O CANDIDATO AO BATISMO E O SALVO

O texto abaixo, em azul, foi extraído do estudo "O batismo bíblico" do pastor Gilberto Stefano.


Preocupados em ter um número cada vez maior de fiéis em sua igreja, muitos pastores se esquecem de uma grande exigência bíblica para o batismo, que é o do candidato ser uma pessoa apropriada. Preocupados em receber mais ofertas e que sua igreja estará mais cheia, nem pensam que o candidato precisa ser uma pessoa que tenha feito uma sincera profissão de fé, e que como a Bíblia ensina, tenha se tornado uma nova criatura, deixando a velha vida de pecados para trás, procurando viver uma nova vida (dada por Jesus) voltada para Cristo e para sua Igreja.

Não pode ser um candidato apropriado aquele que professa Cristo como Senhor, e no entanto, o mundo ainda continua a mandar em sua vida. Ele aceitou Jesus de boca mas ainda ama o tabaco. Aceitou Jesus de palavras mas ainda é escravo do álcool. Diz que é filho de Deus mas sua única preocupação são as coisas terrenas.

É comum numa igreja que realmente professa o nome de Jesus Cristo o candidato passar por uma avaliação de conhecimentos e bom testemunho. A igreja, representada pelo pastor e seus membros, certamente pode interrogar o candidato (como fez Filipe a Eunuco quando este lhe pediu batismo). São perguntas básicas como: "Por que você quer ser batizado? Que significa o batismo? Para que serve o batismo? Tem certeza de sua salvação eterna? Entre outras de acordo com a exigência de cada igreja local. Certas perguntas são básicas. Precisam ser perguntadas e necessitam de respostas certas. Filipe fez uma pergunta básica: "Podes, se crer de todo o coração", e a resposta foi certa: "Eu creio que Jesus é o Filho de Deus...". Algumas pessoas, muito espertas, sabem decor as perguntas, mas suas vidas dão um testemunho contrário à sua fé. Por exemplo: Se o candidato aceitou Jesus, e era católico praticante, certamente foi um idólatra; Caso ele continue a adorar ídolos e imagens, ou pelo menos guardá-las a escondido, é uma prova de que Cristo ainda não é o Senhor absoluto de sua vida. O mesmo se dá com vícios, costumes errados e prazeres indignos, que, orientados pela igreja local, deve o candidato ter abandonado a tudo que lhe atrapalha de servir o seu novo dono, Jesus.

Toda Igreja que não faz avaliações sinceras dos candidatos à batismo estará correndo sérios riscos. O mais grave é de colocar na mesa do Senhor pessoas indignas, ou seja, encher a casa do Senhor de incrédulos e chamá-los de irmãos. Após essa tragédia vem as futuras conseqüências, ou seja, o testemunho deles irá falhar, e quem passará a vergonha pública é a própria igreja que o aceitou sem ter feito as prévias avaliações. Se fazendo as prévias avaliações já corre o risco da pessoa se desviar, imagine ir aceitando qualquer um. Existem pessoas que só querem pertencer a uma religião, tanto faz ser numa igreja católica ou protestante. Por isso, numa entrevista sincera com ele, a igreja saberá de suas intenções. A prévia entrevista é uma arma contra futuros problemas com a membresia.


Temos, atualmente, alguns problemas relacionados à boa manutenção da seleção pro batismo.
A princípio, o batismo deveria ser oferecido apenas para as pessoas realmente convertidas. Mas como sabê-lo?
No entanto, para fazer essa verificação, é necessário um prolongado período de convivência intensiva e, mesmo assim, pode-se fazer um julgamento errado. Além disso, sendo a congregação muito grande, esse procedimento é inviável.
O certo seria que cada indivíduo fosse aceito no grupo, mesmo sem ser batizado e que este só fosse batizado quando tivesse total convicção de ser pecador, de ter arrependimento e de ser salvo, sem sofrer pressão nem coação de nenhum dos lados para fazê-lo. Quando isso acontecesse (o batismo), todos ficariam alegres e felizes.
Infelizmente, não é isso o que acontece.
Eu não estou dizendo que a pessoa não batizada deva ter acesso a todos os itens citados acima, pois não seria adequado; estou dizendo apenas que aqueles são benefícios que erradamente podem servir de incentivo, estímulo, motivação, meta ou alvo para a decisão pelo batismo, e isso, infelizmente, costuma acontecer.

Um outro problema é o batismo das crianças. Não estou recriminando o batismo de crianças que tenham convicção do que estão fazendo, mas muitos problemas devem ser combatidos. O caso fictício citado abaixo, em marrom, serve como exemplo.
Pedrinho nasceu em lar evangélico (veio de "berço evangélico") e foi criado na comunhão da igreja. Cresceu ouvindo a palavra de Deus. Foi educado segundo a orientação dos pastores e professores da escola dominical; seus pais também lhe deram uma boa educação cristã, embora nem sempre agissem de acordo com o que diziam. Frequentava uma grande igreja, com muitos amiguinhos. Ao atingir uma determinada idade, percebeu que todos os seus amiguinhos com a sua idade  (sem excessão) ingressaram na classe de batismo, pois já tinham atingido a idade mínima para isso. Pedrinho sabia que ainda não tinha convicção de que fosse pecador, de que tivesse se arrependido de seus pecados e de que Jesus fosse seu senhor e salvador, por isso tinha receio em ingressar na classe de batismo, pois tinha consciência de que não estava preparado para isso. No entanto, seus coleguinhas o recriminaram, pois, segundo eles, como pode uma pessoa que nasceu "na igreja" não estar preparada para o batismo? Seus pais também não compreendiam o porquê dele não querer ser batizado. "Estaria Pedrinho negando-se a ser cristão?". "Estaria se desviando?". Na reunião de oração, os pais de Pedrinho pedem para que os irmãos orem para Deus tocar no coração dele; para que saia dele o espírito de rebeldia. Os coleguinhas passam a tratá-lo de outra forma, como a um não convertido, alguém que precisa de ajuda. Pedrinho não suporta a pressão e, numa atitude de submissão aos pais e à liderança da igreja, aceita ser batizado. Todos ficam felizes, os pais de Pedrinho tiram várias fotos do ato do batismo, este momento tão importante para a família. Todos cumprimentam Pedrinho, parabenizando-o pela sua decisão. Seu relacionamento com os coleguinhas é restaurado, pois agora é um deles. Pedrinho é incorporado ao grupo de membros da igreja.
O exemplo acima mostra que as crianças são pressionadas por todos os lados a serem batizadas; na prática, não lhes é dada a liberdade de esperar o tempo certo.

Vejamos, agora, um outro exemplo, totalmente diferente, mas que redunda no mesmo problema.
João tem 19 anos e é convidado a ir a um culto na igreja, após ter recebido um prolongado trabalho de discipulado. Ao visitar a igreja, alegra-se bastante e passa a frequentar as atividades na igreja. Entusiasma-se bastante com os benefícios e oportunidades da igreja. João é músico, toca saxofone e é um excelente cantor. Também tem bastante habilidade com instalações de equipamentos de áudio e vídeo. Tem habilidades, também, com conserto de móveis. Sua vontade de pôr suas capacidades em prática dentro da igreja é muito grande e ele, com muita alegria, oferece-se para desempenhar algumas destas funções. No entanto, há um problema, João não é batizado e, por isso, não pode exercer estas funções. Ao ver o coral cantar, sofre muito por não poder estar naquele meio, ainda mais porque sabe que está capacidado e habilitado para cantar melhor do que muitos daqueles coristas (ou coralistas). A bandinha da igreja não possui nenhum saxofonista e João sofre muito por não poder preencher aquela lacuna. João tem dúvidas sobre sua fé em Cristo e, por isso, não está determinado a ser batizado. Num belo dia, ocorre um problema com o som, microfonia, e o rapaz da mesa se desespera por não encontrar o controle de volume; João, que estava por perto, toma a dianteira e logo resolve o problema; no final do culto, o rapaz da mesa diz a João: "É uma pena você não ser membro da igreja, senão você poderia trabalhar comigo aqui". João sente-se amarrado, excluído. Com o passar dos dias, João começa a se apaixonar por uma moça, de família tradicional da igreja; ela foi criada "na igreja" e foi batizada logo que teve a idade necessária para isso. Após várias semanas de troca de olhares, ele resolve falar com ela. Ela, por sua vêz, fala com sua mãe, que diz:"Minha filha, esse rapaz é muito bom, mas não é batizado. Você deve namorar alguém batizado". A moça, muito triste, diz a João que não poderia namorá-lo e algum tempo depois, João descobre que o motivo era o fato dele não ter sido batizado. Após algum tempo de convivência com os irmãos, João presencia alguns deles, batizados, tendo atitudes piores do que as de João antes dele entrar para a igreja. João não suporta a pressão e, numa atitude de precipitação, aceita ser batizado. Todos ficam felizes. No dia do batismo, todos cumprimentam João, parabenizando-o pela sua decisão. A mãe da moça diz à filha: "Minha filha, agora eu vejo que esse rapaz realmente leva Deus a sério em sua vida, pois foi batizado. Agora você pode namorá-lo, pois ele é um rapaz da igreja". João agora pode exercer seu ministério e namorar a moça de quem gosta, além de ser tratado com igualdade pelos colegas da igreja.


Leiamos os seguintes trechos:

A porta de Jesus é estreita, poucos passam por ela. O caminho que conduz para a vida é apertado e poucos acertam. Quando Jesus disse "Esforçai-vos por entrar pela porta estreita...", ele estava falando com seus seguidores, ou seja, as seis citações acima são direcionadas para os cristãos e não para a humanidade como um todo, pois vemos que muitos são chamados, ou seja, muitos se consideram cristãos e são membros de igrejas evangélicas, mas poucos são escolhidos, ou seja, poucos de fato se convertem.

Mateus 7:21-23 Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade.

Lucas 13:25-28 Quando o dono da casa se tiver levantado e fechado a porta, e vós, do lado de fora, começardes a bater, dizendo: Senhor, abre-nos a porta, ele vos responderá: Não sei donde sois. Então, direis: Comíamos e bebíamos na tua presença, e ensinavas em nossas ruas. Mas ele vos dirá: Não sei donde vós sois; apartai-vos de mim, vós todos os que praticais iniqüidades. Ali haverá choro e ranger de dentes, quando virdes, no reino de Deus, Abraão, Isaque, Jacó e todos os profetas, mas vós, lançados fora.

Tenhamos essas palavras em nossos corações. Muitos frequentam as igrejas, cantam, tocam, pregam, evangelizam, auxiliam, prestam assistência, amparam, ensinam, mas poucos entrarão no reino de Deus. Não se escandalizem quando sofrerem alguma decepção ou frustração dentro do corpo da igreja, pois isso já foi previsto por Jesus. Não se enganem nem se iludam com pesquisas que afirmam que a porcentagem de evangélicos no Brasil está aumentando, pois a porcentagem de salvos sempre será pequena, caso contrário Jesus teria mentido.

No entanto, isso não nos isenta de nossa responsabilidade e compromisso dentro do meio cristão; como mostram os trechos abaixo: As frases acima valem também entre os cristãos, ou seja, os verdadeiramente salvos devem brilhar diante dos que pensam estar salvos, para a glória do Pai.

Romanos 14:12 Assim, pois, cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus.

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