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| Título: Amor e ódio pelos cabelos Veículo: Jornal ValeParaibano Caderno: Vale Viver Jornalista: Liv Taranger Data: 22/1/2006 Amor e ódio pelos cabelos A relação do ser humano com sua cabeleira --ou a falta dela-- é controversa desde a antiguidade: conheça um pouco dessa história "Cabelo, cabeleira, cabeluda, descabelada..." A canção de Arnaldo Antunes tem como tema central uma das relações mais insólitas do ser humano: o de amor e ódio pelo cabelo. De um lado, há sempre o cuidado e uma preocupação em relação às madeixas. De outro, há reclamações e insatisfações constantes --quem tem liso quer enrolado e vice-versa. Mesmo com esta ambigüidade uma coisa é certa: todos se importam --mesmo que seja um pouco-- com a aparência do penteado. Afinal, parece clichê, mas o cabelo é a moldura da face. "O rosto é o local onde está a maior parte das informações visuais. É o que nos faz únicos. O cabelo é realmente a moldura, pois traz cor, harmonia e ressalta nossos traços", observa a consultora de moda Mariane Cara. Com esta importância, por meio de um corte a pessoa pode afirmar suas raízes, sexo, credo religioso, provocar um escândalo e até ser dispensado de um emprego. "O penteado representa muito a mensagem que você quer transmitir, pois o julgamento existe, quer queira quer não", diz Mariane. A mudança de um corte pode transformar tanto a aparência, que ela cita o exemplo da atriz Regina Duarte, que durante décadas usou os cabelos longos e "lambidos". "Foi difícil adaptar sua imagem com o corte mais curto". MODA - A moda e os penteados "andam" de mãos dadas, e o primeiro tem forte influência sobre o segundo. Ao folhear uma revista de 1978, rapidamente o leitor vai ligar os cortes com os anos 70. Quantas pessoas já se perguntaram: "O que eu tinha na cabeça para usar um mullet (estilo imortalizado pelos sertanejos no início dos 90)?". Talvez, muito permanente! Brincadeiras à parte, estes são apenas alguns exemplos das mudanças do ideal estético. Hoje, a grande sensação são os penteados lisos e chapados --vide o sucesso da escova progressiva. Quem garante que isto não mude daqui 10 anos? PREOCUPAÇÃO PRIMITIVA - A relação cabelo e homem pode ser explicada ao longo da história das civilizações. A cabeleira é a base da busca da beleza, da sedução, do poder, da força (Sansão), entre outros. Os romanos pelavam a cabeça dos indivíduos considerados hierarquicamente inferiores (prisioneiros, escravos e traidores). Os antigos egípcios se tornaram famosos pelo uso de perucas e pelos cultos relativos ao corte de cabelos. Já para os monges orientais, o crânio raspado se constitui símbolo de castidade. Por isto, não é estranho encontrar pessoas que assumam sua vaidade pelas madeixas. A estudante Renata Mello, 18 anos, diz que cuida bastante dos seus longos cabelos virgens. Diga-se de passagem, Renata sempre sai chorando do salão quando os cabelos estão alguns centímetros mais curtos. "Tenho tanto medo que já sonhei que meu cabelo estava todo caindo". |
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