Recuperação sustentável não virá sem distribuição de renda
Data: 04/Agosto/2004

O artifício da geração de trabalho tem tido uma repercussão nacional, porém, sem um salário digno pode causar um grande prejuízo na economia do país, devido à falta de uma recuperação sustentável.

Destaca a Folha de S. Paulo, Folha Dinheiro de 01/08/04, crescem os empregos, mas com salários baixos. A situação econômica continua precária, apesar do trabalho. A queda do valor salarial formal deprecia a economia do país.

A recuperação da renda reflete no consumo que é indispensável para qualquer economia. Quando vamos obter o apoio governamental para a distribuição de renda?
As empresas solicitam recursos humanos capazes, mas não pagam para isso.Uma instrução de qualidade é a solução para que a sociedade organize seu mercado de trabalho.

A exploração do ser é pela mais- valia e salários mal pagos, inclusive, provocando a inadimplência, a pobreza, a insatisfação que desintegra o social. O salário é uma das formas de escravidão das pessoas, pois trabalham muito para ganhar pouco, ou melhor, o insuficiente para Ter uma vida mais digna.

No século XXI, numa economia de mercado que passa por mudanças e por reformas, apesar delas, não se conseguiram atingir o pleno emprego com distribuição de renda. Uma dessas grandes mudanças está numa nova concepção de empresa organizada pelo capital produtivo e cujo o desenvolvimento geraria trabalhos, lucros e distribuição de renda.

Um novo elemento é a desconcentração de renda, que passa a fazer uso desta para consumir e estimular a geração de empregos, especialmente de serviços e pequenos negócios, organizando a base de baixo para cima.

O salário mínimo atual não permite um aumento do consumo, pois mal dá para a sobrevivência dos trabalhadores e das famílias, e pelo contrário, aumenta a insatisfação social . Nos países em que a distribuição de renda existe, essa acaba gerando mais empregos, restringindo a pobreza e formando uma auto- sustentação.
Uma grande quantidade dos habitantes do País vive com salários reduzidos, quando a distribuição de renda não seria somente um princípio de justiça social e tributária, mas também aumentaria o poder aquisitivo, para uma vida melhor e um maior consumo. Uma das grandes mudanças necessárias é a reforma tributária, dependente direta da justiça fiscal, com novas poli´ticas públicas e garantia de renda. A distribuição de renda aumenta a geração de empregos e o acesso aos serviços pessoais. Com isso, as famílias de baixo rendimento seriam voltadas para o desenvolvimento, criando-se uma evolução pela satisfação de viver bem.

A geração de trabalho é indispensável nessa economia de mercado globalizado, que precisa organizar o mercado consumidor e o mercado de consumo. Uma política de bem estar social virá da hegemonia sócio- econômica, numa semi-integração entre os países ricos e os pobres que dará lugar à ampliação da renda e do emprego, numa ação global. A política de seguridade social precisa ser mudada não somente nos países pobres, mas também nos avançados. Não apenas com a reforma tributária, mas igualmente com a diminuição da evasão social, geração de trabalho, distribuição de renda, com uma racionalização e uma diminuição dos gastos, acabando com o nepotismo, com a corrupção, etc... Sonho?

A globalização da economia precisa do desenvolvimento da sociedade, pois, deve trazer serviços de qualidade, com melhor educação, saúde e assistência social. Tudo isso gera trabalho.

A desconcentração da riqueza procederá do lucro da empresa, através do uso da mão-de-obra. Uma política de bem-estar social deve fornecer o necessário para a subsistência através da distribuição de renda e da geração de trabalho.

O estado precisa fazer parcerias com as Organizações Não-Governamentais – ONGs, para estabelecer compromissos mútuos, devidos sua ação limitada e a falta de uma política atuante.

O proposto para a geração de trabalho é através da autonomia na organização da empresa, distribuindo a renda pelo desenvolvimento dos cooperadores/donos, a fim de compartilharem os recursos humanos, com um econômico-financeiro sustentado.
O mercado de trabalho é organizado através da participação do homem, uma vez que a produção procederá de sua necessidade. A organização de baixo para cima é via a simbiose sócio-econômica, que aumenta o número de empresas em semi-integração, pois se organiza através do desenvolvimento, via software.

A sugestão é a geração de trabalho, através da organização de uma empresa em que todos sejam cooperadores/donos e usuários do capital, e compartilhem os recursos humanos, materiais e econômico-financeiros, numa cooperação econômica. O desenvolvimento dos recursos humanos é indispensável para fixar o homem no local de trabalho e organizar o mercado interno, através de um software livre, em benefício da humanidade.

Rosalvi Monteagudo é formada em Biblioteconomia pela USP e pós-graduada em Ciência da Informação e em Cooperativismo. Polêmica, ousada e visionária, Rosalvi ministrou uma das palestras mais concorridas no último Fórum Social Mundial de Porto Alegre. Fundadora e dirigente de diversas ONGs, ela desmonta o mito que o cooperativismo é a saída para a inserção de desempregados no mercado de trabalho. “A cooperativa tem sim um papel importante, mas não na forma que é organizada atualmente e cujo modelo fracassou no Brasil”, afirma a estudiosa.

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