Samba da Bênção

 "A tristeza tem sempre uma esperança de um dia não ser mais triste, não!" 

 

Letra:  Vinícius de Moraes
Música:  Baden Powell  de Aquino  
 

 

É melhor ser alegre que ser triste 
Alegria é a melhor coisa que existe 
É assim como a luz no coração 
Mas pra fazer um samba com beleza 
É preciso um bocado de tristeza 
É preciso um bocado de tristeza 
Senão, não se faz um samba, não 


Senão é como amar uma mulher só linda. 
E daí? Uma mulher tem que ter qualquer coisa além da beleza 
Qualquer coisa que sofre , 
Qualquer coisa que chora 
Qualquer coisa que sente saudade, 
Um molejo de amor machucado,
Uma tristeza que vem da beleza 
De se saber mulher 
Feita apenas para amar, 
Para sofrer pelo seu amor, 
E para ser só perdão 


Fazer samba não é contar piada 
Quem faz samba assim não é de nada 
O bom samba é uma forma de oração 
Porque o samba é a tristeza que balança 
E a tristeza tem sempre uma esperança 
A tristeza tem sempre uma esperança 
De um dia não ser mais triste, não 


Feito essa gente que anda por aí brincando com a vida 
Cuidado companheiro! 
A vida é pra valer
E não se engane não, tem uma só
Duas mesmo que é bom ninguém vai me dizer que tem 
Sem provar muito bem provado 
Com certidão passada em cartório do céu 
E assinado em baixo: Deus 
E com firma reconhecida 
A vida comigo é a arte do encontro 
Embora haja tanto desencontro pela vida 
Há sempre uma mulher à sua espera 
Com os olhos cheios de carinho 
E as mãos cheias de perdão 
Ponha um pouco de amor na sua vida 
Como no seu samba 

 

Ponha um pouco de amor numa cadência 
E vai ver que ninguém no mundo vence 
A beleza que tem um samba, não 
Porque o samba nasceu lá na Bahia 
E se hoje ele é branco na poesia
Se hoje ele é branco na poesia 
ele é negro demais no coração 

 

Eu, por exemplo, capitão-do-mato, Vinícius de Moraes,
Poeta e diplomata. 
O branco mais preto do Brasil Na linha direta de Xangô, 
Saravá! 
À bênção, Senhora, a maior Ialorixá da Bahia,
Terra de Caymmi  e João Gilberto... 
À bênção, Pixinguinha,
Tu que choraste em tua flauta 
Todas as minhas mágoas de amor 
À  bênção Sinhô, à bênção Cartola
À  bênção, Ismael Silva, a bênção, Heitor dos Prazeres, 
a bênção, Nelson Cavaquinho, a bênção, Geraldo Pereira, 
Ary, a sua bênção.
Sua bênção, Noel, 
Sua bênção, meu bom Cyro Monteiro; você, sobrinho de Nonô 
 A bênção, todos os grandes Sambistas do meu Brasil branco, preto, mulato 
Lindo como a pele macia de Oxum 
À bênção, maestro Antonio Carlos Jobim, parceiro e amigo querido,  que já viajaste tantas canções comigo 
E ainda há tantas a viajar 
À  bênção, Baden Powell, 
Amigo novo, parceiro novo 
Que fizeste este samba comigo 
A bênção, amigo, à bênção, amigo 
À bênção, maestro Moacir Santos 
Que não és um só, és tantos 
Como o meu Brasil de todos os santos 
Inclusive meu São Sebastião,  Saravá! 
A bênção, que eu vou partir e vou ter que dizer adeus 

Ponha um pouco de amor numa cadência 
E vai ver que ninguém no mundo vence 
A beleza que tem um samba, não 
Porque o samba nasceu lá na Bahia 
E se hoje ele é branco na poesia
Se hoje ele é branco na poesia 
ele é negro demais no coração 

 

 

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Esta página é dedicada à minha prima (e "irmãzinha" caçula) Suely Guimarães, com quem divido  as bênçãos destas vidas.
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