saudade
Varios anos, mudos um de cada lado
Que pena! Quantas primaveras perdidas
Nem de mim, nem de ti houve maldade

Sei que fostes meu melhor amigo
Apesar de não termos muito contacto
Quantas broncas, quantas sovas, meu pai!
Que saudade! Queria estar contigo

Não falamos sobre tantos assuntos
Aprendi quase tudo na rua
Mas, sempre sob seus olhos atentos
Se eu desse um passo errado
Com certeza me corrigirias
Que saudade! Gostaria de poder estarmos juntos

Porque perdemos tanto tempo
Nos fizemos amigos tão tarde
Quantos momentos felizes perdemos
Nossas vidas ficaram soltas ao vento

Vez ou outra raiva até eu tinha
Hoje tenho filhos, consigo ver melhor
Como amamos nossas crianças
Claro como a luz do dia
O que eu julgava coisa mesquinha

Onde você estiver, olhe por mim
Saudade aos montes sempre hei de sentir
Queria saber se podes me ouvir
Se me ouves, de coração lhe peço
Procuro ser amigo de meus filhos
Desejo que me ajudes a continuar assim
Arimar Vieira da Costa

HISTÓRIA DE UMA VIDA

Muito pequeno, no colo dos pais
Chegava nesta grande capital
A mais de quarenta anos atrás
Um personagem que tentou
E ousou conquistar seus ideais

De uma pobreza sem igual
Digo, no sentido material
Teve uma infância natural
Porque naqueles bons tempos
A criança era só criança, normal

Não tinham a televisão
Como principal diversão
Eram muito mais criativos
Faziam seus próprios brinquedos
E eram muito bem instruidos
Tanto pelos pais, e também
Pelos orgãos ora instituidos

Chegando a uma certa idade
Como sempre acontece
Sendo de família muito pobre
Tem que ir trabalhar
E com isso muitas vezes
De estudar se esquece

Devido ao sucesso alcançado
Por onde quer que tenha passado
Desperta uma grande preocupação
Sendo alvo de arapucas e falcatruas
Soberanos e veementes, subjulgam
Acarretando a sua supressão

Não acostumado com falsidades
Pois, assim não fôra criado
Resolve partir para um trabalho
Em que poderia ser melhor remunerado

Estava muito resolvido, então
Depois de muito procurar
Finalmente conseguiu encontrar
E alugou um singelo salão

Tudo caminhava bem
Obtivera recursos que puderam
Dar-lhe objetos que outrora
Não passaria de sonhos, porém
Num dia muito bonito
Depois de um árduo trabalho
Tudo foi por água abaixo
Ao retornar para o lar
No caminho foi interceptado
Por policiais que erronêamente
O deixaram literalmente massacrado

Ia indo por uma rua sossegado
Quando , de repente assustado!!
Pelo retrovisor de seu auto
Num reflexo brusco, exagerado

Duma viatura militar
Que pensara, queria passar
Deu passagem, que engano!
Foram para o mesmo lugar
Apavorado, com o brilho do farol
Foi num barranco parar

Mal pode descer do veículo para entender
O que estava acontecendo
Não teve tempo sequer de perguntar
Bordoadas logo foi recebendo

Indo horas depois acordar
Num leito de pronto-socorro
Todo marcado por hematomas
Com um antebraço quebrado
Muito longe do ocorrido
E sem poder sequer reclamar

Fora levado ao distrito
Para o boletim elaborar
Onde o infeliz foi citado
De um acidente provocar
Causando lesões em soldados
Daquela viatura militar

Durante um bom tempo
Não podendo trabalhar
Ficando sem numerário
Para poder se sustentar

Como estava com a razão
Seus direitos foi procurar
E acreditem! Até hoje
Vinte e poucos anos depois
Ainda não conseguiu encontrar

Por onde quer que tenha procurado
Foi sempre, sempre enganado
E o seu sonho de uma vida melhor
Tem ido de mal a pior
Andando assustado, preocupado, desanimado
Tudo que vê assombra, desola
O jeito é ir levando a vida por aí afóra......
Arimar Vieira da Costa

                        
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