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JUVENAL E MARIA

(Continuação)

Dias depois, ao retornar da farmácia, onde a pequenina tinha tomado a ultima aplicação, viu-se obrigada Maria, a sair corrrendo ao hospital, para levar a outra menina que havia se queimado, ao bater a mão no cabo de uma panela que estava cheia de água fervente sobre o fogão, ficando por umas três semanas ou mais, indo e vindo todos os dias ao hospital para avaliação e fazer curativos.

No dia em que o médico disse, não ser necessário mais levar a menina ao hospital, pois já estava quase curada, ficando o restante do tratamento para ser feito em casa, uma parada brusca do coletivo, fez com que Maria batesse com a perna numa peça de metal , que ficava no assento do coletivo, causando-lhe fortes dores, indo no dia seguinte parar no hospital novamente, agora era contigo o problema.

Medicada, com a perna engessada, retornou para casa. Quando JUVENAL chegou do trabalho, Maria queimava de febre e estava com muitas dores. Em casa mesmo, tiraram o gesso, que havia causado infecção, talvez pelo atrito. Tomou remédios e aguardaram para o dia seguinte uma providência.

A madrinha da filha de MARIA veio para socorrê-la, colocaram-na no veículo e foram ao hospital onde ficou já internada e seria submetida a uma operação,naquele mesmo dia, pois o quadro era grave.

Foi operada e depois de alguns dias, a perna voltou a infeccionar, tendo que levá-la novamente ao hospital, onde disseram que iriam amputar, como não houve concordância, disseram-lhes para tentar em outro hospital.

Foram a outros hospitais e sempre tinham a mesma resposta, até que em um hospital, uma equipe médica, resolvera tentar, não descartando a hipótese de amputação. Entretanto, a equipe que a atendera, julgando ser ela muito nova e que teria grandes chances de recuperaçao,resolveram tentar, mas seria uma operação de risco e que nunca tivera sido feita.

Nesse período, foi um caos, as crianças, cada uma ficou em um lugar, uma na casa de sua mãe, outra na casa da comadre e a filha dela ficara com a sogra, todas bem distantes entre si. E de dois em dois dias JUVENAL fazia a via sacra, primeiro no hospital e depois iria ver as filhas, retornando ao trabalho, onde por duas vezes, ao chegar recebeu a notícia que a fiscalização teria levado toda sua mercadoria, pois deixara e pedira para que os companheiros vendessem por ele, onde não puderam evitar, pois tiveram que salvar as proprias.

Parecia castigo, que teria feito de tão ruim para passar por tal penitência? Maria teve alta no hospital, mas, ficaria um longo tempo em recuperação, também precisaria de usar um aparelho ortopédico para auxiliar na sustentação da perna.

Trouxeram as meninas de volta para o lar e houve um acontecimento tragicomico, a caçula com menos de um ano de idade, chegou a chorar, estranhando a mãe, causando-lhe desespero. Juvenal, resolve alugar uma casa maior e Maria fazia o que podia para ajudar, produzia salgadinhos, bolos para festas, além de cuidar do lar e das crianças.

Passados alguns anos, nas indas e vindas periódicas ao hospital, disse o médico que Maria poderia trabalhar, mas, teria que tomar muito cuidado e ainda faltava um pouco para a completa recuperação. Devido a algumas economias, as custas de muito sacrifício, Juvenal resolve comprar um terreno, conversa com Maria, no que recebe seu aval.

O sogro que já fazia hemodialise há quase um ano, teve seu quadro piorado e veio a falecer. Tendo sido incluido em um plano funerário que Juvenal fizera, podendo colocá-lo como beneficiário, efetuou seu sepultamento.

No intuito de economizar para construir uma casa no terreno comprado, sua sogra resolve lhe ceder um salão, que precisaria de uma pequena reforma, mas, daria para morar, tendo sido tudo armado por Maria, que começava a ficar diferente, tratando-o com um certo desprezo, porém, achou Juvenal que tudo tinha a ver com os acontecimentos recentes, e tentou compreender, achando que Maria viesse a melhorar.

Indo ao hospital para uma rotineira avaliação, diz o médico que Maria tinha se recuperado totalmente, causando-lhe imensa alegria, mas o pior estava por vir. Maria e sua filha teriam ido na casa do pai da garota, JUVENAL que criara como se sua filha fosse, sempre a respeitando e proporcionando alguns prazeres que nem ele teria tido, mas não lhe tirou o direito de conhecer seu verdadeiro pai, apesar de ele nunca tê-la procurado e tentado auxiliar na sua criação.

Maria cada vez mais distante, pensara Juvenal que ela tivesse tido uma recaida em relação ao pai da garota ou tivesse se apaixonado por outro alguém, ela afirmava que não. A relação de ambos virou um inferno, chegando ao ponto de Maria pedir a Juvenal que fosse embora de casa, pois ela estava amparada e não precisava mais dele.

Juvenal pega umas peças de roupa e inconformado vai embora, durante alguns dias fica magoado, pois amava demais aquela mulher e não estava entendendo o que acontecia e também tinha verdadeira paixão pelas filhas. Resolve procurá-la pra conversar, perda de tempo, Maria está irredutível, não quer nem conversa e a garota com seu namoradinho passa a maltratá-lo também, chegando inclusive a inventar fofocas para o rapaz, que parece ter acreditado, tentando agredí-lo por umas duas vezes, ou talvez acreditando que Juvenal não permitiria as liberdades que eles estavam tendo com sua saida, o que fatalmente aconteceria e seria justo, pois tinha duas meninas pequenas e não seria bom exemplo, aceitar um rapagão, dormindo quase todas as noites em casa.

Mesmo tendo ouvido uma série de conversas, julgando serem boatos, Juvenal tenta mais uma investida no que Maria resolve aceitá-lo de volta, porém aí começaria um novo martírio. Ela resolve estudar, pois tinha apenas o primeiro grau, queria melhorar e foi concordado, inclusive Juvenal ficava até de madrugada ensinando ou auxiliando Maria nos estudos.

Sua irmã ao conversar com Juvenal, disse temer que Maria viraria a cabeça ao voltar a estudar, como anteriormente já teria previsto uma catastrofe e acertado, preparou-se emocionalmente, e observando a companheira, que ao ir para o trabalho, começou a usar umas peças intimas bem provocantes(transparentes e pequeninas) e não fazia questão de tomar banho para dormir, tomando banho sempre pela manhã, antes de trabalhar e também começava a chegar cada vez mais tarde.

Juvenal adorava as pequenas, mas perderia a paciência logo. Maria perdeu os sentidos e a vergonha. Passou a oferecer-se a outros homens em sua presença, vários, até garotos, onde Juvenal passou a ser humilhado por meninos usuários de droga ( conhecido como nóia, na periferia) no bairro e não aguentando mais, foi embora, com algumas peças de roupas e nada mais.

Arrumou emprêgo em uma lanchonete, com um tio, que exigia todo dia ter em mãos um relatório, sobre as atitudes do sócio. O tio trabalharia durante o dia e Juvenal com o sócio dele durante a noite, como nada havia a relatar, seu tio passara a ofendê-lo e humilhá-lo todos os dias, chamando-o de incompetente, inútil, imprestável, etc... passando-lhe para o período diurno, onde ficou mais dois meses, recebendo humilhações como dantes, mas precisava trabalhar e aguentava calado.

Um dia, de repente chega seu tio, sem lhe olhar na face, pedindo-lhe a chave e que não precisaria mais de seu trabalho, pois o faturamento estava muito ruim e não daria para pagá-lo. Na verdade, tudo não passava de uma armação, pois depois de sua saida, esse mesmo tio colocara seu filho no periodo que Juvenal esteve trabalhando e que já tinha conquistado uma boa clientela, bastaria seu filho ir administrando.

Procurou trabalho por um bom tempo, mas não conseguiu, indo morar com sua mãe, setentona, viúva, aposentada que o recebeu bem, apesar de falar diuturnamente, sem parar, chegando as vezes a perder o folêgo,de tanto que falava, aí respirava fundo e recomeçava.

Quando podia ia visitar as filhas, mas era torturante demais,pois as amava muito, sempre saia chorando e deixava as pequenas chorando também. Vindo a falecer tempos depois de uma depressão profunda, associada a bebidas e fumo em demasia, abandonado, como um verme, num dia chuvoso e triste foi enterrado, perdi um grande amigo.

Com relação ao processo, nunca teve resposta, claro! era pobre e não tinha recursos nem conhecimento de seus plenos direitos, também andava desanimado e sem forças para lutar pelo que julgava ser justo.

Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com pessoas e fatos verídicos, terá sido a mais pura realidade.

Arimar Vieira da Costa

ELEITOPIA

Em cada pleito eletivo vemos um país diferente
A nação vira do avesso, saúde, educação, violência
Miséria, desemprego, baixos soldos, corrupção,
Tá tudo uma zona, nada funciona decentemente
Visando a massa sofredora que é maioria e tudo paga
Revoltado, indeciso como gado, é tangido prá qualquer lado
O que se torna candidato, resolverá completamente

Quando escolhido e "têm" o poder em mãos
Só dívidas, reclama, destroi o antecessor
Caso seja de uma outra facção ou partido
Alega impedimento de uma melhor condição
Primeiro dobram seus proventos e mordomias
quando está para sair, pensando em ser reeleito
Mostra para o mundo, com a máquina, que tudo fora feito

O que mais revolta e assombra
É o coorporativismo entre eles
Mesmo que seja para o bem do povo e nação
De comum acordo, o partido resolve
Este mandato não pode dar certo
Se é para ajudar-nos vamos votar contra

Todos os oponentes, mostram o inverso
Prá todo lado tudo está errado, somos a lepra de todo universo
Cada um, caso seja o preferido
Em curto espaço terá tudo resolvido
E lá vamos nós, novamente iludidos
Vemos todo dia , diversos sonhos destruidos
E vejam os fatos friamente, não sou menino
Tenho quase meio século, muito mal vividos

Arimar Vieira da Costa

                        
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