Até os vizinhos, que o conheciam tão bem, a partir desse episódio, começaram a evitá-lo. E o comércio foi ficando as moscas, tornando-se insustentável mantê-lo, causando-lhe grandes prejuizos, não só materiais, psicológicos também, não tinha vontade nem de sair a rua e quando via uma viatura, apavorava-se, tinha vontade de correr, mas, continha-se temendo o pior.
Como era constante a presença dos policiais que o haviam espancado nas proximidades de sua residência, causando-lhe pavor, mesmo que não tivesse sido por eles procurado, a situação incomodava demais, seu pai pediu para que fôsse para um outro estado, onde ele tinha familiares, a passo que o acompanhamento seria feito por ele(o pai) e quaisquer novidade seria repassada, então foi o que fez.
Coitado! A única vez que procurara um distrito policial, fôra para solicitar emissão de documentos, nunca tivera nem amizade com pessoas de atitudes duvidosas e também nunca usou armas ou drogas considerada ilicitas.
Em outro estado, tentou se estabelecer com uma pequena mercearia e no bairro onde estava, pelo fato de ser próximo a uma favela de fama perigosa, constantemente havia visita de viaturas policiais na região. Tudo isto foi causando-lhe um constrangimento tamanho, chegando a abandonar e voltando para a capital paulistana, indo para um outro bairro, do outro lado da cidade.
Recebeu um comunicado, teria uma audiência, temendo qualquer represália combina com o pai e o advogado de encontrá-los no forum. Não se lembra do que foi dito e tudo foi conduzido de forma muito confusa, parecendo querer incriminá-lo e o advogado disse-lhe que teria que ter muita paciência, tudo isso é muito demorado, leva anos, por vezes o interessado chega a morrer e nada ainda foi resolvido.
Passam-se alguns meses e sua mãe pede que venha ver seu pai, que se encontra muito adoentado. Ao conversar com seu pai, pergunta-lhe o que havia ocorrido, não foi suficientemente claro, só disse que algumas pessoas o pegaram, agredindo sem motivo algum. Após conversarem, ele pediu que seu filho abandonasse o processo, não dizendo qual o motivo e quando indagado se tivera sido agredido pelos policiais, negava veementemente. Vindo a falecer pouco tempo depois por infarto agudo no miocardio, conforme laudo médico.
Tentou encontrar o advogado para saber sobre o processo e nunca mais o localizou. Ainda procurou o poder público e não obteve sucesso, sempre era mandado de um lugar a outro e aconselhado a deixar esse caso pra lá, até por funcionários de recepção.
Também procurou diversas emissoras de televisão e nunca, nem resposta obteve, claro! um zé ninguém, nem audiência daria, até concordo, a midia vive de audiência, escandalos e sensacionalismo.
Nunca fôra procurado por nenhum orgão de direitos humanos, ministério público e outros quaisquer para lhe amparar ao menos psicologicamente e ainda recebera notificação de débitos junto a união, que deveriam ser saldados e eram decorrentes das duas empresas que outrora teria fechado e não regularizado a situação.
Suponhamos que tenha dito estar bem, era doutorado em que? Como podia num depoimento que por ventura tenha dado, influir numa decisão de pessoas tão cultas, preparadas e de formação cultural elevadíssima, parece que tudo estava já traçado, só foi um espetáculo circense onde o final seria à favor da instituição, claro! Devem ter arbitrariamente arquivado.
Como lhe foi dito que teria que aguardar muito tempo, voltou para a casa dos pais, saindo a busca de trabalho e depois de muita procura, encontra, em uma panificadora próxima ao metro Tatuapé.
Trabalhou algum tempo sem vinculo empregatício e o proprietário percebendo que era excelente funcionário e temendo sua saida, propôs-lhe um sálario até razoável e ainda daria uma gratificação a parte, pedindo que trouxesse documentos para efetivar a contratação.
Durante o período trabalhado, foi juntando economias na intenção de comprar um carro, que era seu sonho, tendo inclusive trabalhado em dois estabelecimentos comerciais simultanêamente, durante um certo período.
Comprou um carro e a partir desse fato, começara a mudar seu rumo, pois o filho do proprietário, que até então era o gerente da empresa em documento, e que nunca teria ido até o estabelecimento para trabalhar, passou a incomodar alegando que o mesmo estaria roubando, pois não ganharia para comprar automóvel. Este era viciado em drogas e só vinha buscar dinheiro para sustentar seu vício, nunca na prática exerceu qualquer cargo na emprêsa.
Foi onde conheceu uma moça que recentemente começara a trabalhar num local próximo, passando para tomar café todos os dias o que gerou uma amizade muito grande.
Maria era o nome dela, tudo foi fluindo de forma muito rápida e chegaram a morar juntos, apesar de muitas pessoas alertá-lo que não seria feliz, pois a moça era de atitudes duvidosas, costumava sair com dois ou tres homens de uma vez, mas, ela garantiu que eram boatos e que apesar de passado obscuro, respeitar-lhe-ia, afirmando que tinha uma filha e teve vários casos e estava cansada de ser usada, como já estava apaixonado, aceitou o desafio.
Procurando conhecer a família onde estaria ingressando, tendo sido bem recebido por todos e não percebeu maldade nem desafetos.
Onde trabalhava, como o clima não andava muito bom, resolve fazer um acôrdo, que seria bom para ambos, e o fêz, onde posteriormente o proprietário foi procurá-lo para retornar, várias vezes, sendo recusada a proposta, pois saira muito magoado.
Já morando com a Maria, que estava grávida, pôs-se a procurar trabalho, que estava difícil, onde a Maria, mesmo na situação atual(grávida), foi trabalhar, o que lhe deixou muito chateado, porém muito feliz, devido ao empenho da moça.
Vendera o carro e compraram um simples apto na Cidade Tiradentes, onde ficaram por pouco tempo, pois, até durante o dia ouvia-se tiros e na delegacia, que era bem próximo ao apto, fôra invadida por bandidos, colocando a propria polícia pra correr.
Foi aí que percebeu, o porque de ser tão barato imóvel naquela região. O apto fora vendido e o que receberam, aplicado em um comércio na região do Brás, tendo sido só decepção, o local era mal frequentado e o faturamento bem abaixo do esperado, ocasionando um desânimo tão grande, levando-os a anunciar sua venda.
Depois de um bom tempo anunciado, apareceu um sr, num carrão, muito bem arrumado, de boa conversa, acima de qualquer suspeita e com vários talões de cheque, pedindo-lhe que escolhesse o banco pelo qual queria receber, mas, teria que parcelar.
Efetuada a transação, foi organizar a mudança, passando pelo banco e descontando um dos cheques. Bem, mudou-se para Itaquaquecetuba, bem próximo dos familiares de Maria, o que lhes seria conveniente, pois ao sairem para trabalhar, teriam onde deixar as crianças.
Com o que receberam com a venda do bar, resolvem num salão do pai de Maria, estabelecer-se comercialmente, montaram uma pequena mercearia e estavam indo bem, um estoque razoável, clientela aumentava a cada dia, até que certa madrugada, arrebentaram a porta e levaram tudo, deixando-os sem nada, pois no dia anterior JUVENAL, tinha feito compras, inclusive havia mercadorias que estavam na caixa, como tinha chegado cansado, arrumariam no dia seguinte, não sendo possível.
Mas, ainda havia outros cheques, proveniente da venda do bar, foi ao banco e os depositou, aguardando a compensação, que não foi satisfatória, levando-o a procurar o distinto sr, causando-lhe sérios embaraços, porém, o encontrou e não obteve sucesso nessa empreitada.
Havia uma multidão em um local, onde o mesmo possuia outro empreendimento, justamente no mesmo propósito, o de receber. Comunicou a um funcionário dele que iria fazer um boletim de ocorrência, tendo sido desestimulado, pois “”ele””, seria bem conhecido na delegacia, tendo muita influência e poderia causar-lhe no minimo imensas dores de cabeça.
Protestara os cheques e quando teria a chance de recebê-los, sumiram misteriosamente de sua residência, tendo que esquecer o assunto.
Sem ter para onde corrrer e nem a quem pedir socorro, soube que seria liberado um lote de FGTS para quem estivesse três anos desempregado, foi ao banco e sacou o dinheiro, indo direto fazer compras para trabalhar na economia informal, recebendo desaprovação de Maria que estava grávida de novo, querendo que ele arrumasse algo mais seguro.
Indo três dias e não tendo coragem de expôr as mercadorias para vender, pois estava com muita vergonha de tudo aquilo, foi estimulado por outra pessoa que estava no ramo a mais tempo, tendo iniciado.
E estava bem feliz, pois todo dia voltava para casa com algum dinheiro, chegando a fazer um grande estoque de mercadoria, levantando de madrugada para comprá-las e ficando até a noite trabalhando, vendendo, devido ao esforço estava tendo um bom resultado.
Um certo dia, uma irmã de Maria, ao passar em sua casa, para ver a sobrinha que acabara de nascer, viu o estoque de mercadorias e admirada pelo volume, comentou, - Só faltava todo mundo ficar doente nesta casa e a mercadoria acabar.
No dia seguinte, JUVENAL acordara ruim, não saía do banheiro. Depois de dois dias mal conseguia andar e um concunhado ao passar por sua casa, vendo a situação, levou-o ao hospital para ser medicado. Melhorando, três dias depois e retornando ao trabalho.
Ao retornar da batalha, Maria estava desesperada, pois, a filha dela estava muito doente, levando-a ao hospital, também ficando durante uma semana em observação, mas, melhorou depois de tomar muito remédio.
Na semana seguinte a menina que já estava com 40 dias de nascida, esteve febril por toda a noite, onde no hospital, no dia seguinte foi-lhes dito que estava com bronco-pneumonia, tendo causado um grande gasto com injeções, onde os farmaceuticos tinham até dó de aplicar, era muito pequenina, mas graças a Deus sarou.