Textos
A cidade ficou em alvoroço ao descobrir todas as implicações da doença. Como resposta, uma parcela da população aderiu à forte campanha de vacinação divulgada pelo Dr. Antimedia, que consistia em várias doses de leitura diária e muito esforço em busca de atividades estimulantes. Ao mesmo tempo, muitos cidadãos portadores da Cabeça-Cubo, que já estavam acostumados com a situação, preferiram continuar na mesma condição, pois acreditavam ser mais cômodo permanecer com a deformidade do que tentar mudar. Procurar a liberdade de expressão e o retorno à capacidade intelectual parecia assunto de idealistas sonhadores, e eles consideravam esta classe um bando de malucos.

Na verdade, o maior medo destes portadores da doença era a rigidez do tratamento criado pelo médico. Sua rotina era impraticável para os pacientes em estado terminal. O quadro clínico destes pacientes era deplorável, apresentavam atitudes passivas frente aos questionamentos da existência humana, sua memória limitava-se à lembrança do último capítulo da novela, só comiam mediante o contato visual com os programas de fofoca e ficavam sem força para atividades ao ar livre. Alguns morreram para a realidade, outros batalharam firmemente para alcançar a cura.

Passou-se muito tempo após a descoberta da Cabeça-Cubo e atualmente o mundo está praticamente absorvido pela doença. Com as décadas, os sintomas foram modificados e os portadores da doença já não são mais capazes de detectar a deformidade cerebral em nenhum ser humano. Acreditam, por que a mídia assim lhes diz, que são pessoas com funções cerebrais em perfeitas condições.

Mas ainda existem aqueles que permanecem sadios, e somente estes são capazes de enxergar as cabeças quadradas, padronizadas e formatadas segundo os moldes e interesses das potências mundiais.

Você já viu um Cabeça-Cubo hoje?




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