Fatos históricos
Este texto é de caráter histórico e não doutrinário nem evangelístico, ou seja, seu objetivo é o de apenas expor alguns fatos históricos sobre a igreja de Cristo ao longo destes dois milênios. Não se pretende atingir nenhuma denominação nem fazer nenhuma crítica, é apenas uma exposição dos acontecimentos sob a ótica cristã.Se a igreja morreu em 313 e só nasceu na reforma, como dizem alguns historiadores do cristianismo, então Cristo mentiu. Sim, pois, por mil e duzentos anos a igreja permaneceu derrotada por Satanás, e assim, as portas do inferno prevaleceram contra ela. Teria, por acaso, Satanás fechado a porta da igreja de Jesus por mil e duzentos anos? Não! De forma alguma, pois Cristo fez outra promessa em Apocalipse 3,7: "Isto diz o que é Santo, o que é verdadeiro, o que tem a chave de Davi; o que abre, e ninguém fecha; e fecha e ninguém abre."
Ninguém jamais poderá fechar a porta da igreja de Cristo. Ela sempre sobreviveu e nunca deixou de existir nestes dois mil anos de permanência sobre a face da terra. Apesar de Satanás ter plantado a Igreja Infiel e Prostituta, mesmo assim a Igreja de Jesus Cristo sempre permaneceu fiel aos princípios bíblicos. Houve uma linha paralela entre as duas igrejas. Nossa história não conta isso, mas o sangue dos mártires está clamando a Deus, como clamou o sangue de Abel.
"Outra vez um bispo romano, Estevão, que instigado pelo espirito de arrogância eclesiástica, dominação e zelo, sem conhecimento, ligou a este ponto (salvação pelo batismo), uma importância dominante. Daí, para o fim do ano de 253 d.C. lavrou uma sentença de excomunhão contra os bispos (ou pastores) da Ásia Menor, Capadócia, Galáxia, e Cilicia, estigmatizando-os (dando-lhes o apelido) de anabatistas, um nome, contudo, que eles podiam afirmar que não mereciam por seus princípios: porque não era o seu desejo administrar um segundo batismo aqueles que tinham sido batizados, mas disputavam que o prévio batismo dado por hereges não podia ser reconhecido como verdadeiro. Isto induziu Cipriano, o bispo a propor o ponto para a discussão em dois sínodos reunidos em Cartago em 225 d.C. um composto de 18, outro de 71 pastores, Ambas as assembléias declarando-se a favor da idéia de que o batismo de heréticos não devia ser considerado como válido".
As Igrejas fiéis que excluíram as erradas da comunhão foram chamadas de anabatistas pelas igrejas erradas. E porque foram chamadas assim? O motivo foi que não mais aceitaram o batismo de um pastor que fosse ordenado por uma igreja sem a comunhão das demais. Por isso começaram a rebatizar os membros vindos das igrejas erradas. A própria palavra anabatista é uma palavra grega que significa "batizar outra vez".
Estas igrejas que foram chamadas de anabatistas foram duramente perseguidas pelas igrejas erradas após o ano de 313 d.C. Isso pode ser visto em qualquer enciclopédia honesta. Basta o leitor procurar a palavra Inquisição e verá com seus próprios olhos o que a Igreja católica fez para tentar exterminar os anabatistas da face da terra. Só que cumpriu-se as escrituras. As portas do inferno não prevaleceram, e sempre, sem interrupção de tempo, houve igrejas anabatistas esparramadas por todos os lugares. Viveram escondidos, humilhados e perseguidos por mais de mil e quatrocentos anos, mas nunca deixaram de existir. Sempre levaram o sobrenome de anabatista.
"Em Zurique depois de muitas disputas entre Zwingli e os Anabatistas, o Senado promulgou uma lei, segundo a qual, aquele que se atrevesse a batizar alguém que tivesse sido batizado antes, na infância, fosse afogado! Em Viena muitos Anabatistas foram ligados uns aos outros por cadeias, sendo então arrastados até ao rio, onde, um a um, foram todos afogados". (Vide Supra, pg. 61).
"Em 1539, A. D. dois Anabatistas foram queimados além de Southwark e um pouco antes deles 5 Anabatistas holandeses foram também queimados em Smithfield" (Fuller Church History).
"No ano 1160 um grupo de Paulicianos (Batistas) entrou em Oxford . Henrique II ordenou que eles fossem publicamente marcados a fero na testa e acoitados através das ruas, com as vestes cortadas até a cintura, sendo, finalmente, enxotados para as estradas. Nas aldeias não lhes podia ser fornecido qualquer abrigo ou alimento e eles lentamente pereceram de fome e de frio" ( Moore, Earlier and Later Nonconformity, in Oxford 12).
Em menos de dez anos, houve 900 execuções de Batistas em Rottenburg nos dias da Reforma. Estas mortes muitas vezes eram ferozes e cruéis. A sentença para um crente Batista, Michael Sateler, reza assim: "Michael Sateler será entregue ao carrasco, que vai levá-lo ao lugar de execução e cortar fora sua língua; ele o jogará numa carroça e duas vezes arrancar a suas carnes com pinças quentes; depois vai levá-lo ao portão da cidade e torturar sua carne da mesma maneira." E assim que Sateler morreu, em Rottenburg 21 de maio de 1527, sua esposa e outras mulheres foram afogadas e muitos homens foram degolados.
"Não fosse o fato de terem os batistas sido penosamente atormentados e apunhalados durante os mil e duzentos anos, eles seriam mais numerosos mesmo do que todos os que vieram da Reforma!" (Hosius, Letters, Apud Opera, paginas 112,113).
Este sobrenome só caiu no começo do século XVII, quando o prefixo "ana" deixou de ser usado, e ficando apenas o apelido de "batistas". Os batistas são os verdadeiros descendentes espirituais da igreja primitiva do Novo Testamento.
No início do século XVI a Igreja Católica teve pelo menos três grandes divisões. A divisão Luterana na Alemanha e países Nórdicos. A divisão Calvinista na Europa Central. E a divisão Anglicana na Inglaterra. Hoje essas igrejas são chamadas de: Luteranas, Presbiterianas, Reformadas da Holanda, Anglicana e Congregacionalistas. São estas as igrejas que vieram do Protestantismo Histórico.
Os líderes Luteranos, e alguns Reformados, que fizeram o apelo no famoso Concilio de Speier, protestaram só para si, em seu próprio nome. Não incluíram os Batistas que, deles, aliás afirmaram "Todos os Anabatistas e pessoas rebatizadas, macho ou fêmea, de idade madura, serão julgados e levados da vida natural à morte, por fogo, ou espada ou qualquer outra forma, como pode beneficiar as pessoas, sem julgamento prévio de juizes espirituais." Os Batistas de então não fizeram parte da reforma protestante.
Os Protestantes datam do século 16. São Luteranos, Reformados, e outros que eram Católicos Romanos mas deixaram sua fé católica para começar suas próprias denominações. Os Batistas não saíram de Roma como Lutero, Calvino e Zwingli, porque nunca pertenceram a ela.
Na Alemanha quem era católico tornou-se luterano. Na Escócia quem era católico tornou-se presbiteriano. Na Holanda quem era católico tornou-se membro da Igreja reformada da Holanda. Na Inglaterra quem era católico tornou-se membro da igreja Anglicana. Todas estas denominações protestantes batizavam e ainda batizam por aspersão. E porque batizavam assim? É porque foi assim que aprenderam da Mãe Roma. É bom lembrar que não temos registros de que pessoas foram "rebatizadas" quando entraram nessas igrejas protestantes. Elas foram aceitas, mesmo possuindo o batismo católico. Para a Igreja Católica o batismo é um meio de salvação, ou, como eles mesmo chamam, "sacramento". Foi visto já neste estudo que para a igrejas Luteranas, Presbiterianas, Congregacionais, Anglicanas e as reformadas da Holanda, o batismo tem como desígnio não um quadro simbolizando a morte, sepultamento e ressurreição de Cristo, mas é um sacramento também, e se é sacramento é um meio de Salvação.
Os anabatistas do século XVI não aceitaram como válido os batismos dos protestantes históricos. Foi devido a essa não aceitação que Lutero ordenou a morte de mais de cem mil anabatistas em um só dia na Alemanha. Calvino também, irado por não ser aceito pelos anabatistas como um pastor bíblico (pois não era) perseguiu e ordenou a morte de alguns anabatistas na cidade de Genebra.
Os Protestantes olham para algum homem como seu Fundador, muitas usando seu próprio nome no nome da Igreja. Os Luteranos vem do Martinho Lutero. Os Reformados de João Calvino. Os Presbiterianos de João Knox. Os Metodistas abertamente dizem que o seu Fundador foi João Wesley. Mas quem fundou as Igrejas Batistas? Eis a pergunta histórica digna de investigação séria. É impossível achar um só homem que deu começo às Igrejas Batistas. Porem, se vamos usar nomes de fundadores humanos, devemos olhar para Pedro, Paulo, Tiago e João etc. Os Luteranos vieram de Alemanha, os Reformados de Suíça e os Paises Baixos, os Presbiterianos de Escócia, os Episcopais de Inglaterra, mas os Batistas teriam que dizer que a sua origem é Jerusalém.
O conhecedor da história sabe que o principio do metodismo trouxe uma grande transformação da vida de seus crentes. Eram batizados da forma correta? Aos metodistas originais não. Eram batizados por aspersão. Mas há casos de metodistas batizados por imersão, e assim o modo torna-se correto. Eram batizados pelo desígnio correto? Não. Basicamente o batismo era para eles um sacramento e não uma ordenança. Mas já vi livros que indicam que entre os Metodistas Livres há uma aceitação de que o batismo é uma ordenança e não um sacramento. E o administrante? Wesley foi batizado por imersão pelos irmãos morávios em um navio. Esses irmãos morávios eram verdadeiros anabatistas.
As igrejas pentecostais têm duas origens distintas. A primeira origem é a que veio das Igrejas Holiness Weslyanas. Essas igrejas são uma divisão das igrejas metodistas originais. A ordenação de um pastor holiness weslyano veio de pastores metodistas, e os dos metodistas dos anglicanos, e o dos anglicanos dos padres. A segunda origem do pentecostalismo está das igrejas que saíram dos grupos reformados. Muitos pastores pentecostais eram ex-luteranos, ex-metodistas, ex-presbiterianos. Porém, a maior igreja pentecostal, principalmente no Brasil, que é a Assembléia de Deus, nasceu dentro da Igreja Batista de Belém do Pará.
O caso da Assembléia é muito importante, pois ela é a mãe e avó da maioria das igrejas pentecostais no Brasil (com exceção da Cristã do Brasil). Vejamos abaixo como surgiu a Assembléia de Deus no Brasil. As informações abaixo são tiradas dos livros A História dos Batistas e do Diário de Gunnar Vingren e Daniel Berg, fundadores das Assembléias de Deus no Brasil.
Em 1909 desembarcaram no Brasil dois pastores batistas. Chamavam-se: Gunnar Vingren e Daniel Berg. Estes dois foram pastores batistas nos Estados Unidos, mas devido se unirem ao movimento pentecostal realizado na Rua Azuza 312, em Los Angeles, precisaram ser excluídos das igrejas batistas que ministravam por causarem a divisão dos membros e distúrbios da ordem na igreja. Ao chegarem no Brasil foram apresentados ao pastor Justus Nelson, o pastor da Igreja Batista de Belém do Pará. Pediram entrada nessa igreja, entrada esta que foi de princípio negada por não terem carta de transferencia (e nem poderiam ter, pois tinham sido excluídos). Omitindo que eram membros excluídos, apresentaram-se como verdadeiros pastores batistas, e isso lhes deu o privilégio de morarem no porão da igreja até conseguirem se instalar em outro lugar. Por aquele tempo o pastor Justus Nelson precisou viajar para o Sudeste do país, pois veio a uma Convenção Batista. Foi neste tempo que esses dois pastores causaram um grande problema ao pastor que os recebeu.
Sem a presença do pastor, e ajudado por um co-moderador da igreja, José Plácito da Costa, eles conseguiram filiação na igreja, mesmo sem as cartas de transferência. Começaram então a induzir alguns membros a ficarem após o culto a assistir suas reuniões, às quais, eram feitas sem o conhecimento da igreja e no porão onde estavam instalados. Em seus cultos havia muito barulho e êxtases, e alguns começaram a dizer que tinham recebido dos dois pastores o que eles chamam de "batismo com fogo".
Um irmão da igreja, o evangelista Raimundo Nobre, descobriu o caso, e logo comunicou a igreja. Foi feita uma reunião para apurar o caso, e nessa reunião os dois pastores e mais onze membros da igreja foram excluídos, isso no ano de 1910. Segundo o historiador da Igreja Batista de Belém, Antônio B Almeida, Vingren e Berg continuaram a realizar trabalho de proselitismo entre os membros da Igreja, em lugar de evangelizarem os descrentes. O proselitismo perdurou por toda a sua vida. Em seu diário Vingren diz: "Por onde iam, buscavam nas igrejas e casas dos batistas infundirem o novo batismo".
A Assembléia é mãe de quase todas as igrejas pentecostais no Brasil e no mundo, com raras exceções (que é o caso da Congregação Cristã). Ela é mãe da Quadrangular, Brasil Para Cristo, Deus é Amor, Só o Senhor é Deus, Casa da Benção e etc. Estas igrejas, por sua vez, são mães de outras igrejas como a IURD, Vida Nova, Internacional da Graça entre muitas outras consideradas neopentecostais.
Vejamos o caso das igrejas batistas renovadas, ou do evangelho pleno como algumas são chamadas. As renovadas saíram de nosso meio em 1965, justamente no ano da grande campanha evangelística. Naquele ano as igrejas batistas estavam empenhadas a evangelizar o Brasil! Porém, algumas delas, lideradas pelo pastor Enéias Tognini, estavam preocupadas em dividir o corpo de Cristo. Essas igrejas foram excluídas da comunhão das igrejas batistas.Mesmo levando o nome de batistas, devem ser tidas como as outras igrejas pentecostais.
Gostaria de reforçar que minha intenção com este texto não é fazer nenhum tipo de crítica denominacional. Frequentei, por muito tempo, a igreja Presbiteriana, denominação da qual veio minha famíla, também frequentei por seis meses a igreja Metodista, onde fazia parte da classe de catecúmenos. Me converti em igreja pentecostal, de onde fui membro por quatro anos e meio. Tenho muito respeito e admiração por estas igrejas.
Extraído do estudo "O batismo bíblico", Pr. Gilberto e do estudo de Vernon C. Lyons Stefano
Deut. 32:7 "Lembra-te dos dias da antigüidade, atenta para os anos de muitas gerações: pergunta a teu pai e ele te informa, aos teus anciãos e eles to dirão."