Uma aula para Triatletas

Pedalar em pé: uma necessidade
Uma bom exemplo da dificuldade que os triatletas enfrentam nas subidas é o meio Ironman de Ubatuba, realizado na Rio-Santos. Devido ao trajeto acidentado, com subidas e descidas íngremes, as médias horárias, mesmo dos primeiros colocados, foram baixas. O zigue- zague dos competidores nas subidas retrata essa deficiência e demonstra outro erro, ode não levantar do selim. Alguns, ditos "experts", defendem ou consideram técnico o triatleta que não levanta do selim e faz toda a subida sentado. Esse é um grande engano. Somente em subidas longas- como, por exemplo, em uma serra de seis ou oito quilômetros- e durante provas também longas (distância superior a 120 quilômetros), é subir sentado traz benefícios à medida que o atleta dispende menos energia e mantêm sua frequência cardíaca em níveis baixos. Em trechos de um ou dois quilômetros e em provas tipicamente contra o cronômetro (distâncias inferiores ao meio Ironman), deve-se variar de posição, ficando de pé para acelerar o rítimo das pedaladas e sentado para procurar manter este ritmo durante o máximo de tempo. Outra vantagem está no menor desgaste de um grupo muscular específico. Variando de posição, o esforço não se concentra sobre apenas uma parte da musculatura, aliviando principalmente a região lombar. Sentado, o competidor "acomoda-se" e não percebe a leve queda na velocidade.

Pedalar sempre até nas descidas

Nas descidas e curvas, o problema é o outro. Primeiro, a descida não deve ser encarada como um descanso da subida. Pelo contrário, a descida serve para se recuperar a queda na média horária ocorrida na subida. Deve-se embalar rapidamente, pedalar o máximo e frear o mínimo. As curvas existem para serem contornadas com técnica, coragem e rapidez. Assim como nos automóveis, o melhor traçado é aquele que é feito na maior velocidade. Ou seja, o triatleta precisa concentrar-se e fazer o que os pilotos chamam de "tomada" ou tangência; entrar aberto, buscar o centro na curva e sair novamente aberto. Outro detalhe consiste em frear o mais dentro da curva possível. Parar de pedalar antes da curva ou vir freando aos poucos provoca a perda de importantes segundos jogados fora. Mas o mais importante mesmo é sentir-se bem. O melhor rendimento só será alcançado quando os procedimentos sugeridos acima forem incorporados aos reflexos do atleta, tornado-se automáticos. Contornar a curva com medo ou acima de seu limite é extremamente perigoso e pode provocar acidentes. A evolução deve ser progressiva e diretamente proporcional ao grau de intimidade com a bicicleta. Manter o corpo duro - o que é comum quando não se está à vontade - dificulta o domínio da bike.

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