PRISÃO PERPÉTUA
Como se conformar?
Por que se conformar?
Minha natureza não comporta
Cansado de ver tantas covardias
Ando entupido de revolta
Para o pobre a justiça engatinha
Nem sempre com ganho de causa
Aos ricos a velocidade da luz
Ou quando lhes interessa, trava
Noutros tempos teria eu morrido
Se rico fosse, certamente seria banido
Temos hoje liberdade de expressão
De que adianta, se nada é resolvido
De que adianta tanta revolta?
Até quem é massacrado, pouco se importa!
Se conforma, omisso, ainda me condena
Mesmo sabendo que estamos injustamente
Cumprindo e continuaremos, a mesma pena.
Arimar Vieira da Costa
MEU PAI, MEU AMIGO
Quanto tempo, quanta saudade
Varios anos, mudos um de cada lado
Que pena! Quantas primaveras perdidas
Nem de mim, nem de ti houve maldade
Sei que fostes meu melhor amigo
Apesar de não termos muito contacto
Quantas broncas, quantas sovas, meu pai!
Que saudade! Queria estar contigo
Não falamos sobre tantos assuntos
Aprendi quase tudo na rua
Mas, sempre sob seus olhos atentos
Se eu desse um passo errado
Com certeza me corrigirias
Que saudade! Gostaria de poder estarmos juntos
Porque perdemos tanto tempo
Nos fizemos amigos tão tarde
Quantos momentos felizes perdemos
Nossas vidas ficaram soltas ao vento
Vez ou outra raiva até eu tinha
Hoje tenho filhos, consigo ver melhor
Como amamos nossas crianças
Claro como a luz do dia
O que eu julgava coisa mesquinha
Onde você estiver, olhe por mim
Saudade aos montes sempre hei de sentir
Queria saber se podes me ouvir
Se me ouves, de coração lhe peço
Procuro ser amigo de meus filhos
Desejo que me ajudes a continuar assim
Arimar Vieira da Costa
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HISTÓRIA DE UMA VIDA
Muito pequeno, no colo dos pais
Chegava nesta grande capital
A mais de quarenta anos atrás
Um personagem que tentou
E ousou conquistar seus ideais
De uma pobreza sem igual
Digo, no sentido material
Teve uma infância natural
Porque naqueles bons tempos
A criança era só criança, normal
Não tinham a televisão
Como principal diversão
Eram muito mais criativos
Faziam seus próprios brinquedos
E eram muito bem instruidos
Tanto pelos pais, e também
Pelos orgãos ora instituidos
Chegando a uma certa idade
Como sempre acontece
Sendo de família muito pobre
Tem que ir trabalhar
E com isso muitas vezes
De estudar se esquece
Devido ao sucesso alcançado
Por onde quer que tenha passado
Desperta uma grande preocupação
Sendo alvo de arapucas e falcatruas
Soberanos e veementes, subjulgam
Acarretando a sua supressão
Não acostumado com falsidades
Pois, assim não fôra criado
Resolve partir para um trabalho
Em que poderia ser melhor remunerado
Estava muito resolvido, então
Depois de muito procurar
Finalmente conseguiu encontrar
E alugou um singelo salão
Tudo caminhava bem
Obtivera recursos que puderam
Dar-lhe objetos que outrora
Não passaria de sonhos, porém
Num dia muito bonito
Depois de um árduo trabalho
Tudo foi por água abaixo
Ao retornar para o lar
No caminho foi interceptado
Por policiais que erronêamente
O deixaram literalmente massacrado
Ia indo por uma rua sossegado
Quando , de repente assustado!!
Pelo retrovisor de seu auto
Num reflexo brusco, exagerado
Duma viatura militar
Que pensara, queria passar
Deu passagem, que engano!
Foram para o mesmo lugar
Apavorado, com o brilho do farol
Foi num barranco parar
Mal pode descer do veículo para entender
O que estava acontecendo
Não teve tempo sequer de perguntar
Bordoadas logo foi recebendo
Indo horas depois acordar
Num leito de pronto-socorro
Todo marcado por hematomas
Com um antebraço quebrado
Muito longe do ocorrido
E sem poder sequer reclamar
Fora levado ao distrito
Para o boletim elaborar
Onde o infeliz foi citado
De um acidente provocar
Causando lesões em soldados
Daquela viatura militar
Durante um bom tempo
Não podendo trabalhar
Ficando sem numerário
Para poder se sustentar
Como estava com a razão
Seus direitos foi procurar
E acreditem! Até hoje
Vinte e poucos anos depois
Ainda não conseguiu encontrar
Por onde quer que tenha procurado
Foi sempre, sempre enganado
E o seu sonho de uma vida melhor
Tem ido de mal a pior
Andando assustado, preocupado, desanimado
Tudo que vê assombra, desola
O jeito é ir levando a vida por aí afóra......
Arimar Vieira da Costa
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