Preocupados em ter um número cada vez maior de fiéis em sua igreja, muitos pastores se esquecem de uma grande exigência bíblica para o batismo, que é o do candidato ser uma pessoa apropriada. Preocupados em receber mais ofertas e que sua igreja estará mais cheia, nem pensam que o candidato precisa ser uma pessoa que tenha feito uma sincera profissão de fé, e que como a Bíblia ensina, tenha se tornado uma nova criatura, deixando a velha vida de pecados para trás, procurando viver uma nova vida (dada por Jesus) voltada para Cristo e para sua Igreja.
Não pode ser um candidato apropriado aquele que professa Cristo como Senhor, e no entanto, o mundo ainda continua a mandar em sua vida. Ele aceitou Jesus de boca mas ainda ama o tabaco. Aceitou Jesus de palavras mas ainda é escravo do álcool. Diz que é filho de Deus mas sua única preocupação são as coisas terrenas.
É comum numa igreja que realmente professa o nome de Jesus Cristo o candidato passar por uma avaliação de conhecimentos e bom testemunho. A igreja, representada pelo pastor e seus membros, certamente pode interrogar o candidato (como fez Filipe a Eunuco quando este lhe pediu batismo). São perguntas básicas como: "Por que você quer ser batizado? Que significa o batismo? Para que serve o batismo? Tem certeza de sua salvação eterna? Entre outras de acordo com a exigência de cada igreja local. Certas perguntas são básicas. Precisam ser perguntadas e necessitam de respostas certas. Filipe fez uma pergunta básica: "Podes, se crer de todo o coração", e a resposta foi certa: "Eu creio que Jesus é o Filho de Deus...". Algumas pessoas, muito espertas, sabem decor as perguntas, mas suas vidas dão um testemunho contrário à sua fé. Por exemplo: Se o candidato aceitou Jesus, e era católico praticante, certamente foi um idólatra; Caso ele continue a adorar ídolos e imagens, ou pelo menos guardá-las a escondido, é uma prova de que Cristo ainda não é o Senhor absoluto de sua vida. O mesmo se dá com vícios, costumes errados e prazeres indignos, que, orientados pela igreja local, deve o candidato ter abandonado a tudo que lhe atrapalha de servir o seu novo dono, Jesus.
Toda Igreja que não faz avaliações sinceras dos candidatos à batismo estará correndo sérios riscos. O mais grave é de colocar na mesa do Senhor pessoas indignas, ou seja, encher a casa do Senhor de incrédulos e chamá-los de irmãos. Após essa tragédia vem as futuras conseqüências, ou seja, o testemunho deles irá falhar, e quem passará a vergonha pública é a própria igreja que o aceitou sem ter feito as prévias avaliações. Se fazendo as prévias avaliações já corre o risco da pessoa se desviar, imagine ir aceitando qualquer um. Existem pessoas que só querem pertencer a uma religião, tanto faz ser numa igreja católica ou protestante. Por isso, numa entrevista sincera com ele, a igreja saberá de suas intenções. A prévia entrevista é uma arma contra futuros problemas com a membresia.
Um outro problema é o batismo das crianças.
Não estou recriminando o batismo de crianças que tenham convicção do que estão
fazendo, mas muitos problemas devem ser combatidos. O caso fictício citado
abaixo, em marrom, serve como exemplo.
Pedrinho nasceu em
lar evangélico (veio de "berço evangélico") e foi criado na comunhão da igreja.
Cresceu ouvindo a palavra de Deus. Foi educado segundo a orientação dos pastores
e professores da escola dominical; seus pais também lhe deram uma boa educação
cristã, embora nem sempre agissem de acordo com o que diziam. Frequentava uma
grande igreja, com muitos amiguinhos. Ao atingir uma determinada idade, percebeu
que todos os seus amiguinhos com a sua idade (sem excessão) ingressaram na
classe de batismo, pois já tinham atingido a idade mínima para isso. Pedrinho
sabia que ainda não tinha convicção de que fosse pecador, de que tivesse se
arrependido de seus pecados e de que Jesus fosse seu senhor e salvador, por isso
tinha receio em ingressar na classe de batismo, pois tinha consciência de que
não estava preparado para isso. No entanto, seus coleguinhas o recriminaram,
pois, segundo eles, como pode uma pessoa que nasceu "na igreja" não estar
preparada para o batismo? Seus pais também não compreendiam o porquê dele não
querer ser batizado. "Estaria Pedrinho negando-se a ser cristão?". "Estaria se
desviando?". Na reunião de oração, os pais de Pedrinho pedem para que os irmãos
orem para Deus tocar no coração dele; para que saia dele o espírito de rebeldia.
Os coleguinhas passam a tratá-lo de outra forma, como a um não convertido,
alguém que precisa de ajuda. Pedrinho não suporta a pressão e, numa atitude de
submissão aos pais e à liderança da igreja, aceita ser batizado. Todos ficam
felizes, os pais de Pedrinho tiram várias fotos do ato do batismo, este momento
tão importante para a família. Todos cumprimentam Pedrinho, parabenizando-o pela
sua decisão. Seu relacionamento com os coleguinhas é restaurado, pois agora é um
deles. Pedrinho é incorporado ao grupo de membros da igreja.
O
exemplo acima mostra que as crianças são pressionadas por todos os lados a serem
batizadas; na prática, não lhes é dada a liberdade de esperar o tempo
certo.
Vejamos, agora, um outro exemplo, totalmente
diferente, mas que redunda no mesmo problema.
João tem 19
anos e é convidado a ir a um culto na igreja, após ter recebido um prolongado
trabalho de discipulado. Ao visitar a igreja, alegra-se bastante e passa a
frequentar as atividades na igreja. Entusiasma-se bastante com os benefícios e
oportunidades da igreja. João é músico, toca saxofone e é um excelente cantor.
Também tem bastante habilidade com instalações de equipamentos de áudio e vídeo.
Tem habilidades, também, com conserto de móveis. Sua vontade de pôr suas
capacidades em prática dentro da igreja é muito grande e ele, com muita alegria,
oferece-se para desempenhar algumas destas funções. No entanto, há um problema,
João não é batizado e, por isso, não pode exercer estas funções. Ao ver o coral
cantar, sofre muito por não poder estar naquele meio, ainda mais porque sabe que
está capacidado e habilitado para cantar melhor do que muitos daqueles coristas
(ou coralistas). A bandinha da igreja não possui nenhum saxofonista e João sofre
muito por não poder preencher aquela lacuna. João tem dúvidas sobre sua fé em
Cristo e, por isso, não está determinado a ser batizado. Num belo dia, ocorre um
problema com o som, microfonia, e o rapaz da mesa se desespera por não encontrar
o controle de volume; João, que estava por perto, toma a dianteira e logo
resolve o problema; no final do culto, o rapaz da mesa diz a João: "É uma pena
você não ser membro da igreja, senão você poderia trabalhar comigo aqui". João
sente-se amarrado, excluído. Com o passar dos dias, João começa a se apaixonar
por uma moça, de família tradicional da igreja; ela foi criada "na igreja" e foi
batizada logo que teve a idade necessária para isso. Após várias semanas de
troca de olhares, ele resolve falar com ela. Ela, por sua vêz, fala com sua mãe,
que diz:"Minha filha, esse rapaz é muito bom, mas não é batizado. Você deve
namorar alguém batizado". A moça, muito triste, diz a João que não poderia
namorá-lo e algum tempo depois, João descobre que o motivo era o fato dele não
ter sido batizado. Após algum tempo de convivência com os irmãos, João presencia
alguns deles, batizados, tendo atitudes piores do que as de João antes dele
entrar para a igreja. João não suporta a pressão e, numa atitude de
precipitação, aceita ser batizado. Todos ficam felizes. No dia do batismo, todos
cumprimentam João, parabenizando-o pela sua decisão. A mãe da moça diz à filha:
"Minha filha, agora eu vejo que esse rapaz realmente leva Deus a sério em sua
vida, pois foi batizado. Agora você pode namorá-lo, pois ele é um rapaz da
igreja". João agora pode exercer seu ministério e namorar a moça de quem gosta,
além de ser tratado com igualdade pelos colegas da igreja.
A porta de Jesus é estreita, poucos passam por
ela. O caminho que conduz para a vida é apertado e poucos acertam. Quando Jesus
disse "Esforçai-vos por entrar pela porta estreita...", ele estava falando com
seus seguidores, ou seja, as seis citações acima são direcionadas para os
cristãos e não para a humanidade como um todo, pois vemos que muitos são
chamados, ou seja, muitos se consideram cristãos e são membros de igrejas
evangélicas, mas poucos são escolhidos, ou seja, poucos de fato se
convertem.
Mateus 7:21-23 Nem todo o que me
diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de
meu Pai, que está nos céus. Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor,
Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não
expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi
explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a
iniqüidade.
Lucas 13:25-28 Quando o
dono da casa se tiver levantado e fechado a porta, e vós, do lado de fora,
começardes a bater, dizendo: Senhor, abre-nos a porta, ele vos responderá: Não
sei donde sois. Então, direis: Comíamos e bebíamos na tua presença, e ensinavas
em nossas ruas. Mas ele vos dirá: Não sei donde vós sois; apartai-vos de mim,
vós todos os que praticais iniqüidades. Ali haverá choro e ranger de dentes,
quando virdes, no reino de Deus, Abraão, Isaque, Jacó e todos os profetas, mas
vós, lançados fora.
Tenhamos essas palavras em nossos corações.
Muitos frequentam as igrejas, cantam, tocam, pregam, evangelizam, auxiliam,
prestam assistência, amparam, ensinam, mas poucos entrarão no reino de Deus. Não
se escandalizem quando sofrerem alguma decepção ou frustração dentro do corpo da
igreja, pois isso já foi previsto por Jesus. Não se enganem nem se iludam com
pesquisas que afirmam que a porcentagem de evangélicos no Brasil está
aumentando, pois a porcentagem de salvos sempre será pequena, caso contrário
Jesus teria mentido.
Romanos 14:12 Assim, pois, cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus.