
Dor
Incontida
Gostaria de
estar escrevendo,
sobre a alegria,
o sorriso largo,
lindo e aberto,
que enfeita
todas as faces,
quando ditosas
estão.
Gostaria de
estar festejando,
as coisas boas
da vida,
as pessoas
maravilhosas que conheço,
as recompensas
que Deus me dá,
tantas
regalias... nem sei se mereço!
Gostaria de
estar comemorando,
as cores do
arco-íris,
a linda canção
que estou ouvindo,
aprofundando o
que estou sentindo...
Hoje, no
entanto, só consigo sofrer,
ao pensar
naquela garota nordestina...
São tantas
iguais a ela!
Igualmente
constrangedor,
ver os velhinhos
morrendo de fome...
Quanta dor!
Não esqueço as
lágrimas da menina,
derramadas
quando o repórter lhe perguntou:
o que vai
almoçar hoje?
Com dor
incontida, não conseguiu responder:
não terei o que
comer!
Meu Deus! O que
me é possível fazer?!
Diz-me, Senhor,
o que?!
Não dá para essa
barra segurar...
Minha alma
imerge no abismo,
não consigo a
dor suportar!
Não quero perder
a fé,
nem de ação
ficar a pé!
Morro com minha
dor,
hoje, a vida não
tem esplendor!
Pai, será que
ajudarei,
se escrever,
gritar, chorar, desabafar?!
Não quero
ninguém morrendo de fome,
eles, do norte
de Minas, ao sertão nordestino,
estão perdendo
as forças de falar...
Você, me ajude a
protestar!
Os irmãos de tão
lindas terras,
de palmeiras e
sabiás,
Estão a
definhar, mesmo sem guerras...
Pouca água para
alguns,
açudes para
outros,
gado magro para
a maioria,
gado gordo para
poucos...
e o caboclo,
pobre caboclo...
para vender uma
vaca apenas,
só consegue a
duras penas...
O que tanto
desejo,
e que clamo em
desespero,
é que se adote
nesse país,
uma política
feita com esmero,
que dê para
todos o alimento,
soterrando a
falta de sustento...
Discórdia, não
fomento,
e... ante o fim,
morre também meu
coração,
afoga-se minha
alma,
pois, na
verdade, o que me alimenta,
é ver todos
felizes...
Jamais vítimas
de graves deslizes!
Livra-nos da
derrocada, Senhor!
Lançarei até o
fim minha semente de amor!
Maria
Nilceia
19/06/2001

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