| Poesias
|
Reflexões
|
Pensamentos
|
Histórias
|
Estórias
|
Contos
|
 | JUVENAL E MARIA |  |
Há muito e muitos anos atrás..... em uma pacata cidade do interior de Minas gerais.
Um casal cansado de trabalhar em fazendas e praticamente num trabalho escravo, resolvem então direcionarem-se a um grande centro, onde acharam que poderiam levar uma vida melhor. Chegaram nesta montruosa e maravilhosa capital da garoa, cheios de sonhos. Demoraram um pouco para se adaptar, a princípio foi um choque, em todos os sentidos, de cultura, de costumes , mas não podiam desanimar. Aos trancos e barrancos foram se ajeitando. Num bairro bem distante da área central, alugaram uma modesta casa.
O progenitor andava pra todos os lados , tentando arrumar uma colocação e até conseguia, mas de temperamento difícil, não se firmava.
A progenitora por sua vez, queria um futuro melhor, passando a trabalhar como doméstica, mas já planejando outros horizontes, tendo parado de estudar com o casamento, voltou, mesmo com a indignação do companheiro, mas lhe foi de grande valia. Fôra contratada para trabalhar em um hospital em caráter provisório, porém com o tempo, gostaram de suas atribuições, sendo efetivada na função de auxiliar de enfermagem, onde chegou alguns anos depois a se aposentar. O progenitor continuava da mesma forma, entre indas e vindas , não parava em emprêgo algum, mas não ficava sem ocupação, pois, naquela época, havia falta de mão de obra, e sendo versátil, o que facilitava uma colocação, vindo também, por problemas de saúde, anos depois, do trabalho afastado, posteriormente aposentado. Tinham dois filhos, um troxeram no colo, e o outro nascera nesta capital. Seis anos afastavam um do outro, chamá-lo-emos de JUVENAL e o mais novo de VALDEMAR; entretanto falaremos de JUVENAL.
De uma infância muito pobre, sem muito conforto, mas tinha uma vida considerada normal para uma criança, ia a escola, brincava com os vizinhos, jogava bola, empinava papagaios e a maioria dos brinquedos tinha que inventar, pois o que os pais recebiam só dava para o sustento, essencialmente necessário, mas, mesmo assim era muito feliz. Nas escolas por onde passou, sempre se destacou por ser muito perspicaz, com pensamento rápido e sutil, encantava os professores, tendo terminado o antigo primário com boas notas, indo para o curso ginasial, tendo obtido excelente nota em exame de admissão, que na época era obrigatório.
Como já estava virando um rapaz, os hormônios começaram a se manifestar, não tardando a namorar e consequentemente precisava de dinheiro, para sair com a namorada, ir ao cinema, bailes e outras coisas mais, portanto passou a trabalhar e a escola foi ficando para trás, ora pelo cansaço após chegar do trabalho, ora pelo desinteresse que a escola estava deixando, pois aprendia tudo com tamanha facilidade que foi perdendo o interesse.
Em uma empresa que julgou ser a alavanca para dias melhores, dedicou-se de corpo e alma, JUVENAL via horizontes magníficos naquele lugar, embora fôsse de porte muito modesto, até que um certo dia, uma pessoa que lá trabalhava por muitos anos, resolveu interromper esta trajetória, colocando fórmulas e segredos da industria em seus objetos pessoais, covardemente temendo o mesmo tomar o seu lugar, chamando em seguida um dos diretores da referida empresa, até tentou convencê-lo que se tratava de armação, mas, não foi ouvido, o que ocasionou sua saida.
Chocado e magoado, ficou um bom tempo inativo, até que se pôs a trabalhar novamente, noutra empresa começou cumprindo obrigações que a princípio não exigiam muito raciocínio, porém de suma importância e devido ao zêlo e desempenho, fôra dias depois convidado a participar de função administrativa, e fê-lo muito bem, passando a ter uma remuneração bem maior.
Tudo caminhava muito bem. Como o trabalho naquela região estaria por findar-se, recebeu a proposta de um aumento de soldo e uma transferência para outra frente de trabalho que a empresa, teria em outro estado da federação, porém seu pai sorrateiramente, em contato com a direção, evitou que fosse concretizada, pois não queria seu filhinho longe dos familiares. Engraçado, por mais que voce seja adulto, para os seus pais nunca deixará de ser seu filhinho.
Depois de muito procurar e nada encontrar, que lhe agradasse, resolve trabalhar em negócio próprio, entretanto, as economias que fizera, sendo pouca não dava pra muita coisa. Refletiu e após muito procurar, encontrou um pequeno salão e o alugou, ficando sem saber o que fazer. Verificou que no bairro as pessoas andavam muito para comprar hortaliças e frutas, decidiu uma quitanda ( que hoje tem o nome de varejão, sacolão etc..) montar. O negócio era muito ingrato, todos os dias ao final era necessário, separar mercadorias que estavam ficando impróprias para o consumo e jogá-las fora, e também o retorno não estava sendo satisfatório. Um belo dia, estava ele triste, pensativo, tentando arrumar uma saida,quando de repente, estaciona um caminhão repleto de bebidas em sua porta. Desce um rapaz e passa a lhe oferecer mercadorias, que ele se nega a comprar, pois tudo que economizara, estava empregado naquelas mercadorias, as quais, todos os dias era separada uma boa parte e jogada no lixo.
O rapaz, olha para um lado e outro, e faz-lhe uma proposta, deixaria tudo o que quizesse para receber depois, arrumarte-i-a um balcão com geladeira, num preço acessível e não teria pressa para receber, pois julgava a localização e o salão comercial propício para outro tipo de ambiente, e era.
Entraram num acôrdo e puseram mãos a obra, o que intrigou-lhe foi o fato de nunca tê-lo visto e mesmo assim depositou em JUVENAL uma confiança muito grande. Procurou deixar tudo organizado,desfez-se da mercadoria ora comprada amargando grande prejuizo, entretanto, estava otimista, arrumou bebidas na geladeira e procurou uma locadora de bilhar para no outro dia iniciar.
Nos primeiros dias, funcionava um pouco devagar, mas em breve espaço de tempo, começou a ter surpresas agradáveis, enfim teria acertado? Sim, começara a ter um bom faturamento e passou a possuir objetos que foram sonho um dia, passaram a ser realidade.
Comprou um carro, uma tv colorida, geladeira nova, roupas de boa grife, tenis que até então via nos pés dos outros e não tinha dinheiro para possuir, tudo com uma facilidade incrível, até já tinha planos de locar um salão maior e ampliar os negócios.
Depois de um árduo dia de trabalho, fechou seu estabelecimento e pôs-se a arrumar tudo para no dia seguinte abrí-lo com folga, cerrou as portas e seguiu seu caminho.
Pelo retrovisor do veículo, que era uma Variant, notou que um par de faróis( que conhecia como lanterna) acesos aproximava-se rapidamente, calculou que queriam ultrapassá-lo, pôs-se à direita da rua , no que vieram também, foi um movimento tão brusco que assustando-se parou num barranco, não chegando a bater, mas, não teve tempo sequer de perguntar o que estava acontecendo, foi imediatamente agredido por quatro pessoas que estavam em uma viatura militar, chegando a desmaiar e por algumas vezes que voltava a si, percebia estar andando em ruas bem esburacadas, pois os solavancos eram muito fortes, no que desmaiava novamente, devido as fortes dores que sentia pelo corpo ao bater em um pneu furado que estava solto na parte trazeira da viatura.
Acordou horas depois em uma maca de um pronto socorro, com o antebraço quebrado e varios hematomas pelo corpo, muito distante de onde havia sido espancado. Após ser medicado, foi conduzido para a viatura, onde disseram ter que registrar um boletim e um deles dirigia seu veiculo acompanhando-lhes. Durante o percurso, que foi muito longo, foram tentando imputar em seus pensamentos, que tivera sido vítima de um acidente e socorreram-no, e que não poderia e nem deveria tentar prejudicá-los, pois de nada adiantaria, poderia até piorar a sua situação e estava vivo, o que já era uma sorte muito grande.
Ao chegarem ao distrito policial, elaboraram um boletim, que lhes colocavam como vítimas e JUVENAL como réu, retirando-se em seguida.
Devido ao ocorrido a pessoa que os atendera, aconselhou-o a procurar seus direitos na procuradoria, percebendo o que tinha acontecido, inclusive lhe fornecendo o endereço, o qual nem sabia que existia. No dia seguinte bem cedo, seu pai procurou por um conhecido e pediu-lhe que o levasse até a corregedoria, onde não pôde ser atendido, embora tenha sido encaminhado para fazer exames de praxe, onde foi constatado que os ferimentos eram de agressão, causando até indignação pelos profissionais que o atenderam e o veículo também iria passar por uma vistoria, no que também nada foi encontrado que justificasse uma colisão.
Pois bem, depois disso, disseram-lhe que tudo havia sido encaminhado e só lhe restava aguardar.
Tentou voltar a sua vida normal. Durante uns vinte e poucos dias, esteve repousando devido aos ferimentos e ao voltar ao seu pequeno comércio onde amargara algumas dívidas, tendo inclusive vários cheques devolvidos e um freezer retomado pela empresa que o fornecera, notou que não havia frequência de ninguém, pensou que pelo fato de ficar fechado por vários dias a clientela julgou ter falido e que logo que soubessem do seu retorno voltariam a frequentar.
Engano, só se ouvia comentários maldosos, todos afirmavam que alguma coisa ele teria feito, nada acontece por acaso.
continua....
AMÉRICA
OH! América
Abra os braços
Pra este povo sofrido
Eles fogem da escravidão
Todos vocês têm um pouco de culpa nisso
Eles querem trabalhar
Não são bandidos não
Sei que o preconceito é grande
Os que aí vivem sabem disso
Coitados! São escravos em nossa nação
OH! América
abra os olhos
Pra este povo sofrido
Vão cheios de esperança
Tanto risco não é à tôa
Cá, do soldo, pagando o devido
O que sobra mal dá pra comprar uma broa
É um povo honesto e contente
sonham com uma vida melhor
Correm tanto risco, tem quem tente
Em nossa terra vão de mal à pior
OH! América OH! América
Abra um sorriso
pra esse povo sofrido
Que recebe à todos feliz
E vocês com esta arrogância
Desfazem, humilham, torcem o nariz
OH! América OH! América
A história vai se repetir
Não há como ser dominante eterno
Voltem um pouco no tempo e verão
Um dia, todo gigante veio a sucumbir
Arimar Vieira da Costa