Lua querida
 
Às vezes, temos uma fome diferente,
fome de igualdade,
de esperança,
de fraternidade...
Fome de um mundo melhor,
feito com os tijolos do amor.
 
Nada pior do que não conseguir;
a meta distante,
afasta-nos do fatal
trajeto sideral,
e como cometas,
sentimo-nos apenas,
de gelo e de gás.
 
Contudo, naquele momento,
quando em ti firmei meu olhar,
não mais senti fome,
tua aparição preencheu o vazio,
pois, em ti eu vi alguém,
o dono do Firmamento e do Além.
 
Estavas linda e brilhante,
em forma de um C gigante,
C de casamento,
C de ciúmes,
C de compaixão,
C de compreensão,
C de caridade...
Ei, Lua querida,
porque tantos Cs?
 
Linda soberana,
o mundo é surdo,
as bocas são mudas,
as mãos são inúteis,
os olhos são cegos,
os corações insensíveis,
alienados e desmotivados...
 
Todos te olham,
poucos te compreendem,
é por isso que reinas sozinha,
sem água,
sem homem,
apenas com crateras,
feitas em antigas eras,
por meteoros impiedosos!
 
Onde está o teu ar?
Onde está o teu par?
Sozinha não és feliz,
assim meu coração me diz,
deixa-me contigo estar...
 
Andarei em tuas planícies,
com cuidado, sem te machucar;
com o amor que me darás,
não precisarei de nada,
pois, tu me sustentarás...
 
Ei, Lua querida,
deixe que eu sonhe,
deixa que eu tenha esperança,
do homem mudar
e passar a escutar...
 
Vejo-te apenas
nos olhos de quem estás,
olhos que brilham,
olhos que amam...
Por favor, não te escondas,
fica mais um pouco...
 
 
Maria Nilceia
 
 
 
 

 

Imagem Original by Alan Ayers

 

 

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