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ILUSÃO PASSAGEIRA
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Que dor mais ingrata
Que dor no peito maldita
Muitos sabem o quanto maltrata
Muitos sentem essa dor infinita
Não tem como fugir desse mal
Não conheço dor igual
Tira qualquer um do seu normal
Se tornando um verdadeiro vegetal
Se tivesse como escolher
Esse jogo não tem norma ou regra
De manhã até o anoitecer
Outra coisa na mente navega?
Não, não tem como esquecer
Não há lugar nenhum no mundo
Que de para se acalmar
Que não seja junto, ao seu lado
Somente assim, para a tristeza passar
Deveria ou poderia ser diferente
Mas, a vida ficaria bem sem graça
Perderia um pouco ou todo encanto
Gostar só de quem goste da gente
Espera longa, longa agonia
Mas, sempre há uma esperança
Talvez até tarde demais
No entanto, me procurarás um dia
É claro que pode dar certo!
Enquanto houver algum sentimento
Numa rotina angustiante, sedento
Esperar-te-ei de braços abertos
Sei que não sou perfeito
Querer-te nem sei se é direito
Porque me humilhaste desse jeito?
Me esclareça, o que posso ter feito?
Pela janela vejo o mundo passando
Crianças em algazarra, brincando
Pela avenida carros subindo e descendo
E eu com meus sentimentos remoendo
A noite chega, solidão companheira
Terá tempo para acordar?
Ficara muda ao enxergar
Fútil, inútil, ilusão passageira
Sei, sou o único culpado
Não deveria tê-la amado
Não tive forças para fugir
Será que fui enfeitiçado ?
Arimar Vieira da Costa
PROTESTO
Deus, desculpe-me pelo protesto
Me deste a vida, saúde, sentido
E por mais que tenha vivido
Ainda não sou compreendido
Tanta inteligência, lhe agradeço
Dói demais tanta injustiça
É triste, preferiria não vê-las
Quantas e tantas pessoas sofrem demais
E por elas tenho muito apreço
Tem horas que fico indignado
Pareces que me obrigas
A fazer algo errado, depois me pune
Eu não tinha outra saída
Meu criador, eu fui obrigado!
Tento explicar, tudo em vão
Quem me entende, faz que não ouve
Quem me ouve não consegue entender
Subtraia-me alguns milhões de neuronios
Quiça seja esta a única solução
Talvez sendo mais um no rebanho
Não sinta tanta agonia
Sozinho nada posso
Estou cansado de ver covardia
Arimar Vieira da Costa
SELVA DE PEDRA
Bem vindos à selva de pedra
Onde sonhos se tornam realidade
Realidades se tornam pesadêlos
no ar paira também muita maldade
Coisas belas são esquecidas
São atropeladas por necessidade
Tantas atitudes são deixadas de lado
Como é gostoso de vez em quando
Poder sentir a dor da saudade
Algo simples e corriqueiro
Como ter uma grande amizade
Muito bom ter rumo a seguir
Ver o dia nascer, ter um destino
Ao entardecer voltar cansado ao lar
Mas, feliz, vitorioso
Certo de o dever ter cumprido
Quem tudo quer nada tem
Quem nada tem
Pelo menos quer ter
Um pouquinho de alegria
Arimar Vieira da Costa
O patrão e o empregado
Como todos os dias, o patrão; Sr Rudolph; é o primeiro a chegar
em sua empresa e também o último a ir embora. Mas, aquele dia parecia ser um pouco diferente dos
demais. Ao chegar na portaria da empresa dirige-se ao porteiro; Sr josé de Souza; que trabalhava
em sua empresa há vários anos e cumprimenta-o:
_ Bom dia "seo" José, como está o sr?
O funcionário, assusta-se, pois não era costume do patrão
conversar com funcionário nenhum, entretanto responde-lhe:
_ Bom dia patrão, estou bem e o sr?
Rudolph, muito sério, continua a conversa:
_ Eu sei que é estranho, parar aqui e dialogar contigo, mas me deu vontade. Gostaria de saber o
que o sr acha de nossa empresa, se está contente com o trabalho, e o que me diz do país em que
vivemos.
"Seo"José, meio atrapalhado, gagueja, no entanto responde-lhe:
_ Ë, patrão, trabalho na sua empresa há vários anos, estou contente, sim. E quanto ao país,
parece que as coisas não estão muito bem não, né?
Rudolph, coça a cabeça, franze a testa, olhando para aquele
humilde funcionário e continua:
_ O sr deve ter visto em reportagens, os desvios de nossos parlamentares,que Sào grandes
os volumes de dinheiro desviado, sem que ninguém seja punido e tenha que devolver o que roubou, é justo "seo" José? Há várias
investigações, com muitas provas, que acabam fazendo do povo e de instituições respeitosas verdadeiros "palhaços",
desmentindo-os vergonhosamente, brigando com imagens e documentos através de advogados caríssimos
e juizes corruptos.
O velho, ainda assustado e não entendendo o porquê daquela conversa,
responde-lhe:
_ Não é justo, porém nós não podemos fazer nada, eles são muito poderosos!
O patrão olha para um lado e outro e insiste:
_ Até poderiam, mas o povo é muito desunido, uns que conseguem um mínimo de conforto, já se
julgam parte da elite e passam a pensar como nossos digníssimos representantes, que
coorporativamente defendem-se dos crimes mais hediondos, como se nada fosse. Há vários criminosos
que nunca são presos, pois pertencem à famílias de renome ou poder aquisitivo grande, compram
autoridades nos mais variados escalões, e quem ousar enfrentá-los; tanto autoridades quanto
marginais; correm altíssimo risco de morte.
O humilde funcionário, apenas observa atentamente o patrão,
que ainda não havia terminado seu comentário:
_ Nosso país, infelizmente, não prende grandes infratores, só os pobres estão sujeitos as penas da
lei e digo mais, somos mais de cinco mil municípios, de norte a sul, se somados os roubos ou como
eles dizem "desvios", ultrapassa a casa dos 'TRILHÕES', por mandato, dinheiro esse que daria para
resolver o problema do país todo e ainda para ajudar outros mais pobres, que também têm o mesmo
problema que nós, no entanto esses países também enfrentam tais coorporativismos.
"Seo José, fica emudecido por alguns minutos e retruca:
_ Mas patrão, como nós, tão pequenos poderíamos enfrentar homens tão poderosos, fica difícil alguém
tomar alguma atitude. Ninguém quer ser o primeiro, e como o sr disse não há união, vou lhe dar um
exemplo: Um vizinho meu comprou um carro, desses populares, em pagamentos a perder de vista e não
conversa mais com os conhecidos de muitos anos, já está se julgando rico!!! Perto de casa, nos fins
de semana, ficávamos tomando umas cervejinhas e jogando conversa fora, entretanto depois que ele
comprou esse carrinho, passou a frequentar outros bares em outros bairros.
O patrão, olha-o de cima a baixo e com tristeza e dá-lhe a notícia:
- Bem, "seo"José, não parei aqui por acaso, tinha algo a lhe dizer e é com tristeza que sou obrigado
a fazê-lo. Veja aquela viatura de polícia que está se aproximando. Eles estão aqui a meu chamado.
Vieram para levar um funcionário que trabalhou para mim durante vários anos e por necessidade ou mau
costume furtou um produto de minha empresa. Esse funcionário me deu um pequeno prejuízo de pouco mais
de "trinta reais", ele foi flagrado pelas cameras e terá seus anos de trabalho perdido, será demitido
por justa causa e sairá daqui algemado para o distrito policial, correndo imenso risco de ficar preso,
durante muito tempo. Infelizmente essa pessoa é o sr, "Seo José".
O coitado do "seo"José, fica atônito e balbucia:
_ Pôxa patrão, trabalho com o sr desde que cheguei nesta cidade e tenho sido um bom funcionário, se fiz
algo que o sr reprove, perdoe-me, cobre pelo prejuízo, mas não me demita. Eu preciso demais deste trabalho.
Minha família depende destes trocados que aqui ganho, apesar de não ser muito, ainda assim dá para um
sustento controlado deles todos.
Nisso Rudolph dirige-se ao encontro da viatura, sem dar ouvidos ao
"seo"José, acompanhando os policiais naquela tarefa após narrar os fatos.
Os policiais efetuam a prisão de "seo"José, que nem reage e entra cabisbaixo na viatura.
Quando a viatura ia se retirando, Rudolph ainda diz ao "seo"José:
_ É, meu caro, estou apenas seguindo as leis do país.
Arimar Vieira da Costa