O MATUTO ASSUSTADO
Fui morá na cidade
Trabaiá, tenta juntá dinheiro
Pa mor di comprá umas terrinha
Prantá, criar gado, uns porco
I quem sabe até galinha
Fui sonhando nu caminho
Pur mais di vinte hora di viage
Meu primo foi mi buscá
I eu fiquei assustado
Cu’a figura qui apariceu
U primo tinha brinco pa todo lado
Nu zóio, na oreia, na lingua
Tava nu’a roupa tão esquisita
Um parmo di cueca pa fora
I uma camisola grande pur riba
As carça curta, arquinho qui nem moça
I cuns palavreado engraçado
Uns cordão nu pescoço
Unha pintada, purseira cheia di pontas
Us cabelo grande i pintado
U sapato colorido, desatado
Oia sô! Parecia mais um viado
I nois fumo pa casa dele
Meu tio tava mi esperando
I eu com vergonha du seu lado
Nu caminho ia disfarçando
Quando cheguemo na casa
U tio veio mi cumprimentá
Cum bafo di cachaça, moço
Tava duro di aguentá
Jantemo, prozeamo bastante
Fumo dormi, mi alevantei assustado
Foi tanto tiro qui ouvi
Qui parecia uma guerra
Tinham matado um moço
Qui morava aqui du lado
Di madrugada chega a prima
Cum moço estranho agarrado
As carcinha aparecendo
I cum brincão nu umbigo _Primo! Esse é meu namorado!
I Cum ele foi pru quarto
Que farta de respeito dos diabo!
Nem dormi quasi nada
Me alevantei cedo i fui nu bar
Pa mor di compra uns pão
Prum café nóis tomar
Tinha outro morto na carçada
Crédo in cruiz ! Deus mi livre !
Isto aqui é vida pa louco
Vortei correndo pa casa du tio
Tratá di arrumá us meus trem
Moço, cidade grande é um lixo
Vô vorta po meu sertão
As hora passa devagar
As pessoa si respeita
Num tem esse baruião
As pessoa morre di véio
Ô cum pobrema di saúde
Aqui si morre atoa
Us fio num respeita os pai
Us moço parece moça
I as moça parece bicho
Arimar Vieira da Costa
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PROMESSAS
Brasileiros e Brasileiras, minha gente
Me desculpem cavalo é melhor que gente
Estupra! , mas não mata
Rouba, mas faz
Quem lá está, não faz nada
Consertarei, deixarei tudo perfeito
Sómente eu sou correto, direito
Votem em mim para esta empreitada
Todos ficarão ricos, milionários
Vou cuidar humanamente do social
Criar milhões, inúmeros empregos
Teremos um país só de Romários
Todos terão excelente remuneração
Nada lembrará estes míseros sálarios
Segurança, olharei com muito cuidado
Voce eleitor querido, meu amigo
Quando ir e vir de seu trabalho
Ou até mesmo com a família a passeio
Terá sempre do lado um soldado
Transporte coletivo, pense nisso não
Teremos uma vida tão boa
Nós teremos cada um seu automóvel
E se quizer até mesmo um avião
Idosos, terão direitos respeitados
Viajarão do Oiapoque ao Chuí
Ou por onde queiram passear
Ganharão tão bem, com toda certeza
Que até pro exterior poderão voar
Saúde pública, inúmeros hospitais
Com equipamentos de primeira
Mas, não serão tão necessários
Com uma riquíssima e farta alimentação
Esporte e lazer, só consulta corriqueira
Corrupção, nunca mais, grande mal
Vigiarei frequentemente eu mesmo
Eleitor querido, toda conta e compra
Nada durante o meu longo governo
Terá motivo pra ser taxado de imoral
Cultura será uma maravilha
Todos com direito à escola
De primeiro mundo sem favorecimento
É só isso que posso oferecer no momento
Brasileiros e brasileiras, minha gente
Companheiros e companheiras, camaradas
Cavalo cheira melhor que gente?
Estupra, mas faz
Rouba, mas não mata !
Arimar Vieira da Costa
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