PREFÁCIO 

Enfrentar desafios
Qual o motivo deste estudo? Mais do que muitas outras empresas, as atividades da Gelre estão diretamente relacionadas a tudo que diz respeito à distribuição da renda no País. É parte de nossa missão ajudar pessoas a se colocarem no mercado de trabalho, naquela profissão na qual mais poderão produzir e, como conseqüência, obter renda.

Entretanto, a cada dia sentimos que cumprir satisfatoriamente esta meta não é uma tarefa fácil. A razão destas constantes dificuldades fica mais evidente com o interessante e valioso estudo do professor Waldir Quadros, que temos a satisfação de apresentar à sociedade brasileira. Estamos falando de uma análise revestida de alto rigor, científico fruto de um aprofundado e longo trabalho.

Denominado "Brasil: estagnação e crise", o ensaio coloca, de um lado, as taxas medíocres de crescimento econômico e, de outro, a contínua e acentuada queda da participação dos rendimentos do trabalho na renda nacional nas principais capitais do País. Cobre o período de 1981 a 2002. Agora já sabemos, de acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que em 2003 o rendimento médio das pessoas que trabalham diminuiu mais 6,2%.

Como pode se perceber, o estudo não mostra dados agradáveis. Mas além das informações reveladas, este ensaio se propõe, principalmente, a apontar interpretações sobre as causas, possíveis desdobramentos e conseqüências, e, é claro, os desafios que devemos enfrentar para minimizar ou - por que não? - reverter esta situação.

E é justamente neste ponto que começam nossas futuras tarefas, as quais não podemos esquecer de levar adiante: nossos desafios.

O primeiro deles é descobrir o que é causa e efeito. Pessoalmente, creio que a queda da participação dos rendimentos é uma das causas das taxas medíocres de crescimento e não o inverso. Discordo da tese, não presente neste estudo, mas sustentada por muitos, de que é necessário fazer primeiro o bolo crescer para depois melhorar a distribuição. E não tenho dúvidas de que a melhor maneira é trabalhar para ambos os caminhos estarem lado a lado, ou seja, aconteçam simultaneamente.

Mas, é claro, corremos alguns riscos ao enfrentar determinados obstáculos os quais o professor revela no estudo. O primeiro deles é a incapacidade de definir, de forma objetiva, o problema do qual queremos nos ocupar.

Há vários desafios. Na Gelre, estamos principalmente interessados em dois deles: como aumentar a participação do trabalho no PNB -Produto Nacional Bruto -, e de que forma tornar menos desigual a distribuição da parte da renda destinada ao trabalho.

Neste sentido, este ensaio é o ponto de partida para uma série de estudos que pretendemos desenvolver e que, esperamos, sejam úteis às pessoas responsáveis pelas decisões e pelo direcionamento do trabalho necessário para livrar o Brasil dos "horizontes sombrios e da falta de perspectivas que assolam a juventude brasileira", nas palavras do professor Quadros.

Não tenho dúvida de que isto passará pela reordenação da atividade econômica de toda sociedade: o trabalho.

Distribuição de renda se faz de duas maneiras: pela troca ou pela doação. A primeira e principal é a troca. E entre as formas de desenvolver este ponto, uma delas é a de renda por trabalho. Um mecanismo que deve ser aperfeiçoado para elevar o padrão de vida de todos os brasileiros. A doação, a transferência sem retribuição, apenas complementa.

Cabe aqui agradecer ao professor Waldir Quadros pelo seu excelente estudo e desejar que este ensaio possa enriquecer o entendimento de todos nós. Da nossa parte, firmamos o compromisso de que continuaremos não só buscando entender melhor os desafios, como também trabalhando arduamente no enfrentamento.

Jan Wiegerinck, presidente da Organização Gelre

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