Introdução
Em nossa visão, os atuais dilemas que afligem a sociedade brasileira são resultado direto do longo período de estagnação econômica e deterioração social que teve início no final da década de 70, com a falência do "milagre econômico", e perdura até hoje.

De um lado, taxas medíocres* de crescimento econômico. De outro, a contínua queda da participação dos rendimentos do trabalho na renda nacional e o crescimento dos ganhos financeiros. Acrescentando-se, ainda, a virtual falência das finanças públicas e a profunda desestruturação do aparato estatal, que impede políticas distributivas mais efetivas, diante de uma situação que só se agrava devido à estagnação.

Neste texto vamos apresentar alguns aspectos mais gerais que consideramos decisivos para caracterizar o impacto desta crise na sociedade brasileira, ressaltando que se trata de uma abordagem eminentemente descritiva. Ou seja, propõe-se basicamente a elencar uma série de evidências empíricas que propiciem interpretações mais gerais sobre causas, possíveis desdobramentos e conseqüências, desafios a enfrentar etc. Assumindo-se, desde logo, a existência de uma natural diversidade de opiniões a respeito desta complexa problemática.

Nota de editor
* Dados do IBGE e do professor Claudio Dedecca, do CESIT, publica-dos pela Folha de S. Paulo em 27/06/04

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