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PESADÊLO

Que belo dia! Já estava preparado para mais um rotineiro dia de trabalho e partir dali algo mudaria na vida de Cláudio. Ele era um sujeito pacato e trabalhador, de boa índole e muito solitário.

Naquele belo dia conhece Clarisse, moça assanhada, de rara beleza e muita disposição para o trabalho. Conheceram-se, começaram a sair juntos e a amizade cresceu a tal ponto que não conseguiam ficar longe um do outro por muito tempo. Como o que sentiam era recíproco, resolveram morar juntos.

A princípio como não tinham possibilidades de arcar com a despesa de um aluguel, Cláudio foi morar com Clarisse juntamente com sua mãe. No primeiros dias tudo corria bem até que a mãe de Cláudio passou a ofendê-los literalmente e diariamente,bastava que eles entrassem em casa para que Dona Rosália partisse para as agressões verbais, o que foi tornando o relacionamento insuportável.

Como Cláudio tinha um carro, disse a Clarisse que o venderia e providenciaria uma casa para que pudessem morar. Levou alguns dias até que apareceu uma pessoa, interessou-se pelo carro resolvendo comprá-lo.

Com dinheiro na mão saiu no propósito de comprar uma casa e conseguiu na periferia. Ainda sobrou um pouco para comprar alguns móveis e o restante comprariam os dois trabalhando. Mudaram-se e a vida ia fluindo as mil maravilhas, tiveram duas filhas lindas, estavam progredindo, porém, parecia que Clarisse queria resultados mais brilhantes e mais rápidos.

Cláudio era louco pelas duas meninas que chegava a ser doentio tanto amor e era correspondido por elas também. De repente Clarisse passou a tratar Cláudio como estranho e o casamento foi por água abaixo. Cláudio procurou por Clarisse várias vezes e de nada adiantava mostrar seu amor, ela estava irredutível.

Cláudio estava tão triste e sem rumo que resolveu ir a um hotel para pensar com mais calma e no dia seguinte ver o que faria de seu destino, mas, chegou a desejar ardentemente voltar no tempo para corrigir alguns erros e tirar aquela dor do peito, estava barbudo, porém o cansaço era tão grande que deixou para fazer a barba no outro dia,pois não tinha animo para nada.

No dia seguinte como num passe de mágica, Cláudio acordara em um quarto estranho, porém familiar e ao chegar no banheiro para fazer a barba tomou um susto enorme. Tinha a face tão lisa como um bumbum de nêne e parecia bem mais novo. Seria um sonho? ou o pedido que tivera feito virara realidade! Não, não é possível!, tudo indicava que sim, mas, não esquecera de Clarisse e das meninas. Ainda atordoado vai até a casa que tivera comprado e ela nem existe, então passa a crer que realmente voltara no tempo.

Com vontade de pregar uma peça no destino e mudar um futuro pelo qual passara, percebendo que estaria próximo da época em que conhecera Clarisse, resolve sair da empresa que trabalhava e procurar outra, se possível longe daquele lugar.

Consegue se encaixar em uma empresa de grande porte e tem sucesso, galgando postos até atingir o máximo que poderia dentro da mesma. No entanto, apesar de seu progresso profissional e financeiro, seu amor por Clarissa não consegue apagar e nem tampouco se esquecer das meninas que naquela altura, já seriam mocinhas. Cláudio estava ficando louco, a situação era constrangedora, queria desabafar, mas, o que diriam? Este cara é louco!

Decide ir a uma boite para se divertir, pois trabalhava o tempo todo, só pensava em seu sucesso profissional. Bebeu bastante e distraia-se com as belas mulheres que o rodeavam até que uma em especial chamou sua atenção, ela dançava num palco todo espelhado, na penumbra e arrancava suspiros de todos presentes.

Era a mulher mais cobiçada da boite, de corpo escultural, sorriso maroto e muito bela. Estava tão embriagado que não conheceu Clarissa, ela era a moça que dançava naquele palco, investiu sobre ela e propôs-lhe um encontro amoroso no qual foi correspondido, mas, teria que pagá-la, afinal ela era uma profissional e foram para o ninho de amor.

Ao despertar olhou para a moça que estava ao seu lado, emudecido e perplexo notou que era Clarisse, o coração parecia que iria explodir, mas controlou-se e nada lhe contaria. Pede que o deixe levá-la para casa, ela concorda, porém, teria que deixá-la uma quadra antes de sua residência, estava casada e seu marido era muito violento, poderia maltratá-lo, talvez até coisa pior.

Angustiado e inconformado vai tocando até chegar em uma rua onde Clarisse pede para para que Cláudio pare e já descendo quando foi puxada pelo braço. Cláudio queria marcar um novo encontro, mas houve recusa. Clarisse não gostava de se envolver emocionalmente com clientes. Clarisse desce e some na esquina. Cláudio perturbado segue-a devagar.

Em um portão bem humilde ela para, está trancado, ela toca a campainha e aguarda. Sai um sujeito negro, forte, alto e de maneira animalesca toma-lhe a bolsa das mãos, abrindo-a e sacando o dinheiro que nela continha, esbravejando e esbofeteia Clarisse na calçada dizendo que seria muito pouco a quantia trazida por ela, que desta vez nada faria, mas, teria que se empenhar mais e estupidamente sem se importar com os lamentos da moça aos murros fez com que ela entrasse na casa.

Cláudio não se conformava com o que tivera visto,também não conseguia esquecer aquela que inexplicavelmente apesar de ter voltado no tempo ainda estava em seus pensamentos e lembrava-se frequentemente das meninas. Só que elas não existiiam, pois seriam filhas dos dois.

Voltou outras vezes naquela boite e não viu mais Clarisse. Procurou informações e ninguém quis dar qualquer notícia. Lembrou-se de onde a teria deixado e foi até lá, ficando dias esperando que ela saisse e pudesse conversar com ela, tudo inútil, estava desistindo, quando ela sai do portão e seguindo-a pela calçada vê quando entra em um supermercado.

Ela estava com a barriga um pouco maior que o normal. Grávida? Será? Estava e ao encontrá-la nos corredores do supermercado procura coversa, mas Clarisse esquiva-se pedindo para que Cláudio parasse de incomodá-la, insiste e é bruscamente interrompido pelo sujeito que morava com ela, sendo agredido por ele.

Inconformado e atonito segue seu caminho, mas, a situação estava insuportável, impossível tirá-la da cabeça, não conseguia trabalhar direito e percebendo a situação, seus superiores resolvem dar a Cláudio uma férias para que ele resolvesse seus problemas e retornasse como um bom funcionário que sempre fôra.

Quem acreditaria em sua história? Ninguém, era absurda demais. Era tudo tão estranho que até o próprio Cláudio chegava a duvidar.

Retorna ao trabalho e tenta tocar o barco, mas, Clarisse não abandona seus pensamentos , então contrata um detetive e o pede para segui-la, tirar fotos dela e do filho que a esta altura já teria nascido.

Passado alguns dias o detetive aparece com um monte de fotografias e para sua surpresa, ela tinha tido uma menina e a semelhança com a fillha que tiveram em outra convivência era tão absurda que Cláudio passou muito mal chegando a desmaiar e foi levado ao hospital, onde quando voltou a si, disse o ocorrido e todos balbuciavam que ele teria ficado louco, tal era o absurdo da história.

Cláudio passou a beber compulsivamente e nunca mais foi o mesmo, perdeu o emprêgo e virara um mendigo de rua. Quando despertou e percebeu que estava no quarto de hotel respirou aliviado, ainda que um pouco assustado. Levantou-se, fez a barba e decidiu procurar por Clarisse nem que fosse pela ultima vez.

Quando chegou na porta da casa onde moravam, Clarisse aparece e com um sorriso fraterno, abre os braços e agarrada em Cláudio chora copiosamente fazendo-o chorar também.

Passado o susto Cláudio conta-lhe o sonho que tivera e os dois agarrados juram amor eterno e que briga nenhuma jamais irá os separar.

Arimar Vieira da Costa

CANÇÃO DA DESPEDIDA


Amigos é com lagrimas nos olhos
Mas, nós temos que ir embora
Nos divertimos e também nos conhecemos
Mas, que pena!!!    já é chegada a hora
Vamos com o coração partido
Nada nos alegrou como agora

Não sabíamos como seríamos recebidos
Pregamos paz, alegria, saúde, harmonia
E não me importo em lhes repetir
Vocês nos trouxeram imensa alegria

Voltaremos e digo-vos com certeza
Não é possível saber agora qual o dia
E esperaremos contar com todos vocês
Saudáveis, belos, felizes e comportados
E com esta enebrio-contagiante alegria
Vieram até aqui e desejo que retornem
Aos seus lares intactos e em harmonia

Não sabíamos como seríamos recebidos
Pregamos paz, alegria, saúde, harmonia
E não me importo em lhes repetir
Vocês nos trouxeram imensa alegria

Não sabíamos como íamos lhes demonstrar
Por isso fizemos esta pequena melodia
Esperamos que todos nos compreendam
E se possível passem adiante um a um
o que ouviram de nós neste belo dia

Não sabíamos como seríamos recebidos
Pregamos paz, alegria, saúde, harmonia
E não me importo em lhes repetir
Vocês nos trouxeram imensa alegria

Amigos é com lagrimas nos olhos
Mas, nós temos que ir embora
Nos divertimos e também nos conhecemos
Mas, que pena!!!    já é chegada a hora
Vamos com o coração partido
Nada nos alegrou como agora

Arimar Vieira da Costa
                        
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